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Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2021; 23(3):85-104



Artigo Original

Filhos da quarentena: Percepção de mães sobre o seu processo de maternagem e o desenvolvimento de seus filhos durante a pandemia

Child of quarantine: Mother's perception of their mothering process and their children's development during the pandemic

Niños en cuarentena: percepción de las madres sobre su proceso de maternidad y el desarrollo de sus hijos durante la pandemia

Andrezza Julie Bonowa; Tainá Aquino Henna; Marina Bento Gastaudb,c; Joana Corrêa de Magalhães Narvaeza

Resumo

O objetivo deste trabalho é investigar a percepção de mães em relação ao seu processo de maternagem e desenvolvimento de seus bebês nascidos no período de isolamento social devido à pandemia da Covid-19, através de um estudo qualitativo de caráter exploratório. A amostra foi constituída por 8 mulheres que tiveram filhos de janeiro a novembro de 2020. as quais foram acessadas através da técnica bola de neve utilizando cadeias de referência para a sua composição a partir da indicação de sujeitos da rede dos participantes. Para a realização da pesquisa foi feita uma entrevista semi-estruturada individualmente com cada participante. Os dados coletados foram analisados através da análise de conteúdo, considerada a abordagem analítica mais utilizada para pesquisas qualitativas. Os resultados foram subdivididos em seis categorias e vinte subcategorias, baseadas na vivência da maternagem e no desenvolvimento dos filhos, tais como o aumento do tempo das mães com seus filhos; a dificuldade da ausência da rede de apoio e do convívio social; os sentimentos de angústia e dúvida despertados por estar vivenciando uma pandemia; e a modificação das atividades rotineiras devido à pandemia. Como conclusão, destaca-se que a carência de uma rede de apoio e a falta de convívio social foi âmbito que unanimemente acarretou dificuldades para as mães nesse momento. No entanto, as participantes percebem o benefício de disponibilizarem mais tempo aos filhos e menos interferências de opiniões alheias em momentos mais íntimos. Sugere-se a continuidade mais aprofundada desse tema, pois o processo de quarentena ainda é um evento recente para estas mães, portanto, ainda podem decorrer impactos emocionais posteriores.

Descritores: Maternidade; Pandemia; Quarentena; Mãe-bebê; Desenvolvimento infantil

Abstract

The objective of this article is to investigate the perception of mothers in relation to their mothering process and the development of their babies, borned in the period of social isolation due to Covid-19 pandemic, through an exploratory qualitative study. The sample consisted of 8 women, who were accessed using the snowball technique, which qualifies as a form of non-probabilistic sample, using reference chains for its composition, based on the indication of subjects in the participant’s network. To do the research, a semi-structured interview was conducted individually with each participant. The collected data were analyzed through content analysis, which is considered the most used analytical approach for research with qualitative methods. The results were subdivided into six categories and twenty subcategories, based on the mother’s perception of their children’s development and their mothering experiences. As a conclusion, it is highlighted that support network and social interaction were similar themes identified as difficult to mothers in this moment. However, the mothers realized as benefic the spare time with their children and less outside criticism in this intime moments. It is suggested that this theme be further researched, mainly due to the scarcity of studies on the processes of mothering and baby development in contexts of pandemics and catastrophes.

Keywords: Motherhood; Pandemic; Quarantine; Mother-infant; Child development

Resumen

El objetivo de este trabajo es investigar la percepción de las madres en relación con su proceso de maternidad y el desarrollo de sus bebés nacidos en el período de aislamiento social debido a la pandemia Covid-19, a través de un estudio exploratorio cualitativo. La muestra estuvo conformada por 8 mujeres, a las que se accedió mediante la técnica de bola de nieve utilizando cadenas de referencia para su composición a partir de la indicación de sujetos de la red de participantes. Para la realización de la investigación se realizó una entrevista semiestructurada individualmente con cada participante. Los datos recopilados se analizaron mediante análisis de contenido, considerado el enfoque analítico más utilizado para la investigación cualitativa. Los resultados se subdividieron en seis categorías y veinte subcategorías, en base a la experiencia de la maternidad y el desarrollo de sus hijos, como el aumento del tiempo de las madres con sus hijos; la dificultad de la ausencia de la red de apoyo y la vida social; los sentimientos de angustia y duda que despierta la experiencia de una pandemia; y la modificación de las actividades rutinarias debido a la pandemia. En conclusión, se destaca que la red de apoyo y la interacción social fue el área que unánimemente causó dificultades a las madres en ese momento. Sin embargo, perciben el beneficio de poner más tiempo a disposición de sus hijos y menos interferencia de las opiniones de otras personas en momentos más íntimos. Se sugiere una continuidad más profunda de este tema, ya que el proceso de cuarentena es todavía un evento reciente para estas madres, por lo que aún pueden ocurrir impactos emocionales posteriores.

Descriptores: Maternidad; Pandemia; Cuarentena; Madre-hijo; Desarrollo infantil

 

 

INTRODUÇÃO

A modernidade redesenha a visão da maternidade, estado de ser mãe, através de uma mulher presente e afetuosa com os filhos e junto com esse arquétipo se instala pressão social que insiste em delimitar o modo como mães, desde sua incipiência, como gestantes e puérperas devem enfrentar esse momento1. A gestação e puerpério são fases por si só sensíveis e de transformações internas e externas para a mulher, podendo ser sinônimo de culpa, angústias e receios. O modo como a mulher irá se constituir mãe e desenvolver sua maternagem, o vínculo e a conexão necessária para atender as necessidades físicas e psíquicas do bebê2 é passível de influenciar no desenvolvimento da criança. Isso por que a relação mãe-bebê é o primeiro contato da criança com o mundo e é através dele que a base da sua constituição psíquica irá se estabelecer3.

Nos primeiros meses de vida o bebê é um ser totalmente dependente da ambiência que o circunda e de seus cuidadores. Para Winnicott4, esse estado de dependência absoluta com o ambiente (mãe ou substituta) faz menção ao estado mais primitivo dos bebês. Esse ambiente, para oferecer cuidados suficientemente bons, precisa ser capaz de reconhecer as necessidades sentidas pelo indivíduo dependente - capacidade chamada de confiabilidade por Winnicott - além de ter uma característica de previsibilidade, com o intuito de auxiliar o bebê a passar de um estado de não integração para um estado de identidade unitária5,6. Isso significa que em um estágio inicial de maturidade, o ser humano não possui a capacidade de se reconhecer como um eu separado do outro, amadurecimento que se torna possível através das interações com o ambiente. Para Piera Aulagnier7, a constituição do Eu é o saber do Eu sobre o Eu, ou seja, a finalidade é a de forjar uma imagem da realidade, do mundo que o cerca e da existência própria coerente com sua própria estrutura. Nesse sentido, o objetivo do bebê no caminho da sua estruturação psíquica é de construir um saber e uma imagem sobre si.

