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Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2018; 20(3):1-8



Editorial

Contribuições latino-americanas para a pesquisa em psicoterapia e psicologia clínica: Os caminhos enriquecedores da diversidade

Latin-American contributions to research in psychotherapy and clinical psychology: The enriching paths of diversity

Contribuciones latinoamericanas a la investigación en psicoterapia y psicología clínica: Los caminos enriquecedores de la diversidad

Juan Martín Gómez Penedoa; Luis Farfallinib; Pricilla Braga Laskoskic

 

 

Este número especial visa apresentar diferentes esforços realizados na região da América Latina para desenvolver pesquisas em psicoterapia e psicologia clínica. Esta edição é composta por 15 artigos, divididos em duas seções, com trabalhos da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, escritos em português, espanhol e / ou inglês. Todos os trabalhos aqui apresentados passaram por um processo de avaliação peer-review e foram também avaliados pelos editores.

A primeira seção apresenta o resultado de uma chamada aberta para apresentar estudos realizados na América Latina. Desta forma, são exemplificadas e representadas, a partir de trabalhos específicos, as diferentes linhas de pesquisa em psicologia clínica e psicoterapia desenvolvidas na nossa região.

Em uma segunda seção deste número, apresentamos os trabalhos derivados de um convite direto a alguns dos principais pesquisadores latino-americanos para que descrevessem e discutissem seus atuais programas de pesquisa. Esta seção não tem como objetivo apresentar um estudo específico, mas descrever os projetos "guarda-chuva" dentro dos quais alguns dos desenvolvimentos de pesquisa em psicoterapia mais relevantes da região estão agrupados. Em alguns casos, são apresentados programas de pesquisa com décadas de trabalho, representando verdadeiras tradições de pesquisa clínica; em outros casos, são apresentados programas incipientes e inovadores, com grande potencial para contribuir para a renovação da área.

Dos seis artigos que compõem esta seção, cinco são escritos por pesquisadores que foram presidentes do capítulo latino-americano da Society for Psychotherapy Research (SPR), a principal sociedade internacional de pesquisa em psicoterapia. De maneira global, os trabalhos desta edição especial apresentam um panorama rico em história e com um futuro promissor no que diz respeito à pesquisa em psicoterapia e psicologia clínica desenvolvida na região.


SEÇÃO 1. ESTUDOS LATINO-AMERICANOS EM PSICOTERAPIA E PSICOLOGIA CLÍNICA

Na primeira seção deste número, são apresentados os trabalhos aceitos correspondentes à chamada aberta. Primeiro, o trabalho de da Silva, Teixeira & Hallberg é dedicado a estudar a prevalência de depressão em adolescentes em Porto Alegre, Brasil, através da análise dos registros clínicos de um centro de psicoterapia da cidade. O valor deste estudo é destacado pela falta de pesquisas epidemiológicas na região, em uma população particularmente vulnerável como a adolescência, e pela abordagem de uma patologia como a depressão, considerada o distúrbio psicológico com maior contribuição para a carga global de doenças1. Além disso, este estudo pode ter implicações importantes para o desenvolvimento de intervenções precoces e especialmente para intervenções preventivas. Os resultados mostram a depressão como o transtorno de maior prevalência em adolescentes entre 12 e 20 anos que buscam tratamentos psicoterapêuticos.

O trabalho de Assumpção, de Alcântara, Almeida, Neufeld & Teodoro, avalia a viabilidade da aplicação de um programa de treinamento em Mindfulness (seis sessões de 90 minutos) para pacientes com sintomas leves a moderados de ansiedade, estresse ou depressão. Em uma amostra de 34 participantes, foram analisadas diferentes categorias de viabilidade, tais como capacidade de recrutamento, níveis de aderência e assimilação de conteúdos. Os resultados da análise conduzem à identificação de linhas de melhoria para a implementação do programa e em lições para a aplicação e análise de viabilidade de outras intervenções de natureza distinta.

O trabalho de Juan & Pescio, por sua vez, apresenta a noção de desenvolvimento e suas principais implicações para a prática clínica e a pesquisa, usando como eixos organizadores alguns dos principais articuladores teóricos da psicologia do ego. Além de apresentar noções para facilitar o desenvolvimento da pesquisa empírica em psicanálise e sua aplicação na prática clínica, também fornece conceitos que são muito frutíferos para facilitar processos de integração em psicoterapia.

O artigo de Olivera, Manubens, Challú, Brnich & Roussos analisa a percepção dos pacientes a respeito da auto-revelação (self-disclosure) de seus terapeutas, um assunto de grande interesse em nível internacional, com escassa aplicação em nossa região. Para tanto, realizam entrevistas em profundidade e utilizam um método estruturado de análise qualitativa, criado especialmente para a pesquisa em psicologia clínica, como o Consensus Qualitative Research2. Os resultados tendem a apresentar as auto-revelações do terapeuta como um recurso que permite humanizá-lo e fortalecer o vínculo com seu paciente.

O trabalho de Bueno e colaboradores apresenta um estudo clássico de comparação de grupos que avalia a eficácia de um tratamento cognitivo-comportamental em grupo e uma terapia de reposição de nicotina para a cessação do tabagismo em uma amostra de mulheres. Embora o estudo não encontre diferenças entre os dois grupos, nos pacientes do grupo de terapia cognitiva os autores observam uma redução significativa nos esquemas cognitivos de hipervigilância e inibição durante o tratamento, o que poderia mediar seus efeitos sobre a cessação do tabagismo.

