Revista Brasileira de Psicoteratia

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Vol 18 N° 2  2016

 

Editorial
1 -  Editorial

Páginas: 1 - 2

Descritores:

Artigos Originais
2 -  Adesão à técnica psicanalítica no processo de psicoterapia com uma paciente borderline
Paula von Mengden Campezatto; Fernanda Barcellos Serralta; Luísa Fernanda Habigzang
Páginas: 3 - 19

Resumo

Este artigo tem como objetivo descrever e compreender um processo de psicoterapia, com foco na técnica psicanalítica.
MÉTODO: Realizou-se estudo de caso único sistemático com uma paciente diagnosticada com transtorno de personalidade borderline. As sessões da dupla paciente-psicoterapeuta e das respectivas sessões de supervisão foram gravadas e posteriormente analisadas. Para mensurar adesão à técnica, 13 juízas preencheram o Iasp (Instrumento para Avaliar Sessões Psicanalíticas).
RESULTADO: Embora o tratamento seja aderido à técnica psicanalítica, na análise geral deste, não se observa a clássica atitude analítica. A não interpretação das resistências, aliada à atitude prescritiva, pode ter contribuído para a interrupção prematura.
CONCLUSÃO: Avaliar o processo pode auxiliar no desenvolvimento de técnicas mais efetivas com esse tipo de paciente.

Descritores: Psicoterapia; Processos psicoterapêuticos; Pesquisa; Psicanálise.

3 -  A comunicação profissional-paciente em oncologia: uma compreensão psicanalítica
Daniela Bianchini; Fernanda Bittencourt Romeiro; Ana Carolina Peuker; Elisa Kern de Castro
Páginas: 20 - 36

Resumo

Trata-se de um estudo qualitativo exploratório que investigou a percepção de profissionais sobre a comunicação com o paciente oncológico. Foram entrevistados 14 profissionais de diferentes áreas da saúde que atuam em oncologia. Utilizou-se uma ficha de dados sociodemográficos e entrevista semiestruturada. As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas na íntegra. Os dados foram assim analisados: leitura inicial sem julgamentos (naive); análise estrutural e categorização do conteúdo; interpretação crítica e discussão. Dois juízes independentes avaliaram os conteúdos das entrevistas (Kappa=0,842). Foram estabelecidas três categorias de comunicação: 1) Técnica; 2) Técnica com Suporte Emocional; 3) Insuficiente. Os resultados apontaram para a importância da empatia, provisão de esperança e escuta ativa, percebidas como qualidades essenciais ao profissional para a comunicação efetiva com o paciente, além da relevância do trabalho interdisciplinar. A criação de estratégias que favoreçam a comunicação profissional-paciente pode aumentar a satisfação e o bem-estar dos pacientes oncológicos.

Descritores: Oncologia; Neoplasias; Comunicação; Qualidade de vida; Psicanálise.

4 -  Desistência e abandono da psicoterapia em um serviço-escola de Psicologia
Maíra Bonafé Sei; João Rafael Pimentel Colavin
Páginas: 37 - 49

Resumo

Os serviços-escola de Psicologia são parte fundamental da graduação em Psicologia por propiciar a vivência da prática clínica e permitir o acesso da população aos atendimentos psicológicos ofertados. Todavia, se por um lado há uma grande busca por esse tipo de serviço, por outro nota-se uma forte presença de desistências e abandonos por parte do público que demanda a ajuda psicológica. Objetivou-se, assim, mapear o índice de desistência e abandono dos atendimentos psicológicos em um serviço-escola de Psicologia de uma universidade pública do estado do Paraná. Trata-se de uma pesquisa descritiva, empreendida por meio de pesquisa documental, a partir da consulta a fichas de triagens e resumos de encerramento de casos. Observou-se um total de 24% de desistência do processo de psicoterapia durante o tratamento. Entende-se que essa porcentagem poderia ser diminuída diante da oferta de intervenções mais específicas que pudessem melhor contemplar as demandas dessa população.

Descritores: Psicoterapia; Psicologia clínica; Recusa do paciente ao tratamento; Pacientes desistentes do tratamento.

5 -  Casos clínicos retratados no cinema: estudo de processos defensivos
Tales Vilela Santeiro; Leylane Franco Leal Barboza; Ludimila Faria Souza
Páginas: 50 - 66