A literatura prévia nos impulsiona a supor o impacto que o ambiente tem sobre a maternidade e sobre os complexos processos de formação psíquica do bebê. As mulheres que vivenciaram o processo de maternagem no ano de 2020 no Brasil tiveram outro fator acrescentado aos seus desafios, a pandemia causada pela Covid-19. Desde março de 2020, medidas de controle sanitário visando conter a doença foram implementadas, dentre elas um estímulo ao isolamento ou distanciamento social, chamado coloquialmente no Brasil de "quarentena", embora, de forma geral, não se tenha aderido a uma restrição total. Devido à velocidade dos acontecimentos e a falta de conhecimento prévio das consequências da doença da Covid-19, a repercussão do isolamento socioafetivo na saúde mental da população tornou-se um fator de risco. Com o objetivo de minimizar possíveis efeitos negativos, pesquisadores começam a realizar estudos em busca de entendimento dos possíveis impactos desse cenário de saúde. Apesar de todos os esforços, os resultados ainda são escassos, principalmente em relação ao sutil e constituinte processo do puerpério.

A incipiente literatura indica que as mulheres são as mais afetadas psicologicamente pela pandemia, evidenciando maior frequência de sentimentos de depressão/tristeza, ansiedade/nervosismo, além de problemas de sono8. Além disso, a quarentena intensificou o trabalho diário da população feminina em casa com tarefas domésticas, cuidados com os filhos e uma parcela teve seu trabalho efetivo transposto para maneira remota. Os espaços extrafamiliares de cuidado e educação infantil se veem reduzidos, e restrição ao lar fica demandada de um desafio adicional frente aos sintomas incrementados pela pandemia. Especialistas apontam para mudanças no comportamento de crianças durante o isolamento, tais como demandar atenção constante, incremento da ansiedade, tristeza, choro, agressividade, agitação psicomotora, atitudes regressivas, além de alterações no sono e apetite9. Em crianças pequenas o principal impacto se dá pelo fato de não terem experiências para além do ambiente de casa e se privarem de adquirir um reservatório mnêmico mais amplo. Na tentativa de mitigar estes efeitos, Cartilhas de orientações e dicas para os pais foram lançadas como suporte para o melhor enfrentamento desse momento, como as realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz10, pela Força tarefa PsiCOVIDa11, além de manuscritos científicos, como o artigo de Almeida et al.12 que visa oferecer um guia prático para promover a saúde mental de crianças e adolescentes.

Entretanto, o isolamento e a maior convivência com os familiares não trouxeram apenas aspectos negativos. Pesquisas apontam que o momento permitiu um maior conhecimento dos membros da família e a possibilidade de uma maior interação9,10. Demarca-se que as dificuldades comuns de uma família em quarentena possuem associação com sua estruturação definida anteriormente à pandemia. No que tange a famílias que enfrentam novas configurações internas, por exemplo, com novos membros chegando durante esse processo em que o contexto externo também se apresenta configurado de forma distinta, o cotidiano pode se estabelecer de forma ainda mais incerta, o que pode afetar diretamente o processo de maternagem de uma mãe com seu bebê recém-nascido.

Frente a essa realidade, e ao fato de que a produção na área é incipiente e se forma na medida em que o fenômeno transcorre, apesar de encontrarmos artigos nas plataformas de busca que abordassem as consequências e impactos do isolamento social (seja por Covid-19 ou por outras epidemias e catástrofes prévias) em relação à maternidade e o processo de desenvolvimento dos bebês, as produções ainda são mais escassas. Logo, demarca-se a necessidade de um aprofundamento em relação aos impactos causados pelo distanciamento social durante o processo de maternagem. Portanto, esse estudo tem como objetivo investigar a percepção de mulheres acerca do processo inicial de maternagem e do desenvolvimento de seus bebês nascidos no contexto de isolamento social devido a Covid-19.


MATERIAL E MÉTODO

Delineamento


Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório, o qual foi devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), CAAE: 38883920.0.0000.5345 além de obedecer às determinações das Resoluções 196 e 466 do Conselho Nacional de Saúde, que dispõem sobre a pesquisa com seres humanos, e da Resolução 510 do Conselho Nacional de Saúde, que dispõe sobre a pesquisa em Ciências Humanas e Sociais.

Participantes

Participaram da pesquisa oito mulheres, as quais correspondiam ao critério de inclusão de serem mães de bebês nascidos no período de isolamento social no Brasil (entre janeiro e novembro de 2020). Não houve nenhuma restrição quanto a outro critério sociodemográfico que pudesse ser de exclusão. O método de acesso aos participantes foi pela técnica bola de neve, que se qualifica como uma forma de amostra não probabilística que utiliza cadeias de referência para a sua composição13, a partir da indicação de sujeitos da rede dos participantes. Nesta pesquisa, a participante inicial foi escolhida através da rede de contatos das pesquisadoras, tendo em vista seus envolvimentos em grupos de estudos e de suporte em relação à maternidade. Justifica-se o uso da bola de neve por tratar-se de um método pertinente para contatar determinados grupos de difícil acesso13, ainda mais em um contexto pandêmico e de natural reclusão como o puerpério. Foram considerados critérios de exclusão mulheres com psicose ou puerperal ou qualquer condição psíquica mais grave atribuída ou não a gestação, como por exemplo sintomas agudos de Transtorno de Humor no momento da pesquisa, que inviabilizasse responder as questões estabelecidas. O número de participantes foi definido por meio do critério de saturação teórica14, não sendo incluídas mais entrevistas, visto a repetição dos dados. As participantes foram identificadas como P01, P02, P03, P04, P05, P06, P07 e P08.