Os trabalhos de Nardi, Bittencourt, Serralta & Benetti e Both, Favaretto & Benetti são dois exemplos de estudos sistemáticos de caso único, uma das metodologias mais utilizadas na região, que se mostrou uma técnica de pesquisa robusta em psicoterapia com grande potencial para aplicabilidade clínica3,4. O trabalho de Nardi e colaboradores utiliza essa metodologia para analisar intensivamente o primeiro ano de tratamento de uma psicoterapia de orientação psicanalítica em uma paciente com transtorno de personalidade Borderline, avaliando a adesão a intervenções psicodinâmicas, cognitivas e orientadas para a função reflexiva. Os autores observaram uma alta adesão a todos os protótipos de intervenções, especialmente aqueles orientados para a função reflexiva, sugerindo que eles poderiam ser um fator comum na psicoterapia para transtorno Borderline. O trabalho de Both e colaboradores, por sua vez, analisa os efeitos de uma terapia baseada na mentalização para um adolescente com problemas com a lei, utilizando um método sistemático de avaliação psicodinâmica como o Diagnóstico Psicodinâmico Operacionalizado5. Os resultados, comparando níveis prévios ao tratamento e ao final dele (após 18 meses), mostraram não só melhoria ao nível da gravidade sintomática, mas também um aumento na capacidade de mentalização após o tratamento.

Por fim, o trabalho de Pessota, Feijó, Costa & Benetti, estuda características clínicas e demográficas de pacientes no início do tratamento que poderiam predizer o abandono precoce na psicoterapia psicanalítica. Os resultados mostram que variáveis como renda, grau de escolaridade e níveis de gravidade dos sintomas ansiosos predizem a probabilidade de abandono precoce da terapia. Esses resultados podem ser valiosos para desenvolver estratégias para evitar o abandono de tratamento de pacientes com tais características.


SEÇÃO 2. PROGRAMAS DE PESQUISA LATINO-AMERICANOS EM PSICOTERAPIA E PSICOLOGIA CLÍNICA

Nesta segunda seção, são apresentados os programas de pesquisa de alguns dos principais investigadores em psicoterapia e psicologia clínica na América Latina. O primeiro trabalho é de autoria de Mariane Krause e Carolina Altimir. Krause é atualmente a presidente da SPR internacional. Ambas as autoras recentemente organizaram uma edição especial na revista Estudios en Psicología sobre os desenvolvimentos atuais na pesquisa de processos em psicoterapia6. Em seu trabalho, as autoras apresentam o Programa Chileno de Pesquisa sobre Mudança em Psicoterapia, um programa tradicional de pesquisa sobre processos-resultados em psicoterapia, que possui mais de 15 anos de trajetória e integra metodologias qualitativas e quantitativas, especialmente voltadas ao estudo da mudança em psicoterapia.

O segundo trabalho esteve a cargo de Fernanda Serralta, ex-presidente do capítulo latino-americano da SPR. Neste artigo é descrito o seu programa de pesquisa, desenvolvido em São Leopoldo, RS, Brasil, que se dedica a analisar as relações das características de personalidade dos pacientes e os processos de mudança e vínculo em psicoterapia psicanalítica. Seu programa está inserido dentro das tradições de pesquisa em psicologia clínica e, especialmente, em psicoterapia psicanalítica.

O terceiro artigo, escrito por Santeiro, da Rocha, Honda, Enéas & Peixoto, apresenta o trabalho de Elisa Yoshida, que também foi presidente do capítulo latino-americana da SPR. Neste trabalho, é descrito um programa tradicional de pesquisa de processos-resultados realizado no Brasil há mais de 20 anos, fortemente enraizado na realidade brasileira e na aplicação do conhecimento empírico a ela.

O quarto artigo desta seção foi escrito por Fernández-Álvarez, que também é ex-presidente do capítulo latino-americano da SPR. Além disso, Fernández-Álvarez recebeu prêmios como o Distinguished Career Award concedido pela SPR e o Award for Distinguished Contributions to the International Advancement of Psychology concedido pela American Psychological Association. Em seu artigo, apresenta o trabalho realizado na Fundação AIGLÉ, Argentina, no âmbito de modelos de pesquisa orientados para a prática, um dos movimentos recentes mais vibrantes para promover estratégias para reduzir a lacuna entre a prática clínica e a pesquisa em psicoterapia7 .

O quinto trabalho desta seção foi realizado por Andrés Roussos, também ex-presidente do capítulo latino-americano da SPR. Seu trabalho apresenta um programa de investigação inovador realizado na Argentina sobre o uso de tecnologias da informação e da comunicação aplicadas à psicoterapia. Embora essas linhas de pesquisa sejam mais recentes, elas demonstram uma posição e relevância crescentes, tanto regional quanto internacionalmente, e são articuladas com mais de 20 anos de experiência do autor em estudos tradicionais de processos-resultados em psicoterapia.

Por fim, o último capítulo desta seção foi escrito por Denise Defey, que também foi presidente do capítulo latino-americano da SPR. Em seu trabalho, de relevância psicossocial marcante, a autora faz uma retrospectiva através de diferentes desenvolvimentos históricos destinados a fazer ajustes técnicos em processos psicoterapêuticos ou clínicos com populações vulneráveis. Seu trabalho aponta para a necessidade de exercermos uma prática que respeite as especificidades sociais, econômicas e culturais daqueles a quem as intervenções se dirigem.


ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE PESQUISA EM PSICOTERAPIA E PSICOLOGIA CLÍNICA NA AMÉRICA LATINA

Uma das primeiras coisas que se destacam ao fazer uma revisão dos trabalhos aceitos para esta edição é a diversidade das linhas de pesquisa presentes na América Latina. Nesta edição especial, essa diversidade se manifesta nos diferentes referenciais representados, na variabilidade metodológica, bem como nas diferentes populações-alvo para as quais esses estudos são orientados. Este número inclui estudos de prevalência, análises clássicas de eficácia utilizando métodos de comparação de grupos, análise de viabilidade, estudos de caso único, análises qualitativas e trabalhos de desenvolvimento teórico.

A ampla gama de tópicos é representativa da heterogeneidade que é apresentada no estudo da psicoterapia e psicologia clínica na região. Os programas de pesquisa aqui descritos por alguns dos principais investigadores do campo também mostram uma grande diversidade, com programas tradicionais de pesquisa de processos-resultados, articulando metodologias quantitativas, qualitativas e de caso único, bem como programas inovadores que apontam para o caminho da incorporação de novos desenvolvimentos tecnológicos no campo da psicoterapia. Por outro lado, são observados programas de pesquisa que abordam problemas que afetam particularmente o exercício da psicoterapia e a psicologia clínica na região, como a lacuna entre prática clínica e pesquisa empírica (um problema global especialmente presente na América Latina) ou para adaptar as formas de intervir em populações vulneráveis.

Heterogeneidade e diversidade sempre implicam um desafio. Unir esforços no âmbito de linhas de pesquisa muito diferentes pode ser mais difícil do que ter um caminho compartilhado e claro. No entanto, a diversidade é acima de tudo uma força, que nos brinda com um panorama de grande riqueza temática, cobrindo os principais tópicos de trabalho de interesse mundial na pesquisa em psicoterapia e psicologia clínica. Assim, a pesquisa na América Latina pode não apenas replicar muitos dos procedimentos e tópicos desenvolvidos internacionalmente, mas também fazer uma contribuição especial, estudando suas formas particulares de manifestação e suas implicações práticas em nossos países.

As dimensões culturais neste momento desempenham um papel crucial8. O estudo de como os fatores culturais que compõem a identidade latino-americana podem afetar a psicopatologia e suas principais formas de expressão, bem como os processos terapêuticos que são desenvolvidos e seu impacto na melhora dos pacientes, tem um enorme potencial para fortalecer a clínica psicoterápica na região, bem como decodificar as implicações da pesquisa internacional em nosso contexto9.

Embora o papel da pesquisa latino-americana em âmbito internacional tenha tido um crescimento acentuado nos últimos anos, ainda está em um lugar marginal se observarmos, por exemplo, as taxas de artigos publicados em periódicos de alto impacto10. Em uma revisão dos 13 principais periódicos internacionais em psicologia clínica, de la Parra10 observa que apenas 0.6% dos artigos tinham origem latino-americana. Uma das questões a serem destacadas em relação a esse tema é que a grande maioria dos periódicos de alto impacto em psicoterapia e psicologia clínica é publicada em inglês. Isto implica uma primeira barreira, em princípio, idiomática. Por outro lado, os requisitos metodológicos necessários para publicação em periódicos internacionais de alto impacto aumentam a cada dia. Os recursos econômicos limitados destinados à pesquisa clínica na região, muitas vezes, impedem a criação de dispositivos de pesquisa que atendam aos critérios metodológicos esperados por esses periódicos10. Além disso, o nível de sofisticação incessante dos métodos estatísticos exigidos para essas publicações excede em muito os conteúdos ensinados nos programas de pósgraduação e doutorado da região.

Neste contexto, vale a pena perguntar que estratégias poderiam ser aplicadas para continuar fortalecendo nossa produção científica regional e aumentar nosso impacto. Uma primeira possibilidade reside em consolidar a força editorial na região. Consideramos que este número especial, que busca combinar diferentes esforços de pesquisa clínica realizados na América Latina, representa um passo nessa direção. Da mesma forma, o fazem algumas edições especiais organizadas recentemente por pesquisadores latino-americanos, permitindo uma maior visibilidade do trabalho realizado na região e integrado com trabalhos de autores internacionais. Cabe destacar o já citado número especial organizado por Krause e Altimir6 sobre investigações de processos-resultados, veiculado pela revista Estudios en Psicología, como também aquele organizado por Fernández-Álvarez y Castonguay7, sobre investigação orientada à prática, publicado pela Revista Argentina de Clínica Psicológica. Continuar com a organização de exemplares temáticos dessa natureza pode ajudar a promover a disseminação da pesquisa regional.

Por outro lado, embora existam revistas clínicas de prestígio nos diferentes países da região, no momento não há uma que tenha uma identidade e entidade latino-americana. O desenvolvimento de um projeto editorial latino-americano, organizado e apoiado por interlocutores dos diferentes países da região, poderia facilitar um contexto muito mais amplo de difusão e interação entre pesquisadores, potencializando o impacto do trabalho realizado na região como também internacionalmente. Espaços como o capítulo latino-americano da Society for Psychotherapy Research forneceriam um ambiente natural para um projeto dessa natureza.

