ISSN 1516-8530
ISSN 2318-0404

Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2017; 19(1):105-242



Resumos

Resumos: XXVIII Jornada Sul-Riograndense de Psiquiatria Dinâmica

Resumos: XXVIII Jornada Sul-Riograndense de Psiquiatria Dinâmica

 

 

Uso de metilfenidato entre estudantes de cursos preparatórios para concursos públicos e sua associação com o indicativo de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Stivie Sena Leston, Thiago Donassolo, Mariana Almeida Lopes Donassolo, Miguel Bezerra dos Passos, Luciano Dias de Mattos Souza

Instituição: Universidade Católica de Pelotas, Programa de Pós Graduação em Saúde e Comportamento.

Este trabalho teve como objetivo identificar a prevalência do uso de metilfenidato entre estudantes e investigar se a utilização desse fármaco está associada ao indicativo de TDAH. Para isso, realizou-se um estudo transversal com 178 alunos matriculados em cursos preparatórios para concursos públicos, na cidade de Porto Alegre/RS. A prevalência do uso de metilfenidato e frequência, a forma de acesso ao medicamento e os fatores associados foram obtidos por meio de questões objetivas. O indicativo de TDAH foi aferido pela Adult Self Report Scale (ASRS-18) e relato de diagnóstico prévio. Entre os 178 estudantes, a prevalência do uso de metilfenidato durante a vida foi de 18.5%. Dentre esses alunos, 30,3% obtiveram a medicação com receita médica para o tratamento de TDAH, 30.3% tiveram acesso ao fármaco com receita e para melhorar o rendimento nos estudos e 39.4% consumiram metilfenidato sem prescrição médica. A utilização de metilfenidato em algum momento da vida teve associação estatisticamente significativa com o diagnóstico referido de TDAH (p=0.000), indicativo de TDAH pela ASRS (p=0.005), uso de tabaco nos últimos trinta dias (p=0.003) e diagnóstico relatado de transtorno depressivo (p=0.044). Conclui-se, portanto, que a utilização de metilfenidato esteve associada ao indicativo de TDAH. Contudo, indivíduos sem justificativa clínica já fizeram uso da substância para aprimoramento cognitivo e foi identificada elevada prevalência de utilização do medicamento entre os participantes.

Palavras chave: TDAH; Metilfenidato; Concursos Públicos; Aprimoramento Cognitivo.

Correspondência
Luciano Dias de Mattos Souza
Rua Gonçalves Chaves, 373, sala 416C, Centro
96.015-560 Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil
(53)21288404




Estudo de um caso de Psicoterapia mãe-bebê em grupo em contexto de depressão pós-parto e sintomas psicofuncionais

Elisa Cardoso Azevedoa, Giana Bitencourt Frizzob

a Psicóloga, graduada pela PUCRS. É mestre em Psicologia (UFRGS), especialista em Saúde da Criança e do Adolescente (RIMS/HCPA) e especialista em Psicologia Hospitalar (HMV e HCPA). Atualmente trabalha como psicóloga clínica de orientação psicanalítica (CEAPIA) e realiza doutorado em Psicologia (UFRGS) desenvolvendo estudos sobre a relação pais-bebê.
b Psicóloga, Mestre, Doutora e Pós-doutora em Psicologia (UFRGS). Coordena o Núcleo de Pesquisa e Intervenção em Famílias com Bebês e Crianças (NUFABE) e o Centro de Atendimento pais-bebê (UFRGS). É professora da graduação e pós-graduação em Psicologia do Instituto de Psicologia (UFRGS) e desenvolve estudos sobre depressão pós-parto, psicoterapia pais-bebê e relação pais-bebê.

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Os distúrbios psicofuncionais do bebê podem ser compreendidos como derivados de dificuldades na relação mãe-bebê. Uma das possíveis causas da impossibilidade da mãe em exercer adequadamente sua função é a depressão pós-parto. Nesse contexto, a leitura que a mãe faz acerca do bebê pode ficar prejudicada e distorcida devido aos seus próprios conflitos, sobretudo na tarefa de interpretar ao bebê o que seu corpo manifesta. Assim sendo, uma das possibilidades de tratamento para a ocorrência de depressão pós-parto e sintomas psicofuncionais do bebê é a Psicoterapia Mãe-Bebê em Grupo. Esse trabalho teve por objetivo investigar as mudanças na leitura materna sobre seus sintomas depressivos e sobre os sintomas psicofuncionais do bebê em uma dupla mãe-bebê que participou de uma Psicoterapia Mãe-Bebê em Grupo. A mãe (22 anos) apresentava depressão pós-parto, de acordo com a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS) e pela Entrevista MINI e confirmados através da Entrevista sobre a Gestação e Parto e também pela Entrevista sobre a Experiência da Maternidade. Já o bebê (9 meses) tinha sintomas psicofuncionais detectados através do Questionário Symptom Check List (SCL). Os sintomas depressivos maternos considerados foram tristeza, labilidade emocional e irritabilidade e os sintomas psicofuncionais do bebê foram sono, alimentação e comportamento (separação). Essa dupla participou de uma Psicoterapia Mãe-bebê em Grupo no período de maio a agosto de 2015. Foi utilizado o delineamento de estudo de caso único, a fim de analisar as mudanças na leitura materna sobre seus sintomas depressivos e sobre os sintomas psicofuncionais do bebê ao longo das sessões de psicoterapia. Os resultados revelaram mudanças na leitura da mãe acerca dos seus sintomas depressivos e sobre os sintomas psicofuncionais do bebê, o que propiciou que o relacionamento entre a díade se tornasse mais harmônico e sadio. Além disso, verificou-se que os sintomas depressivos maternos e os sintomas psicofuncionais do bebê estavam mutuamente associados e que a partir da intervenção utilizada houve uma melhora dos sintomas tanto da mãe quanto do bebê. Por fim, reforça-se a importância de intervenções como essa, focadas no relacionamento da dupla mãe-bebê e não somente na sintomatologia depressiva e psicofuncional. Entende-se a psicoterapia como um espaço onde elementos do mundo interno da mãe podem ser trabalhados e descontaminados, permitindo que ocorram modificações nos investimentos sobre o filho e como conseqüência pode-se verificar mudanças nas interações entre a dupla mãe-bebê. Destaca-se ainda a importância do diagnóstico e da intervenção precoce, como a Psicoterapia Mãe-Bebê em Grupo, em casos de depressão pós-parto e sintomas psicofuncionais em bebês, visando assim benefícios para a saúde mental materna e a prevenção de psicopatologias ao longo do desenvolvimento da criança.

Correspondência
Elisa Cardoso Azevedo
Rua Ramiro Barcelos, 2600, Prédio 21107, Campus da Saúde
90035-003 Porto Alegre, RS, Brasil
Tel.: 3308-5236
lielisa@gmail.com




Consumo de substâncias psicoativas em usuários de Club Drugs e a sua associação com sintomas de ansiedade

Juliana N Scherer, Felipe Ornell, Nino Marchi, Felix Kessler, Flávio Pechansky e Lysa Remy

Instituição: Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Centro Colaborador em Álcool e Drogas HCPA/SENAD, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Rua Professor Álvaro Alvim, 400, 94420-020, Porto Alegre, Brasil.

OBJETIVO: Descrever o perfil do consumo de substâncias psicoativas em usuários de club drugs, e comparar o padrão de uso de substâncias entre usuários com e sem sintomas de ansiedade.
MÉTODO: Um total de 240 indivíduos com idades entre 18-39 anos, consumo de LSD e/ou ecstasy nos últimos 90 dias e sem estar realizando tratamento para transtornos por uso de substâncias foram recrutados em casas de festas noturnas, raves e parques. As entrevistas foram realizadas a partir do instrumento GAIN (Global Appraisal of Individual Needs), a fim de obter informações quanto ao perfil sóciodemográfico, consumo de substâncias psicoativas e a presença de sintomas psiquiátricos. Sintomas de ansiedade foram mensurados, baseado em critérios do DSM-IV. A associação entre o consumo de substâncias e a presença de sintomas de ansiedade foi analisada pelo teste de Chi-Quadrado. Variáveis quantitativas com distribuição assimétrica foram comparadas pelo teste U de Mann Whitney.
RESULTADOS: As substâncias psicoativas mais consumidas nos últimos noventa dias pelos participantes foram o álcool (97,5%), maconha (76%), cocaína aspirada (43,6%), metanfetaminas (33%), inalantes (28,4%) e, em menores proporções, cogumelos (6.3%) e crack (5,1%). Cerca de 66% da amostra apresentou sintomas de ansiedade nos últimos 90 dias. Verificou-se associação entre o consumo de cocaína e metanfetaminas e a presença de sintomas de ansiedade, onde o relato do uso dessas substâncias em indivíduos com sintomas de ansiedade foi maior do que em indivíduos sem estes sintomas (cocaína: 61% x 43.8%, p=0,0017; metanfetaminas: 27.8% x 15%, p=0.041). A idade do início de uso das substâncias consumidas foi diferente entre os participantes com e sem sintomas de ansiedade apenas para o uso de cogumelos (17 [16 - 19] x 19 [18.75 - 21], p=0,031).
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que a grande maioria dos usuários de club drugs são também usuários de outras drogas, o que aumenta o potencial de risco desta população. Por mais que não possamos afirmar se o uso de substancias psicoativas veio anter ou após o desenvolvimento dos sintomas de ansiedade, sabe-se que o consumo de estimulantes como a cocaína e a metanfetaminas potencializa e contribue para o desenvolvimento e a manutenção de um grande espectro de sintomas psiquiátricos, entre os quais a ansiedade. Estes dados sugerem que a população de usuários de club drugs é uma população vulnerável ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e comportamentos de risco, e que, portanto, necessita de um modelo de atenção diferenciado.




Perfil clínico de usuários de crack: A influência de fatores de risco

Autor: Rafaela Ornel
Orientador: Flávio Pechansky


Instituição: Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas, Centro Colaborador em Álcool e Drogas HCPA/SENAD, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

INTRODUÇÃO: O crack é uma droga de alto potencial dependógeno e de ação rápida sobre o SNC, cujo consumo está associado a alterações fisiológicas e comportamentais. Os problemas biológicos e sociais adjacentes da dependência de crack e a exposição constante a situações de risco evidenciadas na população de usuários os tornam especialmente vulneráveis ao desenvolvimento de agravos na saúde. Estima-se que aproximadamente 30% dos usuários de substâncias psicoativas possuem comorbidades clínicas. Não raro, observa-se alterações no sistema imunológico adjacentes a condições inadequadas de moradia e comportamentos de risco - como o uso de drogas injetáveis - que tornam os usuários de drogas mais suscetíveis a infecções e doenças agudas ou crônicas.
OBJETIVO: Investigar o perfil clínico de uma amostra de usuários crack, de acordo com sua condição de moradia e histórico de uso de drogas injetáveis.
MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal descritivo com análise de dados secundários. A amostra foi composta por 768 indivíduos recrutados em seis Centros de Atenção psicossocial e em duas internações psiquiátricas, localizados em seis capitais brasileiras, e cuja droga de preferência era o crack. Dados referentes a condições de moradia e uso de drogas foram verificados a partir do Addiction Severity Index, 6a versão (ASI-6). As análises estatísticas foram realizadas através do software SPSS versão 20 para Windows. A frequência de diferentes comorbidades clínicas foi analisada utilizando-se o teste Qui-quadrado.
RESULTADOS: A amostra foi composta predominantemente por homens (85,5%), com média de idade de 31,5 anos (dp=8,5), não brancos (55%), solteiros (41,1%) ou separados (29,3%) e com menos de 8 anos de estudo (51,1%). Dos 768 individuos incluidos no estudo, 39% (n=299) morou na rua em algum período da vida. O fato de ter morado na rua apresentou associação com a presença de epilepsias ou convulsões (p=0,014), HIV/AIDS (p=0,025), tuberculose (p=0,004) e hepatite (p=0,002). Além disso, 15,8% da amostra estudada (n=121) injetou drogas em algum momento da vida. Tal comportamento se mostrou associado com o histórico de doenças cardíacas (p=0,016), epilepsia ou convulsões (p=0,006), HIV/AIDS (p<0,001), hepatite (p<0,001) e cirrose ou outras doenças no fígado (p=0,037).
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: Os resultados obtidos corroboram dados da literatura, demonstrando que o grupo de usuários de crack em situações de risco possuem maior prevalência de doenças quando comparados ao grupo que refere não ter morado na rua e não ter injetado drogas. Tais dados são importantes justificativas para manutenção de ações de prevenção, promoção e reabilitação em saúde, como consultório na rua, redução de danos, vacinação e tratamento medicamentoso. Conhecer melhor a realidade e peculiaridades da população em estudo instrumentaliza o cuidado e o torna mais específico. Estado e profissionais da saúde devem atuar na atenção básica proporcionando artifícios que possibilitem essa prática, diminuindo a prevalência dessas doenças e aumentando a qualidade de vida dessa população.




De geração a geração: o traumático na gestação e no nascimento

Simone Isabel Junga, Paula Nunes Mousquerb, Beatriz Regina Costa Nevesc, Maira Noroefé dos Santosd

a Psicóloga, formação em Psicoterapia Psicanalítica-ESIPP. Mestre e Doutora em Psiquiatria-UFRGS, Coordenadora do Núcleo de Bebês de Taquara; Membro do Núcleo Pais-bebê do ITIPOA, Docente do Curso de Psicologia da FACCAT e do curso de Especialização em Teoria e Técnica da Intervenção Relação Pais-bebê (ITIPOA).
b Psicóloga da Linha de Cuidado Mãe-Bebê do Hospital Nossa Senhora da Conceição - Porto Alegre/RS, Mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS e Especialista na Teoria e Técnica da Intervenção Relação Pais-Bebê do ITI - POA.
c Psicóloga, formação em Psicanálise pela Associação Psicanalítica Sigmund Freud (POA); Coordenadora do Núcleo de Bebês de Taquara; Membro do Núcleo Pais-bebê do ITIPOA e docente do curso Especialização em Teoria e Técnica da Intervenção Relação Pais-bebê (ITIPOA).
d Psicóloga, especialista em psicoterapia de orientação psicanalítica-Contemporâneo/RS e na Teoria e Técnica da Intervenção Relação Pais-bebê (ITIPOA), mestranda em Psicologia Clínica-UNISINOS.

INTODUÇÃO: Existem histórias que para serem elaboradas precisam transcender gerações. Histórias que ultrapassam o que o psiquismo pode suportar e não podem ser objeto de nenhuma representação simbólica. Histórias como a de Carla e seu bebê Miguel que são apresentadas neste artigo.
OBJETIVO E MÉTODO: O trabalho caracteriza-se por ser um estudo de caso, realizado através de 5 sessões de psicoterapia breve de orientação analítica, desenvolvido na unidade de alto-risco obstétrico de um hospital público da cidade de Porto Alegre/RS. Busca-se uma compreensão do caso através da teoria do amadurecimento de Winnicott e da transgeracionalidade.
APRESENTAÇÃO DO CASO E DISCUSSÃO: Carla, 40 anos, casada, acompanhada por uma psiquiatra há 20 anos, devido a apresentar Transtorno do Pânico, engravidou pela primeira vez em um cenário de suspeita de menopausa. Miguel foi um bebê bastante desejado pelo casal e pelos demais familiares. No final da gestação, Carla passou a apresentar medo intenso do parto trazendo à tona a história de seu próprio nascimento e do tempo em que fora gestada; gestação originalmente gemelar, com posterior óbito do outro bebê. Carla demonstrou temer a repetição tanto de suas vivências intraútero quanto de suas vivências ao longo do trabalho de parto de sua mãe, as quais a remetiam a angústias impensáveis, primitivas, que se manifestavam através do corpo, única forma de expressão à medida que não puderam ser simbolizadas, representadas naquela época por palavras ou imagens. O nascimento de Miguel repetiu algumas das vivências de Carla, que por sua vez apresentou sintomas de pânico após o parto. Com o cuidado e o acolhimento da mãe, do marido e da psicoterapeuta, Carla conseguiu se tranquilizar e gradativamente pode se aproximar de Miguel na Unidade Neonatal, acolhendo-o em suas necessidades e angústias primitivas.
CONCLUSÃO: Histórias como a de Carla e seu filho Miguel precisam ser contadas, recontadas e revividas para alcançar uma elaboração, tamanha intensidade da descontinuidade experienciada em seus primórdios. A descontinuidade vivenciada por Carla enquanto bebê no período intraútero, no parto e provavelmente nos primeiros tempos de vida extrauterina - deixaram "imprints", possivelmente reativados e comunicados através dos sintomas do Transtorno de Pânico, e principalmente com todo o seu colorido, na gestação e parto de Miguel. O diferente, na gestação de Miguel é que Carla contou com a escuta atenta de uma psicoterapeuta capaz de buscar, nos fios de sua história, os pontos que não foram tecidos; aqueles que deixaram buracos e que, nesta gravidez, trouxeram à tona, pela transparência psíquica, sensações muito primitivas de sua própria gestação e nascimento. Essas vivências tendem a serem reativadas repetidamente até que encontrem um ambiente suficientemente bom que lhes acolha e dê significado, para que possam se transformar em memória elaborada, deixando de existir como repetição.

Correspondência
Simone Isabel Jung
Rua Emílio Lúcio Esteves, 1187/303
95600-000 Taquara/RS
Fone:51- 99171261
Email: simoneisabeljung@gmail.com




Níveis da Cocaine and Amphetamine Regulator Transcript (CART) em recém-nascidos expostos ao crack intra-útero: um estudo caso-controle

Rodrigo Ritter Parcianello, Victor Mardini, Fernando Xavier, Keila Ceresér, Maria Lucrécia Scherer Zavaschi, Luis Augusto Paim Rhode, Flávio Kapczinski, Flávio Pechansky, Carolina de Moura Gubert, Claudia Maciel Szobot

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: No Brasil, o uso de crack permanece um desafio à saúde pública, devido à facilidade de aquisição da droga e sua elevada capacidade de induzir dependência. A exposição intrauterina (EIU) à cocaína está associada a alterações neurocomportamentais durante a infância e adolescência. Em estudo prévio do nosso grupo, achou-se menor nível de estresse oxidativo (EO) em recém-nascidos (RN) expostos. Uma possível explicação pode ser a Cocaine and Amphetamine Regulator Transcript (CART), um antioxidante endógeno presente desde o período embrionário e ativado por maiores níveis de dopamina.
OBJETIVO: Comparar os níveis de CART entre RN com EIU (n=57) ao crack vs RN controles (n=99).
MÉTODOS: Trata-se de um estudo caso-controle, amostragem consecutiva, onde o fator em análise é a CART dosado no sangue de cordão umbilical (SCU). Dados gestacionais e perinatais foram sistematicamente coletados. Análise estatística por Generalized Linear Models (GLM), ajustando para confundidores por critério estatístico.
RESULTADOS: A média ajustada da CART foi significativamente maior em RN expostos em comparação aos não expostos (0,18, IC95% 0,09 - 0,27 vs 0,05, IC95% 0,02 - 0,07; p = 0,002). Também contribuíram para o modelo nível de escolaridade materna, doença infecto-contagiosa na mãe (sífilis, HIV ou hepatite C), e intensidade do uso de maconha e tabaco.
CONCLUSÕES: Estes achados podem ajudar a elucidar os caminhos neurobiológicos responsáveis pelas alterações de neurodesenvolvimento, contribuindo para a ampliação das possibilidades de intervenções precoces. Os nossos resultados sugerem que a CART seja mais recrutada em RN com EIU ao crack, auxiliando a explicar achados anteriores do nosso grupo de menor TBARS em RN expostos. O efeito clínico deste achado inovador, com características de neuroproteção precisam ser melhor compreendidos.




A qualidade e a segurança das vias e seu impacto no comportamento do condutor brasileiro

Autor: Gustavo Leturiondoa, b
Orientadores: Flávio Pechanskya, Tanara Sousaa


a Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
b Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO: A prevalência de acidentes de trânsito tem se tornado uma vertente preocupante nos últimos anos. A mortalidade no trânsito brasileiro é de cerca de 21,2 óbitos/100 mil habitantes (dados de 2014). A velocidade excessiva ou inadequada é importante fator de risco para envolvimento em acidentes de trânsito e aumento da gravidade dos mesmos. Palmas, capital planejada do Tocantins, com avenidas amplas e planas e uma população pouco maior que 260 mil habitantes, possui taxa de mortalidade por acidentes de trânsito maior que a média brasileira (41 óbitos/100 mil habitantes no mesmo ano). Acidentes no trânsito ocorrem como resultado da conjunção de alguns fatores, sendo eles, as condições do espaço de circulação, as condições dos veículos e o comportamento dos condutores.
OBJETIVO: Avaliar a relação entre o excesso de velocidade com a qualidade da pavimentação das vias e a presença de faixa de pedestre e semáforos, na cidade de Palmas-TO.
MÉTODO: Foram realizados estudos observacionais na cidade de Palmas de 2012 a 2014, em oito rodadas, nos horários entre 8h e 18:00h em sete diferentes pontos na zona urbana. Foi utilizado para aferir a velocidade dos veículos um radar portátil da marca LaserTech Ultralyte, com faixa de leitura de velocidade entre 0 e 322km/h. As análises gráficas foram retiradas da base de dados do projeto Bloomberg Philanthropies Global Road Safety Program Final Evaluation Report: Brazil.
RESULTADO: As estradas classificadas como boas, o percentual de veículos em excesso de velocidade foi de 30,76%, nas regulares 14,34% e nas consideradas ruins de 13,55%. Com relação a faixa de pedestres onde existia a mesma os números foram de 34,78% e onde não havia, 16,05%. Na presença de semáforos 17,56% dos veículos estavam acima da média permitida e 28,03% quando não existia a presença.
CONCLUSÃO: Este estudo revelou que quanto melhor as condições das estradas os condutores se sentiam mais estimulados a ultrapassarem o limite regulamentar da via. A presença de semáforos demonstrou ser uma estratégia funcional para diminuir o comportamento do condutor referente ao excesso de velocidade. Faixas de pedestres não mostraram caráter inibitório aos motoristas de modo que onde as mesmas existiam o excesso de velocidade foi até maior. Mais pesquisas são necessárias para determinar quais fatores e condições favorecem o excesso de velocidade.

Palavras-chave: Acidentes de trânsito; excesso de velocidade.




Falhas ambientais e conflito: compondo uma escuta da organização borderline

Carina Teixeira Leite, Carmem Emilia Keidann

Instituição: Centro de Estudos Luís Guedes

O objetivo deste trabalho é descrever a organização borderline, traçando relações com as patologias do vazio. Valho-me de alguns pensadores psicanalíticos como Donald Winnicott, Wilfred Bion, Andre Green, Otto Kernberg, David Zimerman e Sidney Schestatsky ao considerar os primórdios da formação dessa organização, tecer algumas considerações sobre sua compreensão psicodinâmica e apresentar a expressão clínica dessa psicopatologia, relacionando a organização borderline com as patologias do vazio, que abarcam psicopatologias de formação muito precoce, e com alto prejuízo da noção de eu. Discuto a abordagem terapêutica pela psicoterapia de orientação analítica, com a integração das abordagens psicodinâmicas de déficit e de conflito. As vivências primordiais do bebê no contato com a mãe-ambiente, e o holding e a continência desempenhados pela figura materna são salientados como elemento indispensável para a integração do self e para uma vida criativa. Os desencontros na relação mãe-bebê, as faltas maternas relacionadas à maior ou menor capacidade compreensiva e adaptativa de seu bebê tornam-se assim fator propiciador de um desenvolvimento falho no sentimento de continuidade do eu, o que, no adulto se expressa - entre outras apresentações ainda mais graves, como a psicose, mas que não foram contempladas neste trabalho - através da organização borderline. São características comuns aos quadros apresentados a inconsistência de self, a inconstância nas relações, e em alguns casos, os ataques maciços a relação terapêutica. Considero a possibilidade e a importância de trabalhar em psicoterapia tanto a questão conflitual quanto utilizar o entendimento de déficit como estando na origem dessas psicopatologias. O setting ganha destaque por seu papel fundamental na psicoterapia de orientação analítica, como espaço de continência, mas também de possibilitador de crescimento potencial do aparelho de pensar. Buscar desenvolver a capacidade ampliada de pensar é uma meta a ser alcançada, propiciando ao paciente conter seus impulsos, e estabelecer uma vida e relações mais estáveis.

Correspondência
Rua Conde de Porto Alegre, 13/505
Santa Maria, RS, Brasil
E-mail: carinactl@gmail.com




Depressão pós-parto: uma revisão bibliográfica

Fernanda Pitelkow Figueiraa, Paula Roberta Kappela, Gabriela Bertolazzi Grisona, Jéssica Andréa Fernández Péreza, Luíza Augustin Müllera, Almerindo Antônio Boffb

a Curso de Medicina, Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
b Docente do Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

OBJETIVOS: realizar uma revisão bibliográfica acerca da depressão pós-parto de acordo com literatura nacional e internacional a fim de elucidar aspectos conceituais, epidemiológicos, seus fatores de risco manifestações clínicas e seu diagnóstico.
METODOLOGIA: foi utilizado publicações no período de 2010 até 2015, sendo adquiridas de fontes específicas: PubMed, Medline e SciELO, empregando os descritores "depressão pós-parto", "fatores de risco" e "depressão materna". RESULTADOS: A revisão realizada evidenciou que crescentemente a depressão pós-parto (DPP) tem sido considerada um problema de saúde pública, pelo aumento da prevalência, assim como seu impacto para o desenvolvimento da interação do binômio mãe-filho.
EPIDEMIOLOGIA: a maioria dos estudos refere que a depressão pós-parto apresenta prevalência de 10% a 15% das mulheres. Tem como fatores de risco os fatores psicossociais, sócio demográficos, hormonais, além de hereditários e obstétricos, tais como estresse durante a gestação, história de depressão pós-parto anterior, falta de apoio familiar, assim como história familiar de depressão. Conquanto, cabe ressaltar que os fatores por si só não são capazes de explicar a complexidade da depressão pós-parto, dada a sua multicausalidade.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: o DSM-V considera o início da psicopatologia referindo que esta deve ocorrer dentro de quatro semanas após o parto. Além disso, apresenta manifestações clínicas como labilidade do humor, anedonia, choro frequente, ansiedade excessiva, insônia, preocupação exagerada com o bem-estar do bebê, culpa em função da dissonância entre o humor da mãe e as expectativas de felicidade da sociedade, bem como dificuldades de desenvolvimento de uma relação saudável mãe-bebê.
DIAGNÓSTICO: deve-se ter cuidado para que os sintomas iniciais não sejam confundidos com o período de ajustamento emocional pós-parto da puérpera. Com o intuito de facilitar o diagnóstico e a detecção da DPP, foi construído um instrumento denominado de Escore de Edimburgo como uma ferramenta de rastreio inicial, além de ser de uma aplicação relativamente fácil na prática. Ademais, o diagnóstico é feito através dos indícios apresentados pela puérpera, fundamentado em critérios clínicos específicos baseados nos pensamentos, sentimentos, ansiedades, padrões de sono, apetite, relações interpessoais e atividades do cotidiano da paciente.
CONCLUSÃO: A pesquisa de revisão possibilitou denotar aspectos fundamentais que indicam que a DPP tem etiologia multifatorial, sendo que apresenta um número significativo no pós-parto, além de se manifestar com intensidade variável, afetando o estabelecimento de vínculo entre mãe e filho, bem como evidenciando-se experiências com danos para ambos.

Correspondência
paularobertak@gmail.com




Associação entre preocupação e medidas de pior prognóstico em pacientes com Esquizofrenia e Transtorno de Humor Bipolar

Andrea Ruschel Trasel, Adam Fijtman, Ana Claudia Umpierre Knackfuss, Luciana Waldman Gerchmann, Lorenna Sena T. Mendes, Érico de Moura Silveira Júnior, Márcia Kauer Sant'Anna

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: A preocupação é uma sequência relativamente incontrolável de pensamentos primariamente verbais sobre eventos futuros incertos com potencial para desfechos negativos (1). Esta sequência é apontada como um processo transdiagnóstico central que permeia diferentes transtornos mentais. Entretanto, poucos estudos abordam a relação entre preocupação com Transtorno de Humor Bipolar e a Esquizofrenia.
OBJETIVOS: Avaliar a correlação entre os níveis de preocupação, medida através da Escala de Preocupação Penn State (PSWQ), e idade, tempo de doença, gravidade de doença e a funcionalidade em pacientes com diagnóstico de Esquizofrenia (SCH) e de Transtorno de Humor Bipolar (THB).
MÉTODOS: Estudo transversal com 131 pacientes ambulatoriais adultos (50,3% feminino), sendo 66 portadores de SCH, (idade média 39 anos, DP 10,7) e e 65 com THB (idade média 46, DP 13,9) provenientes de um hospital terciário. A Escala Breve de Avaliação de Funcionalidade (FAST) e a Escala de Preocupação Penn State (PSWQ) foram aplicadas a ambos os grupos.Para avaliação da gravidade da doença foi utilizada a escala de impressão clínica global (CGI). A correlação entre estas medidas foi realizada através da correlação de Pearson.
RESULTADOS: A correlação entre a PSWQ e idade (r=0.179, p<0.05) foi muito baixa, com a FAST (r=0.458; p<0.001) moderado e com a CGI (r=0.224, p<0.05) baixa para o grupo total de pacientes. Os resultados se mantém similares mesmo quando analisamos os dois grupos de pacientes separadamente
Conclusão: Encontramos uma correlação positiva entre preocupação com as medidas de funcionalidade e gravidade FAST e CGI respectivamente na amostra de pacientes com SCH e THB. Estes achados se replicados em outras e maiores amostras indicam maior presença deste processo cognitivo quanto pior for a funcionalidade e a gravidade dos pacientes.

REFERÊNCIAS

1. Borkovec, T. D. (1994). The nature, functions, and origins of worry. In: G. C. L. Davey, & F. Tallis (Eds.), Worrying: Perspectives on theory, assessment and treatment (pp. 5-33). Oxford, England: John Wiley & Sons

2. Hartley, S., Haddock, G., e Sa, D. V., Emsley, R., & Barrowclough, C. (2014). An experience sampling study of worry and rumination in psychosis. Psychological medicine, 44(08), 1605-1614.




Reflexões sobre a Observação de Bebês Método Esther Bick: a influência das demandas narcísicas dos pais na formação do psiquismo do bebê

Laura Wolf de Souzaa, Dionela Pinto Toniolob, Maristela Priotto Wenzelc - coordenadora do curso

a Acadêmica de psicologia pela PUCRS. Membro cursista do CELG. E-mail: laurawolf1994@hotmail.com, fone: (51) 99773736.
b Médica pela UFRGS. Psiquiatra pelo HCPA. Psicoterapeuta de orientação analítica. Psicoterapeuta da infância e adolescência. Membro efetivo do CELG. E-mail: toniolodp@gmail.com, fone: (51) 98042575.
c Psicóloga. Psicanalista. Psicanalista da infância e adolescência. Membro associado da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre. Membro efetivo do CELG. Professora e supervisora convidada do Curso de Psicoterapia da Infância e Adolescência do CELG/UFRGS. Supervisora do Ambulatório pais-bebês da Residência de Psiquiatria de Infância e Adolescência do HCPA. E-mail: maristelapw@terra.com.br, fone: (51) 92344817.

Instituição: Centro de Estudos Luís Guedes, Hospital de Clínicas de Porto Alegre

O presente trabalho foi escrito a partir de nossa experiência no Curso de Observação de Bebês pelo Método Esther Bick, realizado no Centro de Estudos Luís Guedes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da correlação do material da observação com os traços narcísico dos pais e das transformações ocorridas ao longo da observação.
O Método Esther Bick (1948) consta de 1°) o momento de observação de 1 hora semanal no ambiente familiar; 2°) a descrição das observações; 3°) seminários para discussão dos casos coordenados pela psicanalista Maristela Priotto Wenzel. A proposta é de examinarmos a origem das correntes narcísicas advindas da relação mãe-bebê, de pensarmos a respeito do bebê e dos pais do século XXI e de analisarmos, com um viés psicanalítico, a influência do olhar do(s) cuidador(es) na constituição do psiquismo, como já pensava Winnicott. Para exemplificar nossas observações, utilizaremos vinhetas clínicas, ilustrando nossas reflexões no transcorrer dos seminários. Nos utilizamos de referenciais teóricos com as idéias de psicanalistas, como Elizabeth Roudinesco, Teresa Leite, Haidée Fainberg, dentre outros.
Esperamos que este trabalho nos instigue a refletir sobre como serão estes bebês quando crescerem e que a relação mãe-bebê sirva de base para nos auxiliar a tratá-los no futuro.




Influência de fatores externos e internos na gravidade dos problemas de relacionamento em usuários de crack

Mayra Pachado, Leticia Fara, Juliana Scherer, Nino Marchi, Luciano Guimarães, Lisia von Diemen, Flávio Pechansky, Felix Kessler e Rosa M. M. de Almeida

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas/Hospital de Clínicas de Porto Alegre

OBJETIVO: Avaliar fatores relacionados aos problemas recentes de usuários de crack em seus relacionamentos interpessoais.
MÉTODO: Trata-se de um estudo multicêntrico em seis capitais brasileiras, de delineamento transversal. Um total de 781 usuários de crack em tratamento fizeram parte deste estudo. Os instrumentos utilizados foram o Addiction Severity Index (ASI6), o Perfil de Consumo de Crack (PCC) e o Mini International Neuropsychiatric Interview Plus - (MINI-PLUS). A amostra foi dividida em dois grupos: indivíduos que apresentaram problemas moderados em seus relacionamentos (mediana≤55 na subescala Família/Social do ASI-6) e indivíduos que apresentaram problemas severos (mediana≥56 na subescala Família/Social do ASI-6). Variáveis de interesse incluíram fatores sócio-econômicos, comorbidades psiquiátricas, padrão de uso de substâncias psicoativas na vida e nos últimos 30 dias e outros aspectos da vida sócio-afetiva dos participantes. A relação entre as variáveis de interesse e o desfecho (problemas nos relacionamentos com parceiros, familiares adultos e amigos) foi avaliada através da razão de prevalência (RP), estimada pela regressão Poisson univariável com variância robusta. Todos os fatores com p<0,15 na regressão univariável foram analisados na regressão de Poisson multivariável. O modelo final foi atingindo quando todas as variáveis apresentaram o p<0,05.
RESULTADOS: Houve diferenças significativas entre os dois grupos com relação as seguintes variáveis: ter diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ter amigos com problemas atuais com álcool e drogas, estar insatisfeito com a forma como aproveitam seu tempo livre, ter tentado suicídio após o início do uso de crack e como relação ao número de dias de consumo de crack nos últimos 30 dias. Entre os usuários com mais graves problemas de relacionamento, encontrou-se um aumento de prevalência de TDAH (36% - p = 0,003), ter amigos com problemas atuais com álcool e drogas (33% - p = 0,006), estar insatisfeito com a forma com que aproveita o seu tempo livre 46% (p = 0,002), mais tentativas de suicídio após o início do uso de crack, (32% - p = 0,008).
CONCLUSÃO: Este é um dos primeiros estudos que avalia mais profundamente os relacionamentos dos usuários de crack e os fatores relacionados a sua gravidade. O fato de ser um estudo transversal não permite uma clara noção da causalidade entre as variáveis, porém os achados apontam para uma relevância da associação entre o meio externo (amigos e uso do tempo livre) e comorbidades psiquiátricas (TDAH e tentativas de suicídios) e a gravidade dos problemas de relacionamentos. Nesse sentido, novos estudos deverão investigar melhor estas associações, a fim de serem desenvolvidas novas estratégias para a abordagem dessa complexa problemática nesta população.




