Revista Brasileira de Psicoteratia

Submissão Online Revisar Artigo

Vol 17 N° 1  2015

 

Editorial
1 -  Revista Brasileira de Psicoterapia: estamos preparados para a internacionalização?
Neusa Sica da Rocha; Diogo Machado; Mariana Benetti Torres; Pricilla Braga; Rafael Stella Wellausen; Daniela Krieger; Carolina Padoan; Stefania Pigatto Teche
Páginas: 1 - 2

Descritores:

Artigos Originais
2 -  Uma leitura psicanalítica de "O Pequeno Príncipe"
Joana Maria Calejo Pinto Barroso Jorge
Páginas: 3 - 12

Resumo

INTRODUÇÃO: "O Principezinho" de Saint-Exupéry descreve a relação única e misteriosa vivida entre um piloto de avião e uma criança solitária, o principezinho. Pela sua riqueza em simbolismo e intensidade emocional, a obra apresenta-se como um ilustrativo ponto de partida para a exploração de conceitos psicanalíticos infantis.
OBJETIVOS: O presente trabalho tem como objetivo explorar conceitos relacionados com o processo analítico e o crescimento psíquico infantil, tendo por base a leitura da obra "O Principezinho" de Saint-Exupéry.
MÉTODOS: Foi realizada uma revisão da literatura e, a partir da construção de uma metáfora entre a relação principezinho-piloto ilustrada na obra e a relação terapêutica analista-analisando verificada num processo de análise, foram abordados diversos aspetos teórico-práticos envolvidos num processo psicoterapêutico de uma criança.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A leitura de "O Principezinho" possibilita a reflexão sobre o processo de análise, o desenvolvimento psíquico infantil e sobre a extrema importância da comunicação simbólica na psicoterapia com crianças.

Descritores: Psicoterapia; Teoria psicanalítica; Criança.

3 -  Alguns aspectos teóricos sobre o campo em uma psicoterapia de orientação analítica
Patrícia Ruschel Daudt
Páginas: 13 - 24

Resumo

O conceito de campo introduz um novo olhar sobre o fenômeno da relação terapêutica de orientação analítica. Ao considerar o analista como participante integral nessa relação, a situação analítica adquire um caráter complementar, ou seja, nenhum membro desse par pode ser entendido sem o outro. O propósito deste trabalho é o de abordar aspectos identificados no campo analítico em uma psicoterapia de orientação analítica. Como forma de ilustração apresenta-se uma vinheta clínica.

Descritores: Teoria psicanalítica; Psicoterapia; Relações interpessoais.

4 -  Desistência e Conclusão em Psicoterapia Psicanalítica, um estudo qualitativo de pacientes de Porto Alegre, Brasil
Simone Isabel Jung; Fernanda Barcellos Serralta; Maria Lucia Tiellet Nunes; Cláudio Laks Eizirik
Páginas: 25 - 40

Resumo

Este estudo compara o início e o fim do tratamento de pacientes classificados por seus psicoterapeutas como pacientes desistentes (D) e pacientes que concluíram a psicoterapia psicanalítica (PP). O objetivo do estudo é entender os fatores associados com o término unilateral e a conclusão da psicoterapia em uma clínica de psicoterapia psicanalítica comunitária ligada a um curso de pós-graduação em PP. Trata-se de um estudo qualitativo que examina o conteúdo de entrevistas iniciais e pós-tratamento de 10 casos de PP, cinco desistentes e cinco que concluíram o tratamento. O corpus analisado contava 236 páginas e gerou 672 unidades de registro, agrupadas em oito categorias, cinco das entrevistas iniciais e três das entrevistas pós-tratamento. Em comparação com o grupo C, no início da terapia, pacientes do grupo D mostravam objetivos menos amplos, menor disposição para a mudança e menos capacidade de insight, maior percepção negativa de tratamentos anteriores, mais transferência negativa e mais resistência. As entrevistas pós-tratamento indicaram que, durante a terapia, os pacientes que concluíram o tratamento tinham menor resistência que os desistentes. Além disso, após a terapia, pacientes que concluíram o tratamento se mostraram mais satisfeitos com os resultados e exibiram benefícios mais efetivos, como a habilidade de continuar a trabalhar questões psicológicas por si próprios. Tomados juntos, os resultados oferecem hipóteses para os fenômenos complexos da desistência e conclusão em PP. Essas hipóteses devem ser consideradas levando-se em conta as limitações metodológicas do estudo. Outros estudos são necessários para uma melhor compreensão das razões da interrupção e conclusão da terapia psicanalítica.

Descritores: Desistência de pacientes. Terapia psicanalítica. Pesquisa qualitativa. Serviços de saúde mental.