Outro aspecto que poderia consolidar a posição científica latino-americana é fortalecer as redes de colaboração e a pesquisa conjunta na região. Algo que é extremamente comum em outras regiões, como a América do Norte ou a Europa, não é tão comum na América Latina. Por exemplo, em nenhum dos 15 artigos incluídos nesta edição se observa alguma colaboração internacional explícita (por exemplo, trabalhos com coautores de diferentes países). A criação de redes de colaboração e trabalho conjunto permite não só um maior aproveitamento de recursos de pesquisa (onde vários grupos podem trabalhar com o mesmo material clínico), mas também permite um enriquecimento mútuo em nível teórico, metodológico e cultural. Vale ressaltar como importante passo nesse sentido o programa de cooperação internacional denominado "Rede Latino-Americana de Investigação de Processos em Psicoterapia", dirigido por Mariane Krause, que reúne pesquisadores do Chile, Argentina, Brasil e Uruguai e que busca promover o intercâmbio internacional e o desenvolvimento de projetos de pesquisa coletivos. Além de iniciativas dessa natureza, concebidas entre grandes centros de pesquisa da região, a associação de pesquisadores também tem a capacidade de fortalecer o conhecimento mútuo e aumentar a qualidade do trabalho de pesquisa. Novamente, neste ponto, abraçar a diversidade tem o potencial de fortalecer nosso trabalho como pesquisadores e, também, como clínicos.

Ao mesmo tempo, seria benéfico criar espaços de formação e atualização metodológica para pesquisadores clínicos, que transcendam as fronteiras nacionais e permitam a troca de conhecimentos consolidados em diferentes países e equipes de pesquisa. As tecnologias da comunicação e da informação viabilizam a possibilidade de organizar jornadas e cursos a distância, o que permitiria uma maior transferência de conhecimento, ajudando a consolidar forças em diferentes países.

Finalmente, consideramos que um último ponto importante que pode favorecer o avanço da ciência na região reside em promover a busca por um valor agregado específico da pesquisa clínica latino-americana. Isso implica nos perguntar que contribuição diferencial pode ser dada pela pesquisa em psicoterapia e psicologia clínica produzida na América Latina para a região, mas também para o mundo10. Portanto, esta sugestão se concentra novamente em usar o que nos torna diferentes como um pólo de construção de conhecimento, como um recurso para potencializar nossa ciência e seu valor, em nível local e internacional.

Em suma, essa edição especial busca contribuir para a consolidação e disseminação da pesquisa em psicoterapia na América Latina. Esperamos que represente mais um passo, entre muitos passos pioneiros, e muitos passos futuros, que continuam buscando um fortalecimento dia após dia de pesquisas na região voltadas para o estudo da psicoterapia e psicologia clínica.


REFERÊNCIAS

1. Vigo D, Thornicroft G, Atun R.Estimating the true global burden of mental illness.Lancet Psychiatry. 2016 Feb;3(2):171-8. doi: 10.1016/S2215-0366(15)00505-2.

2. Hill CE. Consensual Qualitative Research (CQR): methods for conducting psychotherapy research. In: Gelo O, Pritz A, Rieken B. (Eds) Psychotherapy research. Vienna:Springer; 2015. pp. 485-99.

3. Kazdin AE. Drawing valid inferences from case studies. In:Kazdin AE (Ed.), Methodological issues & strategies in clinical research. 3rd ed.Washington, DC: American PsychologicalAssociation; 2003.pp. 655-78

4. Roussos A. El diseño de caso único en investigación en psicología clínica. Un vínculo entre la investigación y la práctica clínica. Rev. argent. clín. Psicol. 2007 nov; 16(3):261-70.

5. Task Force. Diagnóstico Psicodinámico Operacionalizado: Manual para el diagnóstico, indicación y planificación de la psicoterapia (OPD-2). Herder; 2008.

6. Krause M & Altimir C. Introduction: current developments in psychotherapy process research. Estud psicol. 2016; 37(2-3):201-25. https://doi.org/10.1080/02109395.2016.1227574

7. Fernández-Álvarez H&Castonguay L. Investigación orientada por lapráctica: avances en colaboración entre clínicos e investigadores. Introducción. Rev. argent. clín. psicol. 2018; 27(2):107-14.

8. Kirmayer L. Cultureandpsychotherapy in a creolization world.Transcult Psychiatry. 2006 Jun;43(2):163-8. doi:10.1177/ 1363461506064846.

9. Jock W, Bolger KW, Gómez Penedo JM, Waizmann V, Olivera J, Roussos AJ. Differential client perspectives on therapy in Argentina and the United States: a cross-cultural study. Psychotherapy (Chic). 2013 Dec;50(4):517 524. doi: 10.1037/a0033361.