O impacto causado na vida dos trabalhadores rurais atingidos pela Hidrelétrica de Itá-SC

Gabriela da Silva Marques, Franciéli Katiúça Teixeira da Cruz, Veronica Dias Mendes, Jussara Maria Rosa Mendes, Carmem Regina Giongo

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Este trabalho está inserido no projeto de pesquisa intitulado "Refugiados do desenvolvimento: a naturalização do sofrimento de trabalhadores rurais atingidos pela construção de hidrelétricas", que visa analisar as repercussões da construção da hidrelétrica de Itá em Santa Catarina na vida e no trabalho de trabalhadores rurais atingidos pela obra. O enchimento do reservatório começou em 1999 e atingiu cerca de 3.560 famílias, causando inúmeros impactos socioambientais. Assim, o objetivo deste estudo é apresentar um relato de experiência a partir das vivências no campo durante a etapa de coleta de dados desta pesquisa. Trata-se de uma pesquisa de método qualitativo, onde foram realizadas observações registradas em diário de campo e entrevistas narrativas, gravadas e transcritas. A análise do material ocorreu através da análise de conteúdo. Foram realizadas observações participantes em algumas comunidades atingidas pela hidrelétrica, bem como 4 entrevistas narrativas com trabalhadores rurais atingidos e algumas entrevistas informais, nos Municípios de Aratiba, Concórdia e Mariano Mouro. A partir desta experiência pôde-se perceber o alto impacto gerado na vida destes trabalhadores. Além das repercussões nos modos de trabalho em função do alagamento das terras anteriormente cultivas, a construção da hidrelétrica alterou também tradições culturais da comunidade, relações interpessoais, hábitos de lazer tanto em família quanto com vizinhos e amigos. Ao longo das observações percebeu-se a tristeza e o sofrimento na fala dos entrevistados, especialmente, quando relatavam o que passaram durante a construção da obra. Com base nestas observações e na pesquisa de uma forma geral, percebeu-se a importância de dar voz à estas pessoas. Foram diversos os modos de agradecimento pela escuta prestada, demonstrando o sentimento de valorização dos trabalhadores pelo interesse das pesquisadoras em suas histórias de vida, sentimentos e vivências. Assim, percebe-se que mesmo tratando-se de uma pesquisa, já há intervenções no contexto social investigado. Pois, para os participantes da pesquisa, contar suas histórias representa uma oportunidade de elaboração, reflexão e ressignificação do importante papel que eles ocupam naquele local.




Adolescentes com sofrimento psíquico são mais vulneráveis à vitimização por pares?

Cristina Lessa Hortaa, Carolina Saraiva de Macedo Lisboab, Daniela Centenaro Levandowskic, Rogério Lessa Hortad

a PUCRS e Unisinos
b PUCRS
c UFCSPA
d Unisinos

OBJETIVO: Identificar as prevalências de sofrimento psíquico e vitimização por pares entre escolares de dois municípios do sul do Brasil e estimar a associação entre esses fenômenos.
MÉTODO: Estudo transversal, de base escolar, que utilizou questionário auto-aplicado e amostra probabilística de 3.547 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos (m=14 anos; dp=1,66), sendo 1.924 (54,2%) do sexo feminino, mantendo-se proporcionalidade por sexo, idade, e rede de ensino. Sofrimento psíquico foi avaliado a partir do Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) e vitimização por pares através da resposta positiva ou negativa à pergunta sobre alguma vez na vida ter sido hostilizado, agredido ou maltratado na escola. Realizou-se análise descritiva e estimativas de razões de prevalência bruta e ajustada por Regressão de Poisson, precedidas de controle para efeito de delineamento pela variável escola, considerando-se significativas as associações com p≤0,05. As análises foram ajustadas para variáveis com associação estimada com o desfecho e a exposição em p≤0,20.
RESULTADOS: Os dados obtidos evidenciam que 39,2% dos participantes (IC95%: 37,5% - 40,8%) apresentaram escores indicativos de sofrimento psíquico e 24,8% (IC95%: 23,3 % - 26,2%) referiram vitimização por pares na vida. Nota-se, ainda, uma probabilidade 86% maior de adolescentes com escores no SRQ-20 indicativos de sofrimento psíquico sofrerem vitimização por colegas, na comparação com os que não estão naquela condição [RP = 1,86 (IC95%: 1,65 - 2,09; p<0,001)]. O efeito se mantém após análise ajustada para as variáveis sexo, classe social, práticas religiosas, relação com professores, relação com pai e mãe e uso no ano de álcool, tabaco e drogas ilícitas [RP = 1,81 (IC95%: 1,59 - 2,06; p<0,001)].
CONCLUSÃO: A relação inversa entre os fenômenos aqui estudados tem sido explorada pela literatura científica, sendo possível estabelecer que prejuízos emocionais, como sintomas depressivos e ansiosos, ideação suicida e transtornos de conduta associam-se às situações de vitimização por pares na adolescência. A originalidade dos dados aqui apresentados está em evidenciar que o sofrimento psíquico, além de ser uma consequência das situações de vitimização, pode ser também associado à sua causalidade. Sendo assim, é possível propor que, além de serem fenômenos prevalentes entre adolescentes, muitas vezes motivadores da busca por psicoterapia, exista um círculo vicioso, no qual o adolescente com sofrimento psíquico encontra-se mais vulnerável à vitimização, que por sua vez leva ao surgimento ou agravamento de sintomas psíquicos e assim sucessivamente. Sugere-se, desta forma, que a fragilidade emocional, oriunda da presença de sofrimento psíquico das vítimas, contribui para o estabelecimento e a manutenção do processo de vitimização. Ações de proteção a adolescentes devem, portanto, ocupar-se do diagnóstico de sofrimento psíquico, uma vez que o estabelecimento deste círculo vicioso dificulta o processo de construção de identidade do adolescente, afiliação em grupo de pares, assim como afeta os níveis de autoestima, colocando os jovens em risco de sério comprometimento à saúde mental.

Correspondência
Cristina Lessa Horta
Rua Jari, 671 apto 201
91350-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Orgasmos espontâneos em paciente com Transtorno do Humor Bipolar exposta à Tomografia Computadorizada Contrastada

Carvalhoa, M.G.S.C; Bruma, C.; Bermudeza, M.B.; Xaviera, A.C.M.; Oliveirab, A.C.; Felipeb, R.M.; Ferrãoa, Y.A.

a Universidade Federal Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
b Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP)

OBJETIVO: O transtorno do humor bipolar (THB) pode proporcionar exacerbação de comportamentos sexuais (dsm-5). O que não se conhece é se existe associação entre prazer sexual e a realização de tomografia computadorizada. Portanto, descreveremos caso de paciente com diagnóstico de THB com orgasmos durante a realização de tomografias.
RESULTADO: Paciente, sexo feminino, 45 anos, internada por neoplasia pulmonar com diagnóstico de THB em uso de ácido valpróico 1000mg/dia e clorpromazina 100mg/noite. Solicitada consultoria da psiquiatria por sintomas hipomaníacos: taquilalia, aumento energia, redução necessidade de sono e aceleração do pensamento. Equipe de oncologia percebeu também discurso hiperssexualizado após realização de tomografia computadorizada pulmonar com contraste. Na entrevista psiquiátrica, paciente referiu intenso orgasmo durante o exame. Em outras três tomografias contrastadas realizadas recentemente, afirmou sentir o mesmo prazer sexual.
CONCLUSÃO: Diante do exposto, aventa-se a possibilidade de determinados contrastes utilizados em exames radiológicos exacerbarem sintomas psiquiátricos. São necessárias mais evidências científicas para comprovar essa associação. É relevante, portanto, uma maior atenção aos possíveis efeitos adversos destas substâncias, mesmo que não constem na literatura científica.

Correspondência
mgcarvalho@yahoo.com.br




Saúde psíquica de agentes penitenciários: uma revisão da literatura

Gabriela da Silva Marques; Camila Ruckert, Carmem Regina Giongo

Instituição: Universidade Feevale

Os agentes penitenciários são profissionais responsáveis pela organização, acompanhamento e manejo dos presidiários (FERREIRA, MENDES, DIAS, 2011) e convivem diariamente com diferentes modos de precarização do trabalho, exposição a riscos psicossociais e inserção em aspectos da organização do trabalho possivelmente associados a vivências de sofrimento e adoecimento ocupacional (BONEZ, MORO, SEHNEM, 2013). Este estudo objetiva apresentar uma revisão sistemática da literatura brasileira dos últimos dez anos (novembro de 2005 a novembro de 2015) acerca da saúde mental de agentes penitenciários descrevendo e caracterizando os principais resultados acerca dos estudos nacionais publicados. Na pesquisa foram empregados os seguintes descritores: trabalhador and prisão; trabalho and prisão; agentes penitenciários; saúde do trabalhador and prisão. O levantamento foi realizado através dos portais BVSpsi e BVS. Foram encontrados 931 artigos no total, destes, 923 foram excluídos, restando 8 artigos selecionados. Destes, apenas 3 são da área da Psicologia, os demais são das áreas da Medicina, Enfermagem, Educação Física e Sociologia, que não tem como foco principal a saúde mental do trabalhador, mas apontam fatores psicológicos nos resultados. Os estudos apontaram que os agentes penitenciários encontram-se desmotivados, insatisfeitos profissionalmente, ansiosos, com desgaste emocional e alto nível de estresse. Além disso, convivem diariamente com o risco constante de exposição à violência, temor em relação à saúde de seus familiares e com a representação social pejorativa que a comunidade atribui a este trabalho. Ainda observou-se um alto o índice de consumo alcoólico e de fumantes. Em contrapartida, alguns estudos apontaram que estes trabalhadores sentem-se seguros em relação à estabilidade de emprego e têm gratificação salarial. Destacou-se também, a precariedade das condições de trabalho como um elemento provocador de sofrimento nos agentes penitenciários, além da falta de segurança no emprego e fora. Conclui-se que são necessários mais estudos acerca do tema, sobretudo no campo da saúde mental e na perspectiva da Psicologia para que se possa aprofundar o entendimento das relações entre a organização do trabalho e as vivências de sofrimento e adoecimento destes profissionais.

REFERÊNCIAS

FERREIRA, Ramon Emmanuel Braz; MENEZES, Lígia Carlos; DIAS, João Carlos. Relação de prevalência de atividade física com variáveis psicológicas e componentes da síndrome metabólica em agentes penitenciários de Belo Horizonte-MG. Revista Brasileira Atividade Física e Saúde. Pelotas, 2011.

BONEZ, Aline; MORO, Elisamra Dal; SEHNEM, Scheila Beatriz. Saúde mental de agentes penitenciários de um presídio catarinense. Revista Psicologia Argumento, 2013.




EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing): uma abordagem psicoterapêutica integrativa.

Luísa Weber Bisol, Maria Inês Juliano de Mesquita, Maria Regina Sana, Márcia Rejane Estima Pedone, Ana Cláudia U. Knackfuss, Fernanda Thones Mendes, Sônia Waltrick Ramos, Giane Pontes Pereira, Carlos Heitor Mesquita, Adriana Zanonato

Instituição: InTCC

OBJETIVO: Revisar a literatura a respeito dos processos psiconeurobiológicos que são a base para essa nova abordagem psicoterapêutica. Apresentar as situações clínicas nas quais o EMDR pode ser útil.
METODOLOGIA: Foi realizada pesquisa no PubMed com os termos "EMDR", "EMDR and PTSD", "Eye Movement Desensitization and Reprocessing" e
RESULTADOS: EMDR é uma abordagem psicoterapêutica de oito fases que tem por base processos psiconeurobiológicos que levam ao alinhamento de memórias fragmentadas. A base teórica é o Modelo de Processamento Adaptativo de Informação (PAI) que pressupõe que a fonte da psicopatologia é a presença de memórias de experiências adversas de vida que foram inadequadamente processadas. Essa técnica é amplamente utilizada no tratamento de indivíduos com TEPT. Também tem sido empregado em outras situações como luto, dor crônica, dor do membro fantasma, transtornos com sintomas somáticos, fobias.
CONCLUSÕES: EMDR pode ser uma ferramenta útil no tratamento de indivíduos com situações adversas precoces. Trata-se de uma abordagem integrativa que pode ser complementar a outras técnicas psicoterapêuticas e abordagens farmacológicas.

Correspondência
Avenida Iguaçu 451 sala 201
Porto Alegre, RS, Brasil




Transtorno bipolar em idosos: uma revisão bibliográfica

Apresentadora; Luana Larissa Schmitt da Silvaa; Amanda Kuhla; Fernanda Pitelkow Figueiraa; Leandro Mattel Voigta; Rayssa Madalena Feldmana; Almerindo Antônio Boffb

a Curso de Medicina, Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
b Docente do Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

OBJETIVOS: Elaborar uma revisão bibliográfica da literatura nacional e internacional para melhor compreender o transtorno bipolar em idosos, aprofundando os conhecimentos sobre esta patologia e a relação com as particularidades desse grupo.
METODOLOGIA: Foi realizada uma pesquisa em livros e publicações até 15 de abril de 2016 nas bases de dados UpToDate e SciELO.
RESULTADOS: Epidemiologia: Prevalência global de 1%, para transtorno bipolar tipo I e II. O risco para THB é maior em adolescentes e crianças, sendo de igual prevalência entre os sexos. Existe uma carência de estudos epidemiológicos sobre o THB geriátrico. Nos Estados Unidos, as taxas de prevalência em idosos variam entre 0,1% e 0,4%, atingindo entre 10% a 25% dos os pacientes idosos com transtornos de humor. Manifestações clínicas: caracteriza-se por mania, hipomania ou episódio misto alternado com depressão, sendo o THB I identificado por episódio misto alternado com depressão e o THB II por hipomania alternada com depressão. Critérios diagnósticos: Segundo o DSM-V, devem-se satisfazer critérios tanto para episódio maníaco quanto para episódio depressivo maior, quase todos os dias, durante o período mínimo de uma semana. Perturbação de humor suficientemente grave ao ponto de causar acentuado prejuízo no funcionamento ocupacional, em atividades sociais costumeiras ou em relacionamentos com terceiros ou de exigir a hospitalização para prevenir danos ao indivíduo ou a terceiros, ou existem características psicóticas. Tratamento: inclui psicoeducação, uso de estabilizadores de humor, psicofármacos de segunda linha e antipsicóticos atípicos. Deve-se considerar as diferentes necessidades de tratamento em comparação a indivíduos jovens decorrentes de fatores típicos da terceira idade.
CONCLUSÃO: Infelizmente, o manejo do transtorno bipolar geriátrico tem sido relativamente pouco estudado em comparação com o tratamento da população jovem. Cabe, portanto, dedicar maior atenção e empenho aos estudos deste tema.

Correspondência
luanalarissa96@gmail.com




Associação entre Trauma Precoce e Idade do Primeiro Uso de Substâncias Psicoativas

Vanessa Loss Volpatto, Joana Corrêa de Magalhães Narvaez , Mayra Pachado Machado, Vinícius Serafini Roglio, Felipe Ornell, Juliana Nichterwitz Scherer, Roberta Bristot Silvestrin, Anne Orgler Sordi, Lisia von Diemen, Flávio Pechansky

Instituição: Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

INTRODUÇÃO: Estudos prévios demonstram que a ocorrência de traumas em períodos precoces do desenvolvimento são preditores de transtornos psiquiátricos no futuro, incluindo os Transtornos Relacionados ao uso de Substâncias Psicoativas (TUS). Traumas precoces podem potencializar a impulsividade, em função da redução da capacidade cerebral em inibir ações negativas e modular as emoções. A literatura evidencia que o primeiro uso das Substâncias Psicoativas (SPA) ocorre aproximadamente aos 13 anos. Além de fatores neurocognitivos traumatizações podem impactar no ingresso no uso de SPA na tentativa de aliviar sintomas causados pelo evento traumático.
OBJETIVO: Investigar a associação entre trauma e idade de início de uso de SPA lícitas e ilícitas.
MÉTODO: Amostra foi composta por 155 indivíduos do sexo masculino, com diagnóstico de TUS, internados em uma unidade especializada na cidade de Porto Alegre. Para avaliação do trauma na infância foram utilizados os escores da escala Childhood Trauma Questionnaire (CTQ). A idade de primeiro uso de álcool, crack/cocaína e maconha foram analisados a partir do Addiction Severity Index (ASI-6). Para avaliar a associação entre os subescores do CTQ e idade do primeiro uso de SPA foi realizada a correlação de Spearman. A amostra foi dividida em usuários de álcool e usuários de crack/cocaína, a fim de se verificar, através do teste de Mann-Whitney, a média de idade do primeiro uso de drogas lícitas (álcool) e ilícitas (maconha e cocaína).
RESULTADOS: A idade de primeiro uso de crack/cocaína está inversamente correlacionada com o histórico infantil de negligência física (r=-0,555 p=0,032) e abuso emocional (r=-0,212 p=0,027) na amostra geral. Não foram encontradas relações significativas entre idade do primeiro uso de Álcool e Maconha em relação aos componentes traumáticos. A idade de primeira experimentação de SPA não foi diferente entre o grupo álcool (álcool= 14,4±3,7, maconha= 14,5±3,5, crack/cocaína= 18,1±3,4) quando comparado ao grupo crack/cocaína (álcool= 14,6±3,7, maconha= 15,4±4,3, crack/cocaína= 18±4,7).
CONCLUSÃO: Verificou-se que quanto maior a intensidade traumática, em termos de negligência física e abuso emocional, mais precoce ocorre o primeiro uso de crack/cocaína, independente da droga de eleição. Tanto usuários de álcool quanto de crack/cocaína começam a experimentação de SPA na mesma faixa etária Destaca-se que a exposição a traumas é fator de risco para o início precoce do consumo de SPA.

Correspondência
Rua Professor Álvaro Alvim, n° 400 Bairro Rio Branco
Porto Alegre, RS, Brasil




Algumas mudanças realizadas no DSM-5 sobre Transtorno Obsessivo-Compulsivo e outros transtornos relacionados

Felipe Anawate Muniz Tavaresa, Beatriz Gouvêa Egglera, Gabriela Bertolazzi Grisona, Jéssica Andréa Fernández Péreza, Luana Larissa Schmitta, Almerindo Antônio Boffb

a Curso de Medicina, Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
b Docente do Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

OBJETIVOS: Realizar uma revisão bibliográfica abordando a literatura nacional e internacional para comparar e simplificar as mudanças realizadas sobre Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Outros Transtornos Relacionados.
METODOLOGIA: Realizou-se uma pesquisa comparando os DSM IV e DSM V no dia 25/04/2016 para analisar as alterações feitas sobre o Transtorno Obsessivo compulsivo. Além de identificar o motivo pelos quais essas modificações foram realizadas.
RESULTADOS: No DSM-4, o capítulo de Transtorno de Ansiedade incluía o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). No DSM-5, o TOC teve uma nova denominação: Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Outros Transtornos Relacionados, nela incluem: Transtornos Dismórfico Corporal (TDC), de Acumulação(TA), de Escoriação-Skin-Picking (TE), Induzido por Substância/ Medicamento, Relacionado a Outra Condição Médica e Tricotilomania. Em relação aos critérios diagnósticos, não houve mudanças consideráveis. O chamado "Insight Pobre", no DSM-4 identificava pacientes com pouca crítica perante seus sintomas. No DSM-5 "Ausência de Insight/Sintomas Delirantes" são definidos como sintomas não identificados pelo doente como transtorno mental, situação em que as concepções na veracidade das manifestações podem adquirir formas psicóticas. O TDC foi retirado dos Somatoformes, incluindo em seus critérios os comportamentos repetitivos/atos mentais à preocupação com aparência. A preocupação excessiva com musculatura é especificada como: Dismorfismo Muscular. O TA detalha quem acumula objetos com sofrimento/prejuízo e dificuldade de se desfazer deles pela percepção da necessidade de guardá-los. A Tricotilomania se encontrava no Transtorno do Controle dos Impulsos, porém os critérios foram preservados. O novo DSM incluiu o diagnóstico de TE, ocasião em que o indivíduo faz escoriações em sua pele provocando traumas, apesar do prejuízo causado, não consegue parar de realizá-los.
CONCLUSÃO: Na classificação atual do DSM-V, Transtornos de Ansiedade agora estão separados de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Outros Transtornos Relacionados. Ainda nesta classificação, foram acrescentados outros transtornos, anteriormente separados, para melhor adequá-los em comportamentos compulsivos e não somente pela ansiedade.

Correspondência
anawatetavares@hotmail.com




Fatores associados à gravidade de trauma e a custos decorrentes de acidentes de trânsito com motocicletas e automóveis

Aluna: Vanessa Eggres, Orientador: Flávio Pechansky, Coorientadoras: Tanara R.V. Sousa e Juliana N. Scherer

Instituição: Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Centro Colaborador em Álcool e Drogas HCPA/SENAD, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

INTRODUÇÃO: Estudos apontam que acidentes de trânsito (ATs) envolvendo motocicletas são mais grave e em maior número do que os demais veículos. Fatores de risco como idade, sexo, histórico de acidentes anteriores e associação ao uso de álcool podem aumentar expressivamente os custos sociais e econômicos relacionados a ATs.
OBJETIVO: Comparar a recorrência de envolvimentos em acidentes, o uso de álcool, o tempo de internação e os custos relacionados a ATs entre vítimas envolvidas em acidentes de motocicletas e automóveis.
MÉTODO: Análise de dados secundários de um estudo transversal com amostragem consecutiva ocorrido em hospitais de emergências de Porto Alegre em 2008. A amostra compreendeu um total de 443 vítimas envolvidas em ATs com automóveis (n=101) e motocicletas (n=342), que foram contatados durante os seis meses subsequentes ao acidente para coleta de dados de custos e lesões provenientes do acidente. As variáveis quantitativas foram analisadas através do teste T de student ou MannWhitney, e as qualitativas analisadas pelo teste de quiquadrado.
RESULTADOS: A média de idade das vítimas de AT envolvendo automóveis foi maior do que entre as que estavam em motocicletas (37,9±14,5 versus 28,6±9,3, p<0,001), e estas relataram maior frequência de envolvimento em acidentes prévios do que as que estavam em automóveis (2 [13] versus 1 [12], respectivamente, p=0,06). Por outro lado, as vítimas de AT com carros apresentaram maior prevalência de indivíduos com alcoolemia positiva comparado ao grupo de acidentes com motocicleta (15,2% versus 7,4%, p=0,03). Cerca de 10% da amostra necessitou internação pós trauma, não havendo diferenças entre os grupos de diferentes tipos de veículos. Não foi observadas diferença estatisticamente significativa na gravidade de trauma pós acidente, onde as vitimas de ambos os grupos obtiveram score mediano na RTS igual a 7 [77], custos médicos totais elevados (R$1.548,90± 3.175,50) e faltas ao trabalho decorrentes da lesão (25,4± 30,1 dias).
CONCLUSÃO: Esses resultados sugerem que condutores de motocicletas, jovens e com histórico de acidentes anteriores configuram a maioria de indivíduos envolvidos em acidentes de trânsito. A avaliação inicial tanto no resgate quanto na chegada ao atendimento hospitalar realizada através da escala de RTS não prediz com sucesso a gravidade de trauma associado a tempo necessário de internação e gastos provenientes destes traumas, havendo a necessidade de uma melhor a avaliação inicial, que considere traumas físicos em lesões leves, temporárias e ou permanentes, e que prediga o tempo de internação e seus custos decorrentes a essas lesões.




O acting-alfa: um possível conceito para o desenlace do enactment

Thércio Andreatta Brasil

Instituição: Hospital Psiquiátrico São Pedro

"Escrever o que não acontece é tarefa da poesia."

Manoel de Barros

INTRODUÇÃO: Esse conceito é uma solução antropofágica dos termos acting out e função-alfa. No entanto, por que antropofágica, e não fusional, adaptativa, dos dois conceitos, simplesmente? Penso que antropofágico consegue exprimir melhor a ideia de elaboração após introjeção/fagocitose e esquecimento/sublimação do que foi ingerido e identificado, para que, enfim, possa solucionar o enlace livremente. Ao modo da arte poética: "Poesia é a descoberta das coisas que eu nunca vi", Oswald de Andrade. Assim como é possível aprender com a psicoterapia, e impossível ensiná-la;
PALAVRAS-CHAVE: acting out, função-alfa, psicoterapia, enactment, poesia, antropofagia;
OBJETIVO: A função desse conceito, acting-alfa, talvez seja poder auxiliar ao terapeuta de orientação analítica a identificar imagens, ou seja, um instrumento, uma ferramenta. Permitir reconhecer aos elementos novos, estranhos ao campo, que porventura surgirem, inesperadamente, em sua consciência/imaginação. Isso pode configurar um caminho de desfecho para o, agora reconhecido, enactment. Para tanto, é necessário que o analista tenha em mente as três fases do enactment (fase inicial, intermediária e final), pois o acting-alfa se daria na fase de reconhecimento, nem sempre sem surpresas, ou seja, na fase intermediária;
METODOLOGIA: Escrita psicanalítica; Revisão bibliográfica;
DISCUSSÃO: O caminho cultural desse movimento estético, a Antropofagia, que envolveu os intelectuais brasileiros, há cerca de um século, é resultado de uma guinada filosófica rumo ao que podemos chamar de irracional e intuitivo. Isso se deu muito antes, no século XIX. Seu principal representante foi Nietzche, acompanhado de perto por Kierkegaard: "O homem seria metafisicamente grande, se a criança fosse seu mestre". O célebre autor dinamarquês de O conceito de Angústia, brinda-nos com esse conselho: é no brincar que a função terapêutica se estabelece. Já na sua obra mais iluminada, em Assim Falou Zaratrusta, temos uma premissa da arte de esquecer, para depois se deixar perceber pelo novo, ouçamos Nietzche: "Agora vos mando que me percais e vos encontreis a vós mesmos; e só quando todos me houverem renegado, tornarei para vós." E ainda: "A criança é a inocência e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento".
Então é preciso esquecer para lembrar? Esqueçamo-nos de tudo que até agora foi lido. Pensemos no conceito de acting out. Não confundamos com a passagem ao ato, ou, simplesmente, atuação da cena de angústia, através da encenação da mesma. A distinção entre acting out e passagem ao ato está no nível do simbólico daquele, que atua como alívio e, ironicamente, repetição do discurso, o qual sustenta o próprio conflito. Enfim, uma antítese, par antitético, corolário presente nas verdades.
Não obstante, seria uma saída eficaz, porém sinistra. No que esse sinistro repete o ato já conhecido e nada de novo pode se fazer ante o conflito, onde o pulo pra fora da cena inconsciente da dupla nada mais é que entrar de novo no mesmo círculo vicioso, na roda viva. Além do mais, impede a formação do símbolo novo, o ainda não dito, quando a palavra o faria. A dupla, em meio à encenação inconsciente desse teatro de cartas marcadas, está fadada à eterna repetição. Já a passagem ao ato está em outro nível, em um encontro com o real, olho a olho com a dor, aquilo que Édipo Rei não conseguiu ver, uma saída definitiva, quiçá o suicídio. A não ser que um alegre milagre aconteça. É quando surgem as partículas alfa no seu acting para a consciência do terapeuta, ou porque não, para o campo analítico, o acting-alfa;
CASO CLÍNICO EM QUE O CONCEITO FOI UTILIZADO - O FAROL: Esse relato tenta ilustrar o deságue do ponto de angustia da consulta de psicoterapia de orientação psicanalítica. A paciente vem em tratamento há cerca de um ano, duas vezes por semana. Já há um bom vinculo da dupla e alguma intimidade. Trata-se de uma mulher de cerca de 50 anos, casada e com duas filhas adultas, bastantes dependentes um dos outros. Traz nas consultas uma dificuldade de se comunicar, em que o terapeuta reconhece, além de assumir uma posição de vítima, injustiçada, uma posição paranoide, e se queixa de não chorar a muito tempo. Estrutura-se em caráter histriônico, porém apresenta uma organização que tende à narcisista e tem assumido importante posição defensiva obsessiva. Nas últimas sessões tem surgido em cena seu padrasto, a quem chama de pai, que está em tratamento paliativo com quimioterapia, já, segundo o relato da paciente, em estado terminal. Após ter faltado a duas consultas consecutivas, a paciente relata os acontecimentos do velório. Refere, com espantosa frieza, o fato de que, em todo velório, e de toda sua família, foi a única que não chorou, ainda que se assuste com esse fato, preocupando-se com o que poderiam pensar dela. Acontece que aos poucos esse relato frio e afastado do afeto vai causando mal estar no terapeuta, que se vê perdido e extremamente irritado com isso. Este, há cerca de dois anos, perdera um parente muito próximo pelas mesmas razões, um câncer muito agressivo. Tão logo se passa um silêncio pesadíssimo, a paciente associa uma imagem: de como se sentia abandonada, como que um barco à deriva, em plena escuridão e sozinha. Essa última frase causa muito desconforto no terapeuta, que se pergunta o que está fazendo ali. Intrigado, o terapeuta é invadido por uma imagem de um farol. Sem saber bem o que fazer com aquilo, comunica à paciente, através de uma hipótese: e o farol? Parece ser o suficiente. Assim que seca as lágrimas, há muito guardadas, o clima úmido e pesado se faz leve. As associações seguintes se mostram em outra posição, mais triste, compreensiva e tranquila, assim como o tom do diálogo, que se aproxima de uma conversa mais simples e sincera. Os dois parecem ter pegado carona em alguma corrente marítima, onde vão ancorar, possivelmente, no próximo ponto de urgência.
Em supervisão coletiva, ao relatar o acontecido, o terapeuta recorda de um verso que leu em uma epígrafe de um trabalho a respeito dos enactments, uma pesquisa qualitativa, momento em que se dá conta da suma importância do estudo da teoria, mesmo essa parecendo ter ficado de fora da sala. Era de um poema do compositor uruguaio Jorge Drexler:
Un faro quieto nada sería
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad

CONCLUSÃO: Isso, o fenômeno do acting-alfa, é algo que surge, irrompe. Como que não convidado. Apresenta-se à mente do terapeuta em uma configuração pictórica, imagem e som, imaginação, inesperada. Nasce de um não ouvir o material, o que os Baranger sintetizaram na dinâmica do campo psicanalítico, esse espaço de criatividade da dupla, onde seus inconscientes se entrelaçam, entendem-se e adoecem, mutuamente. Essa pressão da imagem, diferente da interpretação, ligada ao material, tem uma característica de risco/aposta, de acting e alfa - o objetivo do sonho sendo prioritariamente a elaboração das emoções através da encenação, a dramatização, a figuração dos engates pulsionais e dos conflitos, das fantasias entre instâncias psíquicas, a busca de solução de compromisso driblando a censura. Não é algo de uma tentativa deliberada, como a memória e seu resgate, onde as experiências estão ligadas às impressões sensórias, mas sim: "evolução - termo pelo qual quero falar da experiência na qual alguma ideia ou impressão pictórica flutua para dentro da mente sem ser convidada e como um todo." Bion.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Oswald de. Informe sobre o Modernismo. IN: BOAVENTURA, M. E.(Edit.). ESTÉTICA E POLÍTICA, São Paulo: Editora Globo, 1992. Páginas 97 - 105;

BARROS, Manoel de. MENINO DO MATO. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015. Páginas 11, 27 e 35;

BION, W. Notas sobre memória e desejo. IN:SPILLIUS, E. B. (Edit.). MELANIE KLEIN HOJE: Desenvolvimentos da teoria e da técnica. Vol. 2: Artigos predominantemente técnicos. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1990. Páginas 30 - 34;

EIZIRIK, C. L. Da ação terapêutica da psicanálise. IN: FERRO, A. e BASILE, R (Edit.) CAMPO ANALÍTICO: Um conceito clínico. Porto Alegre: Artmed, 2013. Páginas 35 - 46;

MILLER, J-A. JACQUES LACAN: OBSERVAÇÃO SOBRE SEU CONCEITO DE PASSAGEM AO ATO. Opção Lacaniana online, 2014;

NIETZCHE, F. ASSIM FALOU ZARATUSTRA. São Paulo: Cia das Letras, 2011. Página 77.

SEVERO, C. T. ENACTMENT PSICANALÍTICO: COMO PSICANALISTAS ENTENDEM, IDENTIFICAM E ELABORAM - ESTUDO DESCRITIVO QUALITATIVO. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria. Mestrado, 2015.

Correspondência
Av. Venâncio Aires, 535/103
90040-193 Porto Alegre, RS, Brasil




Transtorno Obsessivo Compulsivo - Uma Revisão Bibliográfica

Felipe Anawate Muniz Tavaresa; Rayssa Madalena Feldmana; Amanda Kuhla; Hérika Juliana de Araújo Lucenaa; Vitória Steffenello Avancinia; Almerindo Antônio Boffb

a Curso de Medicina, Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
b Docente do Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

OBJETIVO: Realizar uma revisão bibliográfica abordando a literatura nacional e internacional com o intuito de elucidar questões relevantes sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo, bem como suas manifestações clínicas e diagnósticas.
METODOLOGIA: Foram utilizadas publicações até 15 de abril de 2016, sendo retiradas de uma fonte específica: SciELO, utilizando-se como palavras chaves "transtorno obsessivo compulsivo" e "síndromes neuróticas".
RESULTADOS: EPIDEMIOLOGIA: O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) tem uma prevalência global de 1%. Ele instala-se predominantemente na infância, podendo aparecer também na adolescência e no início da vida adulta. A distribuição por sexo, pode variar conforme as faixas etárias, em crianças há um predomínio maior em meninos. Fatores que envolvem um forte apelo emocional, podem desencadear os sintomas, a ansiedade, a sensação de impotência, debilidade, fadiga e eventos estressores foram identificados. Algumas comorbidades psiquiátricas associadas são transtorno de humor, transtorno de ansiedade (sobretudo fobias) e transtornos de abuso e dependência de substâncias.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: De maneira geral, pode-se dizer que o reconhecimento do TOC, torna-se difícil devido ao caráter reservado dos seus sintomas. Os pacientes demoram a procurar ajuda, pois não se sentem à vontade ao pensar/falar sobre seus sintomas. O TOC é caracterizado pela presença de obsessões e compulsões, é importante salientar que as obsessões não são prazerosas ou voluntárias.
DIAGNÓSTICO: Para que o diagnóstico do TOC seja estabelecido é necessário que as obsessões e compulsões consumam mais de uma hora do dia do sujeito ou cause um desconforto significativo, comprometendo o funcionamento geral do indivíduo.
CONCLUSÃO: A pesquisa de revisão possibilitou compreender melhor as características do TOC, entendendo que se trata de um transtorno que raramente ocorre sozinho, que tende a ser crônico com sintomas que crescem ou diminuem de intensidade ao longo do tempo e que gera um auto nível de sofrimento aos portadores.

