Revista Brasileira de Psicoteratia

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Vol 16 N° 3  2014

 

Artigos Originais
1 -  A relação terapêutica na psicoterapia psicanalítica. Experiências vividas por ex-pacientes
Luis Carlos Batista; Hugo Senra; Rui Aragão Oliveira
Páginas: 1 - 15

Resumo

O presente estudo explora as experiências vividas de um processo psicoterapêutico por uma amostra clínica que realizou psicanálise ou psicoterapia psicanalítica. O principal objetivo é analisar e compreender como é que a relação entre psicoterapeuta e sujeito num processo psicanalítico ou psicoterapêutico psicanalítico é percebida em diferentes momentos, momentos inicial e final. O design de investigação remete para um estudo exploratório, recorrendo-se a um modelo de análise qualitativa de dados obtidos a partir de questionários e/ou entrevistas utilizando-se das recomendações metodológicas do Método de Investigação Qualitativa Consensual. Foram contactados cinco psicoterapeutas, e 13 sujeitos foram registrados como tendo aceitado realizar entrevista. Os dados foram recolhidos de 13 sujeitos que terminaram psicoterapia psicanalítica de longo tempo e psicanálise. Os dados revelaram diferentes argumentos acerca da relação terapêutica. Quanto ao momento inicial, os sujeitos evocaram mais conteúdos relacionados com questões/sentimentos acerca do próprio, enquanto que, relativamente ao momento final, os sujeitos evocaram mais conteúdos relacionados com a relação terapêutica e com o psicoterapeuta.

Descritores: Processo psicoterapêutico; Relação terapêutica; Psicoterapia psicanalítica; Psicanálise.

2 -  Crianças e adolescentes encaminhados para psicoterapia pela escola: características e percepções de mães e professores sobre os problemas emocionais e de comportamento
Fernanda Ribeiro de Souza; Clarisse Pereira Mosmann
Páginas: 16 - 29

Resumo

O presente estudo teve como objetivo caracterizar de maneira sócio-demográfica as mães e professores de crianças e adolescentes encaminhados para psicoterapia por escolas em um município do RS, bem como analisar possíveis associações entre essas variáveis e suas avaliações dos problemas emocionais e de comportamento. Participaram da pesquisa 80 mães e 87 professores de crianças/adolescentes com idade média de 9,8 anos (DP=2,3). As mães responderam a um questionário de dados sócio-demográficos e ao Child Behavior Checklist (6/18 anos), e os professores, a um questionário de dados sócio-demográficos e ao Teacher Rating Form. Os resultados indicam que mães com idade superior a 41 anos avaliaram seus filhos com escores mais baixos de comportamento de violação de regras quando comparados às avaliações de mães entre 33 e 37 anos. A renda pessoal das mães não apresentou diferença significativa com nenhum dos problemas emocionais e de comportamento de seus filhos. Houve diferença nos resultados do TRF de sintomas internalizantes (p=0,031) e externalizantes (p=0,002) conforme idade e renda do professor. Estimase que o conhecimento desses resultados poderá auxiliar a psicologia a planejar intervenções específicas para essa população.

Descritores: Mães. Docentes. Transtornos do comportamento infantil.

Artigo de Revisão
3 -  A eficácia das terapias comportamentais de casal na satisfação conjugal
Renata Duarte Plentz; Ilana Andretta
Páginas: 30 - 43

Resumo

A Terapia de Casal Comportamental Tradicional (TCCT) e a Terapia de Casal Comportamental Integrativa (TCCI) têm sido estudadas quanto a sua eficácia na satisfação conjugal. O conceito de satisfação conjugal é multifacetado, e os autores o relacionam com a compreensão do casal, comportamentos em benefício do companheiro e habilidades em se comunicar e resolver problemas. Para analisar a TCCT e a TCCI em relação ao aumento da satisfação nos relacionamentos, o presente artigo apresenta estudos que compararam os efeitos dessas abordagens terapêuticas no contentamento conjugal. Os estudos apresentados indicam que tanto a TCCT quanto a TCCI aumentam esses índices. Entretanto, o processo de mudança parece diferir: enquanto a TCCT apresenta maior aumento na satisfação conjugal no início da terapia, a TCCI indicou uma melhora de forma mais estável e gradual. Os casais que participaram da TCCI mostraram-se mais constantes quanto a sua satisfação também a longo prazo. Além disso, participantes da TCCI diminuíram a pressão por mudanças no companheiro e passaram a comunicar-se de forma menos acusatória. Portanto, mesmo que ambas as abordagens mostrem eficácia semelhante quanto ao nível do aumento da satisfação conjugal, parece que a TCCI apresenta benefícios quanto à forma de o casal relacionarse após a terapia.

Descritores: Terapia de casal. Terapia comportamental. Casamento.