Coleta de dados e instrumento

Inicialmente, foi feito contato por telefone com as sujeitas para a marcação de uma vídeo chamada via plataforma criptografada do google com a participante em potencial, no qual foi lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) especificando objetivos e etapas da pesquisa, e requisitado o consentimento verbal da participante, gravado e online, visto que o recolhimento da assinatura não era viável em respeito ao isolamento físico e proteção das participantes devido a pandemia do Covid-19. Foi enviada uma via do TCLE assinada pelas pesquisadoras, por e-mail para as sujeitas.

Em sequência, aquelas mães que consentiram a participação na pesquisa foram entrevistadas individualmente pela equipe de pesquisa. A entrevista era composta por perguntas abertas e previamente estipuladas (entrevista semiestruturada) que se deu igualmente online por vídeo em plataforma criptografada com duração média de 1 hora. A chamada foi gravada e transcrita para análise. Visando acolher possíveis demandas emocionais advindas dessa entrevista, as participantes foram convidadas a compor um grupo de escuta online em plataforma criptografada para trocarem experiências e vivências. Este espaço teve um intuito ético e não foi utilizado como um instrumento adicional da pesquisa. O grupo foi conduzido pelas pesquisadoras, estudantes de psicologia e uma psicóloga com formação na área clínica e especialidade na infância.

A entrevista semi-estruturada era foi composta por perguntas amplas desenvolvidas pelas pesquisadoras inserindo os assuntos considerados relevantes para investigação:


1. Como está sendo vivenciar o isolamento social com um bebê pequeno?

2. Considera que suas expectativas em relação à maternidade foram alteradas com a quarentena?

3. Quais os maiores prejuízos que tu sentes por estar vivendo este momento na quarentena? Quais os maiores ganhos?

4. Qual sua percepção sobre o desenvolvimento do seu bebê (considerando desenvolvimento social, afetivo, interação e motor)?

5. Percebe mudanças no desenvolvimento de seu filho diferentes das «esperadas/normais» às quais atribui a vivência de isolamento social?

6. Ser mãe está sendo como você esperava? Se não, a quarentena pode estar relacionada com isso? E como?

7. Você já foi mãe anteriormente? Se sim, quais diferenças percebe em relação a sua maternagem e ao desenvolvimento do seu bebê neste contexto de pandemia em comparação ao processo vivido em um tempo prévio?


Análise de dados

Os dados coletados foram analisados através da análise de conteúdo, que é considerada a abordagem analítica mais utilizada para pesquisas com métodos qualitativos. Consiste em um conjunto de técnicas de análise da comunicação, de maneira sistemática e objetiva com o intuito de descrever os conteúdos, sejam eles manifestos ou latentes15. Possui como uma questão fundamental a semântica, ou seja, o sentido do texto, entretanto, para além disso, a realização de inferências é de suma importância, pois, relaciona os dados das mensagens com outros dados já existentes, possibilitando o embasamento com pressupostos teóricos16,17.

Seguindo a técnica de Laurence Bardin15, a análise foi realizada através de três etapas principais: préanálise (composta pela organização do material, leitura flutuante, composição do corpus da pesquisa, formulação de hipóteses, etc); exploração do material (feita por meio da codificação, selecionando as unidades de registro e de contexto, além da categorização dos dados); e tratamento dos resultados (através da inferência e da interpretação).


RESULTADOS

A análise das entrevistas foi realizada com base no desdobramento do objetivo geral da pesquisa, culminando em três objetivos específicos, vide tabela 1. A partir disso, foram agrupadas as perguntas do questionário em seis categorias iniciais, de acordo com a sua relação com os objetivos, e subsequentemente, vinte subcategorias que emergiram a partir do discurso das participantes, apresentadas na tabela 1.




Categoria 1.1 - Vivência do isolamento social com um bebê

Nessa categoria, metade das participantes relataram que a quarentena as afastou de opiniões alheias (subcategoria 1.1.1) em relação a sua forma de maternar e o desenvolvimento de seu filho, trazendo como um ponto positivo do isolamento social. Para ilustrar, trazemos a fala de uma das participantes: "Eu tinha esse fantasma assim, de como eu ia lidar com isso na minha maternidade para não ser grossa com as pessoas, mas também não deixar que elas ficassem se metendo. Então tipo essa pandemia meio que resolveu isso né, porque como ninguém convive, ninguém fala nada" (P03).

Metade das participantes referiram que o distanciamento social possibilitou maior privacidade (subcategoria 1.1.2) para elas e seus bebês, considerando como um aspecto positivo: "No hospital quando não pude receber visita até achei bom, fiquei mais tranquila, aquela função, não precisava me maquiar, ou trocar de roupa, achei bem assim" (P04); "Achava que era chato visitar mãe que pariu e nisso tive sorte por causa da pandemia ninguém veio me visitar" (P07).

Ademais, destacam a oportunidade de ter mais tempo com os filhos (subcategoria 1.1.3), visto a impossibilidade de sair de casa, ter outros compromissos e até mesmo trabalhar. Esse aspecto foi trazido como algo benéfico pela maioria das participantes, as quais relataram presenciar momentos e conquistas dos filhos que, provavelmente, não teriam vivido, se não fosse a pandemia. "[...] Isso de ver todas conquistas dele, conviver, conhecer ele tão bem, minuciosamente. Tu sabe o que é o choro, o olhar, o que é isso, o que é aquilo e tá ali pra ele também" (P03); "Eu estou presente, eu estou vendo a primeira vez que ele gritou, a primeira vez que ele levou a mão na boca, eu estou vendo o primeiro sorriso" (P06).

Algumas mães trouxeram como prejuízo o fato de não poderem compartilhar o desenvolvimento e conquistas de seu bebê (subcategoria 1.1.4) com as outras pessoas e apenas elas e os pais estarem vivenciando esse momento. "É tudo tão bonito e só tu está vendo sabe [...] tipo uma roupinha que tu comprou pra passear e que deixou de servir e que tu não passeou" (P03).

O fator mais prejudicial e referido por todas as participantes foi a ausência de uma rede de apoio e do convívio social (subcategoria 1.1.5) com a família e os amigos, que gerou um sentimento de perda em relação aos momentos não compartilhados, bem como a ausência de troca de experiências com outras pessoas de um circuito social ampliado para além do nuclear. Esse sentimento foi manifesto em maior ou menor intensidade dependendo do nível de distanciamento social vivenciado pelas participantes. "E durante a gravidez eu fiquei totalmente isolada então, eu não recebia a visita de ninguém, só da minha mãe de vez em quando [...] não foi exatamente o que eu esperava né, eu gostaria de ter recebido o carinho de todas as amigas, das pessoas que são próximas né" (P01); "Eu achei que o isolamento fez com que eu não conseguisse ter o apoio familiar né, essa rede de apoio que as pessoas falam. Eu fiquei sem nada de rede de apoio. Então isso foi bem ruim para mim, porque realmente, o primeiro mês é muito cansativo e tu não ter absolutamente ninguém..." (P06).