Correspondência
anawatetavares@hotmail.com




Rede de Pesquisa em Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (ReTOC): otimizando a assistência e tratamento

Victor Maciela,b, Daniel Arenasa,b, Roberta Andrejewa,b, Rafaella Portoa, Rogéria Recondoc, Lino Zanattad, Angelo Cunhae, Gabriela Costae, Marcelo Bassof, Carolina Blayaf, Joaquim Mota Netog, Laura Pio de Almeidag, Ygor Ferrãoa,b e Membros da ReTOCa a g

a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
b Liga de Psiquiatria e Saúde Mental da UFCSPA (LIPSAM)
c Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUCRS)
d Fundação Universitária de Rio Grande(FURG);
e Universidade Federal de Santa Maria(UFSM)
f Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS)
g Universidade federal de Pelotas (UFPel).

Este projeto multicêntrico de pesquisa visa reunir vários centros acadêmicos e de pesquisa do Rio Grande do Sul em uma rede de pesquisa, tomando inicialmente, como paradigma de pesquisa o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), transtorno psiquiátrico que acomete cerca de 2% da população em geral e se caracteriza por pensamentos ou imagens intrusivos, irracionais, intermitentes e que abrangem quaisquer tipos de conteúdo, muitas vezes seguidos de comportamentos que aliviam transitoriamente esses pensamentos e que podem envolver quaisquer tipos de atitude ou movimentos. Foram convidados a participar 10 centros universitários de referência em psiquiatria e/ou psicologia que tenham condições de recrutar estudantes da graduação e de pós-graduação (senso lato e senso estrito) para compor a rede. Seis centros aceitaram inicialmente o convite. Uma vez estabelecida a rede, o projeto inicial envolverá o estudo de aspectos clínicos (psicopatológicos) do TOC e que ainda não estão completamente compreendidos na literatura científica, como por exemplo: estabilidade dos subtipos de sintomas obsessivo-compulsivos ao longo do tempo, juízo crítico em relação aos sintomas, características de personalidade, funcionamento familiar, sexualidade, conhecimento dos tipos de tratamentos que estão sendo ou já foram realizados (estadiamento) com pacientes e familiares, entre outros. Após essa primeira fase investigativa (caso-controle), ao final de 3 anos, os pacientes serão reavaliados quantos às características clínicas e demográficas, intensidade dos sintomas, funcionamento familiar e qualidade de vida. Assim, a metodologia de pesquisa da rede de pesquisa envolverá, inicialmente, 2 delineamentos: fase 1:estudo de caso-controle, onde todos os centros deverão participar; e fase 2: estudo de seguimento (coorte), onde todos os centros deverão participar. Como cada centro deverá participar com pelo menos 30 pacientes, espera-se atingir entre 150 e 300 sujeitos no banco de dados da rede no primeiro ano. Posteriormente, esses pacientes serão reavaliados para a análise de estudo longitudinal. A montagem de uma rede de pesquisa no Rio Grande do Sul, envolvendo vários centros de pesquisa não é exatamente original, mas que envolvam centros de psiquiatria e/ou psicologia não é do conhecimento dos proponentes. A montagem dessa rede regionalizada poderá servir de base para que outros paradigmas de pesquisa em psiquiatria e saúde mental, de interesse das instituições envolvidas, sejam desenvolvidos em outros momentos, ou seja, a montagem da ReTOC se propõe a ser pioneira na facilitação do desenvolvimento de pesquisas nessa temática no RS. Além disso a montagem da ReTOC facilitará o recrutamento de tamanhos amostrais mais representativos da população (tamanho e distribuição geográfica).

Correspondência
Victor Maciel
Rua padre Chagas,185, sala 902
90570-080 Porto Alegre, RS, Brasil
victor93@gmail.com
Fone: 051 33461077




Perfil de bebês de 0 a 36 meses atendidos em ambulatório de saúde mental no sul do Brasil

Karina Recktenvald, Camila Piva da Costa Cappellari, Fernanda Munhoz Driemeier Schmidt, Guilherme Pacheco Fiorini, Manoela Yustas Mallmann

Instituição: Contemporâneo - Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade e Universidade do Vale do Rio dos Sinos

OBJETIVO: traçar o perfil sociodemográfico e clínico dos bebês de zero a 36 meses atendidos em uma clínica escola em saúde mental de Porto Alegre.
MÉTODO: Realizou-se um estudo documental de revisão de prontuários dos pacientes atendidos entre maio de 2009 a maio de 2016. Os responsáveis pelos pacientes que chegaram à instituição nesse período responderam uma ficha sociodemográfica, abarcando dados sobre a criança e seu contexto, e o Child Behavior Checklist (CBCL), versão de 1½ a 5 anos de idade. Incluíram-se no estudo todos os bebês triados na instituição e suas respectivas famílias (n=28).
RESULTADOS: Grande parte dos pacientes cujas famílias procuraram atendimento já tinham completado dois anos de idade (85%), e pouco mais da metade desses bebês residiam com ambos os pais (53%). Profissionais da área da saúde foram a principal fonte de encaminhamento (46%), seguidos das famílias dos bebês (25%) e das escolas que atendem (21%). Os motivos de busca para atendimento mais encontrados foram comportamento agressivo (32%), problemas de atenção (17%) e retraimento/depressão (17%). A partir dos resultados do CBCL, identificou-se que 43% dos bebês apresentaram escore clínico em sua média total (Transtornos internalizantes/externalizantes) e 21% apresentaram escore clínico para problemas de retraimento. Discutem-se as implicações teórico-clínicas envolvidas na psicoterapia de crianças de zero a três anos. Destaca-se que, nessa população estudada, as famílias dos bebês buscam ajuda psicoterápica quando a patologia já trouxe muitos prejuízos para o desenvolvimento do bebê, gerando sofrimento na criança e no ambiente que o cerca.

Correspondência
Professor Fitzgerald, 101/1102
Porto Alegre, RS, Brasil
karinareck@gmail.com




Perfil dos Pacientes Avaliados em uma Emergência Psiquiátrica

Aline Parisotto, Letícia Güenter, Vanessa Schaker, Virgínia Camatti, Gabriela Pavan, Luis Motta, Eduardo Nogueira, Lucas Spanemberg

Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

OBJETIVO: Descrever o perfil dos pacientes avaliados na emergência psiquiátrica de um hospital geral.
METODOLOGIA: Foram avaliados 220 pacientes atendidos pela equipe de consultoria psiquiátrica de urgência (ECPU) de um hospital geral de Porto Alegre/RS, no período de Janeiro à Junho de 2016. As informações foram armazenadas em um banco de dados e posteriormente analisadas com o auxílio do programa SPSS v.22.
RESULTADOS: Dos 220 pacientes avaliados pela ECPU, 126 (57,3%) eram do gênero feminino, solteiros (43,2%), católicos (43,6%), e tinham, em média, 32,3 anos de idade (18,1). A maior parte (63,2%) possuía convênio privado, 104 (47,3%) vieram encaminhados por profissional de saúde e 182 (82,7%) estavam acompanhados no momento da avaliação. Os principais motivos de avaliação foram ideação (21,4%) e tentativa (15,9%) de suicídio. Cento e quatro pacientes (47,3%) apresentaram alto risco de suicídio pela classificação da versão brasileira do MINI 6.0.0 (Mini International Neuropsychiatric Interview). Setenta e seis (34,5%) possuíam alguma comorbidade clínica, 80 (36,4%) faziam uso de fármaco não psicotrópico, 135 (61,4%) utilizavam pelo menos um fármaco psicotrópico e 108 (48,3%) já estavam em tratamento com psiquiatra e/ou psicólogo. O tabagismo foi observado em 24,1% dos pacientes e 13,2% relataram ser usuários de drogas, sendo o álcool (10,5%) e a maconha (7,7%) as drogas mais utilizadas. De acordo com a escala de impressão clínica global (CGI), 127 (57,7%) foram classificados como marcadamente ou gravemente doentes e 121 (55%) tiveram a internação psiquiátrica como desfecho da avaliação.
CONCLUSÃO: Esse estudo mostrou que os pacientes avaliados pela ECPU foram, predominantemente, do gênero feminino, solteiros, católicos e possuíam convênio privado. Ideação suicida foi o principal motivo da avaliação e quase metade dos pacientes possuíam alto risco de suicídio. Mais da metade dos pacientes fazia uso de algum fármaco psicotrópico, ainda que parte desses não estivesse em acompanhamento com psiquiatra e/ou psicólogo. O desfecho da avaliação, em mais de 50% dos casos, foi a internação psiquiátrica, sugerindo que os pacientes avaliados nesse período eram, em sua maioria, gravemente doentes.

Correspondência
Hospital São Lucas da PUCRS, Unidade de Internação Psiquiátrica
Avenida Ipiranga, 6690, sexto andar sul - Unidade de Internação Psiquiátrica. Jardim Botânico
90610000 Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 3320-3041 (ramal: 3367)
URL da homepage: http://www.hospitalsaolucas.pucrs.br/portal/index.php




Tradução para Espanhol e Validação do Instrumento de Ritmo de Humor

Aluno de Iniciação Científica: Raul Costa Fabris
Orientadora: Maria Paz Loayza Hidalgo Raul Costa Fabrisa, Camila Morelatto de Souzaa, Carlos Augusto Vieira Ilgenfritza, Alicia Carissimia,b, Melissa Alves Braga de Oliveiraa,b, Ana Paula Franciscoc, Madeleine Scop Medeirosd, Daniele Costaa, Benicio N.Freye,f, Ana Adang,h, Maria Paz Loayza Hidalgoa,b,i


a Laboratório de Cronobiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Brasil
b Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento - Faculdade de Medicina, UFRGS, Porto Alegre, Brasil
c Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, Brasil
d Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, Porto Alegre, Brasil
e Department of Psychiatry and Behavioural Neurosciences, McMaster University, Hamilton, ON, Canada
f Mood Disorders Program and Women's Health Concerns Clinic, St. Joseph's Healthcare, Hamilton, ON, Canada
g Department of Psychiatry and Clinical Psychobiology, School of Psychology, University of Barcelona, Spain
h Institute for Brain, Cognition and Behavior (IR3C), University of Barcelona, Spain
i Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina, UFRGS, Porto Alegre, Brasil

Instituição: Laboratório de Cronobiologia - HCPA - UFRGS

INTRODUÇÃO: Os transtornos de humor apresentam alta prevalência e estão associados a alta morbimortalidade. Existem diversos padrões circadianos de ritmos biológicos e comportamentos relacionados ao humor que podem servir como indicadores precoces do desenvolvimento destes transtornos. O Mood Rhythm Instrument (MRI) é um questionário desenvolvido para avaliar tais parâmetros.
OBJETIVO: O objetivo desse estudo é traduzir e validar a versão em espanhol deste instrumento.
MÉTODOS: O processo de tradução envolveu a tradução, ajuste, tradução reversa, revisão da tradução reversa e harmonização, chegando-se assim à versão final. Esta foi aplicada a 459 indivíduos (54,4% do sexo masculino, idade média de 30,87±12,58 anos) da população geral.
RESULTADOS: Comparando-se a versão inicial e a versão final da tradução, não houve diferenças semânticas, e as perguntas não foram modificadas. O Alfa de Cronbach do instrumento foi 0.69 para a amostra. Na análise fatorial, foram obtidos seis componentes com Eigenvalues maiores que 1. Os fatores com eigenvalues maiores apresentaram correlação com variáveis afetivas/cognitivas, incluindo alguns dos principais sintomas dos transtornos do humor. A análise de frequência de cada item do questionário não demonstrou diferença significativa entre homens e mulheres na percepção da presença de um ritmo diário, exceto para resolução de problemas, no qual as mulheres reportaram maior ritmicidade. A distribuição de variáveis relacionadas a funções somáticas apresentou maior ritmicidade do que variáveis cognitivas/afetivas.
CONCLUSÃO: A versão em espanhol do MRI também consistência interna adequada e estrutura multifatorial, reforçando a confiabilidade e facilidade de aplicação deste instrumento. O MRI também está sendo validado em populações saudáveis no Brasil e no Canadá, para futuramente poder ser aplicado em contextos clínicos como preditor de risco para transtornos de humor.

Correspondência
Laboratório de Cronobiologia do HCPA/UFRGS
Rua Ramiro Barcelos, 2350 - Centro de Pesquisa Clínica, Sala 21617 - Santa Cecília
90035-003 Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: raulcfabris@hotmai.com




O silêncio em psicoterapia de orientação analítica

Nathália Janovik da Silva, Cintya Kelly Moura Ogliari, Rodrigo Aquino Martins da Silva, Eduardo de Araujo Silva, Franciele Pereira dos Santos, Paulo da Silva Belmonte de Abreu, Sidnei Samuel Schestatsky

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre - HCPA

RESUMO: Desde a origem da psicoterapia/psicanálise, trabalha-se a "cura pela fala" - a "talking cure". A fala é, por assim dizer, um dos principais recursos utilizados em psicoterapia, sendo considerado pressuposto importante para promover o acesso ao inconsciente e levar às mudanças psíquicas almejadas no processo terapêutico. Ampliando este conceito, acredita-se que, tão importante quanto a verbalização, é o silêncio em psicoterapia que, embora seja bastante frequente na prática psicoterápica, sua abordagem como alvo de estudos na literatura atual ainda é relativamente escassa. O objetivo deste trabalho é apresentar uma concisa revisão bibliográfica focada nos diferentes significados que o silêncio pode adquirir durante o processo psicoterápico - tanto do paciente, quanto do terapeuta -, desde as contribuições de Freud até reflexões mais atuais sobre o silêncio em psicoterapia, fazendo uma ligeira inserção sobre o tema na cultura contemporânea. Conclui-se, pois, que o silêncio em psicoterapia de orientação analítica pode adquirir diferentes significados e que acolhê-lo nas suas distintas esferas significa, acima de tudo, oferecer uma escuta verdadeiramente psicoterápica para os nossos pacientes, conseguindo ouvir o não-dito.

Descritores: psicoterapia; psicanálise; teoria psicanalítica; silêncio

Correspondência
R. Ramiro Barcelos, 2350 - Santa Cecilia
90035-903 Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 3359-8000




Por que os pacientes buscam a emergência psiquiátrica? Comparação do motivo da avaliação psiquiátrica de um Hospital Geral de acordo com o tipo de convênio

Aline Parisotto, Betina Lejderman, Marina Cardoso de Souza, Vinícius Bampi, Vítor Torrez, Gabriela Pavan, Luis Motta, Lucas Spanemberg

Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

OBJETIVO: Descrever e comparar os principais motivos da avaliação de pacientes pela emergência psiquiátrica de um hospital geral de acordo com o tipo de convênio.
METODOLOGIA: Duzentos e vinte pacientes atendidos pela equipe de consultoria psiquiátrica de urgência (ECPU) de um hospital geral de Porto Alegre/RS, no período de Janeiro à Junho de 2016, foram questionados quanto ao motivo da avaliação e comparados quanto ao tipo de convênio de saúde (convênio privado vs. Sistema Único de Saúde - SUS). As informações foram armazenadas em um banco de dados e posteriormente analisadas com o auxílio do programa SPSS v.22.
RESULTADOS: Foram avaliados 220 registros, dos quais 144 (68,6%) dos pacientes possuíam convênio privado. O principal motivo de avaliação na emergência foi, em ambos os grupos, ideação suicida (21,4%), mas também foi expressiva a avaliação de sintomas psicóticos nos pacientes SUS (19,7%) e de sintomas depressivos nos pacientes de convênio privado (18%). Trinta e seis pacientes SUS (54,5%) e 72 (50%) dos pacientes com convênio já haviam realizado atendimento prévio na emergência, sendo 48,3% por uma ou mais vezes.
CONCLUSÃO: Esse estudo mostrou que a maioria dos pacientes avaliados pela ECPU nesse período possuíam convênio privado, entretanto, o principal motivo da avaliação foi o mesmo entre os dois grupos. Grande parte dos pacientes possuía atendimento prévio de urgência psiquiátrica, pelo menos uma vez na vida, em ambos os grupos.

Correspondência
Hospital São Lucas da PUCRS, Unidade de Internação Psiquiátrica
Avenida Ipiranga, 6690, sexto andar sul - Unidade de Internação Psiquiátrica. Jardim Botânico
90610-000 Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 3320-3041 (ramal: 3367)
URL da homepage: http://www.hospitalsaolucas.pucrs.br/portal/index.php




Estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) em pacientes com esquizofrenia refratária tratados com clozapina: um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo.

Autores: Rodrigo Aquino Martins da Silva, Nathália Janovik da Silva, Cintya Kelly Moura Ogliari, Eduardo de Araujo Silva, Franciele Pereira dos Santos, Paulo da Silva Belmonte de Abreu

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre - HCPA

INTRODUÇÃO: A clozapina é considerada como padrão ouro para o tratamento de esquizofrenia resistente, mas em 25% desses pacientes os sintomas psicóticos são refratários à terapia. O tratamento com a técnica de neuromodulação não-invasiva iria fornecer uma ferramenta adicional para o manejo clínico desses sintomas. No entando, há poucas evidências na literatura sobre o uso de tDCS em pacientes com esquizofrenia refratária a clozapina.
OBJETIVO: Determinar, por meio da escala Brief Psychiatric Rating Scale-Anchored (BPRS-A), a resposta clínica ao tDCS em pacientes esquizofrênicos resistentes ao tratamento com clozapina em comparação ao placebo.
MÉTODOS: Seis pacientes com diagnostico de esquizofrenia estabelecido por meio da escala Operational Criteria Checklist for Psychotic Illnes (OPCRIT) foram distribuídos aleatoriamente para receber 20 minutos de estimulação ativa com 2 mA tDCS (n=3) ou sham (n=3) duas vezes por dia durante 5 dias consecutivos. O ânodo foi colocado o sobre o córtex pré-frontal dorsolateral e o cátodo sobre o córtex temporoparietal esquerdo. Para avaliar os níveis de sintomas positivos e negativos, a escala BPRS-A foi aplicada no dia 1, antes da intervenção, e no dia 5, depois da intervenção. Essa escala consiste de 18 campos, cada campo pontua entre 0-6 e o escore total varia entre 0-108 pontos. Quanto maior o escore, mais sintomas refratários negativos estão presentes. Estatísticas descritivas foram adotadas para a análise de dados.
RESULTADOS: No grupo tDCS, o escore médio da escala BPRS-A no dia 1 foi de 24,00 ± 13,20 pontos e no dia 5 foi de 17 ± 10,95. No grupo sham, a media no dia 1 e 5 foi 22,75 ± 10,24 e 21,00 ± 11,13 respectivamente. Ao analisar a diferença média entre as duas medidas dos escores da escala BPRS-A foi encontrado que eles eram -4,75 ± -9,25 e -2,64 ± -0,86 pontos nos grupos tDCS e sham respectivamente. Assim, observou-se uma maior diferença entre as pontuações no grupo tratado. No entanto, essa diferença não foi estatisticamente significativa (p> 0,05).
CONCLUSÃO: Em pacientes tratados com clozapina com esquizofrenia refratária, a adição do tDCS ao tratamento padrão mostrou redução dos escores da escala BPRS-A para o grupo tratado em relação ao placebo, definida por melhora clínica dos sintomas, semelhante a outros estudos na literatura. Embora os resultados achados não tenham sido estatisticamente significativos, a melhora clínica sugere que novos estudos na área sejam feitos para melhor avaliação do método de tratamento.

Correspondência
R. Ramiro Barcelos, 2350 - Santa Cecilia
90035-903 Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 3359-8000




Pesquisas de intervenções psicoterápicas com crianças e adolescentes: Metodologias e linhas teóricas predominantes

Bruna Holsta, Carolina Saraiva de Macedo Lisboab, Artur Marques Streyc, Andréia Zambon Bragad, Déborah Brandãoe, André Goettems Bastosf

a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) / Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP). E-mail: bruholst@gmail.com
b Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail: carolina.lisboa@pucrs.br
c Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail: artur.y@hotmailcom
d Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail: deiazbraga@gmail.com
e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail: deborah.brandsouza@gmail.com
f Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E-mail: andre.bastos@pucrs.br

RESUMO: A infância é uma etapa determinante para o desenvolvimento subsequente saudável dos indivíduos. Adversidades vividas nesta etapa do ciclo vital já foram associadas a vários quadros psicopatológicos na vida adulta. Desta forma, intervenções psicoterápicas efetivas na infância podem ser decisivas para o prognóstico de patologias. Para discutir e pensar na psicoterapia com crianças e adolescentes no Brasil, é determinante compreender o panorama atual de estudos sobre este tema, especialmente elucidando linhas teóricas e metodologias empregadas nestas pesquisas.
OBJETIVO: Apresentar resultados preliminares de uma revisão sistemática que busca investigar a forma de avaliação e sustentação teórica de resultados de intervenções psicoterápicas na infância e adolescência em pesquisas realizadas no Brasil ou com pesquisadores brasileiros. Mais especificadamente, pretende-se avaliar qual é o tipo de metodologia utilizada, assim como quais linhas teóricas são prevalentes em estudos de intervenção psicoterápica com crianças e adolescentes.
MÉTODO: A partir da string de descritores (jovem OR adolescente OR criança) AND (instrumento OR escala OR teste OR inventário OR avaliação OR questionário OR medida) AND (psicoterapia), em inglês e português, foram realizadas buscas nas bases de dados BVS, Lilacs, Scielo, PubMed, Banco de teses e dissertações CAPES e Pepsic.
CONCLUSÃO: A revisão ainda está em andamento. Foram encontrados 802 estudos que estão sendo avaliados segundo critérios de inclusão e exclusão relacionados ao delineamento. A análise final destas pesquisas poderá qualificar intervenções psicoterapêuticas com crianças e adolescentes, baseando a prática em evidências científicas consistentes, atentando-se a lacunas existentes e fomentando a troca de conhecimentos entre pesquisadores e clínicos.




Quais psicofarmacos usam os pacientes atendidos pela consultoria psiquiátrica na emergência?

Ana Luiza Ache, Carolina Bergmann, Carolina Hessel, Virginia Camatti, Marina Cardoso, Lucas Spanemberg, Eduardo Nogueira

Instituição: Hospital São Lucas-PUCRS

Emergências de hospitais gerais são portas de entrada para pacientes em busca de atendimento psiquiátrico. O uso de psicofármacos na população geral é de grande intensidade. Identificar tratamentos prévios dos pacientes que procuram esses serviços é relevante para um melhor atendimento do indivíduo, bem como planejamento de serviços e políticas de saúde.
OBJETIVOS: Avaliar a prevalência do uso de psicofármacos nos pacientes atendidos pela consultoria psiquiátrica de um hospital gera, bem como o perfil de fármacos usados e adesão referida pelo paciente ao tratamento medicamentoso.
MÉTODOS: Estudo transversal e descritivo conduzido a partir das análises de registros de atendimentos em uma emergência de um hospital geral. Todos os registros são provenientes da consultoria em psiquiatria na emergência entre os meses de janeiro a abril de 2016 e foram analisados e descritos de acordo com médias de distribuição e frequência.
RESULTADOS: Dos 155 registros avaliados, 62,6% dos pacientes estavam fazendo uso de psicofármacos. Com relação ao perfil dos medicamentos utilizados 33,1% usavam benzodiazepínicos, 41,6% antidepressivos, 35,9% antipsicóticos, 9,5% lítio, 16,2% anticonvulsivantes e outros psicofármacos 4%. Desses, 37,9% dos pacientes estava em uso pleno atual 16,4% em uso irregular, 7,1% haviam abandonado tratamento recentemente e iniciaram a menos de um mês ou não usam 38,6%.
CONCLUSÃO: A maior parte dos pacientes atendidos já fazem uso de medicamentos psiquiátricos, em sua maioria em uso pleno atual. Os medicamentos mais utilizados por pacientes que buscam atendimento psiquiátrico em emergências são antidepressivos, seguido por benzodiazepínicos e antipsicóticos.

Correspondência
Unidade de Internaçao Psiquiátrica - 6° andar
Av. Ipiranga, 6690 - Jardim Botânico
90610-000 Porto Alegre, RS, Brasil




Achados cognitivos e comportamentais de um paciente com a síndrome de Kabuki

Daniel Luccas Arenas, Victor Augusto Zanesi Maciel, Bruno Bolico, Júlia Niero Páfaro, Marilu Fiegenbaum, Tathiane Brum Gibicoski, Francisco Alfonso Rodriguez Elvir, Rosana Cardoso Manique Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen, Rafael Fabiano Machado Rosa.

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

OBJETIVOS: relatar os achados cognitivos e comportamentais de um paciente com a síndrome de Kabuki
MÉTODOS: relatar um caso, juntamente com uma revisão da literatura.
RESULTADOS: a paciente é a primeira filha de pais não consanguíneos com 40 anos (mãe) e 56 anos (pai). Ela nasceu prematura, com 35 semanas de gestação, de parto cesáreo por apresentação pélvica, pesando 2600 gramas, medindo 46 cm, com perímetro cefálico de 32 cm, e escores de Apgar de 7/7. A sua gestação cursou sem intercorrências. A mãe refere ter utilizado cerca de 16 cigarros por dia durante toda a gravidez. Após o nascimento, a criança ficou 14 dias hospitalizada por apresentar dificuldade respiratória, hipoglicemia e icterícia. Possui descrição também de ser hipotônica. Ela evoluiu com episódios de bronquiolite e de otites e sinusites. Não fez o teste do pezinho, contudo, aos 3 meses foi diagnosticado hipotireoidismo. Quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor, evoluiu com atraso: começou a caminhar sozinha com 1 ano e 6 meses de idade. Possui história também de agitação e hiperatividade, sendo que faz tratamento atualmente com fluoxetina. A tomografia computadorizada de crânio evidenciou discreta dilatação ventricular. Um dos eletroencefalogramas demonstrou atividade paroxística multifocal. O cariótipo mostrou a presença de uma constituição cromossômica feminina com inversão 9qh: 46,XX,inv(9)(p11.3q13)[20]. A avaliação oftalmológica evidenciou a presença de lesões maculares puntiformes e de fendas palpebrais com "sobra" lateralmente. Chegou também a ser avaliada pela cardiologia, que evidenciou a presença de um estalido sistólico à ausculta cardíaca. Ao exame físico, realizado aos 11 anos, a paciente apresentava perímetro cefálico de 53 cm (P50-98); altura de 143,5 cm (P50); peso de 47,6 Kg (P90-97); prega epicântica bilateral; eversão das pálpebras inferiores nos seus terços laterais; rarefação das sobrancelhas nas suas porções laterais; nariz tubular e largo com ponta bulbosa; palato ogival; mento proeminente; orelhas grandes; manchas acrômicas em região axilar e ombro esquerdos, além de região cervical; prega palmar de transição à direita; quintos dedos das mãos curtos com hipoplasia das unhas dos mesmos; hipoplasia das unhas e encurtamento dos segundos dedos dos pés.
CONCLUSÃO: os achados de nosso paciente foram compatíveis com o diagnóstico de síndrome de Kabuki. Os pacientes usualmente apresentam déficit intelectual, que varia de leve a moderado. Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor é um achado frequente. Sintomas autistas são considerados raros. Este relato tem o objetivo também de chamar a atenção para as características clínicas que levam ao diagnóstico da síndrome de Kabuki. Este usualmente é difícil, especialmente pela grande variabilidade clínica da síndrome.

Correspondência
Rua Sarmento Leite, número 245/403 - Bairro Centro
90050-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Famílias distanciadas: reflexos nos casais e nos filhos

Bruna Krimberg von Muhlena

a Doutoranda em psicologia na PUCRS. Doutorado sanduiche na The University of Sydney

Este trabalho partiu do interesse em estudar como a distância entre um casal pode afetar seus filhos. Para isto foi usado famílias em atendimento na especialização em terapia de família, para ilustrar, preservando o sigilo. Diversas distâncias vividas entre e pelos membros do casal e da família serão abordadas. O referencial teórico para abordar este assunto será a triangulação de Bowen, além de analisar aspectos sobre como se dá a construção do casal a partir da família de origem. Foi encontrado que as questões transgeracionais e da família de origem acabam se repetindo na construção de novos casais e consequentemente nas relações com os filhos e entre irmãos, inclusive os distanciamentos. Importante contextualizar as transformações sociais atuais, em que famílias passam por mudanças: a individualidade é muito valorizada, e se fala em ninhos cheios, mas os vínculos amorosos e sociais ainda são vitais.

Correspondência
brunakm.psic@gmail.com




Relato de um casal de irmãos com déficit cognitivo grave e epilepsia apresentando uma translocação balanceada entre os cromossomos 13 e 14 de origem paterna

Daniel Kanami Kuratani, Daniel Luccas Arenas, Victor Augusto Zanesi Maciel, Júlia Niero Páfaro, Roberta Andrejew Caetano, Danielle Bernardi Silveira, Rosana Cardoso Manique Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen, Rafael Fabiano Machado Rosa

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

OBJETIVO: relatar o caso de um casal de irmãos portadores de uma translocação 13;14 de origem paterna que apresentam déficit cognitivo grave e epilepsia.
METODOLOGIA: realizamos o relato dos dois casos, junto com uma revisão da literatura.
Resultados: A paciente 1, feminina, nasceu a termo de parto normal domiciliar. A gestação transcorreu sem intercorrências, sem acompanhamento pré-natal. Apresentou hipotonia e atraso no desenvolvimento na infância. Aos 8 meses iniciou com crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas. Aos 27 anos, apresentava déficit cognitivo grave, epilepsia, obesidade e amenorréia secundária. A tomografia de crânio foi normal. Na avaliação genética observou-se baixa estatura (148cm, < P3), obesidade relativa (66kg, P75-90), perímetro cefálico normal (55cm, P50) e pescoço curto. O cariótipo mostrou 45,XX,der(13;14)(q10;q10)/46,XXX,der(13;14) (q10;q10)pat. O paciente 2, masculino, nasceu a termo de parto normal domiciliar. A gestação foi sem intercorrências, sem acompanhamento pré-natal. Apresentou hipotonia e atraso no desenvolvimento na infância. Aos 25 anos apresentava déficit cognitivo grave e epilepsia. A avaliação genética foi prejudicada pela falta de colaboração. Observou-se perímetro cefálico normal (54,5cm, P2-50) sem outras dismorfias. O cariótipo foi 45,XY,der(13;14)(q10;q10)pat. Os pais eram fenotipicamente normais sendo que o cariótipo da mãe foi normal e o do pai mostrou 45,XY,der(13;14)(q10;q10).
CONCLUSÃO: A translocação 13;14 está, usualmente, associada a um fenótipo normal. A presença de déficit cognitivo e epilepsia nestes pacientes sugere a possibilidade de dissomia uniparental de cromossomo 14.

Correspondência
Rua Sarmento Leite, número 245/403 - Bairro Centro
90050-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Tratamento de Dermatotilexomania e Tricotilomania com Protocolo Unificado de Terapia Cognitivo-Comportamental: achados preliminares e perspectivas futuras

Xavier, A.C.M.; Barbieri, C.M.; Oliveira, A.C.; Felipe, R.M.; Carvalho, M.G.C.; Blaya, C.D.

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

INTRODUÇÃO: A Tricotilomania e a Dermatotilexomania acometem 4% e 10% da população geral, respectivamente. Possuem taxa de co-ocorrência maior que o esperado, indicando que possam ser um mesmo espectro de doença. O Protocolo de terapia cognitivo-comportamental (TCC) de Rothbaum é eficaz no tratamento da Tricotilomania. Diante da similaridade destas doenças e da eficácia do Protocolo Unificado de TCC para diferentes patologias, utilizamos o Protocolo de Rothbaum no tratamento da Tricotilomania e da Dermatotilexomania.
MÉTODOS: o Protocolo de Rothbaum foi aplicado a pacientes com diagnóstico de Tricotilomania ou Dermatotilexomania, no último caso de forma adaptada substituindo-se o hábito "arrancar cabelos" pelo hábito "mexer na pele", mantendo-se as mesmas técnicas, com duração de 9 sessões semanais. A terapia foi realizada no formato individual ou em grupo, conforme disponibilidade do paciente. Foram incluídos pacientes motivados para tratamento. Foram excluídos pacientes com transtorno psicótico ou depressivo grave. A avaliação inicial incluiu a medida da motivação através da escala de URICA. Para avaliação dos sintomas e desfechos, no início da intervenção foram aplicadas as escalas HAM-A, BDI, CGI, SPIS (para Dermatotilexomania) ou EAC-MGH (para Tricotilomania). Após o tratamento, as escalas foram reaplicadas na amostra. A análise estatística foi realizada no SPSS e foi considerado significativo um p<0,05.
RESULTADOS: 21 pacientes foram incluídos no estudo, 12 pacientes receberam pelo menos 5 sessões de tratamento. Não houve diferença epidemiológica/clínica entre os pacientes que concluíram e os que abandonaram o tratamento. Pacientes que concluíram o estudo apresentaram melhora significativa dos sintomas depressivos medidos pela BDI (Mediana 15,5/variância 100,26 Vs. Mediana 12,0/variância 84,56 p= 0,033). Também houve melhora nos demais desfechos, porém sem significância estatística: CGI (Mediana 5/variância 0,8 Vs. Mediana 3/variância 0,8 p=0,059) EAC-MGH (mediana 20/variância 49,0 vs. mediana 6/variância 32,33 p=0,10), HAM-A (média 23±11,57 Vs. Média15,28±11,72 p=0,086), SPIS (média 18±9,89 Vs. Média 15,83±11,72 p=0,655).
CONCLUSÃO: o presente estudo encontrou melhora estatisticamente significativa nos sintomas depressivos associados à Dermatotilexomania e Tricotilomania com uso do protocolo de Rothbaum. Apesar da tendência de haver uma melhora de sintomas ansiosos, impressão clínica global, sintomas de arrancamento de cabelo e de pele com uso da TCC, tais achados não foram estatisticamente significativos, provavelmente pelo tamanho limitado da amostra. São necessários maiores estudos que avaliem estes desfechos.

Correspondência
Mauro Guedes de Oiveira, 131
Porto Alegre, RS, Brasil




Usuários de Crack com Transtornos de Ansiedade apresentam alteração nos níveis séricos de BDNF

Letícia Schwanck Faraa, Mayra Pachadoa, Felipe Ornella, Juliana Nichtewitz Scherera, Joana Narvaeza, Felix Kesslera, Flávio Pechanskya, Lisia Von DiemenA

a Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

OBJETIVO Avaliar a relação entre a alteração nos níveis séricos de BDNF e transtornos de ansiedade em usuários de crack
MÉTODO Estudo de seguimento com amosta composta por noventa e três usuários de crack, do sexo masculino, com idade média de 29 anos (IQ: 25-37), internados em uma unidade especializada no tratamento de dependentes quimicos de um hospital público. Amostras de sangue foram coletadas na admissão e na alta, e os níveis de BDNF foram mensurados pelo kit ELISA Sandwich. A variação desses níveis e obtida através da fórmula {(BDNFalta - BDNFbaixa) / BDNFbaixa} x 100. Variáveis sociodemográficas e perfil do uso de drogas foram coletados através da sexta versão do Addiction Severity Index (ASI-6), e transtornos psiquiátricos foram avaliados com o Structured Clinical Interview for DSM Disorders (SCID I). Variáveis quantitativas foram comparadas através do teste t de Student ou Mann-Whitney test, variáveis categóricas foram avaliadas pelo teste de Qui-quadrado.
RESULTADOS Entre os usuários de crack com diagnóstico comórbido de transtornos de ansiedade (n=11), 73% apresentaram uma variação menor nos níveis de BDNF durante a internação (p 0.008). Transtornos de humor, transtornos psicóticos, transtorno por uso de álcool e variáveis sociodemográficas não foram associados à variação do BDNF.
CONCLUSÕES Esse é o primeiro estudo que sugere uma menor variação nos níveis de BDNF em indivíduos com comorbidade entre Transtorno de Ansiedade e Crack após um período curto de desintoxicação, ao passo que outros estudos que não avaliaram essa comorbidade demonstraram um maior aumento/recuperação dos níveis nessa população, nesse mesmo contexto clínico. Embora os mecanismos neurobiológicos devam ser esclarecidos, a associação entre transtornos de ansiedade e menor variação dos níveis de BDNF podem indicar que uma maior gravidade do quadro psiquiátrico associada ao uso de drogas comprometem aspectos neurotróficos, que poderiam influenciar na adesão ao tratamento. Transtornos de ansiedade comórbidos ao uso de crack podem indicar um pior prognóstico e, consequentemente, maiores taxas de recidiva dos sintomas. Compreender melhor esta relação pode auxiliar na compreensão da fisiopatologia da dependência, do processo terapêutico e de recaída, bem como colaborar para construção de novas estratégias de tratamento em usuários de crack.