10. de la Parra, G. Psychotherapy research in developing countries: the case of Latin America. Psychother Res. 2013;23(6):609-23. doi: 10.1080/10503307.2013.830794.










a Universidad de Buenos Aires, CONICET, Argentina
b Fundación AIGLÉ, CIIPME-CONICET, Buenos Aires, Argentina
c Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil

Correspondência
Juan Martín Gómez Penedo
Secretaria de Investigaciones, Facultad de Psicologia, Universidad de Buenos Aires
2353 Lavalle Street
Ciudad de Buenos Aires, Argentina
jmgomezpenedo@gmail.com



Contribuciones latinoamericanas a la investigación en psicoterapia y psicología clínica: Los caminos enriquecedores de la diversidad


Juan Martín Gómez Penedoa; Luis Farfallinib; Pricilla Braga Laskoskic




Este número especial tiene el objetivo de presentar distintos esfuerzos realizados en la región latinoamericana para desarrollar investigación en psicoterapia y psicología clínica. Este número está integrado por 15 artículos, distribuidos en dos secciones, con trabajos de Argentina, Brasil, Chile y Uruguay, escritos en portugués, español y/o inglés.Todos los trabajos aquí presentados atravesaron un proceso de evaluación peer-review y fueron a su vez evaluados por los editores del número.

En la primera sección se presenta el resultado de una convocatoria abierta para presentar investigaciones específicas realizadas en Latinoamérica. De esta forma, se ejemplifican y representan, a partir de trabajos específicos, las distintas líneas de investigación en psicoterapia y psicología clínica desarrolladas en la región latinoamericana.

En una segunda sección de este número se presentan los trabajos derivados de una invitación directa a algunos de los principales referentes latinoamericanos, para que describan y discutan sus programas de investigación actual. Esta sección no apunta a presentar un estudio específico, sino a describir los proyectos marco en los cuales se nuclean algunos de los desarrollos de investigación en psicología clínica más relevantes de la región. En algunos casos se presentan programas de investigación que tienen décadas de trabajo, representando verdaderas tradiciones para la investigación clínica, en otros casos se presentan programas incipientes y novedosos, con una gran potencialidad de aportar para una renovación del área. De los seis artículos que integran esta sección, cinco fueron escritos por investigadores que fueron presidentes del capítulo Latinoamericano de la Society for Psychotherapy Research (SPR), la principal sociedad internacional de investigación en psicoterapia. En forma global, los trabajos de este número especial presentan un panorama rico en historia y con un futuro prometedor, respecto de la investigación en psicoterapia y psicología clínica desarrollada en la región.


SECCIÓN 1. ESTUDIOS LATINOAMERICANOS EN PSICOTERAPIA Y PSICOLOGÍA CLÍNICA

En la primera sección de este número, se presentan los trabajos aceptados correspondiente a la convocatoria abierta. En primer lugar, el trabajo de da Silva, Teixeira, & Hallberg se dedica a estudiar la prevalencia de depresión en adolescentes en Porto Alegre, Brasil, mediante el análisis de registros clínico de un centro de psicoterapia. El valor de este estudio queda remarcado frente a la falta de investigación epidemiológica en la región, en una población especialmente vulnerable como la adolescencia, y en una patología como la depresión que es considerada el trastorno psicológico con mayor contribución a la carga mundial de enfermedades1. Además, este estudio puede tener importantes implicancia para el desarrollo de intervenciones tempranas y aún más para intervenciones preventivas. Los resultados muestran a la depresión como el trastorno de principal prevalencia en adolescentes de entre 12 y 20 años, solicitando tratamientos psicoterapéuticos.

El trabajo de Assumpção, de Alcântara, Almeida, Neufeld, & Teodoro, evalúa la viabilidad de aplicar un programa de entrenamiento en Mindfulness (seis sesiones de 90 minutes) para pacientes con síntomas leves a moderados de ansiedad, estrés o depresión. En una muestra de 34 participantes se analizaron diferentes categorías de viabilidad, tales como la capacidad de reclutamiento, los niveles de adherencia y asimilación de los contenidos. Los resultados del análisis derivan en la identificación de líneas de mejoría para la implementación del programa y en lecciones para la aplicación y análisis de viabilidad de otras intervenciones de diferente naturaleza.

Por su parte, el trabajo de Juan & Pescio presenta la noción de desarrollo y sus principales implicancias para la práctica clínica y la investigación, utilizando como ejes organizadores algunos de los principales articuladores teóricos de la Psicología del Yo. Además de presentar nociones para facilitar el desarrollo de investigación empírica en psicoanálisis para su aplicación en la práctica clínica, también aporta conceptos que podrían ser muy fructíferos para facilitar procesos de integración en psicoterapia.

El artículo de Olivera, Manubens, Challú, Brnich, & Roussos, analiza la percepción de los pacientes respecto de las auto-revelaciones (i.e., self-disclosure) de sus terapeutas, un tema de mucho interés a nivel internacional con escasa aplicación en la región. Con este fin realizan entrevistas en profundidad y utilizan un método de análisis cualitativo estructurado, especialmente creado para la investigación en psicología clínica como el Consensual Qualitative Research2. Los resultados tienden a presentar a las auto-revelaciones del terapeuta como un recurso que permite humanizar al terapeuta y fortalecer el vínculo con su paciente.

El trabajo de Regina Torres Bueno y colaboradores presenta un estudio clásico de comparación de grupos estudiando la eficacia de un tratamiento cognitivo-conductual grupal y una terapia de reemplazo de nicotina para cesación tabáquica en una muestra de mujeres. Si bien el estudio no encuentra diferencias entre los dos grupos, en los pacientes de terapia cognitiva grupal los autores observan una reducción significativa en los esquemas cognitivos de hipervigilancia e inhibición durante el tratamiento, que podría mediar los efectos del mismo sobre la cesación tabáquica.