Outra questão abordada pela maioria das mães foram os sentimentos que a pandemia gerou (subcategoria 1.1.6), tais como medo de contaminação pelo vírus, angústia, tristeza e ansiedade por estar vivenciando a maternidade em solidão, isolamento, além de insegurança com o cuidado do bebê, sentimento de esgotamento por ficar o dia todo dedicada ao filho, entre outros. Uma participante relatou que a quarentena permitiu um processo de pensar mais sobre si mesma e sobre sua vida, trazendo como um aspecto positivo, apesar de doloroso. "Acho que os maiores ganhos é o próprio processo, que a quarentena trouxe...um processo de mergulho pra dentro, a partir do momento que a gente parou de sair tanto, parou de trabalhar fora... a gente entrou... falo de um processo de se olhar, [...] pode ser muito doloroso, muito cansativo de tá o tempo todo pensando, sentindo, vendo como a gente tá porque bem ou mal, a vida social disfarça um pouco isso né..." (P05); "O início foi bem complicado, porque eu tinha muito medo do Covid, então a gente não teve contato com ninguém" (P02); "Eu tinha muito medo, o que levei de álcool gel, e tudo pro hospital [...] é um medo que tu tem, porque tu não sabe como vai reagir à doença né, é complicado" (P08).

Diante dessas subcategorias, foi possívelperceber aexistência de sentimentos e questões complementares e até contraditórias em relação às perdas e ganhos com este cenário específico de maternagem inicial em contexto de isolamento devido ao Covid-19.

Categoria 1.2 - Expectativas em relação à maternidade

Essa categoria não gerou subcategorias, apenas respostas positivas ou negativas em relação à vivência da maternidade. Metade das participantes referiu que sua experiência como mãe estava sendo melhor ou igual ao que esperava, apesar da quarentena. A outra metade também indicou que ser mãe estava sendo melhor ou igual ao que esperavam, porém também apontaram aspectos negativos no processo, indicando que as suas expectativas haviam sido frustradas por viver a maternagem com um filho pequeno durante a pandemia, e que muitos de seus planos não haviam se concretizado: "Foi muito diferente do que eu planejei (risos), totalmente [...] Eu super queria ser aquelas mães super liberais, que diz que pode pegar no colo, pode não sei o que... mas não, agora não pode. É uma coisa muito maluca, então sim, alterou bastante as minhas expectativas" (P03); "Ser mãe é a coisa mais linda do mundo, então se tá sendo como eu esperava, acho que não, acho que está sendo melhor do que eu esperava" (P06).

Categoria 1.3 - Prejuízos e ganhos da maternagem na quarentena

Duas participantes da pesquisa mencionaram a dificuldade de estabelecer um limite entre a vida profissional e pessoal (subcategoria 1.3.1) durante a quarentena, tanto em relação ao seu trabalho, quanto ao trabalho do cônjuge. Apesar de ser um aspecto que pode estar presente naturalmente na maternidade, durante o período de pandemia isso parece ter se agravado devido à falta de delimitação física em relação ao trabalho, já que ambos os aspectos da vida (pessoal e profissional) tomam forma no mesmo ambiente. Em virtude do campo de trabalho ser transposto, predominantemente nessa amostra, ao domínio privado doméstico, não havia a separação física de um espaço específico para trabalhar, não havia o tempo de ida e volta ao trabalho para se preparar e entrar no ritmo, além do horário de expediente ser mais flexível fazendo com que as tarefas de trabalho e as domésticas se misturassem. "Então eu paro inúmeras vezes, pego ele no colo, acolho, espero ele se tranquilizar, boto ele no chão de novo, ai ele fica entretido com o brinquedo. Aí eu volto a trabalhar e daqui a pouco de novo, acolhe, pega no colo e trabalha, e assim eu vou me perdendo." (P03).

Um aspecto trazido por metade das participantes que teria sido alterado com a pandemia, tanto positiva como negativamente, foi a relação com o cônjuge (subcategoria 1.3.3). De acordo com algumas, a vivência mais intensa com os parceiros em suas casas, devido à quarentena, prejudicou o relacionamento. "Eu acho que naturalmente aconteceria pela questão hormonal e pela questão do afeto que tu tem pelo bebê, que parece que não tem lugar para tu dar carinho para outra pessoa nesse momento, sabe. Mas eu acho que piora dez vezes com a quarentena, porque no meu caso, a gente tá 24h por dia juntos desde março" (P06); "E eu acho sim que a relação homem-mulher piorou muito com a quarentena" (P06).

Já uma parcela menor de participantes considera que a relação melhorou e que o casal se uniu mais com a maior convivência. "Eu e meu parceiro estamos mais em conexão, mais atento ao outro...em não sobrecarregar, nem a relação entre a gente, nem com os filhos... que talvez se a gente tivesse sem quarentena...não teria parado pra olhar tão cuidadosamente pra isso" (P05). E por último, o restante das participantes referem ter percebido aspectos positivos e negativos no relacionamento com o isolamento social. "Na maior parte do tempo é muito bom né, porque é um apoio, ele tá ali quando precisa né tá junto" (P04); "Meu marido é bem ansioso assim, ele fica com bastante medo, das doenças, de que vai pegar, agora ele tá mais tranquilo, mas no começo foi uma fonte de estresse, entre eu e ele, do que podia e do que não podia [...] eu posso atribuir talvez esse estresse a mais por conta da pandemia e dele ser mais medroso e mais ansioso com isso" (P04).