Correspondência
Rua Alvaro Alvim, 400
Porto Alegre, RS, Brasil




Trissomia parcial do cromossomo 14 secundária à presença de um cromossomo marcador em um paciente com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e de fala

Bruno Bolico, Daniel Luccas Arenas, Victor Augusto Zanesi Maciel, Ivan Gonçalves de Almeida Júnior, Roberta Andrejew Caetano, Ernani Boher da Rosa, Ygor Arzeno Ferrão, Rosana Cardoso Manique Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen, Rafael Fabiano Machado Rosa

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

OBJETIVOS: relatar um paciente com trissomia parcial do cromossomo 14 secundária à presença de um cromossomo marcador, apresentando atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e de fala.
METODOLOGIA: realizou-se a descrição clínica do paciente, juntamente com uma revisão da literatura.
RESULTADOS: o paciente é um menino de 11 anos. Ao nascimento apresentou peso de 2030 g (< P3), comprimento de 46 cm (< P3), tendo sido diagnosticados fenda labiopalatina e pés tortos congênitos. A criança evoluiu com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e de fala: sustentou a cabeça aos 8 meses, sentou sem apoio com 1 ano, andou com 1 ano e 6 meses e pronunciou as primeiras palavras aos 2 anos e 6 meses. Foi submetido à correção cirúrgica da fenda labial com 1 ano e 2 meses, e com 2 anos e 6 meses foi concluída a correção do palato. Aos 2 anos, foi também submetido à cirurgia dos pés tortos. No momento de sua primeira avaliação, o paciente estava com 2 anos e 9 meses e apresentava peso de 10,3 Kg (<P3), altura de 80 cm (<P3), perímetro cefálico de 47,5 cm (P2-50), face assimétrica, cabelos esparsos, prega ocular epicântica bilateral, ponte nasal baixa, cicatriz cirúrgica de correção da fenda labiopalatina, hipoplasia maxilar, clinodactilia do 5° dedo em ambas as mãos, pés tortos congênitos corrigidos e criptorquidia. O cariótipo com bandas GTG foi 47,XY,+mar[20]. Posteriormente foi realizada complementação da investigação pela técnica de FISH, que identificou o marcador como sendo originário de um cromossomo 14. Assim, o cariótipo ficou definido como: 47,XY,+der(14)del(14)(q11.2→qter).
CONCLUSÃO: Na literatura existe a descrição de pacientes com achados citogeneticamente similares ao nosso que apresentam diferentes anormalidades clínicas ou nenhuma alteração. Em nosso caso, a definição etiológica do cromossomo marcador foi fundamental para a correlação entre os seus achados citogenéticos e clínicos. Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e de fala são comuns entre estes pacientes.

Correspondência
Rua Sarmento Leite, número 245/403 - Bairro Centro
90050-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Psicoterapia psicanalítica para pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) em situação de crise

Aline Alvares Bittencourta, Gabriela Nardin de Assis Brasilb, Fabiana Fagundezc, Eduardo Schmitt Amarod, Ângela Cruz Blauthe, Moema Schifino Linkiwczf, Mônica Viang, Farid Bessilh, Silvia Pereira da Cruz Benettil, Fernanda Barcellos Serraltaj

a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - alinealvares@hotmail.com
b Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - gabriela.nabrasil@gmail.com
c Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - fabianafagundezpsico@gmail.com
d Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - eduardoschtt@hotmail.com
e Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - psico.angelablauth@gmail.com
f Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - moemalinkiwcz@gmail.com
g Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - moniivian@gmail.com
h Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica (ESIPP) - farid.r.bessil@gmail.com
l Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) - spcbenetti@gmail.com
j Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) - fernandaserralta@gmail.com

As características dos pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) afetam o relacionamento terapêutico e colocam com frequência o terapeuta de orientação psicanalítica frente a necessidade de manejar crises e adaptar intervenções. Há, entretanto, poucos estudos empíricos sobre o tema.
OBJETIVO: contribuir para o aumento do conhecimento dos aspectos subjacentes às crises de pacientes borderline em psicoterapia psicanalítica.
MÉTODO: através do Psychotherapy Process Q-Set e das anotações clínicas da terapeuta, o caso de uma paciente borderline em crise foi estudado buscando comparar as atitudes e intervenções da terapeuta, a interação terapêutica e as atitudes e estados mentais da paciente durante 24 sessões de psicoterapia que compreenderam duas crises agudas distintas com intervalo de um ano entre elas. As duas crises foram divididas em três etapas iguais: desorganização aguda (n=4), hospitalização (n=4) e estabilização (n=4) da crise.
RESULTADO: O teste t de student foi usado para comparar cada uma das etapas na primeira e na segunda crise e apontou diferenças estatisticamente significativas entre elas. Inspeção visual foi usada para identificar diferenças com significado clínico.
CONCLUSÕES: o processo psicoterápico do paciente com TPB é permeado por oscilações sintomáticas. Crises e interrupções são esperadas: resiliência emocional, clareza em delimitar o que é pessoal e o que é da relação terapêutica, capacidade para tolerar o impacto emocional e ser flexível são características esperadas dos terapeutas que acompanham pacientes com TPB.




Correlação entre os níveis de cortisol salivar e alta precoce em dependentes de crack internados em um hospital público especializado

Karina Proença Ligabue, Felipe Ornell, Juliana Scherer, Vanessa Assunção, Andrei Valerio, Flávio Pechansky, Felix Kessler, Lisia Von Diemen

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas

OBJETIVO: Verificar a associação entre os níveis salivares de cortisol matinal com o tempo de permanência hospitalar de usuários de crack internados para desintoxicação em uma unidade especializada para o tratamento de dependência química.
MÉTODO: Até o momento, 22 sujeitos, homens, com diagnóstico de transtorno por uso de crack que buscavam internação para dependência química foram recrutados na Unidade de Adição Álvaro Alvim/HCPA. As amostras de saliva para a análise de cortisol foram coletadas no segundo dia de internação, no horário entre 8-9h da manhã, conforme os padrões estabelecidos pelo setor de Patologia do HCPA. O tempo de internação foi avaliado segundo dados obtidos através do prontuário. A análise dos níveis de cortisol salivar foi realizada através da técnica de eletroquimioluminescência por competição. A análise de correlação entre as variáveis foi realizada pelo teste de correlação de Spearman, através do programa SPSS, versão 20.0.
RESULTADOS: A mediana dos níveis de cortisol salivar foi igual a 0,40 [0,32 - 1,16] mg/dL. Quanto ao tempo de internação, obteve-se uma mediana de permanência de 4 [2 - 13] dias. Foi encontrada uma correlação inversa entre os níveis de cortisol salivar e os dias de internação, onde quanto maiores os níveis de cortisol, menor o tempo de permanência hospitalar (r= -0,558, p=0,009). Além disso, todos os pacientes que tiveram níveis de cortisol superiores a 1mg/dL (n=6) tiveram alta em até quatro dias.
CONCLUSÃO: A baixa adesão terapêutica e as altas taxas de recaída consistem nas principais dificuldades observadas no tratamento de usuários de crack. Entre as hipóteses levantadas para tal cenário, acredita-se que isso possa decorrer da fissura intensa observada quando a administração da droga é interrompida. Uma possível hipótese para explicar a associação entre o cortisol e o tempo de internação é que o estresse gerado pela fissura possa estar aumentando os níveis de cortisol. Dessa forma, o cortisol salivar poderia ser um marcador biológico de fissura, hipótese ainda a ser confirmada.

Correspondência
Rua Professor Álvaro Alvim, 400 - Rio Branco
90420-020 Porto Alegre, RS, Brasil




Relato de um paciente com displasia ectodérmica hipoidrótica apresentando dificuldade de aprendizagem

Ivan Gonçalves de Almeida Júnior, Daniel Luccas Arenas, Daniel Kanami Kuratani, Victor Augusto Zanesi Maciel, Roberta Andrejew Caetano, Jamile Dutra Correa, Maurício de Quadros, Rosana Cardoso Manique Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen, Rafael Fabiano Machado Rosa

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

OBJETIVO: descrever um paciente com displasia ectodérmica hipoidrótica apresentando dificuldade de aprendizagem.
METODOLOGIA: realizou-se a descrição do caso, junto com uma revisão da literatura.
RESULTADO: paciente de 8 anos de idade. Foi avaliado inicialmente por suspeita de sífilis congênita. Possuía dentes cônicos. Evoluiu sem o aparecimento de alguns dentes. A criança possui história também de episódios de febre de origem desconhecida. Ela sua pouco, sendo que sua pele é seca. Seu cabelo cresce pouco e é esparso/ralo. O paciente é adotado. Há a história de que a sua mãe natural seria portadora de HIV+ e que fazia uso de drogas. Os pais não eram consanguíneos e não havia casos similares na família. A criança teria sido submetida a tratamento com anti-retrovirais após o nascimento. Ao exame físico, observou-se também fronte proeminente, epicanto bilateral, hipoplasia da face média, lábios grossos, e orelhas grandes e proeminentes. A ressonância nuclear magnética de crânio, bem como a ecografia abdominal foram normais. A biópsia de pele mostrou presença de glândulas sudoríparas écrinas e ausência de folículos pilosos. Quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor, começou a caminhar com 1 ano e 6 meses de idade, e pronunciou as primeiras palavras com mais de 2 anos. Possui história de dificuldade de aprendizado e falta de concentração. A avaliação através do WISC-III, realizada aos 8 anos de idade, revelou um rendimento intelectual geral em nível médio inferior e um potencial médio, mostrando que naquele momento funcionava abaixo de suas condições.
CONCLUSÃO: a displasia ectodérmica hipoidrótica é uma doença recessiva rara e etiologicamente heterogênea, caracterizada pelo envolvimento de estruturas originárias do tecido ectodérmico, como pele e cabelo. Dificuldades de atenção têm sido descritas em jovens com a doença. Contudo, estas usualmente não apresentam um impacto sobre o rendimento escolar. O rendimento intelectual dos pacientes, diferentemente de nosso caso, costuma estar preservado. Por isso, não sabemos se, no caso de nosso paciente, as exposições gestacionais e o fato também dele ter sido adotado podem ter tido algum impacto sobre o seu desempenho escolar e aprendizagem.

Correspondência
Rua Sarmento Leite, número 245/403 - Bairro Centro
90050-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Eficácia da Terapia Familiar Sistêmico-Integrativa em Casais com Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Márcia Pettenon, María Piedad Rangel Meneses, Luana Ferreira Oliveira, Daniela Melo, Dan Roger Pozza, Gustavo Antonio de Menezes Triaca, Laura Cardona, Meiriane Azeredo, Ygor Arzeno Ferrão

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre/UFCSPA

INTRODUÇÃO: Há várias comprovações científicas de que o tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) deve ser extensivo a quem coabita com o portador da patologia, uma vez que, inevitavelmente, o cônjuge também será afetado pelos rituais de enfrentamento da doença. Neste sentido, o objetivo deste estudo é avaliar a eficácia de 12 sessões estruturadas de Terapia Familiar Sistêmico-Integrativa (TFSI) em pacientes com TOC, juntamente com seus cônjuges, com relação à diminuição dos sintomas do transtorno e à melhora na qualidade da relação afetiva do casal. Trata-se de um estudo pioneiro que contemplará o relacionamento conjugal de pacientes com TOC.
MÉTODO: Participarão deste estudo, casais com idade a partir de 25 anos, onde um dos cônjuges seja portador do TOC.
DELINEAMENTO: Ensaio clínico randomizado simples-cego.
AMOSTRA: Serão selecionados (N30) casais, dos quais 15 deles (paciente com TOC e seu(sua) cônjuge) serão randomicamente alocados no Grupo de Interveção (GTFSI) onde receberão 12 sessões estruturadas durante 3 meses e os demais (N15) pacientes com TOC e seu(sua) cônjuge pertencerão ao Grupo de Lista de Espera (GCLE) sem intervenção. Todos os participantes de ambos os grupos serão avaliados no primeiro momento do estudo, passados 3 meses e após 1 ano da intervenção.
INSTRUMENTOS/ESCALAS: Family Accommodation Scale for Obsessive-Compulsive Disorder-Interviewer-Rated, Escala de Ajustamento Diádico, Avaliação da Qualidade em Relacionamentos Românticos, The Dimensional Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale, Sensory Phenomena Scale, World Health Organization Quality of Life Assessment, Escala Triangular do Amor de Sternberg, e Entrevista Clínica Estruturada para Transtornos de Eixo I do DSM-IV, versão clínica.
CONCLUSÃO: Assim, à medida que o cônjuge assimila que o portador do TOC expressa sinais e sintomas de uma doença - mas que além do transtorno existe um sujeito que necessita sentir-se apoiado e motivado a controlar tais sintomas -, ambos podem usufruir das partes saudáveis da relação conjugal.




Evolução dos sintomas de compulsão alimentar periódica um ano após cirurgia bariátrica e sua correlação com a perda do excesso de peso

Luciano Billodre Luiza; Letícia Manoel Debonb; Lívia Nora Brandalisea, Juliana Tainski de Azevedoa, Luiza Schmidt Heberlea, César Luís de Souza Britoc, Cláudio Corá Mottind

a Psiquiatra do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL/PUCRS.
b Grupo de Pesquisa em Psiquiatria do Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL/PUCRS.
c Coordenador do setor de Psiquiatria do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica da PUCRS.
d Coordenador do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL PUCRS.

Instituição: Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL PUCRS.

INTRODUÇÃO: A cirurgia bariátrica é a ferramenta mais eficaz para o tratamento e controle da obesidade classe II e III. Entretanto, alguns pacientes não obtêm o resultado desejado ou reganham peso. Continua sendo um desafio identificar e tratar precocemente estes indivíduos. Como a compulsão alimentar interfere diretamente na ingesta alimentar, o estudo deste sintoma, de sua correlação com a cirurgia bariátrica e de seus resultados vem aumentando, uma vez que parece influenciar nos resultados da cirurgia.
OBJETIVO: O objetivo do nosso estudo é verificar como a variação da intensidade da compulsão alimentar, aferida pela escala de compulsão alimentar periódica (ECAP), interfere na percentagem de perda do excesso de peso (%PEP) um ano após Bypass Gástrico em Y de Roux (BGYR).
METODOLOGIA: Realizamos um estudo transversal com 149 pacientes, maiores de 18 anos, que foram avaliados um ano após realizarem BGYP. A variação dos sintomas de compulsão alimentar foi aferida através da diferença do escore da TCAP do pós e do pré-operatório, Delta ECAP.
RESULTADOS: A variação de uma unidade na ECAP implica em uma variação inversa de 0,41 %PEP (p<0,05) (IC de -0,78 a -0,02). O coeficiente de correlação entre a variação sintomas de compulsão alimentar e a %PEP é de 0,186 (p=0,033). O coeficiente de correlação entre a intensidade dos sintomas de compulsão alimentar um ano após a cirurgia e a %PEP é de 0,353 (p<0,001).
CONCLUSÃO: Existe uma correlação entre a variação da intensidade dos sintomas de compulsão alimentar após um ano de BGYR e a %PEP. A correlação entre a compulsão alimentar e a %PEP é maior após a cirurgia do que no pré-operatório.

Correspondência
Avenida Ipiranga, 6690 sala 302. Bairro Jardim Botânico
Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 33205002




Síndrome de Wolf-Hirschhorn: uma condição genética frequentemente associada a alterações cognitivas, neurológicas e comportamentais

Victor Augusto Zanesi Maciel, Daniel Luccas Arenas, Roberta Andrejew, Caetano Matheus Amaral Makrakis, Thayná Miranda da Silva, Rafaella Mergener, Mariluce Riegel, Ygor Arzeno Ferrão, Rafael Fabiano Machado Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen

Instituição: LIPSAM - UFCSPA

A síndrome de Wolf-Hirschhorn (SWH) é uma doença genética resultante da deficiência ou deleção de parte do braço curto do cromossomo 4 (4p). Nosso objetivo foi relatar um paciente com a SWH identificada somente através de técnica de hibridização in situ fluorescente (FISH). Neste intuito, realizou-se a descrição do caso com uma revisão da literatura. O paciente é o segundo filho de pais adultos jovens, sem casos conhecidos de doenças genéticas na família. Nasceu de parto normal, a termo, pesando 2515 gramas, medindo 44 cm, com perímetro cefálico de 35 cm e escores de Apgar de 9/9. Ao nascer, necessitou de oxigenioterapia com ventilação mecânica e apresentou parada cardiorrespiratória. Evidenciou-se sopro cardíaco, sendo diagnosticada estenose de valvular pulmonar aos 4 meses. Necessitou ser submetido ao cateterismo nesta mesma época. Evoluiu com crises convulsivas, disfagia orofaríngea e importante atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Na sua avaliação com 1 ano e 9 meses, evidenciou-se retardo de crescimento, macrocefalia, sobrancelhas arqueadas, hipertelorismo, pregas epicânticas, ptose palpebral à esquerda, fosseta pré-auricular à esquerda, orelhas baixo implantadas e rotadas posteriormente, hipospádia frustra, dedos dos pés finos e longos e pé torto congênito à direita. O seu cariótipo de alta resolução foi normal. A avaliação através do FISH evidenciou uma microdeleção de 4p, confirmando o diagnóstico de SWH. O paciente evoluiu com crises convulsivas e alteração comportamental, com manifestações frequentes de agressividade (incluindo contra si mesmo). A SWH é uma condição genética rara que frequentemente cursa com alterações cognitivas, neurológicas e comportamentais. O déficit intelectual entre estes pacientes usualmente é moderado a grave. Eles podem apresentar uma deleção imperceptível ao cariótipo (no caso uma microdeleção), como visto em nosso paciente, necessitando de exames pouco acessíveis, como o FISH, para a confirmação diagnóstica. Um achado físico bastante característico e sugestivo do diagnóstico da síndrome é o chamado "sinal do capacete grego de guerra" (pela semelhança do aspecto do nariz e da fronte com o mesmo).

REFERÊNCIAS

1. Battaglia A, Carey JC, South ST. Wolf-Hirschhorn syndrome: A review and update. Am J Med Genet C Semin Med Genet. 2015 Aug 4.

2. Zorlu P, Eksioglu AS, Ozkan M, Tos T, Senel S. A rare subtelomeric deletion syndrome: Wolf Hirschhorn syndrome. Genet Couns. 2014;25(3):299-303.

3. Bailey R. Wolf-Hirschhorn syndrome: a case study and disease overview. Adv Neonatal Care. 2014 Oct;14(5):318-21.




Fosfato sérico está associado à melhora clínica de pacientes com Transtorno de Pânico submetidos à terapia cognitivo comportamental em grupo: um ensaio aberto.

Pedro Lombardi Beria, Ana Cristina Wesner Viana, Andressa Behenck, Mariane Bermudez, Debora Finkler, Gisele Gus Manfro, Carolina Blaya

Instituição: HCPA

OBJETIVOS: O objetivo do presente estudo é avaliar o nível de fosfato sérico como um possível biomarcador da melhora de pacientes com transtorno de pânico à terapia cognitivo comportamental em grupo.
MÉTODOS: Os pacientes foram incluídos no estudo após serem diagnosticados com transtorno de pânico através de uma entrevista estruturada (Mini International Neuropsychiatric Interview ) realizada por um residente em psiquiatria. A severidade dos sintomas foi medida pelas seguintes escalas psicométricas (Panic Disorder Severity Symptoms Scale, Clinical Global Impression, Hamilton Anxiety Rating Scale and the Beck, Depression Inventory) antes e após o tratamento proposto. Todos os pacientes foram submetidos a 12 sessões estruturadas de terapia cognitivo- comportamental em grupo para transtorno de pânico e tiveram seu sangue coletado no início do estudo e após o tratamento para medir os níveis de fosfato. Além disso, glicose em jejum, hemograma completo , TSH , PTH , cálcio ionizado e os níveis de creatinina foram mensurados a fim de excluir a comorbidades clínicas .
RESULTADOS: Quarenta e cinco pacientes foram avaliados. Oito pacientes foram excluídos por condições metabólicas que pudessem alterar os níveis de fosfato e sete pacientes abandonaram o tratamento. Trinta pacientes tiveram amostras de sangue coletadas e completaram o tratamento. O nível médio de fosfato antes do tratamento foi 2,45 (DP 0,53) e após o tratamento 3,43 (DP 0,57), (P<0,001). O escore médio de CGI antes do tratamento foi 4,33 (DP 0,711) e após 2,37 (0,718), (P < 0,001). O escore médio de HAM-A antes do tratamento foi 30,60 (DP 7,9) e após 14,13 (DP 7,6), (P<0,001). O escore médio de PDSS antes do tratamento foi de 15,57 (DP 4,216) e após 7,20 (DP 4,06), (P< 0,001). A correlação de Pearson foi estatisticamente significativa para a análise entre a variação de todas as escalas psicométricas e a variação nível de fosfato, com os seguintes resultados: CGI (-3,82), PDSS (-3,62), BDI (- 4,64), HAM-A (-0,505).
CONCLUSÃO: Os resultados de nosso estudo indicam que há alterações no nível de fosfato após tratamento psicoterapêutico eficiente em pacientes com Transtorno de Pânico. Os níveis de fosfato podem ser estudados como um possível marcador de hiperventilação crônica no transtorno do pânico e um preditor de resposta a diferentes modalidades de tratamento.

Correspondência
Rua Ramiro Barcelos 2400
Telefone : 051 92272408




Tabagismo e transtornos cognitivos e mentais: avaliação dessa relação em idosos do município de Porto Alegre-RS/Brasil

Francisco Pascoal Jr, Alfredo Cataldo Neto, Bruno Luiz Guidolin, Eunice Neves de Assis, Adriana da Silva Lessa, Andrews Teer

Instituição: PUCRS

OBJETIVO: determinar a associação entre tabagismo e os transtornos cognitivos e mentais em idosos e suas associações com as características sócio-demográficas em uma amostra de pacientes do município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
METODOLOGIA: estudo descritivo, transversal e com coleta prospectiva, com aplicação do Mini International Neuropsychiatric interview, Questionário de Avaliação Global do Idoso e Avaliação Neuropsicológica do CERAD (Consotum to Establish a Registry for Alzheimer Disease) em 580 idosos com 60 anos ou mais.
RESULTADOS: dos 580 idosos, há maior prevalência para homens (73,3%), faixa etária entre 60-69 anos (24,0%), solteiros (65,3%), viúvos (61,3%), sem renda (28,9%), fobia específica (28,4%), fobias agrupadas (26,9%), dependência de álcool atual (62,5%) e dependência de álcool na vida (41,2%). Houve maior dificuldade em parar de fumar em idosos com: episódio depressivo maior ao longo da vida (67,0%), fobia específica (65,4%), fobias agrupadas (66,4%), dependência de álcool atual (64,7%) e ao longo da vida (65,5%) e qualquer transtorno de ansiedade (66,7%). Idosos com dependência de álcool atual e fobias agrupadas apresentam 2,8 e 1,5 vezes maior a prevalência de tabagismo atual, respectivamente. Idosos com risco de suicídio possuem 1,3 vez maior a prevalência de apresentarem tabagismo na vida. E idosos com dependência de álcool na vida e transtorno do humor bipolar apresentam 1,4 e 1,6 vezes maior a prevalência de tabagismo na vida, respectivamente. Idosos com demência possuem 1,4 vezes maior prevalência para terem parado de fumar se comparados aos idosos sem demência.
CONCLUSÕES: esses resultados apontam para a presença de transtornos mentais em idosos tabagistas, chamando a atenção para algumas características sociodemográficas e associações com alguns transtornos, que podem fazer a diferença no diagnóstico e tratamento dessas patologias.




Mucopolissacaridose do tipo III-C: um erro inato do metabolismo caracterizado por alterações cognitivas, neurológicas e comportamentais

Victor Augusto Zanesi Maciel, Daniel Luccas Arenas, Matheus Amaral Makrakis, Thayna Miranda da Silva, Ernani Bohrer da Rosa, Danielle Bernardi Silveira, Jamile Dutra Correia, Ygor Arzeno Ferrão, Rafael Fabiano Machado Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen

A mucopolissacaridose do tipo III (MPS-III), também conhecida com doença de Sanfilippo, é uma doença genética autossômica recessiva rara, decorrente de um erro inato do metabolismo. Nosso objetivo foi relatar duas irmãs apresentando o diagnóstico de MPS-III-C. Com este intuito, realizou-se o relato dos dois casos, juntamente com uma revisão da literatura. A primeira paciente é o quarto filho de pais consanguíneos. Ela evoluiu com atraso de desenvolvimento neuropsicomotor. Na sua avaliação, aos 6 anos, notou-se epicanto bilateral, telecanto, raiz nasal baixa e larga, hirsutismo e pés cavus. Não havia hepatoesplenomegalia. A criança caminhava na ponta dos pés e falava somente frases incompletas. Ela estava para frequentar a escola especial. Não possuía história de crises convulsivas. Na sua avaliação radiográfica, evidenciou-se osteopenia, clavículas alargadas, sinais de moderada expansão e deficiência de modelamento da diáfise de ambos os úmeros que apresentavam aspecto tubular, arqueamento lateral de ambos os rádios e aspecto cilíndrico dos metacarpianos e falanges de ambas as mãos. A sua irmã de 11 anos apresentava alteração comportamental, com importante agitação psicomotora e dificuldade escolar. Iniciou com crises convulsivas aos 7 anos. Estava em uso de risperidona, ácido valproico, carbamazepina e prometazina. Seus achados faciais eram similares, acrescidos de cabelos secos, sobrancelhas espessas e cílios longos. A avaliação metabólica de ambas as irmãs evidenciou a presença de heparan sulfato na urina e diminuição da dosagem da enzima acetilCoa glicosamina N-acetiltransferase em leucócitos. Estes resultados foram compatíveis com o diagnóstico de MPS-III-C. Pacientes com MPS-III-C apresentam um quadro neurodegenerativo grave de início precoce, com proeminentes distúrbios de cognição, comportamento e convulsões. Diferentemente do quadro clássico das mucopolissacaridoses, a MPS-III usualmente apresenta um menor envolvimento esquelético e de órgãos internos, como o fígado e o baço. O diagnóstico é importante tanto para melhorar o tratamento de suporte dos pacientes como para o aconselhamento genético da família. Nestes casos, os pais apresentam um risco de recorrência para um filho afetado de 25%.

REFERÊNCIAS

1. Andrade F, Aldámiz-Echevarría L, Llarena M, Couce ML. Sanfilippo syndrome: Overall review. Pediatr Int. 2015 Jun;57(3):331-8.

2. Gilkes JA, Heldermon CD. Mucopolysaccharidosis III (Sanfilippo Syndrome)- disease presentation and experimental therapies. Pediatr Endocrinol Rev. 2014 Sep;12 Suppl 1:133-40.

3. Wijburg FA, Węgrzyn G, Burton BK, Tylki-Szymańska A. Mucopolysaccharidosis type III (Sanfilippo syndrome) and misdiagnosis of idiopathic developmental delay, attention deficit/hyperactivity disorder or autism spectrum disorder. Acta Paediatr. 2013 May;102(5):462-70.




Sobre Heróis e Anti-heróis: Anslisando Deadpool

Liliana Soibelmana, Gustavo Soibelmanb

a Médica Psiquiatra, membro da SPPA.
b Acadêmico da Faculdade de Medicina da PUC RS

Umberto Eco sugeriu que o público culto deveria oferecer tanta atenção às histórias em quadrinhos (HQ), quanto às óperas, para que se pudesse estudá-las sem preconceitos.
Ao atendermos crianças e adolescentes, em terapia, precisamos conhecer os assuntos de seu interesse. Buscamos compreender o material simbólico, que pode se apresentar através de associações, de sonhos, desenhos, brinquedos, histórias ou filmes que nos contam...
Independentemente do gênero literário, podemos analisar o conteúdo das histórias a partir do referencial psicanalítico. Procuramos compreender os heróis das HQs sob vários aspectos, desde sua criação na virada do século X X , sua evolução e transformações ao longo do tempo, chegando aos dias atuais.
Estimulados pelo anti-herói "Deadpool" - personagem de de HQ, que virou um filme -, tratamos de realizar algumas reflexões.




Grupo Operativo/Terapêutico: um espaço de construção de uma nova subjetivação e de autonomia para pacientes com psicose crônica

GONÇALVES DO AMARAL, Antônio Carlosa

a Médico psiquiatra no CAPS II de Ijuí (RS), coordenador do serviço de saúde mental do H.C.I. Ijuí (RS), aluno do Doutorado em Educação nas Ciências na UNIJUÍ-Área de pesquisa: Educação em Saúde Mental.

O estudo objetiva analisar através de um grupo operativo/terapêutico de frequência semanal no CAPS II de Ijuí (RS) a possibilidade de uma nova subjetivação e o quanto de autonomia seus participantes (pacientes psicóticos) estão conquistando. Questiona-se através de uma pesquisa qualitativa com seus familiares, que participam do grupo uma vez por mês, o quanto uma nova vivência de subjetivação desses pacientes é possível e assim contribuir no processo de construção de sua autonomia e cidadania. Os resultados mostram que esse espaço de subjetivação pode se constituir, por si só, num processo de educação em saúde mental, qual seja ajudar a criar as condições de comunicação entre os pacientes e seus familiares, contribuindo para uma nova subjetivação e autonomia dos pacientes. Concluímos que o grupo operativo/terapêutico é um importante espaço para uma nova subjetivação dos pacientes com psicose crônica, ajudando-os a experenciar o quanto podem se assumir conquistando, assim, sua autonomia possível e educar a seus familiares a aprenderem a conviver e respeitar as diferenças.

Palavras-chave: Psicose. Educação. Subjetivação. Autonomia.

Correspondência
cons.amaral@hotmail.com




Aniridia associada a déficit intelectual em uma criança apresentando deleção do braço curto do cromossomo 11: síndrome WAGR

Matheus Amaral Makrakis, Victor Augusto Zanesi Maciel, Daniel Luccas Arenas, Thayná Miranda da Silva, Stefani Malheiros, Kerly Mayumi Kimura, Luiza Emy Dorfman, Ygor Arzeno Ferrão, Rafael Fabiano Machado Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen

Instituição: LIPSAM - UFCSPA

O acrônimo WAGR diz respeito a uma síndrome que cursa com tumor de Wilms, Aniridia, anomalias do trato Geniturinário e Retardo mental/déficit intelectual. Relatamos aqui um paciente com diagnóstico de síndrome WAGR, resultante de uma deleção do braço curto do cromossomo 11. Para isso, realizou-se o relato do caso e uma revisão da literatura. O paciente era um menino de 8 anos e 9 meses com história de anirirdia e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e de fala. Começou a sentar sem apoio com cerca de 1 ano, a caminhar sozinho com 1 ano e 9 meses e a pronunciar as primeiras palavras com 3 anos. Apresentava história de comportamento agressivo, especialmente quando contrariado, e usualmente não brincava com as demais crianças. Quando brincava sozinho, ficava balançando as mãos e os braços. A avaliação oftalmológica havia evidenciado também catarata e subluxação do cristalino esquerdo. O eletroencefalograma mostrou sinais de epilepsia rolândica da infância. Contudo, não apresentava descrição de crises convulsivas. Estava em uso de risperidona e ácido valproico. Evoluiu com quadro de enurese. Ao exame físico, aos 8 anos e 9 meses, observou-se também obesidade: ele pesava 39,5 Kg (acima do percentil 97) e media 133 cm (percentil 50-75). A ecografia abdominal foi normal. A avaliação cariotípica evidenciou a presença de uma deleção intersticial do braço curto de um dos cromossomos 11, envolvendo a região p13-p14. O exame de cariótipo dos pais foi normal. A síndrome WAGR resulta de uma pequena deleção envolvendo o braço curto do cromossomo 11, como observado em nosso paciente, onde se localizam os genes WT1, PAX6 e BDNF, sendo que este último vem sendo associado à obesidade. Nosso relato salienta a importância do diagnóstico da síndrome WAGR em casos de indivíduos portadores de aniridia. Este é de grande importância em longo a prazo, tanto pelo risco de desenvolvimento de tumor de Wilms e pela presença de anomalias do trato urinário que podem levar a um possível acometimento da função renal como pela detecção de um possível déficit intelectual (verificada em até 70% dos casos), que pode levar a dificuldades escolares e de aprendizado, como verificadas em nosso paciente. Pacientes com a síndrome WAGR podem também apresentar anormalidades comportamentais, com sintomas autistas, além de alterações neurológicas, como hipotonia e epilepsia.

REFERÊNCIAS

1. Fischbach BV, Trout KL, Lewis J, Luis CA, Sika M. WAGR syndrome: a clinical review of 54 cases. Pediatrics. 2005 Oct;116(4):984-8.

2. Clericuzio C, Hingorani M, Crolla JA, van Heyningen V, Verloes A. Clinical utility gene card for: WAGR syndrome. Eur J Hum Genet. 2011 Apr;19(4).

3. Hingorani M, Moore A. Aniridia. In: Pagon RA, Adam MP, Ardinger HH, Wallace SE, Amemiya A, Bean LJH, Bird TD, Dolan CR, Fong CT, Smith RJH, Stephens K, editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2015. 2003 May 20 [updated 2013 Nov 14].




(Re)construindo sentidos: possibilidades e intervenções com crianças vítimas de violência sexual

Maiara Castro de Freitasa, Anahy Silveira Freitas Azambuja de Oliveirab

a Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS.
b Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI Campus Santiago.