Los trabajos de Nardi, Bittencourt, Serralta, & Benetti y Both, Favaretto, & Benetti son dos ejemplos de systematic single-case studies, una de las metodologías más utilizadas en la región, que ha demostrado ser una técnica robusta de investigación en psicoterapia con gran potencial de aplicabilidad clínica3,4. El trabajo de Nardi y colaboradores utiliza esta metodología para analizar intensivamente el primer año de tratamiento de una terapia de orientación psicoanalítica en un paciente con trastorno borderline de la personalidad, estudiando la adherencia a intervenciones psicodinámicas, cognitivas y orientadas a la función reflexiva. Los autores observaron una alta adherencia a todos los prototipos de intervención, especialmente a aquellas orientadas a la función reflexiva, sugiriendo que podrían ser un factor común en psicoterapia para los trastornos borderline. El trabajo de Both y colaboradores analiza los efectos de una terapia basada en la mentalización para un adolescente con problemas con la ley, usando un método sistemático de evaluación psicodinámica como el Operational Psychodynamic Diagnosis5. Los resultados comparando niveles previos al tratamiento y al finalizar el mismo (luego de 18 meses) mostraron no solo mejoría a nivel de severidad sintomática sino también un incremento de mentalización luego del tratamiento.

Finalmente, el trabajo de Pessota, Feijó, Costa, & Benetti, estudia características clínicas y demográficas de los pacientes al principio del tratamiento que podrían predecir abandonos tempranos en psicoterapia psicoanalítica. Los resultados muestran que variables como los ingresos, el grado de escolaridad y los niveles de severidad en sintomatología ansiosa predicen la probabilidad de abandonar tempranamente la terapia. Estos resultados podrían ser valiosos para desarrollar estrategias tempranas de prevención de abandonos en pacientes con dichas características.


SECCIÓN 2. PROGRAMAS LATINOAMERICANOS DE INVESTIGACIÓN EN PSICOTERAPIA Y PSICOLOGÍA CLÍNICA

En esta segunda sección, se presentan los programas de investigación de algunos de los principales referentes de la investigación en psicoterapia en Latinoamérica. El primer trabajo tiene por autoras a Mariane Krause y Carolina Altimir. Krause es actualmente presidenta internacional de la SPR. Ambas autoras han organizado recientemente un número especial en la revista Estudios en Psicología sobre desarrollos actuales en la investigación de proceso en psicoterapia6. En su trabajo, las autoras presentan el Programa Chileno de Investigación del Cambio en Psicoterapia, un programa de investigación tradicional en procesos-resultados en psicoterapia que cuenta con más de 15 años de trayectoria e integra metodologías cualitativas y cuantitativas, especialmente orientadas al estudio del cambio en psicoterapia.

El segundo trabajo estuvo a cargo de Fernanda Serralta, ex-presidenta del capítulo latinoamericano de la SPR. En este artículo se describe su programa de investigación desarrollado en São Leopoldo, RS, Brasil, dedicado a analizar las relaciones de las características de personalidad de los pacientes y los procesos vinculares y de cambio en psicoterapia psicoanalítica. Este programa también se inserta dentro de las tradiciones de investigación en psicología clínica, y especialmente en psicoterapia psicoanalítica.

El tercer artículo escrito por Santeiro, da Rocha, Honda, Enéas, & Peixoto presenta la obra de Elisa Yoshida, quien fue también presidenta del capítulo latinoamericano de la SPR. En este trabajo, se describe a su vez un programa tradicional de investigación de procesos-resultados realizado en Brasil a lo largo de más de 20 años, fuertemente afianzado en la realidad brasilera y en la aplicación del conocimiento empírico a esta.

El cuarto artículo de esta sección fue escrito por Fernández-Álvarez, quien es también un ex presidente del capítulo latinoamericano de la SPR. Además, Fernández-Álvarez ha recibido premios como el Distinguished Career Award de la SPR y el Award for Distinguished Contributions to the International Advancement of Psychology de la American Psychological Association. En su capítulo, presenta los trabajos realizados en la Fundación Aiglé en Argentina, en el marco de los modelos de investigación orientada a la práctica, una de los más vibrantes movimientos recientes para promover estrategias de reducción de la brecha entre la clínica y la investigación en psicoterapia7 .

El quinto trabajo de esta sección fue realizado por Andrés Roussos, ex-presidente, a su vez, del capítulo latinoamericano de la SPR. Su trabajo presenta un programa de investigación innovador en el uso de tecnologías de la información y la comunicación aplicadas a la psicoterapia, realizado en Argentina. Si bien estas líneas de investigación son más recientes, cuentan con un posicionamiento y relevancia creciente, tanto en el ámbito regional como internacional, y se articulan con más de 20 años de experiencia del autor en estudios tradicionales de procesos-resultados en psicoterapia.

Finalmente, el último capítulo de esta sección fue realizado por Denise Defey, quien fuera a su vez presidenta del capítulo latinoamericano de la SPR. En su trabajo, que cuenta con una marcada relevancia psicosocial, la autora hace un recorrido a través de diferentes desarrollos históricos orientado a realizar adecuaciones técnicas para procesos psicoterapéuticos o clínicos con poblaciones vulnerables. Su trabajo señala la necesidad del ejercicio de una práctica que respete las especificidades sociales, económicas y culturales, de aquellos a quienes apuntan las intervenciones.