As modificações em termos de volume e sobreposição de atividades devido à pandemia (subcategoria 1.3.5) foi outro assunto abordado com frequência pela maioria das participantes, as quais relataram sobrecarga nas atividades domésticas: nos cuidados dos filhos, tanto os como os filhos mais velhos que estavam sem ir à escola, adaptação com o trabalho em casa e tarefas online. Ademais demarcam o autocuidado e lazer na pandemia (subcategoria 1.3.4) como algo que foi prejudicado. "Com a nenê eu até ia conseguir dar conta, porque ela é muito tranquila assim e foi bem de boa, mas o serviço da casa, o almoço, as refeições isso eu não tava conseguindo fazer" (P01); "Eu imaginava que ele fosse estar no colégio né o tempo todo e eu ia estar só com a bebê, só com os cuidados da bebê, e não foi isso né, isso foi uma outra demanda né, porque tive que ajudar ele nas aulas online, que era uma coisa que eu não imaginava que ia ter assim" (P04); "Agora eu estaria levando meu filho na pracinha, estaria indo no supermercado, a gente estaria saindo com as minhas amigas, a gente estaria na praia" (P06).

A dificuldade de realizar procedimentos médicos (subcategoria 1.3.2), devido ao medo de contaminação pela Covid-19, pela ausência de profissionais trabalhando ou perto de suas residências e pelas mudanças que esse momento ocasionou, inclusive, como consequência disso, mudanças na forma como o parto foi planejado, foi apontada como algo desafiador e angustiante nesse momento de pandemia. "Então assim a pandemia já mudou toda a história do parto, porque a gente não pensava em parto domiciliar antes, a gente não cogitava, e diante dessa confusão, aqui o hospital é pequeno, então a maternidade é dentro do hospital, não tem ala separada, é dentro onde internam os casos de covid né, isso me assustou muito" (P05); "Então pra aquele momento eu não tinha nenhum pediatra, não tinha como fazer o exame que precisava nesse momento, só atendimento online, assim ficava desesperada [...] eu disse "meu deus eu vou enlouquecer e não vou conseguir resolver isso" (P07).

Categoria 02 - Desenvolvimento socioafetivo, motor e interativo do bebê em quarentena devido à pandemia.

Categoria 2.1 - Desenvolvimento social, afetivo, interativo e motor do bebê

No que tange ao desenvolvimento da criança, a maioria das mães destacaram a ausência do convívio social do bebê (subcategoria 2.1.1), com a família e outras crianças provocada pela quarentena. A maioria referiu preocupação, e a minoria considerou que, devido ao filho ser muito pequeno, não haveria prejuízo. "Eu acho que tem prejuízo pra ele de convívio com outras pessoas. Eu acho que ele acaba diminuindo assim, o estímulo, porque ele fica só naquela mesma rotina de casa, não enxerga ninguém diferente" (P02); "Ele não vê criança, é uma coisa maluca. Ele viu uma criança, esses tempos que ele foi lá na escola e ele ficou impressionado como se tivesse vendo um et." (P03).

Em relação ao desenvolvimento motor (subcategoria 2.1.2), todas as participantes relataram não perceber mudanças nesse marco, que pudesse ser ocasionado pelo isolamento social. "O desenvolvimento motor eu não vejo diferença" (P02); "Desenvolvimento motor dela, eu acredito, que esteja super bem" (P01).

Categoria 2.2 - Percepção sobre o desenvolvimento do bebê em relação ao "esperado"

Duas participantes mencionaram insegurança frente a possíveis atrasos no desenvolvimento socioafetivo de seus filhos (subcategoria 2.2.1), gerados pela falta de convívio social do bebê nesses primeiros meses de vida. "O social e afetivo acho que vai piorar daqui pra frente, já sinto que está ruim e acho que vai piorar para ele e para nós, quanto mais tempo a gente ficar" (P02); "Na verdade, é uma coisa que acho que pode acontecer, eu não percebo ainda...talvez seja só uma insegurança minha, por causa das minhas expectativas" (P03).

Outro assunto que ficou evidente foi como o bebê reage ao conhecer outras pessoas (subcategoria 2.2.2), visto que nesse momento de pandemia, o contato estava circunscrito aos pais e alguns cuidadores e era escasso com demais pessoas. Em uma parcela maior das respostas, a percepção das mães em relação à reação do bebê foi positiva, não percebendo mudanças no desenvolvimento do filho. Em alguns casos, isso se deu, pois, a criança já vinha de alguma forma ouvindo ou vendo outras pessoas, seja por vídeo chamada ou mesmo pessoalmente. "Ela não estranha os avós e os dindos, porque a gente tava fazendo vídeo chamada e ela tava ouvindo a voz, tava conversando junto" (P01). As outras participantes trazem uma percepção negativa quanto a esse aspecto. "Ele chora de estranhar, faz beiço, quer vir pro meu colo [...] ele não vê pessoas, então sei lá seis pessoas juntas para ele é um absurdo, é assustador" (P06).

Categoria 03 - Percepção das mães que não são primigestas sobre a vivência de maternagem e desenvolvimento dos bebês nascidos no contexto da pandemia com suas vivências decorrentes de filho(s) nascido(s) previamente.

Categoria 3.1 - Diferenças na percepção da maternagem e desenvolvimento do bebê no contexto de pandemia em comparação ao processo vivido em um tempo prévio

Das oito mães que responderam à pesquisa, três já haviam tido outro(s) filho(s) anteriormente. Duas delas atribuíram ao seu momento pessoal (subcategoria 3.1.1) as diferenças que sentiram entre a primeira maternidade e o momento atual, dizendo não considerarem que o isolamento social tenha afetado a experiência. "O que posso dizer é que é completamente diferente em relação a minha primeira experiência, porque é outro bebê, eu sou outra mãe também, porque enfim já é uma outra vivência, uma outra relação e acho que a gente é mãe muito na relação" (P05).

Todas as mulheres referiram ter sentido falta da rede de apoio e do convívio social (subcategoria 3.1.2) em comparação com a primeira maternidade, demonstrando terem se sentido mais sobrecarregadas com os cuidados e com as atividades, além de perceberem diferença na quantidade de estímulos que os filhos mais velhos recebiam, devido a presença de mais pessoas como referência no aprendizado. "Acho que o nosso outro filho era mais estimulado assim, porque tinha convívio com mais pessoas, a gente também escutava mais coisas, as pessoas falavam mais e te davam mais sugestões" (P02); "No meu primeiro puerpério, minha mãe podia me visitar diariamente, minha sogra, meu pai, meu sogro, né, tinha uma coisa que ajudava na rotina" (P05).