Pretende-se apresentar, discutir e explorar a experiência de estágio curricular profissional em Psicologia, bem como intervenções realizadas no Cartório de Proteção à Criança e ao Adolescente - CPCA de uma Delegacia de Polícia Civil - DP do interior do estado do Rio Grande do Sul, junto a duas agentes que compunham tal seção. Durante dois anos, foram acompanhados inúmeros casos de crianças e adolescentes encaminhados ao serviço. Realizaram-se escutas e acompanhamentos às vítimas de qualquer modo de violência, e, posteriormente, ofertaram-se encaminhamentos ao serviço psicológico da Clínica-Escola de Psicologia da universidade, bem como aos demais serviços de assistência social e saúde do município. Percebeu-se que a maior demanda de casos tratava-se de abuso sexual, o qual refletia momento de extrema angústia aos pequenos que necessitavam de empatia e acolhimento e às profissionais. As consequências do abuso sexual possuem ampla descrição. Diante disso, buscou-se um reconhecimento da necessidade da intervenção de um profissional habilitado e familiarizado com o trato da infância e adolescência, identificado na figura do psicólogo. As agentes, no decorrer desta prática, confirmaram a importância das capacitações permanentes, do auxílio da psicologia na abordagem destes casos e da possibilidade de articulação com a rede de proteção. No entanto, observase, com pesar, que não existem regularidade e uniformidade de condições especiais e protetivas à oitiva das vítimas de situações de abuso sexual. Porém, nessa instituição, houve movimento crescente e importante em preservar esses sujeitos do constrangimento e revitimização, admitindo a inadequação das condições oferecidas e o desconforto para a tomada desse depoimento e no decorrer do inquérito.

Correspondência
Maiara Castro de Freitas
Rua Marechal Mallet, n. 701, Bairro Monsenhor Assis
Santiago, RS, Brasil
E-mail: freitas_may@hotmail.com

Anahy Silveira Freitas Azambuja de Oliveira
Rua Benjamin Constant, n. 155/4° andar, Bairro Centro
Santiago, RS, Brasil
E-mail: psicanahy@urisantiago.br




Relato de caso: uso de dose muito alta de Olanzapina no tratamento de psicose resistente

César Antônio Caldarta, Alex Vicente Spadinia, André Kracker Imthona, Monise Costanzia, Malu Joyce de Amorim Macedo1, Madeleine Scop Medeiros2

a Médico Residente do Programa de Residência Médica em Psiquiatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)/ Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV)
b Preceptora da Internação Psiquiátrica do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV)

Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)/ Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV)

OBJETIVO: Relatar o quadro psiquiátrico de paciente com quadro de mania aguda e psicose que apresentou melhora dos sintomas psicóticos com doses de Olanzapina acima da dose máxima habitual (foi usada dose de 60mg por dia, sendo que o recomendado é usar até 20 mg por dia).
METODOLOGIA: Relato de caso de paciente feminina, 36 anos, acompanhada no Serviço de Psiquiatria (Internação Psiquiátrica) do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (Porto Alegre-RS) por apresentar quadro de mania aguda e psicose com agitação psicomotora proeminente resistente a diversos medicamentos antipsicóticos (incluindo altas doses de Haloperidol, Clorpromazina e Risperidona).
CONCLUSÃO: Neste relato de caso verificou-se que o uso de alta dose de Olanzapina foi bastante eficaz e seguro. O quadro psiquiátrico de mania aguda e psicose com importante agitação psicomotora resistente a diversos medicamentos antipsicóticos (incluindo altas doses de Haloperidol, Clorpromazina e Risperidona) mostrou-se remitido em cerca de 48 horas de uso de 60 mg de Olanzapina por dia. Apesar de vários estudos tratarem sobre altas doses de Olanzapina em pacientes com esquizofrenia refratária a outros antipsicóticos, são necessários mais estudos sobre a eficácia deste regime de tratamento em pacientes com psicose associada a mania aguda.

Correspondência
Rua Coronel Corte Real n°479/ Apto 101, Bairro Petrópolis
90630-080 Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: cesar_antoniocaldart@hotmail.com
Telefone para contato (César): (54) 91571284




Síndrome de deleção 22q11: uma doença genética comum frequentemente associada a alterações cognitivas e transtornos psiquiátricos

Matheus Amaral Makrakis, Daniel Luccas Arenas, Victor Augusto Zanesi Maciel, Thayná Miranda da Silva, Laís Gianotti Tsugami, Carla Papandreus da Silveira, Marcelo Rosembergas Vilas Boas, Ygor Arzeno Ferrão, Rafael Fabiano Machado Rosa, Paulo Ricardo Gazzola Zen

A síndrome de deleção 22q11 (ou síndrome Velocardiofacial/DiGeorge) (SD22q11) é atualmente considerada uma das doenças genéticas mais comuns em humanos. Nosso objetivo foi relatar o caso de uma paciente com diagnóstico de SD22q11, salientando o envolvimento cognitivo e psiquiátrico associado à síndrome. Para isso, realizou-se a descrição do caso, junto com uma revisão da literatura. A paciente é uma menina de 3 anos e 4 meses, avaliada inicialmente no período perinatal devido a diagnóstico de interrupção do arco aórtico do tipo A. A paciente foi submetida à cirurgia cardíaca pouco tempo depois. A criança evoluiu após a cirurgia com hipocalcemia de difícil controle, tendo recebido na época diagnóstico de hipoparatireoidismo. O ultrassom abdominal realizado durante a hospitalização evidenciou também agenesia do rim à esquerda. No exame físico, realizado aos 23 dias de vida, a paciente apresentava estrabismo intermitente, palato alto, micrognatia, orelha direita rotada para trás e esquerda em fauno, e pequena hérnia umbilical. O resultado do cariótipo foi normal. Contudo, a avaliação através da técnica de hibridização in situ fluorescente (FISH) confirmou a suspeita clínica de SD22q11. No acompanhamento da paciente, observou-se que ela evoluiu com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, dificuldade de fala e alteração comportamental. A SD22q11 é uma condição cuja prevalência estimada chega a ser de até 1 para cada 2.000 nascimentos. Ela é bastante subdiagnosticada, pois usualmente escapa à detecção através do cariótipo, sendo detectada através de técnicas específicas como o FISH. Até o momento, mais de 180 achados clínicos já foram descritos e incluem tanto alterações cognitivas como transtornos psiquiátricos, tal como verificado em nossa paciente. Durante a infância e adolescência são comuns os diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, de transtorno obsessivo compulsivo e de transtornos do espectro autista. Na adolescência tardia e fase adulta parece ocorrer uma mudança no perfil psiquiátrico dos pacientes com a síndrome, sendo que até um terço deles desenvolve doenças psicóticas, sendo as mais frequentes a esquizofrenia e o transtorno esquizoafetivo. Assim, nosso objetivo principal é chamar a atenção de psiquiatras e psicólogos que lidam com crianças e adolescentes quanto à possibilidade do diagnóstico da SD22q11 nestas situações, o que auxiliaria no melhor manejo e tratamento destes pacientes.

REFERÊNCIAS

1. Hacıhamdioğlu B, Hacıhamdioğlu D, Delil K. 22q11 deletion syndrome: current perspective. Appl Clin Genet. 2015 May 18;8:123-32.

2. Rosa, Rafael Fabiano M; Zen, Paulo Ricardo G; Roman, Tatiana; Graziadio, Carla; Paskulin, Giorgio Adriano. Síndrome de deleção 22q11.2: compreendendo o CATCH22. Rev Paul Pediatr;27(2):211-220, jun. 2009.

3. Squarcione C, Torti MC, Di Fabio F, Biondi M. 22q11 deletion syndrome: a review of the neuropsychiatric features and their neurobiological basis. Neuropsychiatr Dis Treat. 2013;9:1873-84.




Temperamento emocional e afetivo em pacientes obesos tabagistas candidatos à cirurgia bariátrica

Karin Daniele Mombacha,b, Daniela Schaan Casagrandeb, Alexandre Vontobel Padoinb,c, Cláudio Corá Mottin b,c, César Luís de Souza Britob,c

a Mestre em Medicina e Ciências da Saúde do Programa de Pós Graduação da PUCRS.
b Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica da PUCRS.
c Professor da Faculdade de Medicina da PUCRS.

INTRODUÇÃO

Obesidade e tabagismo são dois grandes problemas de saúde pública e fatores de risco independentes para a saúde,1 e a associação de ambos aumenta o risco de mortalidade. 2 As prevalências de tabagismo em candidatos a cirurgia bariátrica variam de 16% a 38%.3-5 Existem algumas evidências de que tabagistas possuem temperamentos distintos de não tabagistas. Consideramos que certos traços de temperamento podem estar associados a características especificas de subgrupos de cirurgia bariátrica que podem ser associados à expressão de comportamentos não adaptativos destes traços dificultando a adesão a determinadas intervenções terapêuticas. O objetivo do trabalho foi avaliar a associação entre fumantes, ex-fumantes e não fumantes e as características de temperamento através da escala AFECTS6 em candidatos à cirurgia bariátrica.

MÉTODO

Participantes e delineamento


Realizamos um estudo transversal com 420 registros médicos de pacientes submetidos à avalição psiquiátrica pré-operatória no Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica (COM-PUCRS) entre junho/2011 e novembro/2012. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital São Lucas da PUCRS (protocolo 11/05563). Critérios de inclusão: 18-65 anos de idade e IMC≥35 kg/m2. Critérios de exclusão: comprometimento cognitivo, problemas no preenchimento do questionário e presença de psicopatologia sem qualquer controle. A avaliação psiquiátrica foi realizada por um psiquiatra utilizando um protocolo de pesquisa sistemático que listou todas as doenças psiquiátricas relevantes do Eixo I do DSM-IV-TR. O questionário AFECTS6 foi preenchido pelos pacientes. Testamos as hipóteses: amostra sem medicação psiquiátrica no momento da entrevista psiquiátrica; testamos um subgrupo com IMC > 50 kg/m2.

Tabagismo

Os voluntários foram classificados conforme seu status tabágico4 em: FUMANTE ATUAL: fumou 100 ou mais cigarros na vida e ainda estiver fumando diariamente ou na maioria dos dias; NÃO FUMANTE: nunca fumou ou fumou menos de 100 cigarros durante a vida e não fuma atualmente; EX-FUMANTE: fumou mais de 100 cigarros na vida e atualmente não fuma por mais de 90 dias.

Escala Composta de Temperamento Afetivo e Emocional - AFECTS6

É uma escala de auto avaliação breve com boas propriedades psicométricas. Fornece uma avaliação global e específica do temperamento com seis dimensões emocionais e doze temperamentos afetivos. Os escores combinados também fornecem escores sintéticos do funcionamento emocional global, instabilidade afetiva, internalização e externalização. É um instrumento que pode ser utilizado na prática clínica e na pesquisa em saúde mental

RESULTADOS

As características da amostra estão descritas na Tabela 1



Não houve diferença estatisticamente significativa entre os escores do AFECTS em relação ao status tabágico em pacientes candidatos à cirurgia bariátrica, mesmo quando ajustado para idade e sexo. Quando os pacientes que utilizavam medicação psiquiátrica foram excluídos (n=95), a média dos fumantes obtiveram escores menores na dimensão de Controle do que os não fumantes (39,7±11,2; 44,1±9,8; P=0,032), mesmo quando ajustado para idade e sexo (P=0,009; tamanho do efeito: 0,16). Fumantes tiveram escores mais elevados no temperamento ansioso do que ex-fumantes (mediana 3[2-4] percentil; mediana 2[1-4] percentil; P=0,007) e não fumantes (mediana 3[2-4] percentil; mediana 2[1-4] percentil; P=0,005). No subgrupo IMC>50 kg/m2, após ajustar para idade e sexo os ex-fumantes tiveram escores maiores em Enfrentamento (P=0,018) e Controle (P=0,023) em relação aos fumantes.

CONCLUSÃO

Nosso estudo descobriu que os obesos fumantes tiveram escores elevados no temperamento ansioso bem como escores menores na dimensão Controle do que os não fumantes quando controlados por medicação psiquiátrica. Fumantes com IMC>50 kg/m2 apresentaram escores menores em Enfrentamento e Controle que os ex-fumantes. Estes dados reforçam a necessidade de abordagens mais cuidadosas em relação à avaliação psiquiátrica do temperamento e do tabagismo e no tratamento de pacientes bariátricos.

REFERÊNCIAS

1. Ezzati M, Lopez AD, Rodgers A, et al. Selected major risk factors and global and regional burden of disease. Lancet. 2002; 360: 1347-1360.

2. Field AE, Coakley EH, Must A, et al. Impact of overweight on the risk of developing common chronic diseases during a 10-year period. Arch Intern Med. 2001/07/24 ed. 2001; 161: 1581-1586.

3. Koster A, Leitzmann MF, Schatzkin A, et al. The combined relations of adiposity and smoking on mortality. Am J Clin Nutr. 2008; 88: 1206-1212.

4. Chatkin R, Mottin CC, Chatkin JM. Smoking among morbidly obese patients. BMC Pulm Med. 2010; 10: 61.

5. Levine MD, Kalarchian MA, Courcoulas AP, et al. History of smoking and post-cessation weight gain among weight loss surgery candidates. Addict Behav. 2007; 32: 2365-2371

6. Lara DR, Bisol LW, Brunstein MG, et al. The Affective and Emotional Composite Temperament (AFECT) model and scale: a system-based integrative approach. J Affect Disord. 2011/10/08 ed. 2012; 140: 14-37.

Correspondência
Karin Daniele Mombach
E-mail: karindm@gmail.com




Visita ao Hospital Psiquiátrico São Pedro

Amanda Hoffmeister Hassmann, Karoline Barbisan Vieira, Ivan Gonçalves de Almeida Júnior, Daniel Luccas Arenas, Victor Augusto Zanesi, Maciel

Instituição: LIPSAM - UFCSPA

INTRODUÇÃO A atividade de visita ao Hospital Psiquiátrico São Pedro buscou aumentar o conhecimento dos estudantes da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) sobre a realidade das políticas em Saúde Mental - drasticamente modificada após a Reforma Psiquiátrica em meados dos anos 70 - porém, ainda há uma visão ultrapassada sobre o assunto, trazendo a necessidade de atualizar futuros profissionais da saúde sobre esse assunto.
OBJETIVOS As mudanças no funcionamento do HPSP são reflexo da implementação do novo sistema de saúde. Faz-se necessário que os estudantes estejam informados sobre das novas instituições e novos tratamentos que promovem melhoras na saúde mental, como os Centros de Assistência Psicossocial, Serviços de Comunidade Terapêuticas, Centros de Convivência e Ambulatórios de Saúde Mental, que trabalham o modelo biopsicossocial e desvinculam-se do antigo modelo manicomial fadado ao fracasso. Desse modo, ao visitar o HPSP, o estudante se torna ciente dessas mudanças político-sociais.
METODOLOGIA A visita foi composta de três etapas. Primeiramente, o grupo participou de palestra com funcionários do local - um psiquiatra e uma psicóloga - que expuseram a realidade da instituição e dialogaram com os visitantes. Em seguida, visitou-se a Ala de Internação Madre Matilde, possibilitando contato com internos. Por último, o grupo visitou o museu do hospital, onde o historiador Edson Cheuiche trouxe uma retrospectiva das atividades do HPSP. O público alvo do projeto baseou-se majoritariamente em estudantes da UFCSPA, além da comunidade externa.
RESULTADOS E CONCLUSÕES Através da visita ao Hospital Psiquiátrico São Pedro, os estudantes puderam perceber as mudanças surgidas da evolução do modelo de atenção à saúde mental de caráter biopsicossocial em que o respeito pela subjetividade do indivíduo traz a humanização do sujeito. O contato foi enriquecedor, pois com isso pôde-se entender mais como funciona o sistema vigente e desmistificou os tabus em torno de hospitais psiquiátricos.




As Estruturas de Interação na Psicoterapia Psicodinâmica de uma Menina com Transtorno de Adaptação

Fernanda Munhoz Driemeier Schmidt, Vera Regina Röhnelt Ramires

Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS

As pesquisas de processo de psicoterapia envolvem uma análise detalhada dos processos terapêuticos específicos durante o curso de um tratamento. Nesse sentido, elas buscam ir ao encontro da necessidade crescente de poder aliar a pesquisa com a prática clínica. O estudo das estruturas de interação pode informar terapeutas do que pode ser esperado de pacientes com determinados padrões de sintomas ou comportamentos em sua prática clínica e como isso pode variar ou não durante o processo terapêutico. Com isso, o objetivo desse estudo foi a analisar o processo psicoterapêutico psicodinâmico e as estruturas de interação formadas no decorrer do tratamento psicoterápico de uma criança. Tratou-se de um estudo descritivo, longitudinal e naturalístico, adotando o procedimento de estudo de caso único sistemático. Participaram deste estudo uma menina de oito anos de idade no início da psicoterapia e sua terapeuta. A paciente foi diagnosticada com Transtorno de Adaptação e acompanhada durante 40 sessões de psicoterapia. Todas as sessões foram filmadas e analisadas através do Child Psychotherapy Q-Set (CPQ). Os resultados revelaram como ocorreu o processo de psicoterapia da menina. Foram identificadas cinco estruturas de interação: "Terapeuta sintonizada e com postura interpretativa com criança ativa, expressiva e demandante", "Terapeuta sensível e suportiva com criança retraída", "Terapeuta didática e diretiva com criança agressiva e defensiva (projetiva)", "Terapeuta diretiva com criança dependente, resistente e envergonhada", "Terapeuta receptiva e apoiadora com criança ansiosa". Elas descrevem matrizes de transferência e contratransferência positivas e negativas. Duas dessas estruturas variaram ao longo do tempo de tratamento.

Correspondência
E-mail: fernandadriemeier@hotmail.com




Perfil clínico, demográfico e psiquiátrico de candidatos à cirurgia bariátrica conforme seu status tabágico

Karin Daniele Mombacha,b, Luiza Schmidt Heberlea,b, Luciano Bilondre Luiza,b, Juliana Tainski de Azevedob, Lívia Brandaliseb, Cláudio Corá Mottinb,c, César Luís de Souza Britob,c

a Mestre em Medicina e Ciências da Saúde do Programa de Pós Graduação da PUCRS.
b Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica da PUCRS.
c Professor da Faculdade de Medicina da PUCRS.

INTRODUÇÃO

Indivíduos que pretendem realizar cirurgia bariátrica possuem alta prevalência de transtornos mentais. Sarwer et al.1 demonstraram em seu estudo (n=90) que 62,2% dos candidatos à cirurgia bariátrica tinham ao menos um diagnóstico psiquiátrico, sendo o transtorno depressivo maior o diagnóstico mais comum. Kalarchian et al.2 demonstraram que 66% dos participantes (n=288) tinham historia de ao menos um transtorno psiquiátrico ao longo da vida e 38% na ocasião da avaliação pré-cirúrgica. Assim como a obesidade, o tabagismo é um sério problema de saúde pública e principal causa de morte evitável no mundo. Conforme dados da OMS,3 22% (cerca de 1,2 bilhões de pessoas) da população mundial acima de 15 anos de idade é fumante. A prevalência de fumantes no Brasil em 2008 era de 17,2% (21,6% homens e 13,1% mulheres).4 Koster et al.5 demonstraram que ter um IMC ≥ 35 kg/m2 e fumar aumenta em cerca de seis a oito vezes o risco de morte quando se compara com indivíduos com IMC normal que nunca fumaram. A estimativa de prevalência do tabagismo antes da cirurgia bariátrica varia de 16% a 38%.6-8

MÉTODO

Participantes e delineamento


Foi realizado um estudo transversal com os dados de 420 registros médicos de pacientes que fizeram a avaliação psiquiátrica para realização de cirurgia bariátrica no Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica (COM-PUCRS) entre junho/2011 e novembro/2012. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital São Lucas da PUCRS (protocolo 11/05563). Critérios de inclusão: 18-65 anos de idade e IMC ≥ 35 kg/m2. Critérios de exclusão: comprometimento cognitivo. A avaliação psiquiátrica foi realizada por um psiquiatra utilizando um protocolo de pesquisa sistemático. Foi realizada uma comparação dos perfis demográfico, clínico e psiquiátrico entre pacientes fumantes, não fumantes e ex-fumantes

Tabagismo:

Os voluntários foram classificados conforme seu status tabágico 4 em: FUMANTE ATUAL: fumou 100 ou mais cigarros na vida e ainda estiver fumando diariamente ou na maioria dos dias; NÃO FUMANTE: nunca fumou ou fumou menos de 100 cigarros durante a vida e não fuma atualmente; EX-FUMANTE: fumou mais de 100 cigarros na vida e atualmente não fuma por mais de 90 dias.

RESULTADOS

As características da amostra estão descritas na Tabela 1 e 2





CONCLUSÃO

Concluímos que não houveram muitas diferenças estatisticamente significativas em relação aos três grupos (fumantes, não fumantes e ex-fumantes). Todavia o grupo de fumantes apresentou mais hospitalizações psiquiátricas, maior consumo de drogas, incluindo maconha e cocaína e mais transtornos psiquiátricos no momento da entrevista pré-operatória em relação aos não fumantes. Os ex-fumantes tiveram maior histórico familiar psiquiátrico, maior histórico de consumo de álcool e drogas (maconha e cocaína também) e mais diagnósticos psiquiátricos prévios e atuais que os não fumantes. Estes dados corroboram nossa experiência clínica com pacientes obesos de que as populações com dependência ao tabaco seriam mais vulneráveis ao consumo de álcool e drogas e teriam uma prevalência maior de transtornos mentais.

REFERÊNCIAS

1. Sarwer DB, Cohn NI, Gibbons LM, et al. Psychiatric diagnoses and psychiatric treatment among bariatric surgery candidates. Obes Surg. 2004; 14(9): 1148-56.

2. Kalarchian MA, Marcus MD, Levine MD, et al. Psychiatric disorders among bariatric surgery candidates: relationship to obesity and functional health status. Am J Psychiatry. 2007; 164(2): 328-34; quiz 74.

3. WORLD HEALTH ORGANIZATION WHO. WHO global report: mortality attributable to tobacco. 2012 [cited 2012 26 agosto; Available from http://www.who.int/tobacco/publications/surveillance/rep_mortality_attributable/en/index.html

4. Almeida L, Szklo A, Sampaio M, et al. Global Adult Tobacco Survey Data as a Tool to Monitor the WHO Framework Convention on Tobacco Control (WHO FCTC) Implementation: The Brazilian Case. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2012; 9(7): 2520-36.

5. Koster A, Leitzmann MF, Schatzkin A, et al. The combined relations of adiposity and smoking on mortality. The American Journal of Clinical Nutrition. 2008; 88(5): 1206-12.

6. Zhang W, Mason EE, Renquist KE, Zimmerman MB. Factors influencing survival following surgical treatment of obesity. Obes Surg. 2005/07/15 ed. 2005; 15: 43-50.

7. Nguyen NT, Rivers R, Wolfe BM. Factors associated with operative outcomes in laparoscopic gastric bypass. J Am Coll Surg. 2003/10/03 ed. 2003; 197: 547-548.

8. Chatkin R, Mottin CC, Chatkin JM. Smoking among morbidly obese patients. BMC Pulm Med. 2010; 10: 61.

Correspondência
E-mail: karindm@gmail.com




A prevalência de transtornos mentais nas tentativas de suicídio, HPS - Porto Alegre/RS

Cleonice Zattib, Juliana Torres Porto das Nevesb, Lúcia Helena Freitasa

a Psiquiatra - Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
b Psicólogas, mestrandas do Programa de Pós Graduação em Psiquiatria da UFRGS

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a estimativa é que até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas cometerão suicídio e que o número de tentativas é vinte vezes maior que o número de mortes1. A prática desempenhada no Serviço de Saúde Mental do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre/RS, evidenciou índices elevados de tentativas de suicídio. Sabe-se, no entanto, que alguns casos não chegam ao Hospital devido à efetividade da ação suicida.
OBJETIVOS Estimar a prevalência de transtornos mentais e descrever o perfil dos pacientes que tentaram suicídio.
MÉTODOS Foi realizado um estudo de caso não controlado, no qual foram investigados uma amostra de pacientes que realizaram uma tentativa de suicídio e foram avaliados pelo Serviço de Psicologia do HPS-PA durante o período junho de 2014 a dezembro de 2014. Instrumentos: 1) Questionário sóciodemográfico. 2) Entrevista diagnóstica padronizada breve: Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI).
RESULTADOS Foi evidenciado que os pacientes que tentaram suicídio por intoxicação exógena, a maioria do sexo feminino (53%), jovens adultas, sem companheiros fixo, nível educacional de ensino médio.
Os achados demostraram um grau de risco suicídio alto (83%), portanto, considera-se que a maior parte dos sujeitos possuem maior predisposição para realizar uma nova tentativa de suicídio.
Dados do MINI revelam que 70% dos pesquisados estavam com Transtorno Depressivo atual, com comorbidade de 60 % de Transtorno de Ansiedade Aguda.



Após análises estatísticas, a presente investigação corrobora com os achados de Souza2, onde indivíduos com dois transtornos mentais têm um maior risco de tentar o suicídio 3,5 vezes mais alto do que aqueles que não têm nenhum problema. Existe uma combinação de fatores - biológicos, psicológicos e sociais. Também são encontradas causas psiquiátricas preveníveis, como: a depressão, o transtorno bipolar e a esquizofrenia.
CONCLUSÕES A relevância desta discussão encontra-se associada à importância de uma melhor compreensão a respeito dos pacientes que realizaram uma tentativa de suicídio associada à prevalência de transtornos mentais, bem como a importância de abordagem psicológica após a ocorrência do fato, podendo desta forma compreender os motivos/efeitos da ocorrência e tomar as decisões mais adequadas sobre intervenções e encaminhamentos.

REFERÊNCIAS

1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Departamento de Saúde Mental. Transtornos Mentais e Comportamentais. Prevenção do Suicídio: um manual para profissionais da saúde em atenção primária. Genebra: 2000.

2. SOUZA F. Suicídio: dimensão do problema e o que fazer? Revista Psiquiatria Hoje. Associação Brasileira de Psiquiatria, 2 (5), set-out/2010: 06-08.




Mindfulness para o tratamento da depressão

Andréa Íris Alves da Silva, Marina Bornelli Figueiredo, Marcella de Freitas Taddei Ferraz, Joel Coradete Júnior.

Instituição: Hospital Municipal Doutor Fernando Mauro Pires da Rocha

OBJETIVO: Objetivou-se realizar um levantamento da literatura sobre a terapia baseada em Mindfulness como tratamento psicoterápico da depressão.
MÉTODO: Trata-se de uma revisão sistemática de literatura realizada nas bases/banco de dados PUBMED e Scielo, utilizando-se descritores controlados e não controlados: depressão, atenção plena (Mindfulness), prevenção, tratamento na atenção primária, recorrência e recidiva, risco de suicídio, sintomas psicóticos e sintomas residuais. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, open access, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, com humanos maiores de 18 anos. Excluíram-se artigos que não tratavam do tema delimitado ou que não respeitassem os critérios de inclusão estabelecidos.
RESULTADOS: Foram encontrados 59 artigos (todos na língua inglesa) e, destes, selecionados 14. Os principais achados foram: a terapia baseada em Mindfulness apresenta resultados consistentes em prevenir recaída e recorrência e melhorar sintomas residuais da depressão, além disso, para a melhora de sintomas depressivos, sua eficácia é equivalente à da terapia individual; foi observada redução de idéias suicidas bem como resposta satisfatória para melhoria de sintomas psicóticos; houve melhora da qualidade do sono e em polissonografia observou-se diminuição dos despertares e maior eficiência do sono; por fim, apresentou-se como modelo psicoterápico aplicável e eficaz em ambiente de saúde pública.
CONCLUSÕES: A terapia baseada em Mindfulness é uma alternativa promissora para o tratamento da depressão. Por isso, torna-se importante a realização de mais estudos sobre este tema.

Correspondência
Rua Gaspar Lourenço, 351, apto 2. Vila Mariana
São Paulo, SP, Brasil




Autoestima e esperança em pacientes com transtornos relacionados a substâncias

Adriana Mokwa Zanini, Lisia Von Diemen, Felix Henrique Paim Kessler, Rafael Stella Wellausen, Clarissa Marceli Trentini

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: as diversas técnicas utilizadas para tratamento de Transtornos Relacionados a Substâncias (TRS) têm um enfoque predominantemente curativo. Em contrapartida, a Psicologia Positiva visa à prevenção e à promoção da saúde mental, identificando características preservadas a serem potencializadas e contribuírem para a melhora de outras características. São englobados conceitos como Autoestima e Esperança, estáveis ao longo do tempo, mas que podem ser potencializados.
OBJETIVO: investigar Autoestima e Esperança em homens internados por TRS, em uma unidade hospitalar especializada de um hospital público de Porto Alegre.
MÉTODO: estudo transversal com homens internados em uma unidade especializada em tratamento de TRS, cujas estratégias terapêuticas envolvem treinamento cognitivo comportamental e técnicas motivacionais. A amostra foi dividida em dois grupos clínicos: 60 participantes internados por cocaína, e 30 por álcool, selecionados por conveniência, com as seguintes idades: álcool - M= 45,43 (DP=10,65); cocaína - 35,42 (9,98)*(p<0,05). Os critérios de exclusão foram sintomas psicóticos, síndrome de abstinência e déficit cognitivo avaliados clinicamente. Foram aplicadas as Escalas de Autoestima de Rosenberg (EAR) e a de Esperança Disposicional (EED), ambas com normas brasileiras. Uma psicóloga aplicou-os verbalmente, para minimizar dificuldades de compreensão, bem como respostas aleatórias. Realizou-se Análise Multivariada ANOVA, utilizando WinPepi versão 11.43.
RESULTADOS: os dois grupos clínicos apresentaram escores abaixo da média (p<0,05) do grupo normativo da EAR (n=492): Normativo - M= 32,90 (DP=6,04)a ; Cocaína - 27,15 (4,41)b; Álcool - 27,03 (3,56)b. Com relação à EED (n=844), os usuários de cocaína apresentaram escore inferior ao do grupo normativo, sem diferença entre os grupos clínicos novamente: Normativo - 31,60 (4,40)a; Cocaína - 29,27 (5,55)b; Álcool - 30,00 (4,91)ab.
CONCLUSÃO: A autoestima baixa nos grupos clínicos pode estar associada aos problemas psicossociais e de saúde que permeiam os pacientes com TRS, como subemprego, doenças clínicas e problemas nos relacionamentos. Essas dificuldades antecedem a internação, o que pode agravar a depreciação no autorrelato. Sobre a esperança, parece preservada nos usuários de álcool, podendo ser potencializada a favor do tratamento, já que varia de acordo com o objetivo. Quanto aos usuários de cocaína, deve-se considerar que são em média 10 anos mais novos, mas os prejuízos causados pela substância são mais devastadores. É possível que isso realmente tenha relação com baixa esperança. Porém, esse aspecto deve ser melhor estudado, já que as diferenças entre os grupos na EED foram relativamente pequenas e podem não representar uma significância clínica.




Aplicação da Escala Para Avaliação de Contratransferência na Sala de Espelhos do Ambulatório de Psicoterapia Analítica do Hospital São Lucas da PUCRS

Camila de Araujo Reinerta,c,d, Rafael Mondrzaka,c,d, Andreia Sandria,c,d, Nina Rosa Furtadoa,c,e, Mirela Bertolucib,c, Letícia Manoel Debonb,c

a Médico Psiquiatra, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
b Acadêmica de Medicina, Bolsista de Iniciação Científica BPA-PUCRS
c Grupo de Pesquisa do Ambulatório de Psicoterapia Analítica do HSL PUCRS
d Preceptora do Ambulatório de Psicoterapia Analítica do HSL PUCRS
e Professora do Ambulatório de Psicoterapia Analítica do HSL PUCRS

Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

INTRODUÇÃO: O Ambulatório de Psicoterapia Analítica (AMPA) foi criado para aperfeiçoar o ensino da técnica psicodinâmica em nível teórico e prático para alunos de pós-graduação e residentes do Serviço de Psiquiatria do HSL-PUCRS. O AMPA tem como objetivo capacitar o residente a utilizar os recursos dessa técnica psicoterápica em associação com a psicofarmacologia e com os conhecimentos da neurobiologia. A contratransferência (CT) é um importante conceito a ser estudado e compreendido dentro dessa técnica, não só pela sua importância teórica histórica, mas principalmente pela sua relevância diagnóstica e terapêutica. A CT pode ser definida como uma reação conjunta de sentimentos conscientes e inconscientes do analista em relação ao paciente. Por se tratar de um fenômeno abstrato, a CT é difícil de ser avaliada. Entretanto, a parte consciente desses sentimentos pode ser acessada através de instrumentos autoaplicáveis.
OBJETIVO: Apresentar o funcionamento do Ambulatório de Psicoterapia Analítica (AMPA) do Hospital São Lucas da PUCRS, reforçando a importância do ensino de um dos conceitos psicanalíticos de grande importância: a contratransferência.
MÉTODOS: O primeiro atendimento de psicoterapia é realizado de forma conjunta por um professor do AMPA e um residente em Psiquiatria. Esse atendimento é observado através de uma "sala de espelho" pelos demais professores e alunos do AMPA. Após o atendimento inicial, é realizada uma discussão sobre o presente caso quanto a aspectos diagnósticos, de indicação e planejamento terapêutico. O atendimento inicial tem como objetivo não só realizar uma triagem do paciente, mas também propiciar aos residentes a oportunidade de ver seus professores em ação, abordando a situação clínica e aproximando a linha teórica e técnica de entrevista. O fenômeno da CT, por estar sendo diretamente observado e discutido, torna-se uma realidade com sentido para psicoterapeutas iniciantes, aumentando sua objetividade clínica e tornando os sentimentos menos ameaçadores e conflitantes para o terapeuta. Na primeira consulta, são aplicados alguns instrumentos: Questionário clínico e sócio-demográfico; The Symptom Checklist-90-Revised (SCL-90-R); Defensive Style Questionnaire (DSQ-40); Escala para Avaliação de Contratransferência (EACT). O principal constructo utilizado pelo AMPA para a avaliação da CT é a EACT. Composta por 23 itens preenchidos pelos terapeutas, a escala permite, ainda que de forma ampla, analisar sentimentos contratransferenciais conscientes que surgem ao longo da sessão. A EACT é entregue aos 8 residentes e ao médico preceptor antes do início de cada entrevista. Cada uma delas é identificada com o gênero do residente e do médico preceptor que a está preenchendo, data do atendimento e sua "localização": se estava atendendo o paciente - dentro da sala de espelhos - ou assistindo - fora da sala.
RESULTADOS: Os dados coletados através dos instrumentos supracitados serão utilizados em projetos de pesquisa pelos integrantes do AMPA e pelos alunos da residência e da pós-graduação em Psiquiatria.
CONCLUSÃO: A EACT não só permite a coleção de dados, como também auxilia em estudos com grande número de pacientes, abrindo portas para a pesquisa da CT e seu estudo. Apesar de os sentimentos transferenciais e contratransferenciais serem de extrema importância para que se conheça o mundo interno do paciente, ainda há poucos estudos sobre o tema. Acreditamos que mais estudos devam ser realizados a fim de melhorar a compreensão e a aplicabilidade da CT na vida prática do terapeuta.