Artigos de Revisão
5 -  Pesquisa empírica em psicoterapia psicanalítica: contribuição para a formação teórico-clínica de psicoterapeutas
Lívia Fração Sanchez; Maria Lucia Tiellet Nunes; Paula Argemi Cassel; Paula von Mengden Campezatto
Páginas: 41 - 53

Resumo

O artigo apresenta breve histórico do desenvolvimento da teoria e da técnica da psicoterapia psicanalítica. Também diferencia duas modalidades de pesquisa empírica em psicoterapia: processo e resultado de tratamento. Destaca a pouca quantidade de pesquisas, no Brasil, sobre a temática, o que atesta a ausência de tradição de estudos desse caráter e a distância entre clínicos e pesquisadores. Salienta que a pesquisa de processo é uma possibilidade de aproximação entre essas áreas. Os autores consideram necessários e relevantes os esforços para unir clínicos e pesquisadores na pesquisa empírica em psicoterapia, e sugerem a inserção da pesquisa na formação do psicoterapeuta como possibilidade de aproximação de clínicos e pesquisadores e, assim, de redução dessa lacuna.

Descritores: Psicoterapia; Psicanálise. Pesquisa; Formação do terapeuta.

6 -  É preciso diagnosticar patologias de personalidade?
Rafael Wellausen; Clarissa Marceli Trentini
Páginas: 54 - 68

Resumo

Inúmeras mudanças ocorreram na cultura principalmente no pós-guerra. Fatores sociais, econômicos e psicológicos parecem estar na base dessas transformações. Em relação ao binômio saúde-doença mental, os autores indagam se houve mudanças nos quadros psicopatológicos ou se as formas de diagnosticar os transtornos mentais é que foram aperfeiçoadas à medida que se avançou no conhecimento clínico. A partir dessas questões se faz uma discussão sobre o impacto que os manuais diagnósticos (DSM) tiveram e têm na formação e no treinamento clínico de psicólogos e psiquiatras nos últimos 30 anos. Os autores sugerem ter havido um aumento na tendência a privilegiar o diagnóstico de outros transtornos mentais em vez de em relação às patologias de personalidade. Finalizam indicando os possíveis benefícios aos pacientes quando se considera a avaliação da personalidade e os riscos quando esse diagnóstico é desconsiderado.

Descritores: Psicopatologia. Transtornos da personalidade. Diagnóstico. Transtornos mentais. Cultura.

Relatos de Casos
7 -  Falso self e gesto espontâneo na psicoterapia psicanalítica de uma criança adotiva
Ana Carolina Freitas Pinéa; Maíra Bonafé Sei
Páginas: 69 - 82

Resumo

De acordo com Winnicott, o falso self, apesar de ser uma defesa que oculta e protege o verdadeiro self, traz como consequência uma inibição da espontaneidade, da criatividade e do sentimento de existir como si próprio, de ser real. A partir desse tema, o objetivo deste artigo centrou-se na discussão, por meio de um caso de uma criança adotiva atendida em um serviço-escola de Psicologia, da relação existente entre o conceito de falso self e a inibição do gesto espontâneo e da criatividade no brincar. O presente trabalho configura-se como um estudo qualitativo pautado no referencial da psicanálise winnicottiana, que busca compreender as relações intersubjetivas e os significados e sentidos dos fenômenos abordados. Assim, realizou-se a psicoterapia psicanalítica de uma criança de 7 anos de idade, ao longo de oito meses com sessões semanais. Por meio do atendimento, pôde-se perceber que, como consequência de um psiquismo que funciona tendo o falso self como "pano de fundo", a criança precisava se utilizar de defesas na hora do brincar para, provavelmente, mascarar sentimentos angustiantes, mal elaborados e ambivalentes relacionados a muitos não ditos sobre a adoção e a falhas nos cuidados maternos.

Descritores: Psicoterapia; Psicanálise; Adoção.

8 -  Quando o corpo se faz presente como meio de existência do sujeito: um caso de psicossomática
Silvia Nogueira Cordeiro; Natalia Delatim Ortiz
Páginas: 83 - 94

Resumo

Os fenômenos psicossomáticos constituem uma queixa frequente na clínica psicanalítica contemporânea, indicando serem essas manifestações um dos novos modos de subjetivação da atualidade. Este estudo tem como objetivo apresentar algumas considerações teóricas a partir das concepções da psicanálise e das possíveis práticas de intervenção psicodinâmica com uma paciente que apresenta diferentes queixas somáticas. A análise teórico-prática sobre a forma como a psicoterapeuta conduziu os atendimentos em psicoterapia psicanalítica permitiu melhor compreender o reposicionamento do sujeito em relação ao próprio corpo, retranscrevendo as inscrições no corpo para o campo simbólico.

Descritores: Medicina psicossomática; Psicanálise; Psicoterapia.