ISSN 2318-0404 Versão Online

Revista Brasileira de Psicoteratia

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Vol 19 N° 3  2017

 

Artigo Original
1 -  Caminhos e suportes para o terapeuta expor emoções em sessão
Olívia Rodrigues da Cunha; Luc Vandenberghe
Páginas: 1 - 15

Resumo

A relação pessoal entre terapeuta e cliente se tornou ferramenta do tratamento psicoterápico. A expressão mútua de emoções é vista na literatura contemporânea como maneira para construir um relacionamento produtivo com o cliente. O objetivo desse estudo é explorar como o terapeuta decide usar suas emoções e como prossegue usando as mesmas em sessão. Foi desenvolvido um estudo, com 14 terapeutas, por meio de entrevistas semiestruturadas para sondar como os terapeutas trabalham com suas emoções na prática clínica. O método foi pautado na Grounded Theory Analysis. Os resultados mostram que terapeutas decidem sobre a relevância das suas emoções se baseando no seu modelo teórico, conceituação do caso do cliente e na sua sensibilidade pessoal. Afloram, no clínico, modos para trabalhar com suas emoções considerando os riscos, suas dificuldades pessoais, tendo cautela, agindo com coragem e acolhendo o cliente com humildade e amor.

Descritores: Processos Psicoterapêuticos; Emoções Manifestas; Psicologia Clínica.

2 -  Perfil de idosos que buscam psicoterapia em ambulatório de saúde mental
Cristiane Ferreira; Camila Piva da Costa; Marina Gastaud
Páginas: 17 - 32

Resumo

A literatura vem apontando um crescimento da população idosa e projeta um aumento ainda maior para os próximos anos. Por isso, conhecer as especificidades desse grupo de pacientes torna-se necessário. Este estudo teve como foco traçar o perfil de idosos que buscam atendimento em saúde mental em um ambulatório de psicoterapia psicanalítica em Porto Alegre. O delineamento do estudo foi transversal e documental elaborado a partir dos prontuários de pacientes atendidos na instituição, totalizando uma amostra de 104 idosos. A maioria dos pacientes que buscaram atendimento eram do sexo feminino, com renda de 2 a 6 salários mínimos e faixa etária que compreendia o intervalo de 60-69 anos. A maior parte buscou atendimento encaminhado por médicos, por problemas depressivos. Os sintomas mais presentes foram a depressão e obsessividade/compulsividade e utilizavam mecanismos de defesa maduros. A qualidade de vida foi boa, mas o domínio psicológico foi mais baixo. Devido ao aumento da expectativa de vida da população vemos que se justifica uma intensificação das pesquisas nessa área, servindo de balizamento ao atendimento dessa população com características tão especificas.

Descritores: Psicoterapia; Idoso; Saúde Mental.

Artigos de Revisão
3 -  Comportamento suicida: reflexões para profissionais de saúde
Rodrigo da Silva Maia; Marília Menezes de Oliveira Rocha; Tereza Cristina Santos de Araújo; Eulália Maria Chaves Maia
Páginas: 33 - 42

Resumo

Este ensaio objetiva discorrer sobre a temática do suicídio. Especificamente, pretende-se caracterizar estimativas epidemiológicas e fatores associados, como psicopatologias e comorbidades. Além disso, são propostos elementos importantes a se investigar diante do paciente que apresenta risco ao suicídio e, por fim, apresentar uma caracterização do "contrato antissuicídio". Este fenômeno é responsável, anualmente, por cerca de um milhão de óbitos. A respeito das estimativas, cabe ressaltar que estas não incluem as tentativas de suicídio. Fatores socioculturais e econômicos associam-se a essa problemática, bem como elevada frequência de sofrimento psíquico e de uso abusivo de substância psicoativa. O profissional de saúde precisa estar ciente de que a ação diante do suicídio é necessariamente multidisciplinar, de modo que esses profissionais devem estar capacitados para lidar com a problemática. O profissional de saúde tem o papel primordial de cuidar, logo, faz-se necessário a implicação e corresponsabilização de todos que compõe o serviço, seja na atenção primária a terciária, no acompanhamento do paciente com tal demanda.

Descritores: Suicídio; Pessoal de Saúde; Revisão.