ALGUNAS REFLEXIONES SOBRE LA INVESTIGACIÓN EN PSICOTERAPIA Y PSICOLOGÍA CLÍNICA EN LATINOAMÉRICA

Una de las primeras cosas que resaltan al realizar una revisión de los trabajos aceptados para este número es la diversidad de las líneas de investigación presentes en Latinoamérica. En este número especial dicha diversidad se manifiesta en los distintos marcos de referencias representados, en la variabilidad metodológica, así como también en las diferentes poblaciones objetivo hacia los cuales estos estudios están orientados. En este número se incluyen estudios de prevalencia, análisis clásicos de eficacia mediante métodos de comparación de grupos, análisis de viabilidad, estudios de caso únicos, análisis cualitativos y trabajos de desarrollo teórico. El gran abanico de temáticas es representativo de la heterogeneidad que se presenta dentro del estudio en psicología clínica en la región. Los programas de investigación aquí descriptos por los principales referentes del campo, también evidencian una gran diversidad, con programas de investigación de procesos-resultados tradicionales, articulando metodologías cuantitativas, cualitativas y de caso único, así como también programas innovadores que apuntan a la forma de incorporar los nuevos desarrollos tecnológicos dentro del campo de la psicoterapia y psicología clínica. Por otra parte, se observan programas de investigación que apuntan a problemáticas que afectan particularmente el ejercicio de la psicoterapia y la psicología clínica en la región, como por ejemplo la brecha entre la clínica y la investigación (un problema a nivel global especialmente presente en Latinoamérica) o a adecuar las formas de intervenir en poblaciones vulnerables.

La heterogeneidad y la diversidad implican siempre un desafío. Unir esfuerzos en el marco de líneas de investigación muy disimiles entre sí puede ser más difícil que contar con un camino compartido y claro. Sin embargo, la diversidad es ante todo una fortaleza, que nos brinda un panorama de una gran riqueza temática, cubriendo los principales tópicos de trabajo de interés mundial en la investigación en psicoterapia. Es así que la investigación en Latinoamérica puede no solo replicar muchos de los procedimientos y temas que se desarrollan a nivel internacional, sino también realizar un aporte especial, estudiando sus formas particulares de manifestación y sus implicancias prácticas en nuestros países. Las dimensiones culturales en este punto juegan un papel crucial8. El estudio de cómo los factores culturales que hacen a la identidad latinoamericana, pueden incidir sobre la psicopatología y sus formas principales de expresión, así como también sobre los procesos terapéuticos que se desarrollan y su impacto sobre la mejoría de los pacientes, tiene un enorme potencial para fortalecer la clínica psicoterápica y psicológica en la región y, a su vez, para codificar las implicancias de las investigaciones internacionales en nuestro contexto9 .

Si bien el rol de la investigación latinoamericana en el campo internacional ha tenido un crecimiento marcado en los últimos años, aún se encuentra en un lugar marginal si uno observa, por ejemplo, las tasas de artículos publicadas en revistas de alto nivel de impacto10. En una revisión sobre los 13 principales revistas a nivel internacional en psicología clínica, de la Parra10 observa que solo el 0.6% de los artículos tenían un origen latinoamericano.

Uno de los temas a destacar en este punto es que la inmensa mayoría de las revistas de alto impacto en psicoterapia y psicología clínica se publican en inglés. Esto implica una primera barrera, en principio, idiomática.

Por otro lado, los requisitos metodológicos que se exigen para publicar en revistas internacionales de alto impacto aumentan día a día. Los recursos económicos limitados en la región, destinados a la investigación clínica, muchas veces impiden crear dispositivos de investigación que alcancen los criterios metodológicos esperados por estas revistas10. A su vez, el nivel de sofisticación incesante de los métodos estadísticos requeridos para estas publicaciones, superan ampliamente los contenidos enseñados en los programas de posgrado y doctorado en la región.

En este contexto, cabe preguntarse qué estrategias se podrían aplicar para seguir fortaleciendo nuestra producción científica regional y aumentar nuestro impacto. Una primera posibilidad reside en consolidar la fortaleza editorial en la región. Consideramos que este número especial, que intenta aunar distintos esfuerzos de investigación clínica realizados en Latinoamérica, representa un paso en esa dirección. De igual manera, lo hacen algunos números especiales organizados recientemente por investigadores latinoamericanos, que permiten una mayor visibilidad de trabajos realizados en la región, integrados junto a trabajos de autores internacionales. Cabe destacar el ya citado número especial organizado por Krause y Altimir6 sobre investigaciones de proceso resultado, en la revista Estudios en Psicología, así como también aquel organizado por Fernández-Álvarez y Castonguay7, sobre investigación orientada a la práctica, en la Revista Argentina de Clínica Psicológica. Continuar con la organización de números temáticos de esta naturaleza puede ayudar a impulsar la difusión de la investigación regional.

Por otro lado, si bien existen revistas clínicas de mucho prestigio en los distintos países de la región, al momento no existe ninguna que tenga una entidad e identidad latinoamericana. El desarrollo de un proyecto editorial latinoamericano, organizado y sostenido por interlocutores de los distintos países de la región, podría facilitar un contexto de difusión e interacción mucho mayor entre investigadores, potenciando el impacto de los trabajos realizados dentro de la región y, a su vez, internacionalmente. Espacios como el capítulo latinoamericano de la Society for Psychotherapy Research, brindarían un ámbito natural de desarrollo para un proyecto de esta naturaleza.