Uma das mães abordou a questão das modificações de atividades devido à pandemia (subcategoria 3.1.3), referindo ter mais responsabilidades e tarefas na situação atual, visto que não tem o apoio de outras pessoas para atividades domésticas, além de ter a demanda de cuidar do filho mais velho em tempo integral, devido a suspensão das aulas. "Eu tinha uma pessoa que me ajudava nas coisas da casa, de limpeza, enfim... lavar roupa da criança, aquelas coisas todas e isso ficou muito sobrecarregado, tanto a parte de limpeza da casa, lavar a roupa, cozinhar, alimentação, as brincadeiras com o mais velho porque enfim ele queria brincar e os cuidados com a pequena" (P05).


DISCUSSÃO

A experiência de puerpério durante o período de isolamento social decorrente da Covid-19 foi manifesta pelas participantes através de sentimentos duais em relação à pandemia, trazendo à tona fatores positivos e negativos referentes aos diversos aspectos da vivência da maternidade nesse contexto. Em relação aos aspectos positivos, a possibilidade de um maior tempo com os filhos e acompanhar seu processo desenvolvimental mais de perto, além de um incremento da privacidade e da ausência da interferência externa nesse processo singular e íntimo, e o bom desenvolvimento do bebê foram os mais citados. A vivência do isolamento social com um bebê pequeno é percebida por metade das mães como um benefício, na medida em que não precisaram ouvir opiniões alheias, trazendo aspectos sobre se sentirem mais confortáveis em relação maternidade sem as constantes intromissões. Neste sentido, destaca-se o quão tóxicas podem ser as invasões e a pressão social que as mães precisam administrar em situações convencionais de maternagem, na tentativa de preservar momentos mais intimistas e de construção de um lugar e espaço novos para elas e seus bebês. As mães não necessitam que lhe expliquem o seu papel e como se sentem em relação à sua maternidade, inclusive os melhores instintos maternos provêm de uma confiança natural nos recursos próprios de saber ser e saber sentir18. Para fazer-se mãe é preciso espaço. Isso pode estar relacionado às crenças sobre o papel de mãe como sendo naturais e parte da identidade feminina, baseadas em um determinismo biológico, que criam uma imagem de mulhermãe perfeita que não permitem sentimentos negativos ou ambivalentes, podendo gerar sofrimento psíquico a quem se deparar com a contradição da real experiência da maternidade19,1.

O tempo com seu bebê, visto também como aspecto positivo do isolamento social, é referido como um momento de conexão entre mãe e bebê e promove um tipo de intimidade e conhecimento sobre o filho que em circunstâncias normais poderiam ver-se mais fragmentados pelas demandas sociais externas2, fala sobre um estado de sensibilidade exacerbada, que chama de "preocupação materna primária", o qual possibilitaria à mãe adaptar-se às necessidades do bebê de maneira suficientemente boa. Esse estado estaria presente no final da gestação e nas primeiras semanas após o nascimento do filho, período mais primitivo do bebê. Essa percepção da mãe em ser o suporte egóico do recém-nascido, de conectar-se com suas necessidades e supri-las é fundamental para a constituição futura do eu, de modo que este possa crescer tendo que reagir minimamente a intrusões e possa "continuar a ser"2. Ademais, o desenvolvimento da relação íntima com o bebê lança os alicerces de sua personalidade, estrutura emocional e da capacidade para suportar frustrações18.

Esses apontamentos corroboram com a percepção das mães, pois um maior tempo com os filhos e a possibilidade de ter mais privacidade na relação mãe-bebê permitem um olhar mais atento às demandas do recém nascido. Além de ser benéfico para o desenvolvimento do bebê, as mães também referem benefícios próprios e o prazer de conviver e conhecer minuciosamente seu filho. Apesar de precisar ter suas necessidades supridas, o bebê também é capacitado de uma tendência inata para a vida e para o seu desenvolvimento18. Essa tendência inata vai de encontro aos relatos das participantes que apontaram não terem percebido mudanças e/ou atrasos no desenvolvimento motor de seus filhos, evidenciando não haver prejuízos causados pelo isolamento social nesse aspecto.

Segundo Aulagnier7, no primeiro momento, o mundo apresenta-se ao psiquismo sob a forma de dois fragmentos particulares: seu próprio espaço corpóreo e psíquico dos que o cercam - geralmente o materno. É a partir desse duplo encontro com o corpo e com a psique materna que o psiquismo forjará a primeira representação de si mesmo. Dessa forma, a mãe é um universo para o bebê e, apesar de suas preocupações em relação às privações advindas do isolamento social, o grande elo do bebê com o mundo são elas mesmas. Por isso, a maneira como puderam experienciar as vicissitudes desse momento, é primordial para sabermos os impactos destes tempos na subjetivação de seus bebês.

Ainda que a psique materna seja um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento psíquico do bebê nos seus primeiros meses de vida, com o passar dos meses novos objetos e novas pessoas também passam a ter um espaço representativo e de fundamental importância. Mesmo que não seja a maioria, algumas mães relataram sentir estranhamento do bebê ao conhecer outras pessoas, enquanto as três mães que já tinham filhos sentiram diferenças no convívio social do seu bebê comparado ao seu filho nascido em um tempo anterior a quarentena. Isso pode ser um indício de uma possível consequência dos tempos de pandemia, frequentemente as participantes relatam não ter conhecimento do significado das diferenças (entre seus filhos), mas, quando se trata do desenvolvimento socioafetivo, ainda assim, as sentem, destacando uma preocupação futura com esse aspecto desenvolvimental dos filhos.

O processo de desenvolvimento emocional do bebê é pouco encontrado nos relatos das participantes à primeira vista, quando referido não é visto como algo sucedido de maneira negativa, a maioria das mães refere-se apenas ao desenvolvimento motor e social de modo direto. No entanto, quando se trata de constituição emocional, as mães dessa amostra demonstraram preocupação com o desenvolvimento socioafetivo das crianças. Esse fator pode se dar porque a criança não possui referências prévias, é tudo incipiente em seu mundo interno e a falta de rede, bem como a restrição aos cuidadores nucleares pode fazer com que a fase de -natural angústia de separação-seja incrementada pela estranha (e nesse caso incomum) presença do outro. Ademais, as figuras cuidadoras apresentam o mundo aos filhos, e há no ar a ideia de um inimigo invisível, de um medo de contaminação através do outro, que fica coberto em uma importante via de expressão e contato: a boca. Tudo isso pode ser comunicado de forma inconsciente à criança e estudos longitudinais devem ser desenvolvidos para acompanhar os filhos do período de quarentena, afinal não se pode menosprezar os impactos silenciosos de um trauma social.