Resumo

O termo "mecanismos de defesa" surge com Sigmund Freud em 1894, mas é Anna Freud quem dedica maior atenção a esse tema, sistematizando-o inicialmente. Ele designa recursos internos utilizados pela pessoa, através dos quais é possível averiguar o psicodinamismo e o nível de seu amadurecimento psíquico. Para além de eventuais aspectos patológicos associados, processos defensivos são utilizados por todas as pessoas, visando proteger o Ego de ideias ou afetos dolorosos. O objetivo geral do trabalho foi analisar representações de mecanismos defensivos utilizados por atendidos em processos clínicos, em filmes comerciais. A amostra foi composta por seleção de duas produções estrangeiras, Mentes diabólicas (Austrália e Reino Unido) e Instinto selvagem 2 (EUA), e uma brasileira, Divã. Nas encenações estrangeiras, dois filmes de suspense policial envolvendo situações judiciais, cujos protagonistas eram suspeitos criminosos e submetidos a processos de avaliação psicológica, intelectualização e atuação (acting out) foram mecanismos observados. Na produção nacional, uma comédia dramática focada num processo psicanalítico com duração de três anos e realizada de modo voluntário, a visualização do espectro de defesas imaturo-maduras foi facilitada, sendo elas negação, racionalização, isolamento afetivo, sublimação e humor. Personagens sob suspeita criminal apresentaram processos defensivos menos desenvolvidos, quando comparados à diversidade de defesas constatada nas manifestações da personagem do filme brasileiro. As produções analisadas favoreceram reflexões e aprendizados sobre teorias fundamentais acerca de processos defensivos de atendidos em processos clínicos, resguardas as limitações envolvidas nas aproximações que podem ser feitas entre a linguagem fílmica e os processos formativos de orientação psicanalítica.

Descritores: Cinema como assunto. Mecanismos de defesa. Psicologia clínica. Teoria psicanalítica.

6 -  Enactments sob o Vértice da Teoria das Transformações
Felipe Canterji Gerchman
Páginas: 67 - 77

Resumo

Este trabalho objetiva ampliar a compreensão das dinâmicas intersubjetivas da relação analítica, através da análise das possíveis interações entre os enactments e a teoria das transformações, proposta por Bion1 e abordada em estudos posteriores. Os constructos teóricos utilizados são descritos a partir de trabalhos de autores clássicos e contemporâneos, e ilustrações clínicas retiradas da literatura são utilizadas como forma de exemplificar a compreensão proposta. Conclui-se que a utilização da teoria das transformações como vértice de observação sobre os enactments possibilita uma maior compreensão de certos fenômenos clínicos que permeiam a sala de análise.

Descritores: Psicanálise. Inconsciente (Psicologia). Atuação (Psicologia). Inter-relação.

7 -  Participação dos pais na psicoterapia psicanalítica de crianças
Luiz Ronaldo Freitas de Oliveira; Marina Bento Gastaud; Vera Regina Röhnelt Ramires
Páginas: 78 - 95

Resumo

A psicoterapia de crianças envolve, para além da díade terapeuta-paciente, de alguma forma, seus pais ou responsáveis. Não há consenso entre os clínicos sobre a melhor forma de incluir os pais na psicoterapia psicanalítica de crianças, sendo relevante verificar como a literatura científica posiciona-se sobre o tema. Realizou-se uma revisão sistemática nas bases de dados Medline, Lilacs, SciELO, PsycInfo, Pepsic e PubMed, utilizando os descritores: psychoanalytic psychotherapy, children e parents. Foram identificados 14 estudos que focalizam esse tema e todos defendem a participação dos pais no tratamento psicanalítico da criança. As abordagens de trabalho com os pais, os benefícios da sua participação no tratamento, os aspectos transferenciais e contratransferenciais, assim como o manejo técnico nas sessões, são discutidos. As propostas técnicas diferem dependendo da formação do terapeuta, do seu embasamento teórico e da sua experiência. Sugere-se que pesquisas empíricas sejam realizadas para orientar os clínicos na prática cotidiana, pois a maior parte dos artigos são reflexões teóricas.

Descritores: Psicoterapia; Criança; Pais.

8 -  Clinical and Theoretical Considerations of Psychoanalysts and Cognitive Behavioral Therapists Regarding Generalized Anxiety Disorder in Argentina. A Qualitative Study of the Research-Practice Gap
Ignacio Etchebarne; Santiago Juan; Juan Martín Gómez Penedo; Andrés J. Roussos
Páginas: 92 - 114

Resumo

Este artigo apresenta dois estudos qualitativos que exploram a lacuna entre investigação e prática, como se relaciona com ao Transtorno de Ansiedade Generalizada, comparando as diferentes considerações teóricas e clínicas da psicanalistas e terapeutas cognitiva-comportamentais de Buenos Aires.
MÉTODOS: No primeiro estudo, foram convidados um grupo de dez psicanalistas especializados e cinco terapeutas cognitivacomportamentais especializados para apresentar explicitamente a sua conceituação teórica desta desordem, com base nos critérios de diagnóstico da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. No segundo estudo, vinte psicoterapeutas (dez de cada orientação teórica) foram convidados a ouvir uma gravação de áudio de um paciente fictício preenche os critérios diagnósticos de TAG e para apresentar sua impressão clínica sobre o caso. Através da análise qualitativa, as categorias foram criadas e avaliado após a sua frequência para ambos os estudos.
RESULTADOS/DISCUSSÃO/CONCLUSÕES: Os resultados mostraram semelhanças e diferenças em conceituações teóricas e clínicas dos participantes e sugerem que as orientações do terapeuta podem representar diferentes implicações e obstáculos para superar a lacuna entre pesquisa e prática da psicoterapia.