Correspondência
Ambulatório de Psicoterapia Analítica do HSL PUCRS
Avenida Ipiranga, 6690 Ambulatório 301. Bairro Jardim Botânico
Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (51) 33203367




Projeto de pesquisa: protótipos brasileiros de psicoterapia psicodinâmica com crianças com transtornos internalizantes e externalizantes

Autores: Guilherme Pacheco Fiorini; Vera Regina Röhnelt Ramires

Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos

INTRODUÇÃO: a literatura atual tem apresentado evidências da efetividade da psicoterapia psicodinâmica com crianças com diferentes desordens mentais. No entanto, ainda são escassas pesquisas referentes a processos psicoterápicos e das causas da mudança terapêutica. Nesse contexto, estudos de protótipos visam criar instrumentos para investigação do processo em relação aos resultados. O presente estudo focalizará o desenvolvimento de protótipos brasileiros de psicoterapia psicodinâmica com crianças com transtornos internalizantes e externalizantes.
OBJETIVO: verificar (a) se especialistas em psicoterapia psicodinâmica concordam acerca das características dos tratamentos de crianças com transtornos internalizantes e externalizantes (b) se os tratamentos das diferentes sintomatologias são empiricamente distintos entre si e (c) se os tratamentos apresentam características conceituais comuns.
MÉTODO: será realizado um estudo quantitativo transversal. Trinta terapeutas especialistas em psicoterapia psicodinâmica com crianças que atuem em contexto brasileiro avaliarão os 100 itens do Child Psychotherapy Q-Set (CPQ), buscando descrever aspectos de sessões típicas dos tratamentos dos dois quadros clínicos sob a referida abordagem teórica.
RESULTADOS ESPERADOS: a identificação de mecanismos da psicoterapia psicodinâmica com crianças com diferentes sintomas e o desenvolvimento de instrumento para investigação dos processos de psicoterapias com crianças em contexto brasileiro.




Projeto: Avaliação das propriedades psicométricas da versão brasileira do instrumento Personality Inventory for DSM-5 (PID-5) em amostra de pacientes obesos candidatos a cirurgia bariátrica

Lívia Nora Brandalisea, Juliana Tainski de Azevedoa, Karin Daniele Mombacha, Laura Zandonáa, Letícia Manoel Debona, Lucas Spanemberga, Luciano Billodre Luiza, Luiza Schmidt Heberlea, Sérgio Eduardo Silva de Oliveirab, César Luís de Souza Britoa, Cláudio Corá Mottina

a Grupo de Pesquisa em Psiquiatria do Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL/PUCRS
b Psicólogo, Pós-doutorando em Psicologia na UFRGS

Instituição: Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do HSL PUCRS.

INTRODUÇÃO/OBJETIVO: Apesar de manter o sistema diagnóstico categorial anterior dos transtornos de Personalidade, a nova edição do Manual Estatístico Diagnóstico dos Transtornos Psiquiátricos (DSM-5) propôs, em seção especial para estudo, o novo modelo híbrido categórico-dimensional para estes transtornos. O modelo une a avaliação dimensional dos traços de personalidade com o prejuízo na vida do indivíduo para a formação dos diagnósticos. Para a investigação dos traços de personalidade, o grupo da DSM-5 propôs o Personality Inventory for DSM-5 (PID-5), instrumento que vem sendo avaliado em amostras clínicas e não-clínicas no mundo. Pacientes com obesidade grave, como a dos pacientes candidatos a cirurgia bariátrica, compõe um grupo clínico de interesse para o estudo da personalidade, tanto para entender a influência desta na gênese da obesidade quanto para determinar se características funcionais da personalidade podem ter influência sobre os desfechos da cirurgia bariátrica. O objetivo deste estudo é avaliar as propriedades psicométricas do PID-5 em uma amostra de pacientes obesos candidatos a cirurgia bariátrica.
METODOLOGIA: Estudo observacional transversal. A amostra será composta por prontuários de pacientes com obesidade graus II e III (IMC ≥35 kg/m2) maiores de 18 anos candidatos a cirurgia bariátrica que procuraram atendimento no COM-HSL/PUCRS e que preencherem adequadamente os instrumentos que compõe o protocolo de assistência e pesquisa do Serviço. Serão coletados dados demográficos para a caracterização da amostra (sexo, idade, IMC, estado civil e grau de instrução), além dos escores dos instrumentos PID-5 e demais instrumentos para a validação convergente: BDI, BAI, WHOQOL-bref, e DSQ-40. A unidimensionalidade das 25 facetas do modelo será testada através de métodos fatoriais (Parallel Analyses e Minimum Average Partial). O teste da estrutura pentafatorial será realizado por meio do modelo de equações estruturais exploratórias (ESEM). A confiabilidade das facetas, domínios e do instrumento será mensurada (através dos índices alpha de Cronbach e ômega de McDonald). Serão calculados escores de regressão entre os resultados das escalas e os cinco domínios do PID-5 utilizando modelos de equação estrutural (SEM). Os dados serão analisados pelos softwares Factor e Mplus.
RESULTADOS: Até o presente momento, o trabalho está na fase de coleta de dados. A hipótese operacional é de que o PID-5 apresenta propriedades psicométricas satisfatórias para uma amostra de pacientes obesos graves candidatos a cirurgia bariátrica. As hipóteses secundárias são que as facetas apresentam-se unidimensionalmente, que a estrutura pentafatorial do PID-5 é semelhante às obtidas a priori; que o instrumento apresenta boa confiabilidade; que os escores dos domínios do PID -5 correlacionam-se positivamente com os escores da BDI e BAI e mecanismos de defesa imaturos da DSQ-40 e negativamente com os escores dos domínios do WHOQOL-brief e mecanismos de defesa maduros DSQ-40.
CONCLUSÃO: A literatura sobre obesidade, transtornos e traços de personalidade ainda é conflitante. Existe uma demanda por instrumentos que possam dar mais acurácia e aperfeiçoar este estudo. A análise psicométrica do novo instrumento PID-5 é uma etapa metodológica fundamental para que possa ser utilizado e adequadamente interpretado nesta população.

Correspondência
Avenida Ipiranga, 6690 sala 302. Bairro Jardim Botânico
Porto Alegre, RS, Brasil Telefone: (51) 33205002




Avaliação de Comorbidades Psiquiátricas em homens usuários de crack em tratamento

Luana Thereza Nesi de Mello, Vanessa Trintin Rodrigues, Jaluza Aimèe Schneider, Ilana Andretta

a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

O transtorno por uso de crack é considerado um grave problema de saúde pública e social, envolvendo a necessidade de tratamentos efetivos diante da dificuldade de recuperação da população usuária de drogas. Dentre as diferentes interferências no processo de recuperação do usuário de substâncias, destaca-se a presença de diferentes comorbidades psiquiátricas, como transtornos do humor, de ansiedade e de conduta. A avaliação de um diagnóstico comórbido ao transtorno por uso de substâncias permite a contemplação dos sintomas, aumentando a possibilidade de recuperação do indivíduo que usa crack. Este trabalho visa identificar a presença de comorbidades psiquiátricas em homens usuários de crack em tratamento residencial nas comunidades terapêuticas da região metropolitana do RS. Tais dados são resultados preliminares de um recorte de uma pesquisa, aprovada pelo CEP da UNISINOS. Os instrumentos de avaliação foram: questionário de dados sociodemográficos, clínicos e de consumo e Mini International Neuropsychiatric Interview que avaliou os transtornos psiquiátricos. Foram realizadas análises estatísticas descritivas e também de associação a partir do teste Qui-quadrado (p <0,05). Participaram 105 homens, com idade média de 32,88 anos (DP=8,74) e a maioria apresentou diagnóstico para transtorno por uso de crack grave (n=133, 70,7%). Houve prevalência de participantes solteiros (n=117, 62,2%) e em sua maioria com Ensino Fundamental incompleto (n=77, 41,0%). Os resultados indicaram a presença das seguintes comorbidades psiquiátricas: episódio depressivo maior (EDM) atual e/ou passado (n=64, 34,1%), episódio maníaco atual e passado (n=35, 18,6%), transtorno de ansiedade generalizada atual (n=35, 18,3=6%), episódio hipomaníaco atual e passado (n=18, 9,6%), transtorno de pânico (n=15, 14,3%), transtorno de pânico vida inteira (n=13, 6,8%), fobia social (n=9, 4,8%) e síndrome psicótica vida inteira (n=6, 3,2%). Foram identificadas relações entre usar ou não usar substâncias e apresentar comorbidades psiquiátricas. Assim, o não uso de tabaco foi associado aos participantes que não apresentaram EDM passado (p=0,044) e também aos que não apresentaram episódio maníaco passado (p=0,009). Não possuir diagnóstico de episódio maníaco passado também foi associado aos participantes que relataram não usar cocaína (p=0,018). Os maiores índices de comorbidades psiquiátricas em relação a episódio maníaco e a transtorno de ansiedade generalizada vão ao encontro do que é apontado na literatura. Apesar de tal prevalência, verifica-se a diversidade de transtornos psiquiátricos identificados nos participantes da presente pesquisa, enfatizando-se, assim, a necessidade de intervenções que visem contemplar as especificidades do duplo diagnóstico nos tratamentos para transtorno por uso de substâncias. As associações encontradas entre não usar tabaco e cocaína sobre a ausência de EMD e episódio maníaco passado sugerem que o uso de substâncias se relacione fortemente com os transtornos psiquiátricos. A partir dos resultados, salienta-se a importância da realização de avaliação de comorbidades psiquiátricas a fim de proporcionar tratamentos que levem em consideração o duplo diagnóstico. Também se enfatiza a relevância do entendimento sobre como o transtorno por uso de crack, assim como o uso de demais drogas, se relaciona com as comorbidades psiquiátricas, visando intervenções efetivas para prevenir recaídas tanto no consumo de substâncias quanto nos comportamentos disfuncionais relacionados aos demais transtornos psiquiátricos

Palavras-chave: Transtornos psiquiátricos; Crack; Comunidade Terapêutica.

Correspondência
Luana Thereza Nesi de Mello
luananesi@hotmail.com




Resultados da psicoterapia psicodinâmica de uma criança com sintomas internalizantes

Cibele Carvalho, Guilherme Pacheco Fiorini, Vera Regina Röhnelt Ramires

Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

RESUMO: O objetivo deste estudo foi avaliar os resultados da psicoterapia psicodinâmica de uma criança diagnosticada com Transtorno de Ajustamento. Trata-se de um estudo descritivo, baseado no procedimento de Estudo de Caso Sistemático. Como medidas de resultado foram utilizados o Método de Rorschach (pelo Sistema Compreensivo de Exner), o Child Behavior Checklist (CBCL, respondido pela mãe e pela professora) e um Questionário sobre Mudanças no decorrer da psicoterapia, respondidos pela mãe da paciente e pela terapeuta. O Rorschach e o CBCL foram aplicados antes de iniciar a psicoterapia e após seu término. Os Questionários foram respondidos a cada três meses, após iniciada a psicoterapia, até o seu término. A psicoterapia teve duração de aproximadamente um ano, compreendendo 40 sessões. Os resultados, na perspectiva da mãe, da terapeuta e da paciente, indicaram uma menina mais espontânea, mais integrada socialmente e mais capaz de expressar seus sentimentos, lidando com eles de forma mais efetiva. Os resultados do CBCL não identificaram mudanças clinicamente significativas. O Método de Rorschach evidenciou melhoras na adequação ao funcionamento cotidiano, nas estratégias de postergação de respostas, adoção de um estilo mais emocional, com menos controle afetivo e aumento do interesse nas relações interpessoais. No entanto, ao final do tratamento, a paciente ainda apresentava vulnerabilidade à desorganização frente à sobrecarga emocional, perfeccionismo, convencionalidade e hipermaturidade. Tais resultados apontaram a psicoterapia psicodinâmica como uma opção adequada de tratamento para esta criança com estas características. Além disso, demonstram que as mudanças obtidas no processo terapêutico não são lineares, compreendendo avanços e retrocessos. Salienta-se a importância de utilizar métodos mistos de avaliação de resultados de psicoterapias e ressalta-se a importância de constantemente avaliar resultados das psicoterapias psicodinâmicas.

Correspondência
Cibele Carvalho
e-mail: cibele.carvalho8@gmail.com




Diagnóstico diferencial entre demência frontotemporal e esquizofrenia de início tardio: Relato de caso

Aline Damé Vogga, Cauê Attab Negrinhoa, Caroline Fredi Almeidab, Thricy Dhamerb, Stephan Espinosa Meirellesa, Émile Hirdes Krügera, Francisco Cosme Costac

a Médico Residente em Psiquiatria da Sociedade Sulina Divina Providência - Hospital São José, Arroio do Meio-RS.
b Medica Residente em Psiquiatria do Hospital Bruno Born, Lajeado- RS.
c Médico neurologista no serviço de residência médica de psiquiatria da Sociedade Sulina Divina Providência - Hospital São José, Arroio do Meio-RS.

Instituição: Sociedade Sulina Divina Providência Do Hospital São José

INTRODUÇÃO: A demência frontotemporal é uma importante causa de demência no período pré-senil. Caracterizase por significativas modificações do comportamento e da personalidade. Muitos pacientes buscam o psiquiatra em virtude dos sintomas comportamentais proeminentes. A esquizofrenia com início na terceira idade está associada a um declínio em medidas gerais de habilidades cognitivas e de funcionamento executivo. O significado neuropsicológico destes achados é discutido levando-se em consideração modelos cognitivos de sintomas psicóticos, da esquizofrenia, e de quadros demenciais.
OBJETIVO: Relatar um caso de paciente com delírios paranoides de início tardio assistido no serviço de residência médica de psiquiatria.
METODOLOGIA: Avaliação clínica do paciente em questão e posterior revisão de seu prontuário e de literatura relacionado ao tema exposto.
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 55 anos, branco, natural de Travesseiro/RS, procedente de Arroio do Meio/RS, primeiro grau incompleto, auxiliar de produção, casado, previamente hígido, atendido no Pronto Atendimento do Hospital São José/Arroio do Meio por alterações comportamentais, e internado na unidade de psiquiatria do mesmo para investigação. Há cerca de seis meses tornou-se mais hostil e com delírios paranoides com características persecutórias, com piora progressiva, promovendo graves alterações comportamentais na última semana. Sem antecedentes psiquiátricos ou evidência de organicidade. Durante a internação os exames laboratoriais e de neuroimagem não evidenciaram alterações. Permanece internado por 20 dias, apresentando melhora dos sintomas após ser medicado com risperidona 4mg e memantina 20mg. Recebeu alta hospitalar para seguimento ambulatorial e melhor elucidação do caso, por provável quadro de esquizofrenia de início tardio, devendo ser levado em consideração o diagnóstico diferencial de demência fronto-temporal em quadro inicial.
DISCUSSÃO: O envelhecimento populacional é um processo em crescimento e com ele acompanha quadros como a esquizofrenia de início tardio. A esquizofrenia de início tardio foi descrita inicialmente por Bleuler (1978), sem outra caracterização sintomatológica que a diferenciasse da esquizofrenia do jovem, exceto pela idade de início após os 40 anos (Bleuler, 1978). Do total de pacientes esquizofrênicos, 20% dos casos têm início após os 40 anos e há aumento desta incidência após os 60 anos (BARCLAY, 2000). A esquizofrenia de início tardio tem como principal diagnóstico diferencial a demência frontotemporal, que cursa com alteração progressiva do comportamento, da personalidade ou linguagem, com relativa preservação da memória. É diferenciada principalmente pelo fato de a demência frontotemporal apresentar atrofia de córtex frontal, cingular anterior e orbitofrontal à neuroimagem (NARDI, 2015).
CONCLUSÃO: A ausência de um padrão claro de comprometimento entre os pacientes dificulta o diagnóstico correto e a diferenciação neuropsíquica dos mesmos. No atendimento de indivíduos no período pré-senil/ senil com alterações comportamentais ou com alterações mentais de instalação recente, é importante a realização do diagnóstico diferencial entre patologias psiquiátricas e demenciais, tendo em vista a semelhança sintomatológica entre estas, principalmente em período inicial de instalação.

REFERÊNCIAS:

BLEULER, M. - The schizophrenic disorders. Long-term patient and family studies. New Haven: Yale University Press, 1978.

BARCLAY, L.; ALMEIDA, O.P. - Schizophrenia in later life. Curr Opin Psychiatry 3:423-7, 2000.

MARTINELLI, José Eduardo, et al. Avaliação e intervenção em um caso de Esquizofrenia de Início Tardio: relato de caso. Rev. Ciênc. Méd. Biol., Salvador, v.12, n.2, mai./ago. 2013.

NARDI, Antonio Egidio; QUEVEDO, João; SILVA, Antônio Geraldo. Esquizofrenia: teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2015.

TEIXEIRA-JR, Antônio Lúcio; SALGADO, João Vinícius. Demência fronto-temporal: aspectos clínicos e terapêuticos. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre , v. 28, n. 1, p. 69-76, Apr. 2006.

Correspondência
Sociedade Sulina Divina Providência Do Hospital São José
Rua Júlio de Castilhos, 314, Centro
Arroio do Meio, RS, Brasil
Telefone: (51) 3716-1434




Depressão, ansiedade e estresse em adultos emergentes usuários de drogas em tratamento

Luana Thereza Nesi de Melloa, Jaluza Aimeè Schneiderb, Rafaela Petroli Frizzoa, Ilana Andrettaa

a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
b Pontífica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

O período da adolescência tem sido prolongado e, portanto, surge um novo conceito denominado adultez emergente, durando em média dos 18 aos 25 anos, período este com dois eixos centrais de conflito (amor e trabalho). Diferente da adolescência, os adultos emergentes buscam maior solidez nesses dois aspectos, encarando com mais seriedade. Há diferentes razões pelo qual essa população procura o uso de substâncias químicas, destacando-se a experienciação, o alívio e a automedicação. A presença de depressão, ansiedade e estresse na adultez emergente pode ter por consequência um baixo desempenho em nível social e cognitivo e o uso de drogas. Assim, este trabalho objetivou identificar sintomas de depressão, ansiedade e estresse em adultos emergentes usuários de drogas que estão em tratamento. Tais dados são resultados preliminares de um recorte da pesquisa "Avaliação e Treinamento de Habilidades Sociais em Dependentes Químicos em Tratamento em Unidades Especializadas", aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNISINOS. Tratase de uma pesquisa descritiva, de delineamento transversal quantitativo. Como instrumentos, utilizou-se: questionário para avaliação de dados sociodemográficos e a escala DASS-21 (Depression, Anxiety and Stress Scale), que se destina a avaliar sintomas de depressão, ansiedade e estresse durante a última semana. Como critérios de inclusão, os participantes deveriam estar abstinentes há sete dias; idade entre 18 e 25 anos e concordância em participar da pesquisa. Os resultados preliminares foram referentes a 58 adultos emergentes, sendo 34,5% (n=20) do sexo feminino e 65,5% (n=38) do masculino, com idade média de 22,33 anos (DP=1,91), 51,7% possuem Ensino Fundamental incompleto e a maioria (87,7%, n=50) não estudavam antes da internação, sendo que 82,8% (n=48) estavam solteiros. Quanto aos níveis de depressão, estresse e ansiedade avaliados, verificou-se a média de depressão de 3,32 (DP=4,93); média de ansiedade: 2,86 (DP=3,76) e média de estresse: 4,32 (DP=6,08) nos escores. Desta forma, conforme a correção da DASS-21, os adolescentes apresentaram em sua maioria normalidade para os níveis de depressão (63,8%, n=37) ansiedade (58,6%, n=34) e estresse (63,8%, n=37). Porém, houve sintomatologia para depressão moderada (13,8%, n=8), níveis de estresse severo (12,1%, n=7) e ansiedade extremamente severos (12,1%, n=7). Tais achados corroboram com estudos sobre o uso de drogas como comorbidades presença de sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Tratando-se de dados preliminares, sugere-se a continuidade do estudo, a fim de que mais dados permitam uma análise mais robusta. Salienta-se a relevância de se compreender os aspectos que envolvem a adultez emergente em relação ao consumo de substâncias, já que se trata de uma população de vulnerabilidade e que ainda é pouco reconhecida dentro de suas especificidades. A avaliação de sintomas de depressão, ansiedade e estresse é essencial para se pensar em intervenções efetivas para esses indivíduos que estão em uma importante transição de estilo de vida, do adolescente para o adulto. Destaca-se a relevância de se intervir em tais sintomatologias em tratamentos específicos para transtornos por uso de substâncias visando um enfrentamento adaptativo referentes as problemáticas que envolvem o adulto emergente, sem necessitar do uso de drogas.

Palavras-chave: Drogas. Adultez emergente. Comunidade Terapêutica.

Correspondência
Luana Thereza Nesi de Mello
luananesi@hotmail.com




Psicoterapia Psicanalítica com pacientes surdos: um estudo qualitativo sobre aspectos e adaptações técnicas da pratica

Juliana Torres Porto das Nevesb, Cleonice Zattib, Lúcia Helena Freitasa

a Psiquiatra - Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
b Psicólogas, mestrandas do Programa de Pós Graduação em Psiquiatria da UFRGS

INTRODUÇÃO A psicoterapia psicanalítica com pessoas surdas é um recurso de cuidado psicológico que está se construindo e ainda é desconhecida, como possibilidade de exercício, por muitos profissionais carecendo de mais pesquisas e publicações. Assim como com ouvintes, a escuta do sofrimento de pacientes surdos é viável e efetiva. Para Marzolla (2012), as consequências da falta de audição, em alguns casos, podem ser "devastadoras". À "lacuna" de comunicação - desde os primeiros anos de vida - em alguns sujeitos surdos, somadas a incapacidade do meio de lidar com a condição, pode gerar um problema sério: a dificuldade de subjetivar. Como reforça Solé (2005), a surdez é um fator problematizante na constituição do sujeito, uma vez que o mesmo dependerá de outras vias (e suportes) de acesso - que não a audição - à informações originalmente sonoras. Portanto, o acolhimento dos conflitos e a compreensão do inconsciente de pessoas surdas, mostra-se uma alternativa significativa para a melhora na qualidade de vida das mesmas.
Contudo, é importante que aqueles profissionais que se disponham a fazer essa escuta, estejam cientes das diferenças e alterações necessárias, advindas da condição da surdez, para que as sessões ocorram sem romper com os fundamentos psicanalíticos.
OBJETIVOS Investigar e descrever os aspectos e adaptações técnicas a serem incorporados à prática daqueles que decidem atuar com esse público específico.
MÉTODOS A presente investigação tem como alicerce a técnica de pesquisa qualitativa, de caráter investigativo. Será feito um levantamento de psicoterapeutas, instituições e clínicas que realizam atendimentos, em psicoterapia psicanalítica, com pacientes surdos, em Porto Alegre - RS. Serão aplicadas entrevistas semiestruturada em torno de questões norteadoras, as quais que serão gravadas e, em seguida, analisadas, comparadas e sintetizadas.
RESULTADOS Os resultados serão descritos em composição com os objetivos geral e específicos da pesquisa.
CONCLUSÕES A partir da investigação bibliográfica e estudo - previamente - realizados pela pesquisadora, é possível observar as barreiras sociais que o surdo enfrenta há muito tempo e que, mesmo passando por significativas e positivas transformações ao longo dos anos, continuam sobrepondo-se à limitação física. O preconceito, a inacessibilidade e a desinformação se mostram, ainda, muito presentes. A psicoterapia psicanalítica com pessoas surdas confirma-se possível e efetiva, entretanto, carente de mais pesquisas e publicações sobre o entendimento e a prática. Além disso, é evidente a escassez de profissionais que façam esse tipo de acolhimento, sobretudo, na psicanálise.

REFERÊNCIAS

MARZOLLA, A. C. Atendimento psicanalítico do paciente com surdez. São Paulo: Zagodoni, 2012.

SOLÉ, M.C. O sujeito Surdo e a Psicanálise: uma outra via de escuta. Porto Alegre: UFRGS, 2005.

Correspondência
Juliana Neves
Psicóloga, CRP 07/18462
jtpneves@gmail.com
Fone: 51 99620556




Prevalência de sintomas depressivos e grau de resiliência em pacientes de um Ambulatório de Transplante Renal de Porto Alegre - RS

Gustavo Bortoluzzi, Adilson Quinalha, Rafael Oliveira

Instituição: Hospital Psiquiátrico São Pedro

INTRODUÇÃO: As doenças crônicas são vistas como agentes estressores de longa duração e que predispõem a maiores riscos de depressão. As chances de morte em pacientes hemodialisados é cerca de vinte vezes maior do que a população geral. A resiliência encontra-se como conceito chave para compreensão das ferramentas utilizadas pelo ser humano para a adaptação frente a situações traumáticas ou incapacitantes.
OBJETIVO: Avaliar a presença de sintomas depressivos e grau de resiliência nos pacientes renais crônicos. Relacionar a presença de sintomas depressivos com o grau de resiliência avaliado em cada paciente.
METODOLOGIA: Estudo transversal em que os pacientes responderam três instrumentos autoaplicáveis antes das consultas psiquiátricas: um questionário sociodemográfico, o Inventário de Depressão de Beck (BDI -II) em que consiste em 21 afirmações a respeito de sintomas depressivos nos últimos quinze dias. A Escala de Resiliência de Connor-Davidson (CD-RISC-10), que abrange a capacidade das pessoas de superarem obstáculos, lidar com doenças e adaptação à mudanças. Os dados foram analisados pelo programa SPSS v. 18.0.
RESULTADOS: Amostra constituiu-se de 54 pacientes com média de idade de 46,2 anos, sendo 33,3% homens. Na avaliação da BDI-II, aferiu-se uma média de 20,67, sendo que 63% dos pacientes apresentaram pontuação compatível para sintomas depressivos. À observação da escala CD-RISC-10 foi evidenciada uma média de resiliência de 18,92, sendo 24,3 para o sexo masculino e de 16,3 para o feminino. Ao avaliar a associação entre sintomas depressivos e resiliência, obteve-se que pacientes mais deprimidos, teriam menor grau de resiliência. Na análise da associação entre o tempo de transplante e resiliência, demonstrou-se que pacientes com maior tempo de transplante apresentam menores índices de resiliência.
CONCLUSÃO: A doença renal crônica contribui para o surgimento ou manutenção dos sintomas depressivos. Quanto à resiliência em pacientes com falência renal crônica, nota-se a escassez de artigos encontrados, havendo um campo aberto para novos estudos, o que torna esse trabalho piloto neste âmbito. A complexidade da resiliência faz com que seja difícil quantificá-la em números e creditar plena fidedignidade a qualquer uma das escalas até o momento desenvolvidas.

Correspondência
Av. Bento Gonçalves, 2460, Direção de Ensino e Pesquisa (DEP) - Partenon
90650-001 Porto Alegre, RS, Brasil




Intervenções do Terapeuta no Processo de Psicoterapia Psicanalítica de um Menino Diagnosticado com Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor

Caroline de Oliveira, Catiane Pinheiro e Vera Regina Röhnelt Ramires

Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Esse projeto de pesquisa tem como objetivo descrever e analisar as intervenções da terapeuta no decorrer do processo de psicoterapia psicanalítica de um menino em idade escolar, diagnosticado com Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor. Trata-se de projeto em andamento, em que está sendo realizado um estudo com delineamento misto de pesquisa, longitudinal e descritivo, que adota o procedimento de estudo de caso sistemático. Os participantes são um menino em idade escolar e a sua terapeuta. Os pais buscaram atendimento por queixas relacionadas a dificuldades de relacionamento na escola. A terapeuta possuía 23 anos de experiência clínica e formação em psicoterapia psicanalítica quando o tratamento iniciou. Como medida do processo terapêutico, está sendo utilizado o procedimento Child Psychotherapy Q-Set (CPQ), baseado no método Q, composto por 100 itens que descrevem um leque de fenômenos que podem ocorrer numa sessão de psicoterapia de crianças, que incluem aspectos relacionados ao paciente, ao terapeuta e à interação entre ambos. Concomitantemente, foi solicitado um relato à terapeuta sobre suas impressões e sentimentos contratransferenciais acerca do paciente e sobre o tratamento. A psicoterapia foi composta por aproximadamente 160 sessões, que foram todas filmadas e compõem um banco de dados. A análise dos dados compreende a codificação de cada sessão com o CPQ, realizada de maneira independente por duplas de juízes treinados para uso do procedimento (em ordem aleatória e em duplas intercambiáveis), análises estatísticas, qualitativas e a análise de conteúdo dos relatos da terapeuta. O processo terapêutico está sendo integralmente analisado com base no CPQ e, posteriormente, especificamente os itens relativos às intervenções da terapeuta são analisados, na psicoterapia como um todo e em cada uma de suas fases, com o intuito de compreender sua contribuição para o processo, nos distintos momentos do seu transcurso.

Correspondência
Rua Padre Antônio Ruiz de Montoya, 57. Bairro: Cristo Rei
93022-490 São Leopoldo, RS, Brasil




Psicoterapia Psicodinâmica Para Crianças Com Transtornos De Ansiedade: Uma Revisão Sistemática

Maiara Castro de Freitasa, Fernanda Munhoz Driemeier Schmidtb, Vera Regina Röhnelt Ramiresc

a Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS.
b Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS.
c Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS.

O foco deste estudo foi revisar a literatura existente sobre a psicoterapia psicodinâmica de crianças com transtornos de ansiedade, considerando-se a alta de prevalência e a necessidade de poder oferecer para essa população tratamentos psicoterápicos que funcionem de forma efetiva. Todos os artigos encontrados nas bases consultadas de acesso on-line, que abordavam o tema proposto, foram incluídos e discutidos nesta revisão. Utilizou-se os descritores "psychodynamic psychotherapy" ou "psychoanalytic psychotherapy" junto com "child" e "anxiety disorders nos portais: EBSCO; BVS-Psi e Capes. Não foram designadas delimitações em relação ao ano de publicação. Numa primeira análise, as seguintes informações foram examinadas: ano de publicação, objetivos, tipo de delineamento e resultados. Numa segunda análise, os resultados dos artigos foram examinados de acordo com as suas características metodológicas e resultados. Constatou-se a falta de estudos nessa área. Foram encontrados em grande maioria revisões de literatura e alguns ensaios clínicos que fornecem resultados preliminares na direção de que a psicoterapia psicodinâmica com crianças com transtornos de ansiedade mostra-se efetiva, tanto após seis meses quanto depois de um ano do término do tratamento. Porém, conclui-se que são necessários mais estudos sobre o tema para uma melhor compreensão e indicação destes tratamentos.

Correspondência

Maiara Castro de Freitas
Rua Marechal Mallet, n. 701, Bairro Monsenhor Assis
Santiago, RS, Brasil
E-mail: freitas_may@hotmail.com

Fernanda Munhoz Driemeier Schmidt
E-mail: fernandadriemeier@hotmail.com

Vera Regina Röhnelt Ramires
E-mail: vramires@unisinos.br




Avaliando a resposta a medicações estabilizadoras do humor em pacientes com depressão mista: um estudo de concordância entre três diferentes escalas de mania e uma escala de depressão

Flavio Milman Shansis, Mateus Reche e Edison Capp

Instituição: Programa de Pos-Graducao em Ciências Medicas UFRGS/ PROPESTH - Hospital Psiquiátrico São Pedro

INTRODUÇÃO: Comparados com pacientes bipolares com episódios maníacos/hipomaníacos e depressivos, os que apresentam estados mistos tendem a um curso mais grave da doença, início mais precoce, ocorrência mais frequente de sintomas psicóticos, maior risco de suicídio, altas taxas de comorbidade e tempo maior para remissão. Portanto, medidas objetivas de avaliação desses estados são necessárias.
OBJETIVO: Avaliar a concordância entre três pares formados por uma de três escalas de mania (Young Mania Rating Scale (YMRS), Bech-Rafaelsen Mania Scale (BRMS) ou Clinician-Administered Rating Scale for Mania (CARS-M) e uma escala de depressão (21-item Hamilton Depression) na avaliação da resposta a estabilizadores do humor em pacientes mistos.
MÉTODO: Sessenta e oito (n=68) pacientes ambulatoriais bipolares Tipo I e II, com sintomatologia mista pelo DSM-IV-TR e pelos critérios de Cincinatti, foram consecutivamente incluídos nesse estudo aberto de 8 semanas entre 2010 e 2014 e foram randomizados para receberem, em monoterapia, ácido valproico, carbamazepina ou carbonato de lítio.
RESULTADOS: O padrão de resposta (diminuição de, pelo menos, 50% em uma das escalas de mania e na de depressão) foi muito semelhante: 21-HAM-D + YMRS = 22,1%, 21-HAM-D + BRMS = 20,6% e 21-HAM-D + CARS-M = 23,5% (p < 0,368). Os resultados referentes à concordância de resposta revelam valores de kappa bastante altos: 21-HAM-D + YMRS X 21-HAM-D + CARS-M , Kappa = 0,87; 21-HAM-D + YMRS X 21-HAM-D + BRMS, Kappa = 0,78 e 21-HAM-D + CARS-M X 21-HAM-D + BRMS, Kappa = 0,91 (p < 0,001).
CONCLUSÕES: O presente estudo sugere que qualquer uma das três escalas de mania utilizadas (YMRS, BRMS, CARS-M) pode ser associada à 21-HAM-D na avaliação da resposta em pacientes bipolares mistos.

Correspondência
Rua Carvalho Monteiro, 234/ sala 704
Porto Alegre, RS, Brasil




Avaliação da motivação para a mudança de comportamentos em relação ao crack em mulheres usuárias

Mariana Nunes Andreollaa, Jéssica Limbergerb, Luana Thereza Nesi de Melloc, Ilana Andrettad

a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
b Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).
c Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).
d Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

O uso de crack em mulheres trata-se de um problema de saúde pública, repercutindo nas esferas sociais. Para qualificar o tratamento, torna-se necessário identificar os estágios motivacionais e fatores que contribuem para o acesso à internação. Desta forma, objetiva-se descrever a motivação para a mudança de comportamento em relação ao crack em mulheres em internação hospitalar, bem como identificar os motivos da busca pelo tratamento. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, sendo um recorte da pesquisa: "Habilidades sociais e perfil clínico de mulheres usuárias de crack em internação hospitalar", aprovado pelo Comitê de Ética da UNISINOS. Os instrumentos utilizados foram: questionário de dados sociodemográficos, Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI), Screening Cognitivo do WAIS-III e Régua de Prontidão para a Mudança. Participaram 62 mulheres, entre o sétimo e o décimo oitavo dia de internação. Foram excluídas participantes com síndrome psicótica e com prejuízo cognitivo. As mulheres possuíam média de idade de 33,5 anos (DP=8,1), sendo a maioria pertencente às classes C1 e C2 (51,6%, N=32) e com ensino fundamental incompleto (51,6%, N=32). As participantes encontravam-se nas seguintes etapas de prontidão para a mudança: preparação (53,2%, N=33); ação (25,8%, N=16); contemplação (17,7%, N=11); e de modo algum pronta para a mudança (3,2%, N=2). Em relação à motivação das participantes em buscar tratamento, os filhos foram o principal motivo (38,7%, N=24), seguido da necessidade de mudança de vida (29%, N=18), consideração pelos familiares (16,1%, N=10), prejuízos devido ao uso do crack (11,3%, N=7) e sem motivação (4,8%, N=3). O fato da maioria das mulheres encontrarem-se preparadas para a mudança na etapa da internação hospitalar aponta para a necessidade da motivação ser trabalhada no decorrer do tratamento, a fim de que após o período de internação haja continuidade na mudança de comportamentos. Além disso, os motivos da busca pelo tratamento necessitam ser considerados pelos profissionais, avaliando a motivação no decorrer do tratamento, conforme aponta a literatura.

Palavras-chave: motivação; crack; mulheres.

