Revista Brasileira de Psicoteratia

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Vol 17 N° 2  2015

 

Editorial
1 -  Editorial a convite
Patrícia Fabrício Lago; Paulo Fernando Bittencourt Soares
Páginas: 1 - 2

Descritores:

Artigos Originais
2 -  Ainda o futuro das psicoterapias - 2015 e além?
Sidnei S. Schestatsky
Páginas: 3 - 10

Resumo

Discutem-se as perspectivas futuras das psicoterapias a partir de "previsões" levantadas por trabalhos publicados em 1987, 1999 e revisitados em 2014. Indica-se que a principal evolução das técnicas psicoterápicas, nestes últimos 30 anos, foi sua maturidade científica em termos de um consistente corpo de pesquisas atestando sua eficácia e efetividade em diversos quadros psiquiátricos. Apesar desse cenário mais favorável, discutem-se algumas das razões de por que as psicoterapias parecem ainda estar na defensiva em relação ao uso de psicofármacos e outras intervenções não psicológicas, e se conclui sugerindo a criação de uma entidade nacional e independente de psicoterapeutas, que possa normatizar e fiscalizar mais adequadamente suas funções, treinamento, educação contínua e políticas públicas adequadas.

Descritores: Psicoterapias. Pesquisas. Diretivas de futuro. Organização da formação profissional.

3 -  Sobre os "tratamentos à distância" em psicoterapia de orientação analítica
Antonio Carlos J. Pires
Páginas: 11 - 21

Resumo

O autor apresenta, de forma sucinta, uma revisão bibliográfica sobre os assim chamados "tratamentos psicoterápicos e analíticos à distância": por telefone, via Skype ou e-mails. Fica claro o fato de não existirem artigos com corpo teórico consistente para dar suporte científico a essa variante técnica; tampouco parece haver evidências clínicas convincentes de que essa inovação possa funcionar em molde semelhante ao do método standard. O autor conclui afirmando que novas pesquisas precisam ser feitas nessa área, sempre incluindo material clínico com sessões dialogadas, para que se possa ter uma avaliação mais apurada dessa novidade técnica.

Descritores: 'tratamentos à distância' em psicoterapia de orientação analítica e psicanálise, por telefone, via Skype ou e-mails.

4 -  Senhores da própria vida: verdade ou ilusão?
Paulo Seixas
Páginas: 22 - 34

Resumo

Refletir sobre a problemática das relações entre indivíduo e cultura envolve vários ângulos de abordagem. No texto que se segue procuraremos refletir o tema à luz de alguns marcos referenciais, como a obra de Freud intitulada O Mal-Estar na Civilização (1930), cuja complexidade remete ao filósofo inglês Thomas Hobbes, no século XVII. Nos meados do século XX surgiu o conceito de "identificação adesiva" proposto pela psicanalista Esther Bick, que, embora pesquisado no ângulo específico da psicopatologia, permite uma ampla aplicação no contexto social e cultural. Na última década do século XX, a descoberta dos "neurônios-espelho" no âmbito das neurociências colocou em evidência a teoria do "desejo mimético", elaborada pelo antropólogo e filósofo francês René Girard, que, ao longo das últimas décadas, tem propiciado intensos diálogos com a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise.

Descritores: Cultura; Desejo; Subjetividade; Neurônio-espelho; Identificação adesiva; Mimetismo.

Artigos de Revisão
5 -  Novas abordagens terapêuticas - terapias on-line
Tiago Crestana
Páginas: 35 - 43

Resumo

Vivemos em um tempo caracterizado por movimento, fluidez e flexibilidade. Somos, cada vez mais em nossos consultórios, confrontados com as inovações impostas por esta sociedade hipermoderna. Diversas formas de comunicação foram surgindo e evoluindo após a consolidação do uso da internet. Diariamente, nos são propostas novas formas de comunicação pelos nossos pacientes, como telefonemas, mensagens, e-mails e atendimentos à distância. Nesse sentido, este trabalho faz uma breve revisão a respeito das terapias on-line e discute algumas dificuldades relacionadas ao assunto. Também apresenta um levantamento realizado em nosso meio, mostrando como alguns colegas veem e realizam essa modalidade de tratamento.

Descritores: Psicoterapia. Internet. Meios de comunicação.

6 -  Precisamos falar sobre tecnologia: caracterizando clinicamente os subtipos de dependência de tecnologia
Felipe Picon; Rafael Karam; Vitor Breda; Aline Restano; André Silveira; Daniel Spritzer
Páginas: 44 - 60

Resumo

Os desenvolvimentos tecnológicos na área das telecomunicações e tecnologia da informação modificaram não só como as pessoas se comunicam, mas também como elas se relacionam com a própria tecnologia. A forma extrema desse comportamento, conhecida como dependência de tecnologia, é um transtorno caracterizado pela inabilidade de controlar o uso de tecnologia (internet, jogos eletrônicos, smartphones) mesmo que esse uso já esteja causando impacto negativo nas principais áreas da vida do indivíduo (relacionamentos interpessoais, saúde física, desempenho acadêmico, desempenho no trabalho). O objetivo deste artigo é revisar os subtipos de dependência de tecnologia (jogos eletrônico, redes sociais, pornografia e smartphones) que apresentam maior relevância em nossa prática clínica, apresentando suas definições e características, e ilustrando-os através de vinhetas clínicas. Além disso, discutiremos como a avaliação da relação de nossos pacientes com as tecnologias pode ser útil do ponto de vista clínico mesmo para aqueles que não apresentem um transtorno decorrente desse uso nem o tenham como motivo da busca de atendimento.

Descritores: Dependência de jogos eletrônicos; Dependência de redes sociais; Dependência de pornografia; Dependência de smartphone; Dependência de tecnologia.

7 -  Violências: ontem, hoje e sempre?
Lisieux E. de Borba Telles; Vivian P. Day
Páginas: 61 - 68

Resumo

Este artigo tem por objetivo apresentar uma reflexão atualizada sobre o estudo da violência. Questionase a respeito das formas de apresentação, incidência e o quanto se pode subestimar ou superestimar o problema. Parte-se da observação de mudanças na cultura contemporânea, de dados mais recentes do Brasil, chegando-se à experiência diária das autoras como peritas numa instituição psiquiátrico-forense.

Descritores: Violência; Homicídio; Violência doméstica; Violência baseada no gênero.

8 -  Infância negada
Sheyla Maria Borowski
Páginas: 69 - 76

Resumo

O objetivo deste ensaio é analisar questões referentes às transformações atuais da infância, para buscar compreender o perfil da infância, sua relação com a cultura, as mudanças históricas e as tendências para os próximos tempos. A concepção hipermoderna de infância forma uma sociedade com incertezas, insegurança e ansiedade. Ao se borrar a fronteira entre a condição do infantil e do adulto, transforma-se também a condição da criança na cultura. Corre-se um risco de se criarem crianças como novos adultos em miniatura. Por isso, neste momento de grandes inovações científicas e tecnológicas, torna-se fundamental uma atitude de reflexão crítica e profunda, por parte da sociedade, sob forma de participação ativa nessa nova construção da infância, a fim de não perdermos alguns dos valores essenciais já conquistados, mas sim de agregá-los.

Descritores: Criança; Psicoterapia; Cultura.