Descritores: Transtornos de Ansiedade; Terapia Cognitiva; Terapia Psicanalítica; Características Culturais.

9 -  O ressentimento na psicoterapia de orientação analítica
Fernanda Lucia Capitanio Baeza; Jussara Schestatsky Dal Zot
Páginas: 96 - 108

Resumo

INTRODUÇÃO: Apesar de ser um aspecto frequente e marcante, o tema do ressentimento foi pouco abordado pela teoria psicanalítica. Este trabalho tem o objetivo de (1) buscar na teoria psicanalítica uma compreensão do ressentimento, tendo como foco as situações onde há uma separação conjugal envolvida, e (2) buscar caminhos possíveis para sua resolução.
MÉTODOS: O ressentimento foi considerado a partir das questões que emergiram no atendimento de uma paciente com dificuldades de elaborar um divórcio. Para tanto, realizou-se uma revisão na literatura psicanalítica específica sobre o ressentimento, além de temas relacionados, como luto, inveja e masoquismo.
RESULTADOS: O paciente ressentido é caracterizado como aquele que não pode deixar de recordar. Nessas situações, a libido está tenazmente ligada a um objeto devedor, prevalecendo uma inércia psíquica através da qual o paciente pode ficar retido na temática torturante. Na psicoterapia, o ressentimento se apresenta como uma face intransigente da resistência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A elaboração do ressentimento é um longo e complexo processo. Um foco possível no tratamento desses casos pode ser resumido em fazer do ressentimento interminável - baseado na memória do rancor - terminável, relacionado com a memória da dor. O ressentimento interminável pode passar a ser terminável quando o sujeito puder abrir mão do desejo de triunfar sobre o outro por meio da vingança. Essa renúncia se dá através de um trabalho de elaboração, no qual o cindido e projetado no ressentimento deve ser reintegrado e introjetado no próprio sujeito.

Descritores: Terapia psicanalítica; Interpretação psicanalítica.

10 -  Psicoterapia interpessoal: características e efetividade
Marco André de Melo Martins; Ivandro Soares Monteiro
Páginas: 109 - 123

Resumo

A psicoterapia interpessoal (TIP) foi criada por Gerald Klerman e colaboradores com o propósito de tratar pacientes afetados pela perturbação depressiva major. Caracteriza-se por ser limitada no tempo, centrada no presente e focada nas relações interpessoais do paciente. Tem sido testada com sucesso, através de ensaios clínicos, para um conjunto alargado de perturbações psicológicas e em diferentes formatos. O estatuto de tratamento psicológico empiricamente sustentado contribuiu para a disseminação da investigação e prática da TIP um pouco por todo o mundo. Quer em Portugal, quer no Brasil, têm sido dados passos significativos em termos de formação de profissionais habilitados e no desenvolvimento de investigação científica. Este artigo tem como objetivo contribuir para essa mesma disseminação do valor científico do modelo da psicoterapia interpessoal, através de uma revisão bibliográfica abrangente de fontes válidas e reconhecidas pela American Psychological Association (APA) e International Society for Interpersonal Psychotherapy (ISIPT). Pela sua utilidade clínica e robustez empírica, a presença da TIP necessita de ser reforçada junto de clínicos, investigadores e universidades. É divulgada a sua estrutura, método e forma de administração, assim como aplicações diretas a quadros clínicos conhecidos.

Descritores: Relações interpessoais; Depressão; Prática clínica baseada em evidências; Psicoterapia.

Artigo de Revisão
11 -  A perversão na relação terapêutica
Alcina Barros
Páginas: 124 - 133

Resumo

O presente artigo visa examinar os problemas transferenciais e contratransferenciais determinados pelo estado sexual mental perverso de pacientes em psicoterapia de orientação analítica, tomando como ponto de referência a obra de Donald Meltzer (1979).

Descritores: Psicoterapia; Contratransferência (Psicologia); Assistência ao paciente.

12 -  Indicações de tratamento psicoterápico individual no Transtorno de Estresse Pós-Traumático
Stefania Pigatto Teche; Luís Francisco Ramos-Lima
Páginas: 134 - 144

Resumo

O objetivo deste estudo foi revisar as principais recomendações de tratamento psicoterápico individual em adultos para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), permitindo uma melhor avaliação clínica para a adequação do mesmo de acordo com as características do paciente. A revisão foi realizada na base de dados PubMed com estudos de revisão e recomendações reconhecidas internacionalmente. São descritas as abordagens psicoterápicas individuais e seus níveis de evidência. A descrição é complementada com uma avaliação clínica para auxiliar o terapeuta na escolha entre as possíveis intervenções psicoterápicas para o TEPT. Visto que vários tratamentos psicológicos são eficazes para adultos com TEPT, esta revisão pode ser um guia na decisão terapêutica usando parâmetros clínicos e de evidência científica.

Descritores: Transtornos de Estresse Pós-Traumáticos; Psicoterapia; Tratamento Secundário.