Relato de Caso
4 -  A elaboração do trauma através do psicodrama - um relato de caso
Carla Mafalda de Castro Ferreira Martins do Rio; Silvia Catarina Freitas; Maria Teresa Cabral
Páginas: 43 - 51

Resumo

A Perturbação Stress Pós-Traumático (PSPT) define-se como uma resposta inadequada e aumentada a um evento, vivenciado como excecionalmente grave e ameaçador da integridade física e/ou psicológica do ser humano. Frequentemente está associada a sentimentos de culpa, vergonha, medo e impotência, repercutindose nas várias dimensões da vida do indivíduo. A psicoterapia afigura-se, nestes casos, essencial por permitir a elaboração do evento traumático, facilitando uma nova narrativa onde este se inscreva de forma mais adaptativa na história de vida. Este artigo pretende reflectir sobre o tratamento psicoterapêutico desta perturbação através do Psicodrama Individual, descrevendo o caso clínico de uma vítima de assalto com sequestro e tentativa de abuso sexual, com critérios de diagnóstico de PSPT, associado a sintomatologia depressiva grave e repercussão na auto-imagem e na vivência da sexualidade. Ao longo das sessões foram dramatizados materiais relacionados a história de vida e com o evento traumático, entre outros, história psicodramática (filme da vida), esculturas da família, a dramatização do acontecimento traumático e a representação simbólica da relação erótica com o marido. Após conclusão da psicoterapia, a doente apresenta remissão da sintomatologia com recuperação do funcionamento pessoal e social. Através do psicodrama foi possível à doente exprimir as emoções negativas, integrando-as no acontecimento traumático e confrontar-se com a sua própria vulnerabilidade, permitindo-lhe assim dar continuidade ao seu presente.

Descritores: Transtornos de Estresse Pós-Traumáticos; Psicodrama; Psicoterapia Breve; Sequestro; Violência Sexual.

5 -  Terapia Comportamental Infantil na relação mãe e filho ante o luto materno - um relato de caso
Myenne Mieko Ayres Tsutsumi; Aline Beckmann de Castro Menezes
Páginas: 53 - 62

Resumo

Participou do processo terapêutico um menino de seis anos, que foi trazido à clínica por sua mãe. A principal queixa estava relacionada com as perguntas que o menino fazia sobre a forma como o pai morreu. O pai suicidou-se quando o cliente tinha dois anos de idade após um longo período de adoecimento. As perguntas do cliente sobre como o pai havia falecido foram relatadas pela mãe como fonte de angústia para ela, pois não sabia se deveria contar. Com isso, o objetivo terapêutico principal foi ampliar o conhecimento que o cliente tinha acerca do pai. Também foram planejadas sessões de intervenção com a mãe. O conteúdo das perguntas sobre o pai e as respostas da mãe foram tomadas como as medidas comportamentais observadas. No total foram realizadas 25 sessões, sendo 12 com a criança e 13 com a mãe. Foi observado que o conteúdo das perguntas do menino mudou de foco durante o processo terapêutico. Concluiu-se que as perguntas iniciais do cliente em relação a morte do pai eram mantidas pela falta de informações sobre ele em decorrência da apresentação de um comportamento de esquiva da mãe quando o cliente solicitava tais informações.

Descritores: Suicídio; Comportamento de Esquiva; Relações Mãe-Filho; Psicoterapia; Criança.

6 -  Relato de um caso clínico de disfunção sexual feminina sob a ótica da abordagem cognitivo-comportamental breve
Camila Elidia Messias dos Santos; Francisco de Assis Medeiros
Páginas: 63 - 76

Resumo

As disfunções sexuais são caracterizadas por perturbações em quaisquer um dos processos do ciclo sexual ou a dores associadas ao coito. No Brasil, apesar de não haver consenso, a estimativa de prevalência para mulheres avaliadas chega a 67,7%, com números alarmantes similares em populações do mundo inteiro, mostrando-se um importante problema de saúde pública. A terapia cognitivo-comportamental por apresentar características de brevidade, objetividade e possibilidade de validação científica, tem se mostrado uma alternativa viável. No entanto, a terapia cognitivo-comportamental breve apresenta uma série de vantagens quando comparada à terapia cognitivo-comportamental padrão, tais como: diminuição dos custos do tratamento e tempo. Desse modo, o presente artigo objetiva discutir o caso de uma paciente de 32 anos com disfunção sexual, em 10 sessões de psicoterapia breve, com psicoeducação da disfunção a luz da terapia cognitivo-comportamental, reestruturação cognitiva e estratégias de prevenção de recaídas. Os resultados obtidos foram considerados positivos, sendo observadas reduções dos escores dos inventários Beck (BDI e BAI) e da frequência e força dos pensamentos automáticos negativos, havendo flexibilização de crenças centrais e aumento do repertório de estratégias de resolução de problemas, evidenciando mudanças significativas em seu relacionamento e em sua vida afetiva.

Descritores: Terapia Cognitiva; Psicoterapia Breve; Disfunção Sexual Fisiológica.