Percebe-se que a subcategoria "tempo com os filhos" pode passar despercebida em sua relevância em um primeiro momento, mas se encontra numa posição fundamental para o desenvolvimento psíquico nesses primeiros meses de vida do bebê. Neste sentido, a literatura corrobora com as falas de parte das mães que referem ter percebido o desenvolvimento de seus filhos nascidos na pandemia mais acelerado e/ou avançado que os seus outros filhos, ou seja, a possibilidade de um período de tempo maior de dedicação ao bebê favorece o seu desenvolvimento em diversos aspectos, assim como contribui para a relação mãe-bebê. Diversas mães referiram sentir uma conexão muito forte com os seus filhos, de modo que os conhecem minuciosamente, compreendendo os seus sinais, as suas necessidades e os seus desejos. Por outro lado, a falha dos pais é a chance dos filhos de descobrirem-se sujeitos, pois é através do reconhecimento da mãe enquanto outro objeto corpóreo separado de sí, que se instala a diferenciação psíquica7.

Um desafio adicional a longo prazo pode vir a ser o processo de separação, nesse caso, menos favorecido por chamamentos externos que estão atrofiados em relação ao isolamento protetivo que a pandemia promoveu. Diante disso, o isolamento social tem tido uma influência positiva no tempo que as mães passam com seus bebês, não apenas pela possibilidade de momentos prazerosos, mas de maneira mais sutil, na importância da presença para o êxito desse desenvolvimento psíquico. O tempo e o investimento - geralmente materno - são os fatores que propiciam essa constituição bem-sucedida e que em um período pré-isolamento apareciam perpassados por outras questões da vida cotidiana moderna, como o trabalho externo, a falta de privacidade entre mãe-bebê, entre outros. Esses momentos sem interferências permitem uma qualidade de tempo e espaço compartilhado um com o outro que se apresentava de maneira mais restrita para as mães, talvez até mais do que para seus bebês, que não possuíam referencial prévio de mundo.

É importante salientar que a experiência referida pode estar influenciada de maneira significativa pelo contexto experienciado pelas mães que participaram da pesquisa. Por ser um estudo que utilizou a técnica bola de neve como forma para encontrar as participantes, o perfil e o contexto de vida das mesmas pode estar enviesado e, consequentemente, semelhante. No caso deste estudo, é possível observar vivências privilegiadas em alguns sentidos, tal como a possibilidade de permanecer em casa em licença do trabalho ou até mesmo trabalhar em home office, e assim sentir os benefícios do maior tempo com o filho. Em outros cenários tal vivência poderia não ser viável.

Em contraponto a esses benefícios gerados pelo isolamento social, as participantes trouxeram aspectos que foram prejudicados pela pandemia da Covid-19. Apontaram de forma majoritária a ausência de uma rede de apoio e do convívio social, tanto para a mãe quanto para o recém-nascido, as modificações de atividades de modo que se sentiram sobrecarregadas, além dos sentimentos que foram despertados por esse momento atípico. A existência de uma rede de apoio para as novas mães é citada como fator fundamental por muitos estudos, sendo considerado um fator de proteção no período da maternagem, por se tratar de uma fase da vida onde ocorrem diversas modificações e adaptações, sejam biológicas, emocionais, sociais e/ou da própria identificação da mulher, o que pode acarretar situações estressantes20,21,22. O apoio social serve tanto para o auxílio no cuidado do bebê, como em tarefas domésticas e no cuidado afetivo e emocional da mulher que pode estar fragilizado devido às intensas mudanças. Considerando o cenário de pandemia, os níveis de estresse podem se elevar ainda mais23.

Rapoport e Piccinini20 referem que a presença de pessoas que ofereçam esse suporte aumenta a responsividade materna, além de ser benéfico para a relação mãe-bebê e com o cônjuge. As participantes indicaram se sentir frustradas por não possuírem mais ajuda e uma rede afetiva presente e consideram que lidariam melhor em algumas situações se tivessem um apoio maior. Inclusive, parte da amostra disse que, ao permitir um contato maior de familiares próximos (principalmente de suas mães e sogras), perceberam um sentimento de tranquilidade e segurança no decorrer do seu processo de maternagem. O apoio do cônjuge foi indicado como fator importante também, sendo ele a principal presença nesse cenário de pandemia. A presença do cônjuge é percebida tanto em situações positivas: nas quais o parceiro era presente e oferecia a assistência necessária; mas também em situações negativas: nas quais a mãe sentia falta da participação ativa do pai no cotidiano e na dedicação ao filho, apesar de estar fisicamente mais em casa, influenciando de forma desfavorável o ambiente familiar e o bem-estar da mãe. A literatura destaca que a presença do pai em casa na quarentena não significa, necessariamente, em mais apoio nas tarefas20,24.

A ausência de contato com outros grupos de pessoas pode gerar um sentimento de não pertença fazendo com que o enfoque, no momento atual, fique apenas no papel de "ser mãe"25. Os relatos das participantes revelam tal aspecto, elas mencionam se sentir sobrecarregadas com o cuidado dos filhos tendo que se submeter à função de mãe integralmente, além de precisarem dar conta de outras tarefas da casa e do trabalho praticamente sozinhas, dada a impossibilidade de ter um contato maior com familiares e amigos devido ao distanciamento social. Isso respalda os achados que afirmam uma sobrecarga das mulheres que possuem filhos, referindo sentimentos de cansaço e frustração por não conseguirem se dedicar da maneira que gostariam à todas as demandas8,24.

Além disso, neste contexto pandêmico há um saturamento do espaço doméstico, o qual se tornou o lugar da realização de todos os papéis, sejam eles maternais ou de atividades laborais, prejudicando a separação das tarefas e até mesmo dos estados mentais necessários para a realização dos mesmos9. Ademais, destaca-se que se trata de uma fase de projeção de muitos planos, sendo que, em parte, os planejamentos feitos em relação à gestação, parto, puerpério e procedimentos médicos precisaram ser modificados, devido às alterações na rotina com o intuito de conter o vírus, gerando sentimentos de angústia e medo frente às incertezas e a imprevisibilidade da situação, indo de encontro aos apontamentos de diversos autores26,23,27.