4 -  Choro: um complexo fenômeno humano
Betina Lejderman; Sofia Bezerra
Páginas: 44 - 53

Resumo

O choro é uma autêntica explosão de emoções que permeia nossa vida do nascimento à morte. É desencadeado por diversos estados emocionais, desde tristeza até felicidade. Apesar de muito presente na prática clínica, é pouco mencionado na literatura médica. O presente trabalho fez uma revisão da literatura baseada em artigos indexados no PubMed e no ScienceDirect e em livros de psiquiatria e psicanálise. Desenvolvimento: O choro um fenômeno complexo que envolve questões neurobiológicas, psicológicas e sociais, dependente da interação entre as experiências iniciais da vida, das características individuais que predispõem a certas formas de expressão ou inibição das emoções, do contexto social e do evento que desencadeia certo sentimento. É um reflexo psicogênico resultante da interação entre as áreas do sistema límbico do cérebro que regulam a experiência consciente das emoções internas e das respostas fisiológicas. Acredita-se que o choro possibilita o retorno da homeostase do organismo através da liberação de neurotransmissores e hormônios. Entre suas funções estão a comunicação das emoções e a liberação do sofrimento psíquico. Sua regulação depende das percepções sobre os efeitos do choro em si mesmo e nas pessoas ao redor. O choro pode se manifestar, em um tratamento psíquico, quando as intervenções focarem no afeto, quando o conteúdo evocado na terapia reativar eventos traumáticos ou quando houver nova compreensão de padrões antigos estabelecidos. Conclusão: Considerado um importante comportamento de apego presente ao longo da vida, o choro é uma habilidade natural, que com o desenvolvimento vai sendo suprimida, gerando controvérsias em relação à sua importância para regular o equilíbrio emocional e físico. Mais estudos devem ser realizados para compreender esse processo biopsicossocial e para entender nossos pacientes.

Descritores: Choro. Lágrimas. Emoções.

Relato de Caso
5 -  Abordagem terapêutica de puérpera usuária de crack
Maria Lucrécia Scherer Zavaschi; Thais Anzzulin Ayub; Victor Mardini; Gabrielle Bocchese da Cunha; Luis Augusto P. Rohde; Cláudia Maciel Szobot
Páginas: 54 - 69

Resumo

Este é o relato do atendimento de uma das mães dependentes do crack e de seu bebê, que frequentam o Ambulatório de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do HCPA. Esta específica abordagem terapêutica visa atender a gestante e o bebê, ainda antes do nascimento, a fim de preservar um de seus direitos básicos, que é o de não ser intoxicado tão prematuramente.

Descritores: Gestantes. Bebês. Cocaína. Crack. Terapêutica.

6 -  Resgatando a resiliência de famílias em crise
Márcia Pettenon
Páginas: 70 - 85

Resumo

É interessante observar como indivíduos e muitas famílias, diante de intempéries da vida, buscam dentro de si recursos outrora desconhecidos para transformar uma crise familiar em oportunidade de crescimento. OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi criar um espaço terapêutico que representasse um "espelho"; assim, as três famílias envolvidas no tratamento poderiam visualizar recursos internos para o enfrentamento de suas diferentes crises. MÉTODO: Este estudo de caso clínico foi realizado com três famílias que buscaram atendimento em uma instituição especializada no tratamento familiar. Os pacientes foram tratados de acordo com a abordagem familiar sistêmica integrativa. As sessões familiares foram intercaladas com atendimentos individuais, de acordo com os critérios de avaliação da terapeuta, acordados com os integrantes das famílias. Cada família foi atendida separadamente. RESULTADOS: Durante o estudo com as três famílias, foram identificados e fortalecidos novos padrões de funcionamento. Os períodos de crises foram gradualmente transformados em processo de amadurecimento, de modo que cada integrante pudesse reconhecer suas habilidades e reconstruir uma configuração familiar resiliente. CONCLUSÃO: Os vínculos familiares foram considerados fortes aliados para que as famílias pudessem desenvolver novas habilidades funcionais, transformando os momentos de crises em um processo de fortalecimento das relações.

Descritores: Terapia familiar. Resiliência psicológica. Estresse psicológico. Intervenção na crise.

7 -  Adoção do ponto de vista da criança
Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis
Páginas: 86 - 98

Resumo

As necessidades, frustrações, desejos e dificuldades enfrentadas pelos pais adotivos são constantes nos estudos sobre adoção. Todavia, a maneira como o filho adotivo vivencia a sua doação e a adoção tem sido pouco considerada. O presente trabalho aborda o tema considerando as vicissitudes enfrentadas pelos pais e convoca a refletir sobre as emoções vivenciadas pelo filho adotivo. São apresentadas algumas reflexões teóricas motivadas pelo atendimento de uma criança de três anos em psicoterapia psicanalítica. O objetivo consiste em analisar as vinhetas clínicas relativas à adoção e buscar compreendê-las à luz da teoria existente. Ao manifestar as suas dores e questionamentos, a criança pode ressignificar o processo de adoção, viver de forma mais harmônica consigo mesma e com seus pais adotivos.

Descritores: Adoção. Criança abandonada. Paternidade.