Otro aspecto que podría fortalecer la posición científica latinoamericana, es fortalecer las redes de colaboración e investigación conjunta en la región. Algo que es extremadamente común en otras regiones como Norte-América o Europa, no lo es tanto en Latinoamérica. Por ejemplo, en ninguno de los 15 trabajos incluidos en este número se observa alguna colaboración internacional explicita (por ejemplo, trabajos con co-autores de distintos países). Armar redes de colaboración y trabajo conjuntos, no solo posibilita un mayor aprovechamiento de recursos de investigación (en donde varios grupos de investigación pueden trabajar sobre un mismo material clínico), sino también permite un enriquecimiento mutuo a nivel teórico, metodológico y cultural. Cabe destacar como un paso importante en esta dirección el programa de cooperación internacional denominado "Red latinoamericana para investigar procesos en psicoterapia", dirigido por Mariane Krause, que une a investigadores de Chile, Argentina, Brazil y Uruguay, y que busca fomentar el intercambio internacional y el desarrollo de proyectos de investigación colectivos. Además de iniciativas de esta naturaleza, diseñadas entre grandes centros de investigación de la región, las asociaciones a nivel de los investigadores, también tienen la capacidad de fortalecer los conocimientos mutuos e incrementar la calidad de los trabajos de investigación. Nuevamente, en este punto, abrazar la diversidad tiene el potencial de fortalecer nuestro trabajo como investigadores y, también, como clínicos.

A su vez, sería beneficioso crear espacios de formación y actualización metodológica para investigadores clínicos, que trasciendan las fronteras nacionales y permitan un intercambio de los conocimientos afianzados en los distintos países y equipos de investigación. Las tecnologías de la comunicación y la información brindan la posibilidad de organizar jornadas y cursos a distancia, que permitirían una mayor transferencia de conocimientos, ayudando a consolidar fortalezas en los distintos países.

Finalmente, consideramos que un último punto importante que puede favorecer el avance de la ciencia en la región es fomentar la búsqueda de un valor agregado específico de la investigación clínica latinoamericana. Esto conlleva preguntarnos qué aporte diferencial puede hacer la investigación en psicoterapia producida en Latinoamérica a la región, pero también al mundo10. Por ende, esta sugerencia se centra nuevamente en utilizar aquello que nos hace diferentes como polo de construcción del conocimiento, como un recurso para potenciar nuestra ciencia y su valor, a nivel local e internacional.

En síntesis, este número especial buscar realizar una contribución a la consolidación y diseminación de la investigación en psicoterapia y psicología clínica en Latinoamérica. Esperamos que represente un paso más, entre muchos pasos pioneros, y muchos pasos futuros, que continúen buscando un fortalecimiento día a día de la investigación en la región focalizada en el estudio de la psicoterapia y psicología clínica.


REFERENCIAS

1. Vigo D, Thornicroft G, Atun R.Estimating the true global burden of mental illness.Lancet Psychiatry. 2016 Feb;3(2):171-8. doi: 10.1016/S2215-0366(15)00505-2.

2. Hill CE. Consensual Qualitative Research (CQR): methods for conducting psychotherapy research. In: Gelo O, Pritz A, Rieken B. (Eds) Psychotherapy research. Vienna:Springer; 2015. pp. 485-99.

3. Kazdin AE. Drawing valid inferences from case studies. In:Kazdin AE (Ed.), Methodological issues & strategies in clinical research. 3rd ed.Washington, DC: American PsychologicalAssociation; 2003.pp. 655-78

4. Roussos A. El diseño de caso único en investigación en psicología clínica. Un vínculo entre la investigación y la práctica clínica. Rev. argent. clín. Psicol. 2007 nov; 16(3):261-70.

5. Task Force. Diagnóstico Psicodinámico Operacionalizado: Manual para el diagnóstico, indicación y planificación de la psicoterapia (OPD-2). Herder; 2008.

6. Krause M & Altimir C. Introduction: current developments in psychotherapy process research. Estud psicol. 2016; 37(2-3):201-25. https://doi.org/10.1080/02109395.2016.1227574 7. Fernández-Álvarez H&Castonguay L. Investigación orientada por lapráctica: avances en colaboración entre clínicos e investigadores. Introducción. Rev. argent. clín. psicol. 2018; 27(2):107-14.

8. Kirmayer L. Cultureandpsychotherapy in a creolization world.Transcult Psychiatry. 2006 Jun;43(2):163-8. doi:10.1177/ 1363461506064846.

9. Jock W, Bolger KW, Gómez Penedo JM, Waizmann V, Olivera J, Roussos AJ. Differential client perspectives on therapy in Argentina and the United States: a cross-cultural study. Psychotherapy (Chic). 2013 Dec;50(4):517-524. doi: 10.1037/a0033361.

10. de la Parra, G. Psychotherapy research in developing countries: the case of Latin America. Psychother Res. 2013;23(6):609-23. doi: 10.1080/10503307.2013.830794.










a Universidad de Buenos Aires, CONICET, Argentina
b Fundación AIGLÉ, CIIPME-CONICET, Buenos Aires, Argentina
c Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil

Correspondencia
Juan Martín Gómez Penedo
Secretaria de Investigaciones, Facultad de Psicologia, Universidad de Buenos Aires
2353 Lavalle Street
Ciudad de Buenos Aires, Argentina
jmgomezpenedo@gmail.com

 

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