Devido a essa constante necessidade de adaptação autores reforçam a importância do cuidado com a saúde mental das mães e cuidadores, através da criação de uma rede de apoio, mesmo que virtual, para conter os sofrimentos, além de uma ajuda profissional de psicoterapeutas, se possível9. O autocuidado também é referido pelas autoras como aspecto fundamental na manutenção da saúde mental, de modo que sejam preservados momentos voltados para si. Esse aspecto corrobora com parte da amostra que relatou sentir falta de experienciar momentos de lazer fora da rotina da maternagem, como ir a restaurantes, ir para a academia e cuidar de si mesma.

Apesar de alguns dos aspectos levantados pelas participantes poderem ter um aspecto confusional e serem atribuídos a experiência do puerpério per se, visto que é um momento de natural simbiose mãe-bebe, escasso investimento egóico, libido maciçamente direcionada ao bebê em contraponto aos objetos externos, trazendo prejuízos no autocuidado, lazer e na relação conjugal, a sobreposição com a pandemia parece ter agravado essa experiência devido ao contexto de isolamento que não tensiona através de demandas da realidade externas a permeabilidade dessa díade. Freud já abordava a questão da transitoriedade das coisas e das vivências, o fato de nada ser eterno eleva a importância de desfrutar dos momentos. Além disso, menciona a necessidade de saber direcionar a energia a novos objetos, caso o objeto anterior seja perdido28.

Tendo isso em vista, as participantes relataram que suas expectativas em relação à maternidade foram, de certa forma, afetadas e/ou prejudicadas ao perderem a oportunidade de experienciar acontecimentos que desejavam. Ainda assim, se permitiram estar abertas aos benefícios que a quarentena poderia trazer para esse momento único e passageiro que é a maternidade. Em vez de permanecer em um processo de luto por experienciar essa fase em uma situação adversa, direcionaram a sua libido para desfrutar do cuidado aos filhos, adaptando e ressignificando essa experiência.

O presente estudo carrega seu mérito por aventurar-se em um terreno ainda em construção, na medida em que estamos vivendo um fenômeno social sem precedentes. No entanto, trata-se de uma pesquisa incipiente e de mapeamento inicial dos aspectos emocionais envoltos na maternagem em tempos de isolamento social. Algumas limitações devem ser apontadas: esse estudo conta com uma amostra reduzida e, apesar de encontrados variados tópicos em comum entre as participantes, cada experiência é única. Além disso, é sugerido traçar o perfil das participantes de maneira mais detalhada para uma compreensão aprofundada dos dados encontrados de acordo com o contexto vivenciado pelas mães. Ademais, o processo de quarentena ainda é um evento recente para estas mães, portanto, ainda podem decorrer impactos emocionais posteriores, logo, estudos longitudinais devem ser feitos para investigar com amplitude e profundidade o tema. Bem sabemos pelas epidemias e catástrofes prévias que aspectos emocionais da ordem do traumático possuem um tempo para manifestarem-se no psiquismo. Ainda assim, como a maternagem inicial é um processo de alto impacto na constituição da subjetividade, a percepção das mães no decorrer do fenômeno pode mapear pontos de pesquisa posteriores.


CONCLUSÃO

As mães entrevistadas, com experiência de maternagem situada no início da vivência pandêmica no Brasil, percebem que a rede de apoio e o convívio social foi o âmbito que unanimemente acarretou dificuldades nesse momento, justamente devido ao isolamento social requerido pelo contexto de saúde instalado na pandemia Covid-19. No entanto, referem o benefício de disponibilizarem mais tempo para acompanhar o processo desenvolvimental dos filhos e destacam que o menor contato com uma rede ampliada carrega o benefício de não precisarem lidar com a intrusão da opinião alheia sobre seu processo de maternagem em um momento tão particular e intimista. A respeito do desenvolvimento dos filhos foi encontrado uma percepção positiva pela maioria das participantes, exceto na questão social, na qual parte desta amostra demonstrou preocupação pelas consequências futuras e pelas manifestações de estranhamento das crianças com pessoas fora do cuidado nuclear.

Foram identificadas temáticas semelhantes entre as participantes na sua experiência frente a maternagem de bebês no contexto inicial da pandemia no Brasil, tais como: o aumento do tempo com seus filhos; a dificuldade da ausência da rede de apoio e do convívio social; os sentimentos de angústia e dúvida despertados por estar vivenciando esse processo em uma pandemia e a modificação das atividades rotineiras devido à pandemia. Considerando que o presente estudo se trata de um estudo qualitativo e exploratório, seu objetivo não é testar hipóteses previamente formuladas, mas conhecer melhor as experiências das mães nessa situação tão nova e adversa e possibilitar a formulação de questões que podem ser investigadas e esclarecidas em estudos subsequentes e ampliar o entendimento do fenômeno puerpério na pandemia Sugere-se, portanto, a continuidade mais aprofundada desse tema, principalmente pela escassez de estudos sobre os processos de maternagem e desenvolvimento do bebê em contextos de pandemias e catástrofes.


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aUniversidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Curso de Psicologia, Porto Alegre/RS, Brasil
bContemporâneo-Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade CIPT), Porto Alegre/RS, Brasil. c Instituto da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (Instituto SPPA), Porto Alegre/RS, Brasil

Autor correspondente

Tainá Aquino Henn
andregoncalvespsi@gmail.com

Submetido em: 25/10/2021
Aceito em: 09/12/2021

Contribuições: Tainá Aquino Henn - Análise estatística, Aquisição de financiamento, Coleta de Dados, Conceitualização, Gerenciamento de Recursos, Gerenciamento do Projeto, Investigação, Metodologia, Redação - Preparação do original, Redação - Revisão e Edição, Software, Validação, Visualização; Andrezza Julie Bonow - Análise estatística, Aquisição de financiamento, Coleta de Dados, Conceitualização, Gerenciamento de Recursos, Gerenciamento do Projeto, Investigação, Metodologia, Redação - Preparação do original, Redação - Revisão e Edição, Software, Validação, Visualização; Joana Côrrea de Magalhães Narvaez - Gerenciamento do Projeto, Redação - Revisão e Edição, Supervisão; Marina Bento Gastaud - Gerenciamento do Projeto, Redação - Revisão e Edição, Supervisão.

 

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