Correspondência

Mariana Nunes Andreolla
mnandreolla@gmail.com




A importância da saúde mental no enfrentamento às situações de abuso de poder e de corrupção

Anette Teitelbaum Lejderman, Fernando Lejderman

Instituição: Centro de Estudos Luiz Guedes. Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

OBJETIVO: Descrever a importância da saúde mental nas lideranças, responsáveis pela condução de processos investigativos, contra as situações de abuso de poder e de corrupção.
METODOLOGIA: Foram utilizadas como exemplos, as histórias de Fritz Bauer, procurador-geral da cidade de Frankfurt no julgamento, ocorrido em 1963, que condenou os agentes da SS envolvidos nos massacres do campo de extermínio de Auschwitz; de Marty Baron, editor geral do Boston Globe em 2001, que autorizou uma equipe de jornalistas a investigar e publicar as reportagens sobre os crimes sexuais cometidos por padres da Igreja Católica na cidade de Boston; e do juiz brasileiro Sergio F. Moro que, a partir de 2014, é o responsável pelo julgamento em primeira instância dos crimes identificados na "Operação Lava Jato". Esta é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro já conduzida no Brasil pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
CONCLUSÃO: A presença de valores éticos, da integridade moral, autonomia, conhecimento técnico e percepção adequada da realidade, nas lideranças responsáveis pelo enfrentamento às situações de abuso de poder e de corrupção, são características importantes e decisivas para o êxito das investigações.

Correspondência
Rua Eng. Olavo Nunes 99/540
90440-170 Porto Alegre, RS, Brasil




Esquizofrenia paranoide em militar da Marinha no município de Rio Grande

Maria Emilia Montagner, Adib Subhi Hasan Husein

Instituição: Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande - Hospital Psiquiátrico Vicença Maria da Fontoura

OBJETIVO: O objetivo do trabalho é fazer o relato de caso de um paciente de 45 anos em tratamento para esquizofrenia paranoide há 13 anos, com história de 6 internações psiquiátricas.
METODOLOGIA: Foram realizados anamnese, exame do estado mental e revisão de prontuários, além de acompanhamento durante 30 dias em hospital psiquiátrico.
RESULTADOS: Paciente do sexo masculino, 45 anos, divorciado e com a guarda judicial das 3 filhas, Sargento da Marinha, foi admitido no Hospital Psiquiátrico com delírios persecutórios de que o FBI estava o vigiando e controlando os ambientes com escutas e câmeras. Em acompanhamento psiquiátrico regular, porém fazendo uso irregular da medicação. Em tratamento há 13 anos, iniciado quando já era marinheiro, com seis surtos psicóticos prévios à essa hospitalização, sendo as primeiras internações encaminhadas pelo ambulatório Naval e as demais compulsórias, solicitadas pelas filhas. Manteve-se estável durante sete anos entre a segunda e a terceira internações. Progrediu na carreira militar, sendo remanejado várias vezes durante a formação, com algumas descompensações psiquiátricas menores, porém com bom desempenho das funções. Sem prejuízo intelectual, foi de difícil manejo porque o mesmo desconfiava da medicação oferecida. Após 30 dias hospitalizado em uso de antipsicóticos (Clorpromazina e Risperidona), com titulação de doses, houve estabilização do quadro com desaparecimento dos sintomas paranoides e o paciente seguiu com alta para acompanhamento ambulatorial.
CONCLUSÃO: Os antipsicóticos agem principalmente nos sintomas positivos da doença, sendo bastante importantes para atenuar as manifestações psicóticas agudas. Sendo que na esquizofrenia paranoide não há necessariamente deficit intelectual, o correto tratamento possibilita vida social normal com plenitude das suas funções. Contudo, muitas vezes há dissociação da realidade e em algumas profissões isso representa perigo durante os períodos de descompensação.

Correspondência
Rua Luiz Lorea, 385 - Centro
Rio Grande, RS, Brasil
(53)91459463 / 32313694




Revisão sobre prevalência de violência e agressividade no serviço de emergência psiquiátrica

Augusto Ferreira Göller, Emanuelly Martins da Silva, Vitor Crestani Calegaro, Fernanda Fernandes

Instituição: Universidade Federal de Santa Maria

O paciente com patologia mental é conduzido aos serviços de emergência psiquiátrica (SEPS), muitas vezes, devido à autoagressão e à heteroagressão. Em consequência de tal situação, há a indicação de internação voluntária ou involuntária para a autoproteção do paciente e de terceiros (amigos, familiares e outras pessoas próximas). Ademais, a ocorrência de violência e agressividade durante a internação psiquiátrica é comum, acarretando danos físicos e psicológicos aos pacientes e à equipe de saúde envolvida, e consequentemente, mais despesas médicas, ausências ao trabalho e encargos legais. O objetivo deste estudo é determinar a prevalência de agressividade no serviço de emergência psiquiátrica descrito na literatura. O conhecimento desses dados permite uma maior avaliação desses incidentes e uma melhor abordagem a esses pacientes. Previne-se, dessa forma, a ocorrência de situações violentas, e uma melhor forma de manejar as mesmas.
Este estudo constitui-se em uma revisão sistemática da literatura. Foi realizada uma busca nas bases de dados - Medline, Lilacs, Wholis, BBO, AdoLec -, através do site da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bvs.org.br). Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram: (1) delineamento/tipo de estudo - transversais e de coorte que contenham dados de prevalência, incidência ou frequência de agressividade nos SEPs e (2) idioma - na língua portuguesa, espanhola e inglesa.
Foram utilizados para a pesquisa os seguintes termos: "psychiatric emergency services" AND ("aggressi*" OR "violen*") AND ("incidence" OR "prevalence"). Foram encontrados 211 artigos, pré-selecionados 36 artigos, lidos na íntegra, sendo que 10 foram os incluídos no estudo.
Dividimos nossos resultados em três diferente situações: analisando-se pacientes não repetidos, aqueles que se apresentaram a consultas em SEPs e aqueles admitidos no serviço. A prevalência de agressividade, ao se analisar pacientes não repetidos, apresentou-se praticamente concordante entre dois estudos de: 16% e 18%. Analisando aqueles que se apresentaram à consulta nos SEPs, o valor variou entre 7,3% a 19,9%. Já para aqueles admitidos pelo serviço, chegamos a resultados incluídos no intervalo de 3,48% e 38,8%.
Concluímos que, embora com valores bastante variados entre si, a agressividade nos SEPs se configura como um achado bastante prevalente. Por fim, devido à importância do assunto, muito ainda deve ser estudado sobre agressividade no serviço de emergência, a fim de se ter maior disponibilidade de dados sobre o assunto, de se ter estratégias para prevenção de consequências indesejáveis, além de se ter planos de tratamento para pacientes agressivos.

Correspondência
Avenida Roraima, n°1000, Cidade Universitária, Camobi
Santa Maria, RS, Brasil




Perfil de pacientes não aderentes em Psicoterapia Psicanalítica

Camila Piva da Costa, Carolina Padoan, Alcina Barros, Aline Rodrigues, Ana Margareth Bassols, Charlie Severo, Diego Rebouças, Cristina Pessi, Glaydcianne Pinheiro, Pricilla Laskoski, Raquel Saldanha, Stefania Teche, Simone Hauck e Cláudio Eizirik

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: Sabe-se da alta prevalência de pacientes que buscam tratamento psicoterápico e que interrompem o processo durante a fase de avaliação, ou seja, antes de obter resultados. Isto se configura como um problema relevante de saúde mental que precisa ser melhor compreendido para que estas taxas diminuam e mais pessoas consigam se beneficiar da melhora obtida nas psicoterapias.
OBJETIVO: Descrever o perfil dos pacientes que não aderiram a seus tratamentos em uma clínica-escola de psicoterapia psicanalítica entre abril de 2015 e maio de 2016.
MÉTODO: Este estudo faz parte de uma coorte prospectiva que acompanha o processo de psicoterapia em seu ambiente natural, avaliando sintomas, mecanismos de defesa, aliança terapêutica e progresso terapêutico.
RESULTADOS: Dos 494 pacientes que iniciaram a psicoterapia neste período, 179 (37%) abandonaram-na durante a fase de avaliação. Em relação ao treinamento do psicoterapeuta, houve maiores taxas de abandono entre os terapeutas no primeiro ano de formação (36,1%) e entre os que já haviam finalizado o curso (34,9%). Analisando sintomatologia, 43,7% apresentavam índice global de severidade baixo e os sintomas depressivos foram os mais frequentes (35%), seguidos por obsessividade/compulsividade (14,6%) e sensibilidade interpessoal (13,2%). Sobre motivo de consulta, a maioria buscou atendimento por problemas depressivos (49%). Considerando os motivos para o abandono, 26,2% dos pacientes não compareceram à consulta e não justificaram o término; 20,7% afirmaram dificuldades financeiras; e, 20% declararam desmotivação para o processo.
CONCLUSÃO: Estudos mostram que fatores sócio-demográficos não estão associados a não aderência, o que reforça a necessidade de pesquisa dos fatores clínicos e das características do terapeuta. A supervisão dos casos de psicoterapia, por exemplo, deve ser mais presente no início da formação dos psicoterapeutas e não deve se encerrar quando o curso finaliza. Sugere-se que as duas primeiras sessões trabalhem o funcionamento do tratamento, a motivação do paciente para empreender o processo e o vínculo com o terapeuta. Mais estudos são necessários para verificar preditores e compreender a associação entre o componente sintomatológico e a não aderência.

Correspondência
Felix da Cunha 737, cj 606
Porto Alegre, RS, Brasil




Transtorno depressivo associado ao uso de cocaína: relato de caso

Maria Emilia Montagner, Adib Subhi Hasan Husein

Instituição: Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande - Hospital Psiquiátrico Vicença Maria da Fontoura

OBJETIVO: O objetivo do trabalho é fazer o relato de caso de um paciente de 38 anos em tratamento irregular para transtorno depressivo recorrente há oito anos, associado à dependência de cocaína há cinco anos. Bastante resistente a aceitar a doença e necessidade de tratamento, fez vários episódios depressivos maiores no período.
METODOLOGIA: Foram realizados anamnese completa, exame do estado mental e revisão de prontuários, além de acompanhamento durante 18 meses em consultório particular e hospital psiquiátrico.
RESULTADOS: Paciente do sexo masculino, 38 anos, casado, militar, foi encaminhado pelo clínico geral do ambulatório naval para avaliação psiquiátrica após tentativa de atingir outros militares com um caminhão. Com história de episódios depressivos recorrentes desde a adolescência, nunca fez acompanhamento regular. No momento da intercorrência não fazia uso de nenhuma medicação. Após três anos de tratamento com boa resposta, iniciou uso de cocaína e abandonou a medicação. Teve duas tentativas de suicídio e várias internações psiquiátricas. Em tratamento regular, no momento está há 7 meses abstinente e com quadro estável.
CONCLUSÃO: O reconhecimento da existência da patologia com adesão ao tratamento psiquiátrico regular, além da interrupção do uso da cocaína, proporcionaram melhora do quadro depressivo, permitindo ao paciente retomar as atividades laborais e reatar o casamento que fora desfeito em meio ao processo de doença.

Correspondência
Rua Luiz Lorea, 385 - Centro
Rio Grande, RS, Brasil
(53)91459463 / 32313694




Pedestres e acidentes de trânsito: comparação de estatísticas Brasileiras e Portuguesas

Vanessa Dal Cin, Vanessa Eggres, Silvia Halpern, Carla Dalbosco

Instituição: Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Centro Colaborador em Álcool e Drogas HCPA/SENAD, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: É sabido que os pedestres são uma população vulnerável nos acidentes de trânsito, com aproximadamente com 1,2 milhão de mortes e 50 milhões de lesões associadas a acidentes com pedestres em todo o mundo. Apesar da alta prevalência de pedestres em países em desenvolvimento, há falta de dados sobre a segurança do tráfego em comparação com os países desenvolvidos.
OBJETIVO: Comparar a incidência de acidentes de trânsito envolvendo pedestres no Brasil e em Portugal, de acordo com sexo e faixas etárias, em 2014.
MÉTODO: Foi realizada uma revisão integrativa e uma comparação descritiva de quantidade, qualidade, abrangência e resultados dos dados de cada país. Para acessar acidentes de trânsito envolvendo pedestres em ambos os países, os dados do Brasil foram coletados no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e os dados de Portugal foram coletados na Agência Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
RESULTADO: No Brasil, 2,5% dos acidentes em rodovias federais envolvem pedestres, que representam 14,6% de todas as mortes em acidentes de trânsito neste ano. Em Portugal, os acidentes com pedestres representam 15% de todos os acidentes de trânsito, levando a 22,7% das mortes no trânsito. No entanto, a incidência de pedestres mortos em Portugal foi menor (3.1/100 acidentes) do que no Brasil (29.1/100 acidentes). Houve uma maior prevalência de homens em todas as faixas etárias de pedestres feridos no Brasil (71%), enquanto que em Portugal houve uma porcentagem similar entre homens (44.7%) e mulheres (55,3%). Em relação a mortes nas estradas, encontramos uma prevalência maior em ambos os países (B=74.3% e P=63%), com um maior número de vítimas na faixa etária de 70 a 75 anos de idade.
CONCLUSÃO: Esta pesquisa sugere que os dados oficiais devem ser interpretados com cautela. Provavelmente as estatísticas subestimam o número de acidentes porque os presentes dados concernem apenas às rodovias federais, no Brasil. Esta limitação pode ser explicada pela dimensão continental do país, no qual persiste o desafio de garantir sistemas de informação integrados, que gerem dados de forma contínua. Há uma necessidade evidente de pesquisas sobre acidentes de trânsito. Além disso, a pesquisa sobre fatores de risco, como álcool e uso de drogas, é importante para formular políticas e estratégias para a segurança do elemento mais vulnerável do trânsito, no contexto brasileiro.

Correspondência
Rua Professor Álvaro Alvim, 400
90420-020 Porto Alegre, RS, Brasil




Follow-up em Psicoterapia Psicodinâmica: uma revisão sistemática

Camila Piva da Costa, Andre Bastos, Carolina Padoan, Alcina Barros, Aline Rodrigues, Ana Margareth Bassols, Charlie Severo,Diego Rebouças, Cristina Pessi, Glaydcianne Pinheiro, Pricilla Laskoski, Raquel Saldanha, Stefania Teche, Simone Hauck e Claudio Eizirik

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: Para a maioria dos transtornos psiquiátricos, a efetividade de um tratamento pode ser indicada pela melhora do paciente. No entanto, um fator importante a ser considerado é a manutenção dos resultados após o término do tratamento. Para isso, o follow up é uma ferramenta relevante.
OBJETIVOS: Revisar e analisar de forma sistemática os estudos de follow up em psicoterapia psicodinâmica de 2006 a 2016. Como objetivo secundário, buscou-se revisar os resultados dos estudos que comparam diferentes modelos de tratamento.
MÉTODO: As buscas foram feitas nas principais bases de dados com os seguintes descritores: psicoterapia psicodinâmica (e equivalentes), resultado e follow up.
RESULTADOS: Foram encontrados 34 artigos que preenchiam os critérios de inclusão. Os estudos mostram que as psicoterapias são tratamentos efetivos não apenas durante o processo mas que os resultados se mantêm após a alta do paciente. Nos estudos que comparavam a efetividade entre modelos de psicoterapia, foi visto que, na maioria dos casos, não existem diferenças significativas entre os grupos, ou seja, os pacientes apresentam melhora independente do tipo de psicoterapia. No entanto, evidenciou-se que em modelos de tratamento de longo prazo, a psicoterapia psicodinâmica tende a apresentar maiores taxas de efetividade e de manutenção da melhora por mais tempo. Por outro lado, para tratamentos de curto prazo, parece haver uma tendência de efetividade dos modelos cognitivos.
CONCLUSÕES: Para avaliar efetividade de tratamento, as medidas de follow up devem ser consideradas. A manutenção dos resultados do tratamento a longo prazo parece ser um indicativo relevante de saúde mental.

Correspondência
Felix da Cunha, 737/cj 606
Porto Alegre, RS, Brasil




Tentativa de suicídio em paciente dependente de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP): Relato de caso

Caroline Fredi Almeidaa, Thricy Dhamera, Cauê Attab Negrinhob, Aline Damé Voggb, Stephan Espinosa Meirellesb, Émile Hirdes Krügerb, Rafael Moreno Ferro de Araújoc

a Medica Residente em Psiquiatria do Hospital Bruno Born, Lajeado- RS.
b Médico Residente em Psiquiatria da Sociedade Sulina Divina Providência - Hospital São José, Arroio do Meio-RS.
c Médico Psiquiatra.

INTRODUÇÃO: Gás liquefeito de petróleo (GLP) é o nome genérico atribuído à misturas de hidrocarbonetos (principalmente 60% de propano e 40% de butano). A prática de inalação do gás de petróleo liquefeito é incomum e quase exclusivamente uma prerrogativa da população prisional . Numerosos casos de morte súbita foram descritos, porém há poucos relatos na literatura acerca dos sintomas apresentados pelos sobreviventes.
OBJETIVO: Relatar um caso de paciente dependente de Gás Liquefeito de Petróleo assistido no serviço de residência médica de psiquiatria após tentativa de suicídio.
METODOLOGIA: Avaliação clínica do paciente em questão e posterior revisão de seu prontuário e de literatura relacionado ao tema exposto.
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 42 anos, branco, solteiro, natural e procedente de Bom Retiro do Sul, recebendo auxílio doença há 2 anos, anteriormente auxiliar de produção, primeiro grau incompleto. Chega ao Pronto Atendimento do Hospital de Caridade Sant'Ana - Bom Retiro do Sul, trazido imediatamente pela mãe, após tentativa de suicídio por ingesta de 1 grama de clorpromazina, recebendo manejo inicial e posterior transferência para unidade de psiquiatria do Hospital São José - Arroio do Meio. História de dependência de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP - gás de cozinha) durante 10 anos, iniciado após separação conjugal, com piora do uso nos últimos 4 anos. Há 6 meses abstêmio do uso de GLP por falta de acesso à substância, passou a fazer uso de aproximadamente um litro de cachaça três vezes por semana. Chegou ao hospital abstinente há uma semana, mas apresentando sintomas de fissura pelo álcool. Permaneceu internado por 15 dias evoluindo satisfatoriamente, recebe alta hospitalar com Topiramato 100mg/dia e Fluoxetina 20mg/dia, mantendo acompanhamento ambulatorial.
DISCUSSÃO: A evolução clínica e as anormalidades desenvolvidas são semelhantes aos descritos em casos de envenenamento pelo Monóxido de Carbono (CO), onde o mecanismo de lesão cerebral é decorrente da hipóxia. Acredita-se que o GPL, considerado até agora uma mistura de gás com baixo poder neurotóxico, pode causar dano tóxico a longo prazo ao cérebro (BUSL, 2010; WRIGHT, 2003).
CONCLUSÃO: Acredita-se que o GPL tenha um baixo poder de adicção, porém, pode causar grandes efeitos histotóxicos cerebrais a longo prazo (GODANI, 2015). No entanto, carecem estudos acerca do tema devido à baixa prevalência de dependência do gás descrita mundialmente.

REFERÊNCIAS:

Busl KM, Greer DM. Hypoxic-ischemic brain injury: pathophysiology, neuropathology and mechanisms. Neuro Rehabilitation. 2010;26(1):5-13.

Geibprasert S, Gallucci M, Krings T. Addictive illegal drugs: structural neuroimaging. AJNR Am J Neuroradiol. 2010;31(5):803-808.

Godani, M. et al. Ataxia with Parkinsonism and dystonia after intentional inhalation of liquefied petroleum gas. Neuropsychiatr Dis Treat. 2015

Wright TC, Kim JB, Currie LJ, Kay AR, Burge TS. Leakage of liquefied petroleum gas during motor vehicle refuelling-a new cause of cold injury. Burns 2006;32:132-3.




Adaptação transcultural para o português brasileiro do instrumento "Trauma and Attachment Belief Scale" (TABS) utilizado para identificar traumatização vicária

Alcina Juliana Soares Barros, Stefania Pigatto Teche, Aline Andre Rodrigues, Charlie Trelles Severo, Raquel Saldanha, Cristina Pessi, Ana Margareth Bassols, Carolina Padoan, Camila Costa, Diego Rebouças, Glaydcianne Pinheiro Bezerra, Pricilla Braga Laskoski, Simone Hauck, Claudio Laks Eisirik

Instituição: Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UFRGS.

OBJETIVO: Apresentar o processo de avaliação da equivalência transcultural entre o instrumento Trauma and Attachment Belief Scale (TABS), criado em inglês e usado para examinar tanto os efeitos da traumatização direta em pacientes quanto a traumatização vicária em profissionais de saúde mental, e uma versão em português para uso corrente no Brasil.
METODOLOGIA: Após ampla revisão bibliográfica, a avaliação da equivalência conceitual e de itens envolveu uma série de discussões com especialistas brasileiros - psiquiatras e psicólogos com experiência em trauma - fluentes em língua inglesa. A existência e pertinência, em nosso meio e realidade, dos conceitos teóricos subjacentes e dos itens componentes do instrumento foram abordadas, além da melhor forma de traduzi-lo para o português. Esses especialistas compuseram dois grupos independentes (G1 e G2) e cada um deles formulou uma tradução da escala original para o português. A versão inicial em português (P1) foi criada após debate entre os grupos e decidida por um trio de jurados (psiquiatras docentes), com votos de desempate. A avaliação da equivalência semântica de P1 comportou duas traduções independentes (T1 e T2), uma feita por psicólogo americano bilíngue e outra por professora de inglês britânica bilíngue. As respectivas retraduções (R1 e R2) foram realizadas por G1 e G2, também de modo independente e às cegas quanto ao perfil profissional dos tradutores.
RESULTADOS PRELIMINARES: A avaliação da equivalência de significado referencial e geral (conotativo) entre as retraduções e o original indicou grande compatibilidade e semelhança entre R1 e R2, com apenas 4 dos 84 itens necessitando ser reavaliados. Novos encontros com especialistas produziram a versão-síntese portuguesa e se iniciou a pré-testagem, em psiquiatras e psicólogos voluntários, aceitando-se sugestões de reescrita das frases. As escalas foram respondidas por profissionais, havendo aceitabilidade e fácil compreensão dos itens.
CONCLUSÃO: O processo de adaptação em curso vem indicando equivalência satisfatória entre as versões original e brasileira da TABS. Este instrumento poderá então auxiliar os profissionais de saúde mental do Brasil a identificarem o trauma vicário, servindo como ferramenta de proteção da saúde para aqueles que fornecem cuidados.

Correspondência
Alcina Barros
Avenida Diário de Notícias, 200, sala 909, Cristal
90810-080 Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: alcina.forense@gmail.com




Ensaio comportamental com exposição à estímulos como intervenção no tratamento de pessoas com problemas relacionados ao uso de drogas

Mariana dos Santos Sabin, Bruna Moraes Costa, Joyce Santos do Amaral, Wiliam Antiqueira da Luz, Rodrigo dos Santos Zancan, Karina Proença Ligabue

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Unidade de Adição Álvaro Alvim.

OBJETIVO: Desenvolver, por meio de ensaios comportamentais, habilidades para lidar com diferentes situações de risco para recaída, de forma a ajudar as pessoas com problemas relacionados ao uso de drogas a reduzirem a intensidade das reações internas e aumentar a probabilidade de praticar o uso das habilidades de enfrentamento quando encontrar os estímulos posteriormente.
MÉTODO: Realização de sessões em grupo de Ensaio Comportamental com pessoas internadas em uma unidade de adição, desenvolvidas semanalmente, com duração de 1 hora. Em cada sessão é realizado o treino de habilidades de enfrentamento em uma situação de risco para recaída com o objetivo de treinar especialmente as habilidades sociais de assertividade e recusa. Para tanto, em cada sessão de Ensaio Comportamental utiliza-se objetos relacionados com o uso de substâncias (ex. garrafa de bebida, carteira de cigarro, dinheiro, etc.), no qual se possibilita um setting seguro onde os pacientes podem praticar e melhorar suas habilidades de enfrentamento.
RESULTADOS: Percebeu-se que grande parte dos participantes demonstraram dificuldades em realizar comportamentos efetivos referentes às habilidades sociais, principalmente comportamentos de assertividade e recusa. A utilização de objetos ligados ao consumo de substâncias faz com que de forma subjetiva os participantes refiram aumento na fissura (caracterizada por um pensamento sobre o uso da substância, acompanhado de sensações físicas desconfortáveis) e stress. Na medida em que os indivíduos têm a oportunidade de praticar comportamentos em ambiente protegido e adquirir respostas de enfrentamento mais efetivas frente a determinadas situações, se pode aumentar a probabilidade de que estes sejam capazes de usar essas habilidades de modo eficaz ao encontrar estímulos posteriormente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Através desta intervenção se observa a importância de trabalhar com esta população o desenvolvimento das habilidades sociais como técnica de prevenção da recaída, podendo ser um coadjuvante importante no tratamento de dependentes químicos.

Correspondência
Unidade de Adição Álvaro Alvim
Rua Professor Álvaro Alvim, 400 - Rio Branco
90420-020 Porto Alegre, RS, Brasil




Agressividade e tentativas de suicídio em pacientes internados em uma emergência psiquiátrica

Scheila Signora, Augusto Ferreira Gölera, Emanuelly Martins da Silvaa, Isabela Duarte de Souzaa, Vitor Crestani Calegarob

a Acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria
b Prof. Me. Departamento de Neuro-psiquiatria da Universidade Federal de Santa Maria

Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - Departamento de Neuropsiquiatria, Centro de Ciências da Saúde

Este trabalho objetiva relacionar o comportamento agressivo e suicida em pacientes internados numa emergência psiquiátrica.
Foi realizado um estudo naturalístico, avaliando os pacientes internados, com história de tentativa de suicídio no Pronto Atendimento Psiquiátrico do Hospital Universitário de Santa Maria, em um período de 6 meses. Os sujeitos foram entrevistados na admissão, para preencher um formulário de pesquisa e a Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica (BPRS). Os episódios de agressividade ocorridos no hospital foram registrados por meio da Escala de Agressividade Declarada (OAS).
A amostra de 63 indivíduos foi dividida entre os 26 pacientes que tentaram suicídio nas 24 horas prévias à internação (TS) e os demais 37 pacientes que não tentaram, mas que tinham história prévia de tentativas de suicídio (HPTS). Do grupo TS, apenas cinco (7,9%) não apresentavam história prévia de tentativa de suicídio. Grande parte dos indivíduos apresentava história prévia de agressividade verbal/contra objetos (HTPS: 91,9% vs TS: 92,3%%; NS) e de agressividade física (HPTS: 73% vs TS 61,5%; NS), assim como história de agressividade na semana anterior à internação: agressão verbal /contra objetos (HPTS 89,2% vs TS 69,2%; NS) e agressão física (HPTS 51,4% vs TS 19,2%; p=0,017). Associação estatisticamente significativa foi encontrada para o motivo da internação, sendo o risco de suicídio mais frequente nos indivíduos do grupo TS (88,5% vs 24,3%; p<0,001), e o risco de heteroagressão nos do grupo HPTS (48,6% vs 19,2%; p=0,020). A análise da BPRS indicou que o grupo TS apresentou menos sintomas ativadores em relação ao grupo HTPS (x'=4±5 vs x'=7±5; p=0,025) e mais sintomas afetivos (x'=13±5 vs x'= 8±6; p=0,002). Não houve diferença significativa entre os grupos em relação ao comportamento agressivo durante a internação.
Na amostra estudada, portanto, a agressividade esteve presente na maioria dos indivíduos com comportamento suicida. A principal diferença entre os grupos em estudo foi que os indivíduos que tentaram suicídio nas 24 horas da internação internaram mais deprimidos, enquanto os que não tentaram mas que tinham história prévia encontravam-se mais agitados e heteroagressivos. Várias pesquisas apontam que a agressividade é um comportamento associado à suicidabilidade, o que pode explicar os resultados encontrados.

Correspondência
Vitor Crestani Calegaro
Universidade Federal de Santa Maria - Departamento de Neuropsiquiatria, Centro de Ciências da Saúde
Av. Roraima, 1000
97105-900 Santa Maria, RS, Brazil
Tel./Fax: +55 (55) 3220.8148 / 3025.7596
E-mail: vcalegaro@hotmail.com




Seria a Psicanálise um exercício estético? - Evidências de efetividade em psicoterapias psicanalíticas

Raquel Saldanha, CharlieTrelles Severo, Stefania Pigatto Teche, Aline Andre Rodrigues, Diego Rebouças, Alcina Juliana Soares Barros, Ana Margareth Bassols, Carolina Padoan, Camila Costa, Glaydcianne Pinheiro Bezerra, Pricilla Braga Laskoski, Simone Hauck, Claudio Laks Eisirik

Instituição: Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UFRGS.

INTRODUÇÃO: Além da evidência clínica de efetividade de mais de cem anos, atualmente existe um número significativo de estudos, inclusive ensaios clínicos, demonstrando a efetividade da psicoterapia psicanalítica. No entanto, ainda se percebe em alguns segmentos científicos o pensamento de que esta terapêutica não pode ser estudada ou respaldada cientificamente.
OBJETIVO: Revisar a literatura com o objetivo de identificar os estudos de eficácia e efetividade disponíveis em psicoterapia psicanalítica, a metodologia aplicada e sua adequação, e as alternativas de medidas de processo e desfecho, incluindo escalas, marcadores biológicos e estudos de neuroimagem.
MÉTODO: Revisão narrativa de trabalhos de eficácia e efetividade em psicoterapia psicanalítica indexados no Pubmed e Psycinfo. Os estudos incluídos foram revisados especificamente em relação às medidas de desfecho e particularidades metodológicas utilizadas como, por exemplo, conceitualização da técnica, adesão a técnica e tratamento dos dados.
RESULTADO: Identifica-se que a psicoterapia psicanalítica está integrada nos parâmetros da medicina baseada em evidências. Considerações metodológicas necessárias geram e garantem resultados consistentes cientificamente, tais como a adequada definição e conceitualização do tratamento aplicado com medidas consistentes de aderência a técnica e o uso de parâmetros de desfecho que englobam, além de questões específicas do tratamento psicodinâmico como mecanismos de defesa, relações objetais e padrões de transferência, parâmetros mais amplos como qualidade de vida, funcionamento social e ocupacional, marcadores biológicos e neuroimagem funcional.
CONCLUSÃO: A disponibilidade de evidências de efetividade, incluindo a já demonstrada modificação no funcionamento cerebral paralela a melhora clínica através dos tratamentos psicodinâmicos, torna irrelevante discutir se é possível comprovar a eficácia desses métodos ou se há prova de sua efetividade. No entanto, esse é um questionamento que ainda reverbera em alguns meios. O grupo entende que é preciso que os pesquisadores e clínicos da área trabalhem no sentido de uma crescente integração, apropriando-se das questões metodológicas e melhorando a comunicação com os profissionais de outras áreas.

Palavras-chave: evidência; eficácia; efetividade; psicoterapia psicanalítica; psicodinâmica; psicanálise; psicoterapia de orientação analítica.

Correspondência
Alcina Barros
Avenida Diário de Notícias, 200, sala 909, Cristal
90810-080 Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: alcina.forense@gmail.com




Autoestima e esperança em pacientes com transtornos relacionados a substâncias

Adriana Mokwa Zaninia, Lisia von Diemenb, Felix Henrique Paim Kesslerb, Rafael Stella Wellausena e Clarissa Marceli Trentinia

a Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
b Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre/ Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Centro Colaborador em Álcool e Drogas - HCPA/SENAD

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

INTRODUÇÃO: as diversas técnicas utilizadas para tratamento de Transtornos Relacionados a Substâncias (TRS) têm um enfoque predominantemente curativo. Em contrapartida, a Psicologia Positiva visa à prevenção e à promoção da saúde mental, identificando características preservadas a serem potencializadas e contribuírem para a melhora de outras características. São englobados conceitos como Autoestima e Esperança, estáveis ao longo do tempo, mas que podem ser potencializados.
OBJETIVO: investigar Autoestima e Esperança em homens internados por TRS, em uma unidade hospitalar especializada de um hospital público de Porto Alegre.
MÉTODO: estudo transversal com homens internados em uma unidade especializada em tratamento de TRS, cujas estratégias terapêuticas envolvem treinamento cognitivo comportamental e técnicas motivacionais. A amostra foi dividida em dois grupos clínicos: 60 participantes internados por cocaína, e 30 por álcool, selecionados por conveniência, com as seguintes idades: álcool - M= 45,43 (DP=10,65); cocaína - 35,42 (9,98)*(p<0,05). Os critérios de exclusão foram sintomas psicóticos, síndrome de abstinência e déficit cognitivo avaliados clinicamente. Foram aplicadas as Escalas de Autoestima de Rosenberg (EAR) e a de Esperança Disposicional (EED), ambas com normas brasileiras. Uma psicóloga aplicou-os verbalmente, para minimizar dificuldades de compreensão, bem como respostas aleatórias. Realizou-se Análise Multivariada ANOVA, utilizando WinPepi versão 11.43.
RESULTADOS: os dois grupos clínicos apresentaram escores abaixo da média (p<0,05) do grupo normativo da EAR (n=492): Normativo - M= 32,90 (DP=6,04)a ; Cocaína - 27,15 (4,41)b; Álcool - 27,03 (3,56)b. Com relação à EED (n=844), os usuários de cocaína apresentaram escore inferior ao do grupo normativo, sem diferença entre os grupos clínicos novamente: Normativo - 31,60 (4,40)a; Cocaína - 29,27 (5,55)b; Álcool - 30,00 (4,91)ab.
CONCLUSÃO: A autoestima baixa nos grupos clínicos pode estar associada aos problemas psicossociais e de saúde que permeiam os pacientes com TRS, como subemprego, doenças clínicas e problemas nos relacionamentos. Essas dificuldades antecedem a internação, o que pode agravar a depreciação no autorrelato. Sobre a esperança, parece preservada nos usuários de álcool, podendo ser potencializada a favor do tratamento, já que varia de acordo com o objetivo. Quanto aos usuários de cocaína, deve-se considerar que são em média 10 anos mais novos, mas os prejuízos causados pela substância são mais devastadores. É possível que isso realmente tenha relação com baixa esperança. Porém, esse aspecto deve ser melhor estudado, já que as diferenças entre os grupos na EED foram relativamente pequenas e podem não representar uma significância clínica.

Correspondência
Adriana Mokwa Zanini
Rua Ramiro Barcelos, 2600
Porto Alegre, RS, Brasil
adrizanini@gmail.com




Correlação entre traços de personalide e sintomatologia de transtorno de estresse pós-traumático em pessoas expostas ao incêndio da Boate Kiss

Emanuelly Martins da Silvaa, Augusto Ferreira Gollera, Isabela Duarte de Souzaa, Scheila Signora, Vitor Crestani Calegarob, Lucia Helena Freitas Ceitlinc

a Acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
b Professor assistente do Departamento de Neuropsiquiatria (UFSM) e doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
c Professora adjunta do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal (UFRGS)

Instituição: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

O objetivo deste estudo é analisar a correlação dos traços de personalidade, de acordo com o modelo psicobiológico de Cloninger, com os sintomas de TEPT em pessoas expostas ao incêndio da boate KISS.
Foi realizado um estudo de caso-controle através de entrevista com pacientes do Ambulatório de Pneumologia (controles) e de Psiquiatria (casos), do Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes (CIAVA), no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), após três anos da tragédia. Foram aplicados questionários como Post-Traumatic Checklist - Civilian version (PCL-C), que quantifica os sintomas de TEPT, e o Inventário de Temperamento e Caráter (ITC), que mede os traços de temperamento (evitação de danos, persistência, busca de novidades e dependência de recompensa) e de caráter (autodirecionamento, cooperatividade e autotranscendência). Todos os pacientes assinaram o termo de consentimento informado. Foram feitas análises descritivas entre os grupos, e análise de correlação de Spearman entre os fatores em estudo, utilizando nível de significância de 5%.
A amostra foi composta por 95 indivíduos (55 controles e 40 casos). Os controles tinham, em média, 29 (±8) anos de idade e 14 (±3,5) anos de estudo, e os casos, 28 (±8) e 14,1 (±3,5), respectivamente. Os controles eram, na maioria, homens (67,5%), e os casos eram, na maioria, mulheres (65,5%; p=0,002). Encontrou-se correlação positiva entre os traços de esquiva do dano (ED; rs=0,564; p<0,001) e autotranscendência (AT; rs=0,268; p=0,019), e negativa entre os traços de autodirecionamento (AD; rs=-0,627; p<0,001) e cooperatividade (C; rs=-0,315; p=0,005).
Conclui-se que há forte correlação positiva entre esquiva de dano, e negativa entre autodirecionamento e TEPT, 3 anos após a tragédia. Há correlação moderada, positiva entre autotranscendência e negativa entre cooperatividade. A análise da relação de risco entre traços de personalidade e TEPT deve ser melhor elucidada em outros estudos.

Correspondência
Vitor Crestani Calegaro
Av. Roraima n° 1000, Cidade Universitária, Bairro Camobi
97105-900 Santa Maria, RS, Brasil
vitorcalegaro@mail.ufsm.br




Psicoterapia Psicanalítica e a Construção da Identidade em Adolescentes Adotados: considerações teórico-clínicas

Letícia Garcia Orengoa, Ana Luiza Bittencourt Bernia, Cristina Lessa Hortab

a CEAPIA
b PUCRS e Unisinos

Este artigo tem como objetivo refletir sobre o processo de construção da identidade em adolescentes adotados, a partir da experiência clínica das autoras em psicoterapia psicanalítica. Para tanto, realizou-se uma revisão narrativa sobre a adolescência e a clínica da adoção. Foram consultados artigos científicos, além de autores clássicos e contemporâneos de referência nos temas abordados. Sabe-se que a adolescência é o período do ciclo vital marcado por uma crise de identidade. É nesta etapa que o jovem terá que rever suas vivências infantis e se estruturar para a vida adulta. A partir deste estudo, é possível perceber que para o adolescente adotado existem demandas extras a serem elaboradas, uma vez que ao voltar-se para sua história primitiva, muitas vezes, o que encontra é o desconhecimento de sua origem e/ou vivências traumáticas. Nesse sentido, a psicoterapia, através da escuta analítica, pode servir como um facilitador no processo de historização e formação de uma nova identidade. Possibilitar este espaço de reflexão e compreensão pode auxiliar na prevenção de possíveis distúrbios afetivos, favorecendo o desenvolvimento saudável do adolescente. Constata-se, portanto, que o atendimento psicoterápico de adolescentes adotivos apresenta peculiaridades que devem ser consideradas. Destaca-se, ainda, a escassez de estudos sobre o atendimento em psicoterapia destes jovens, no que tange à construção da sua identidade. Sugere-se, assim, que estudos empíricos sejam realizados para uma melhor compreensão deste processo.

Palavras-chave: adoção, adolescência, crise de identidade, psicoterapia, psicanálise.

Correspondência
Letícia Garcia Orengo
Rua Felipe Neri, 366 sala 203
90440-150 Porto Alegre, RS, Brasil
leticiaorengo@gmail.com

Ana Luiza Bittencourt Berni
anamasiero@hotmail.com

Cristina Lessa Horta
cristinalessahorta@gmail.com




Usuários de crack com histórico de exposição à violência apresentam maior gravidade em ampla gama de domínios da vida

Nino Cesar Marchi, Mayra Pachado, Flávio Pechansky, Silvia Halpern, Andrei Valerio, Leticia Schwanck Fara e Felix Paim Kessler.

Instituição: Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) - UFRGS/HCPA

OBJETIVO: Investigar diferenças entre pessoas em busca de tratamento por transtorno por uso de crack (TUC) com relação a exposição ou não a abuso físico, sexual ou outro tipo de crime violento na vida (EV) e a gravidade dos problemas em áreas importantes da vida psicossocial.
MÉTODO: Estudo de delineamento transversal com participação de 781 pessoas, homens e mulheres, que buscaram tratamento para problemas por uso de crack, em serviços de saúde pública de seis capitais brasileiras. Os participantes foram divididos em dois grupos, Grupo 1 (n=255): pessoas com transtorno por uso de crack (TUC) sem história de EV e, Grupo 2 (n=526) pessoas com TUC com história de EV. Foi analisado se havia diferença entres estes dois grupos quanto aos seus problemas, nos 30 dias anteriores à busca de tratamento, em diferentes áreas da vida - problemas relacionados ao uso de drogas e álcool, problemas psiquiátricos, problemas de saúde em geral, problemas com a lei, problemas ocupacionais e problemas nos relacionamentos com parceiros, familiares e amigos. Para a coleta dos dados foi utilizado o Addiction Severity Index (ASI6). A comparação da gravidade dos problemas entre os dois grupos foi feita através do teste t de Student.
RESULTADOS: Os participantes que reportaram exposição à violência na vida, quando comparados àqueles que não reportaram, apresentaram maior gravidade nos problemas por uso de drogas (p=0,018), por uso de álcool (0,002), problemas psiquiátricos, médicos, legais e em seus relacionamentos com seus parceiros, familiares e amigos (p<0,001). Não houve diferença entre os dois grupos com relação a gravidade dos problemas ocupacionais.
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que usuários que apresentam transtorno por uso de crack e que reportaram exposição à abuso físico, sexual ou outro tipo de crime violento na vida, apresentam maior gravidade de problemas em domínios importantes de suas vidas. Na prática, conhecer o histórico e eventos traumáticos, tais como episódios de violência sofridos por essa população, poderá impactar na recuperação dos usuários de crack.

Correspondência
Rua Prof. Álvaro Alvim, 400
90420-020 Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone: (051) 3359-6488 - 9851-0660
e-mail: ninomarchi@gmail.com




Características de personalidade em universitários concluintes

Bruna Hartmanna, Luciane Linden Gottschalkb, Ilana Andrettac

a Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
b Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da UNISINOS
c Doutora em Psicologia e Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da UNISINOS

A transição universidade-trabalho é caracterizada por transformações e construção de identidade (Lima-Dias & Soares, 2012; Oliveira, 2014; Teixeira, 2002), vivenciados por diversos estudantes de ensino superior do país. Este estudo objetiva descrever o perfil e as características de personalidade de universitários concluintes, matriculados em uma Instituição de Ensino Superior (IES) particular do Sul do Brasil, nos cursos bacharéis em Administração, Arquitetura e Psicologia, na modalidade presencial. Os presentes dados são resultados preliminares de um recorte da pesquisa "Efeitos de uma intervenção de Coaching Cognitivo-Comportamental na preparação para a transição universidade-trabalho", aprovada sob o n° 15/252 pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Trata-se de um estudo descritivo, de delineamento transversal quantitativo (Sampieri, Collado, & Lucio, 2013). Utilizou-se como instrumentos o Questionário de Dados Sociodemográficos e a escala de Marcadores Reduzidos para a Avaliação da Personalidade no Modelo dos Cinco Grandes Fatores. Como critérios de inclusão, os participantes deveriam estar no último ano do curso e/ou com 80% das disciplinas da grade curricular concluídas e não houve critérios de exclusão. Os resultados foram analisados por grupo separadamente, utilizando o SPSS versão 22.0. O grupo de alunos da Arquitetura contava com 49 participantes, com uma média de idade de 26,9 anos (DP=7,1). Eram em sua maioria mulheres (73,5%, n=36), solteiros (81,3%, n=39) e com previsão de formatura para 2016/2 (29,2%, n=14) e 2017/1 (29,2%, n=14). Uma grande parte dos participantes trabalhava (62,5%, n=30) e 66,7% (n=32) nunca haviam realizado algum tratamento psicológico ou psiquiátrico. O grupo do curso de Administração contou com 33 participantes, com idade média de 28,9 anos (DP=5,5) e também em sua maioria mulheres (72,7%, n=24). O grupo do curso de Psicologia contou com 34 participantes com idade média de 27,9 anos (DP=6,9). Os dados dos grupos de Administração e Psicologia assemelham-se com os encontrados no grupo de Arquitetura, diferenciando-se apenas na realização de algum tratamento psicológico ou psiquiátrico, onde a maioria do grupo de Psicologia relatou estar fazendo/ter feito (70,6%, n=24). Na escala de personalidade, os fatores mais pontuados foram Conscienciosidade (média 21,4, DP=3,01) e Socialização (média 20,06, DP=3,16). A Conscienciosidade avalia o quanto a pessoa é focada, tem disposição para buscar suas metas, é realizadora, motivada e persistente, apresentando autocontrole. Já a socialização demonstra a capacidade da pessoa em estabelecer relações com qualidade, de forma agradável e empática. Os alunos participantes deste estudo estão no período de transição universidade-trabalho, quando são revividos sentimentos de insegurança já vivenciados no ingresso à universidade, com dúvidas e ansiedades sobre o futuro (Bardagi et al., 2006; Lima-Dias & Soares, 2012; Teixeira, 2002). A fim de facilitar a preparação para as tomadas de decisões de carreira, todos os alunos que possuíam os critérios de inclusão foram convidados para uma intervenção em grupo com técnicas de Coaching Cognitivo-Comportamental, e a participação foi por adesão dos interessados. Podemos concluir que os fatores de personalidade de Conscienciosidade e Sociabilidade que os participantes deste estudo apresentaram, justifica o interesse por participarem da intervenção proposta. Estes resultados evidenciam a necessidade de novos estudos com este público, buscando auxiliá-los no processo de transição universidade-trabalho.

REFERÊNCIAS

Bardagi, M., Lassance, M. C. P., Paradiso, A. C., Menezes, I. A. (2006). Escolha Profissional e Inserção no Mercado de Trabalho: Percepções de Estudantes Formandos. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, 10 (1), 69-82.

Lima-Dias, M. S. L., Soares, D. H. P. (2012). Planejamento de carreira: uma orientação para universitários. Psicologia Argumento, 30(68), 53-61.

Oliveira, M. C. (2014). Sucesso na graduação: estudo longitudinal prospectivo da transição universidade-trabalho. Tese de Doutorado, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasil.

Sampieri, R. H., Collado, C. F., & Lucio, M. P. (2013). Metodologia de Pesquisa. Porto Alegre: Artmed.

Teixeira, M. A. P. (2002). A experiência de transição entre a universidade e o mercado de trabalho na adultez jovem. Tese de Doutorado.Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Algre, RS, Brasil.

Correspondência
Bruna Hartmann
bruna.hartmann@hotmail.com




Alice no País das Maravilhas e a gestação na adolescência: caminhos possíveis na construção da identidade materna

Jandira Rahmeier Acostaa, Jader Piccina, Juliana Pinto Moreira Santosa, Maristela Priotto Wenzelb

a Psiquiatra da Infância e Adolescência. Cursista do segundo ano (PICCAP) no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
b Psicanalista e Psicanalista da Infância e Adolescência. Professora e supervisora da residência de Psiquiatria da Infância e Adolescência do HCPA e do curso de Psicoterapia da Infância e Adolescência do CELG. Membro associada da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre. Sócia efetiva do CELG.

OBJETIVO O presente trabalho relata a experiência de um grupo de psiquiatras da Infância e Adolescência, em aperfeiçoamento no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), com estágio no ambulatório de intervenções psicoterápicas pais-bebê. Relatamos o caso de uma adolescente em situação de importante vulnerabilidade biopsicossocial, acompanhada desde o final do 3° semestre da gestação a partir de vinhetas com alusão à história de "Alice no País das Maravilhas". Através dessa alusão, discutimos s transformações vividas por essa jovem ao longo no trabalho de psicoterapia pais-bebê.
Esse trabalho visa mostrar que a intervenção psicoterápica pais-bebês com mães adolescentes em situações de vulnerabilidade pode servir de transformação positiva do pensar e do agir, através da identidade materna que vai se construindo. Além disso, irá servir de momento de reparação das relações com a sua própria mãe.
RESULTADOS: Assim como a adolescência, a gestação é um evento do ciclo de vida que implica uma série de mudanças, tanto biológicas como psicológicas e sociais. Constitui também uma etapa de reestruturações na vida da mulher e nos papéis que ela exerce. Sabe-se que o relacionamento com sua própria mãe passa por uma reativação e reorganização durante a gestação, momento em que é necessária a formação de modelos de maternagem.
O caso relatado é da paciente Luana (nome verdadeiro preservado), 15 anos, portadora de HIV+ por transmissão vertical. Apresentava quadro crônico de depressão grave, com ideação suicida e automutilações, além de episódios de binge de álcool antes da gestação. No passado, histórias de tentativas de suicídio, sendo a última há cerca de 1 ano. Relatava gestação não planejada, mas desejada. Paciente apresentava conflitos importantes com sua família de origem, como abuso físico e negligência por parte da mãe, a partir dos 6 anos, assim como indícios de abuso sexual por provável membro da família. Apresentava risco elevado de depressão grave no pós-parto, o que poderia comprometer o vinculo com o bebê. Aproximou-se afetivamente da mãe no final da gestação. Tinha bom relacionamento com o namorado, com papel de apoio. Após nascimento do bebê, Luana relata melhora dos sintomas depressivos e demonstra afeto e cuidado com sua filha, sendo reconhecida como boa mãe por sua própria mãe.
Ao ser questionada sobre o nome do bebê e a inspiração para tal, disse que a chamaria de Alice, baseado no filme "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton. Falava sobre duas versões da história. Na versão verdadeira, Alice seria uma esquizofrênica, que acaba se suicidando após ser abusada diversas vezes num hospício. No filme, Alice tem que encontrar o seu caminho, no meio de várias dificuldades, na qual conta com a ajuda de vários personagens (Coelho, Chapeleiro Maluco, Lagarta). Segundo Luana, ambas seriam saídas válidas para lidar com os problemas, mas no momento estava optando pela segunda.
Em nosso entendimento, Luana plastifica dois momentos de sua vida: um momento caótico e perturbador, representado pela Alice esquizofrênica e suicida; e o momento de uma Alice esperançosa, motivada a superar os obstáculos.
O Coelho poderia representar, tanto a paralisação temporal vivenciada pelo mundo interno enlouquecedor de Luana, com travas que não lhe permitiam evoluir, quanto o próprio processo da adolescência, período de elaboração de angústias frente ao tempo e ao espaço. O Chapeleiro Maluco teria um papel protetor, como é vivenciado o cuidado do namorado e da terapeuta. Contudo, também fica evidente o aspecto ambíguo, entre a loucura e a proteção, podendo representar a mistura do lado saudável e doente de Luana e a identificação com sua mãe. A Lagarta Absolem representaria o processo terapêutico, que instiga Luana a questionar sobre a sua identidade e a olhar para o seu mundo interior, propiciando a reconstrução da sua historicidade.
CONCLUSÃO: Segundo Stern, a mulher poderá escapar do destino de repetir um padrão de apego por meio de um trabalho psicológico que lhe traz entendimento, que lhe permite tornar coerente o seu passado, especialmente sua experiência de cuidados maternos.
As representações sobre a trajetória de Alice no País das Maravilhas nos permitiram compreender algumas de suas construções psíquicas. Pensamos que a experiência de gestação aliada ao processo terapêutico de intervenção pais-bebês tem lhe permitido elaborar as vivências caóticas e destrutivas de sua infância e do início da adolescência, e a seguir num caminho de construção da maternidade e de uma identidade própria e criativa.




Transtorno psicótico induzido por uso de cannabis: relato de um caso em um hospital de referência no sul do Brasil

SEIXAS, Marcelo Carvalho; SILVA, Isabella Fonseca da; NICOLA, Eduardo Becker; LORENZI, Carolina; TRINDADE, Gabriel de Magalhães; ZANATTA, Lino Marcos.

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde.

Palavras-chave: cannabis; droga; psicose; abuso.

OBJETIVO Cannabis sativa é uma planta herbácea da família das canabiáceas que tem como seu principal produto comercializado a maconha - que, com 180 milhões de usuários, é a droga ilícita mais consumida no mundo (OMS, 2016). Este trabalho tem como objetivo destacar os efeitos comumente subestimados das substâncias psicoativas presentes na cannabis - que agem principalmente no sistema nervoso central do usuário, onde causam alterações de função cerebral e temporariamente mudam a percepção, o humor, o comportamento e a consciência, podendo induzir um transtorno psicótico.
Conforme demonstra Witton (2004), existem evidências que o uso de maconha pode induzir breves crises psicóticas, especialmente em usuários virgens de uso (Hall, 2004), e pode exacerbar os sintomas de pacientes com diagnóstico confirmado de esquizofrenia (Linszen, 1994). Alguns casos de transtornos psicóticos podem ser evitados pelo desestímulo do uso de maconha, particularmente entre jovens psicologicamente vulneráveis (Arseneault et al, 2002).
METODOLOGIA Como exemplo clínico, relatamos neste trabalho o caso de D.M.A., masculino, 17 anos, caucasiano, procedente de Rio Grande/RS. O paciente procurou o Pronto Socorro Psiquiátrico (PSP) da Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande acompanhado por seus pais, devido a uma alteração brusca de comportamento, apresentando heteroagressividade, associada a alucinações visuais e auditivas, após uso de Cannabis sativa (maconha).
O paciente vinha há 3 dias apresentando-se introspectivo, evitando sair de seu quarto, sem se alimentar ou tomar banho. Seus pais contaram que ele vinha fazendo uso diário de maconha há cerca de 1 mês. Chegou ao PSP trazido a contragosto após uma briga com tentativa de agressão. Apresentava-se lúcido, parcialmente desorientado, agitado, nervoso, dizendo que seu pai estava "preparando uma armadilha" para acabar com sua vida, e que sabia disso pois conseguia ouvir seus pensamentos. Após período de conversa com os pais e com o próprio paciente, que aceitou manejo verbal e medicação injetável (2 ampolas de haloperidol + 1 ampola de prometazina), optou-se por sua internação voluntária.
Durante a internação foi introduzido Risperidona 2mg 3 vezes ao dia como antipsicótico de escolha, permanecendo o paciente internado por sete dias. Ao longo deste período apresentou melhora gradual, passando a estar lúcido, orientado, coerente e colaborativo, dizendo não lembrar os motivos que o levaram a internação.
Considerando-se a história pregressa do paciente, e devido aos sinais e sintomas apresentados, pôde ser formalizada, conforme os critérios do DSM V, a hipótese diagnóstica de transtorno induzido por cannabis.
RESULTADOS A discussão em torno do uso recreacional de cannabis e sua legalidade tem motivado acalorados debates nos últimos anos, e diversos países legalizaram a produção, a comercialização e o uso da maconha com base em argumentações relativas a questões de segurança pública e combate ao tráfico. Apesar de ser necessário se levar sempre em conta estes aspectos, os efeitos danosos da maconha à saúde mental são evidentes em casos como o que aqui relatamos. É importante destacar também a importância da existência de uma rede de cuidados com atendimento médico psiquiátrico disponível aos pacientes que venham a apresentar transtorno psicótico induzido por cannabis - o que contribuiu para o desfecho positivo deste caso.
CONCLUSÃO É relativamente fácil identificar um transtorno psicótico induzido por cannabis. Os sintomas têm relação com o uso e se desenvolvem dentro de um mês após o uso ou durante a intoxicação. Classicamente se apresentam como delírios e alucinações, sendo a ideação paranoide a mais comum. Também apresentam prejuízo da crítica e agitação psicomotora, e tendem a melhorar com a abstinência e o uso de psicofármacos. A melhor prevenção deste transtorno, evidentemente, é a conscientização sobre os possíveis efeitos nocivos à saúde do uso da maconha, que deve ser feita especialmente entre populações de jovens psicologicamente vulneráveis e/ou em situação de risco para o uso de drogas ilícitas.

REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

ARSENEAULT, L. et al. Cannabis use in adolescence and risk for adult psychosis: longitudinal prospective study. BMJ, v. 325, n. 7374, p. 1212-1213, 2002.

CASTLE D.J.; MURRAY R.M. Marijuana and madness; psychiatry and neurobiology. Cambridge, UK: Cambridge University Press; 2004.

HALL W.; DEGENHARD L. Is there a specific "cannabis psychosis"? Em: Castle D.J., Murray R.M. Marijuana and Madness. Cambridge, UK: Cambridge University Press; 2004.

LINSZEN, D.H.; DINGEMANS, P.M.; LENIOR, M.E. Cannabis abuse and the course of recent-onset schizophrenic disorders. Archives of general psychiatry, v. 51, n. 4, p. 273-279, 1994.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. The health and social effects of non-medical cannabis use. Geneva: OMS, 2016.

WITTON J.; MURRAY R.M. Reefer madness revisited: cannabis and psychosis. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 26, n. 1, p. 2-3, Mar. 2004.

Correspondência
Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde
Rua Gen. Osório, s/n°, Centro
Rio Grande, RS, Brasil




Relato de experiência: a Liga Acadêmica de Psiquiatria da Universade Federal do Rio Grande

NICOLA, Eduardo Becker; LORENZI, Carolina; SEIXAS, Marcelo Carvalho; SILVA, Isabella Fonseca da; ZANATTA, Lino Marcos.

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde.

Palavras-chave: liga acadêmica; psiquiatria; medicina; atividades extracurriculares;

OBJETIVOS O trabalho a seguir pretende relatar as experiências dos organizadores da Liga Acadêmica de Psiquiatria (LAPSIQ) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) desde sua fundação, em 2012, e suas atividades ao longo dos anos até 2016. A LAPSIQ tem como missão introduzir, transmitir e aprofundar conhecimentos da área da Psiquiatria e saúde mental aos estudantes de graduação do curso de Medicina, bem como familiarizá-los com a teoria e prática da Psiquiatria, além de promover discussões sobre os principais temas da Saúde Mental e Psiquiatria. Suas principais atividades durante esse período foram aulas teóricas com profissionais da área e Cinepsiquiatria.
REFERENCIAL TEÓRICO De acordo com a Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Medicina (2010) uma liga acadêmica é uma associação civil e científica livre, de duração indeterminada, sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade da instituição de ensino que a abriga, que visa complementar a formação acadêmica em uma área específica do campo médico, por meio de atividades que atendam os princípios do tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão. Além dessa definição técnica, Torres et al. (2008), considera importante não esquecermos que ligas acadêmicas se constituam em espaços onde o aluno possa atuar como agente de promoção de saúde e transformação social, ampliando o objeto da prática médica, reconhecendo as pessoas como atores do processo saúde-doença, o qual envolve aspectos psicossociais, culturais e ambientais, não apenas biológicos.
Com base nesse último aspecto, claramente a atenção de um estudante de medicina se volta para a importância das doenças mentais na sociedade de hoje. World Health Organization (2008), Global Burden of Diseases, lista as 10 causas mais prevalentes de anos perdidos devido à deficiência para homens e mulheres e, como vemos na tabela 1, doenças neuropsiquiátricas são a mais importante causa de deficiência, representando um terço de todos os anos perdidos em adultos acima de 15 anos.



Visando se envolver mais em tão importante tópico na medicina, a Liga foi fundada em 2013 por acadêmicos do curso de medicina, orientados pelo professor da disciplina de psiquiatria, Lino Marcos Zanatta.
METODOLOGIA O método empregado foi qualitativo do tipo relato de caso, destacando as atividades realizadas ao longo dos anos de funcionamento da LAPSIQ. A principal atividade foram encontros quinzenais ministrados por diversos profissionais da área, com lista de tópicos abrangendo os principais temas de saúde mental: esquizofrenia, depressão, bipolaridade, autismo, psiquiatria infantil, etc. Os encontros aconteceram em uma sala de aula do Campus Saúde ou auditório da A.C Santa Casa do Rio Grande, com a presença de convidados palestrantes (médicos Psiquiatras ou especialista em áreas afins à saúde mental e/ou Residentes em Psiquiatria), organizadores da liga e integrantes discentes sendo abertos à comunidade acadêmica e com duração aproximada de duas horas.
Outra atividade corriqueira foi o Cinepsiquiatria, normalmente ocorrendo aos sábados e no auditório da A.C Santa Casa do Rio Grande; no qual um convidado profissional e os participantes da liga assistiam a um filme com a temática versando sobre saúde mental realizando a discussão subsequente.
RESULTADOS Os encontros quinzenais foram essenciais para nos qualificar em psiquiatria, aprofundando diagnósticos e tratamentos de diversas doenças, permitindo um contato com outras perspectivas da psiquiatria além do básico - porém importante - que vimos na disciplina obrigatória no curso de medicina. As aulas expositivas com profissionais que atuam rotineiramente na área nos deram um conhecimento mais prático e real das dificuldades encontradas. O Cinepsiquiatria teve sua importância por permitir uma discussão crítica sobre aspectos da doença mental: entendimento e apresentação ao grande público, criando, assim, um debate sobre os preconceitos, distorções ou acertos da representação de um tópico que é tão complexo até mesmo para profissionais que atuam na área.
CONCLUSÃO O tema de saúde mental é amplo, passa por constantes atualizações e responsável por um considerável percentual de morbidade. Aprofundá-lo em uma única disciplina do currículo médico mostra-se inviável, sendo, portanto a participação em Ligas Acadêmicas com essa temática vital para a formação de um médico com olhar integral. Assim, ao longo dos anos de atividade da LAPSIQ podemos perceber que essa atividade de extensão é crucial para melhorar a qualificação nessa área que, a cada dia mais, necessita da atenção dos gestores e profissionais da saúde integralmente.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LIGAS ACADÊMICAS DE MEDICINA (Brasil). Diretrizes Nacionais em Ligas Acadêmicas de Medicina. 2010. Disponível em: <http://ablam.org.br/diretrizes-nacionais/>. Acesso em: 25 maio 2016.

TORRES, Albina Rodrigues et al. Ligas Acadêmicas e formação médica: contribuições e desafios. Interface: Comunicação Saúde Educação, Botucatu, v. 12, n. 27, p.713-720, dez. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/icse/v12n27/a03v1227.pdf>. Acesso em: 20 maio 2016.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). The Global Burden of Disease: 2004 Update. 2008. Disponível em: <http://www.who.int/healthinfo/global_burden_disease/GBD_report_2004update_full.pdf?ua=1>. Acesso em: 25 maio 2016.

Correspondência
Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde
Rua Gen. Osório, s/n°, Centro
Rio Grande, RS, Brasil




Desenhos no papel e imagens na mente em psicoterapia de orientação analítica

Dra. Daniele Kickhöfel Rozales, Dra. Suzana Deppermann Fortes

Instituição: Hospital Psiquiátrico São Pedro

OBJETIVO: apresentar os principais autores relacionados ao uso do desenho em psicoterapia de orientação analítica e psicanálise, bem como evolução histórica, influências entre autores, e a forma como é trabalhado o uso do desenho nestas áreas nos dias atuais. Além disso, apresentar casos clínicos com o uso do desenho em crianças e adolescentes, e imagem onírica na mente do terapeuta no atendimento de pacientes adultos.
METODOLOGIA: revisão da literatura narrativa dos principais autores relacionados ao tema, além da seleção de materiais gráficos e fragmentos de dialogadas de pacientes atendidos em psicoterapia de orientação analítica durante a residência médica de Psiquiatria do Hospital Psiquiátrico São Pedro.
CONCLUSÃO: o desenho, segundo a visão da psicanálise e da psicoterapia de orientação analítica, é uma "ferramenta terapêutica" que serve de meio de comunicação entre paciente-terapeuta, através do qual a criança ou adolescente pode expressar seu mundo fantasmático, experimentar a relação transferencial, bem como desenvolver a capacidade de simbolização e expansão da criatividade, facilitando o desenvolvimento pessoal e resolução de conflitos, nessa época da vida. Da mesma forma, o uso da imagem onírica na mente do terapeuta, ao se permitir "desenhar em sua mente" através da capacidade de rêverie no atendimento de pacientes adultos, possibilita semelhantes ganhos terapêuticos a estes pacientes, em comparação ao uso do desenho com crianças e adolescentes.




Eventos de violência urbana e os pacientes atendidos no ambulatório NET-Trauma HCPA no biênio 2014-2015.

Luis Francisco Ramos Lima, Renato Moyses, Paulo Ricardo Assis Souza, Jacques Avila Angrezani, Stefania Teche, Lucia Helena Freitas

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre

INTRODUÇÃO: Enquanto em países desenvolvidos a prevalência de eventos traumáticos é cerca de 60%, dados epidemiológicos mostraram que no Brasil 80% da população já foi exposta à violência urbana, pelo menos uma vez na vida. Quando um indivíduo é vítima de um evento traumático como estupro, sequestro ou agressão, ele está sob o risco de desenvolver diferentes transtornos de saúde mental, entre eles o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). O Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), através do ambulatório do Núcleo de Estudos do Trauma (Net-Trauma), presta assistência a essa população.
OBJETIVO: investigar o perfil dos pacientes que buscaram atendimento no ambulatório Net-Trauma, bem como observar a prevalência dos principais eventos de violência urbana aos quais esses pacientes foram submetidos.
MÉTODO: foram avaliados os pacientes que buscaram atendimento no ambulatório do Net-Trauma entre o período de janeiro de 2014 a dezembro de 2015.
RESULTADOS: durante o biênio 2014-15, o ambulatório realizou atendimento de 54 novos pacientes; 70,4% foram do sexo feminino. A média de idade dos pacientes atendidos foi de 40,1 anos. Aproximadamente 80% dos pacientes são procedentes do município de Porto Alegre. Em relação aos eventos traumáticos que levaram os pacientes a procurar atendimento, 31,7% o fizeram por situação decorrente de assalto, 21,7% por abuso sexual e estupro, 10,0% por risco de vida por acidente, 8,3% por ameaça de morte (incluindo testemunho de tiroteio ou assalto), e 5,0% por agressão física. Quatorze pacientes procuraram atendimento por outros eventos estressantes ou perturbadores (23,3%). Quarenta e nove pacientes vivenciaram o evento traumático (83,1%), enquanto para 10 pacientes (16,9%) o evento ocorreu com (ou também com) pessoa conhecida. Do total de pacientes atendidos 55,6% preencheram critérios do DSM-5 com o diagnóstico de TEPT, 14,8% do total preencheram diagnóstico de Transtorno de Estresse Agudo (TEA) e os demais, 29,6%, foram diagnosticados com outros transtornos psiquiátricos ou não fecharam diagnóstico para as entidades clínicas citadas. Após concluir o tratamento, 37% dos pacientes receberam alta com remissão total dos sintomas; 22,2% foram encaminhados para seguimento ambulatorial após remissão parcial dos sintomas e 22,2% dos pacientes abandonaram o tratamento. O número médio de consultas por paciente foi de 10,5. Para os pacientes que receberam alta com remissão dos sintomas, a média altera-se para um total de 12,6 consultas realizadas.
CONCLUSÃO: a busca duas vezes maior de mulheres segue dados da literatura internacional. Situações de assalto e violência sexual (abuso/estupro) são predominantes (mais da metade dos pacientes) na população atendida, em quase a sua totalidade vivenciadas pelo próprio paciente. Quase 40% dos pacientes atingiram remissão total dos sintomas, indicando que o ambulatório tem sido efetivo do tratamento deste transtorno, visto que dados internacionais conseguem uma remissão semelhante.

Correspondência
Ramiro Barcelos, 2350, 4° andar norte
Porto Alegre, RS, Brasil




Internação psiquiátrica involuntária e sua relação com a psicopatologia e agressividade

Pedro Henrique Canova Mosele; Guillierme Chervenski Figueira; Vitor Crestani Calegaro

Instituição: Universidade Federal de Santa Maria

OBJETIVO: A internação psiquiátrica involuntária é tema de ampla discussão nos âmbitos acadêmico e jurídico, havendo divergências quanto às suas características clínicas e epidemiológicas. Assim, testou-se a hipótese de que a internação involuntária estaria relacionada à gravidade da psicopatologia e à agressividade do paciente.
MÉTODOS: Realizaram-se entrevista e aplicação das escalas BPRS e OAS numa amostra de 242 pacientes internados, de 18 a 65 anos. Eles foram divididos nos grupos INV e VOL, de acordo com a voluntariedade da internação, sendo realizada análise univariada com testes não paramétricos (p<0,050) e multivariada usando regressão logística (p<0,010).
RESULTADOS: O grupo INV apresentou mais pacientes sem ocupação remunerada (p=0,007), e sem companheiro fixo (p=0,030). Eles apresentaram mais agressividade física na semana anterior (p=0,010) e mais sintomas positivos (p=0,014), ativação e resistência (p<0,001) durante a internação. A condução coercitiva ao hospital foi o principal fator associado à internação involuntária (expB=23,411; IC 95% 7,026-78,004; p<0,001), seguido pela agressividade nas primeiras 24hs de internação (expB=2,936; IC 95% 1,138-7,575; p=0,026).
CONCLUSÃO: A hipótese proposta foi confirmada dentro do contexto do estudo. Esse achado corrobora as evidências de que a internação involuntária seria importante à terapêutica de pacientes com enfermidades mentais graves e capazes de torna-los agressivos.




Entre a Clínica e a Pesquisa em Psicoterapias Analíticas: Narrativa do funcionamento do Grupo de Pesquisa coordenado pelo Prof. Cláudio Laks Eizirik

Diego Barreto Rebouças, Stephania Pigatto Teche, Aline Andre Rodrigues, CharlieTrelles Severo, Raquel Saldanha, Cristina Pessi, Ana Margareth Bassols, Carolina Padoan, Camila Costa, Alcina Juliana Soares Barros, Glaydcianne Pinheiro Bezerra, Pricilla Braga Laskoski, Simone Hauck, Cláudio Laks Eizirik

Instituição: Centro de Estudos Luís Guedes

Há diversos grupos de estudos em psicoterapias analíticas e com diversos modelos para o estudo das mesmas. Este trabalho tem como objetivo descrever as atividades realizadas pelo grupo coordenado pelo Prof. Dr. Cláudio Laks Eizirik, tendo como linha de pesquisa Psicoterapias Psicanalíticas: Estudos sobre Processo e Efetividade. Inicialmente, a partir do estabelecimento do Programa de Pós Graduação em Psiquiatria, em 2000, havia orientações individuais de alunos de mestrado e doutorado. A partir de 2009, o grupo foi constituído para atender a estrutura curricular de uma das disciplinas (PSQ-39-Tópicos Avançados) e para orientar alunos do Programa de Pós-Graduação/Psiquiatria-UFRGS. Posteriormente, também passou a receber outros colaboradores, compondo um grupo heterogêneo de profissionais, envolvendo psiquiatras e psicólogos de diversas áreas: infanto-juvenil, adulto, forense, transtornos de personalidade, trauma, dentre outros. São realizadas atividades de pesquisa, docência e extensão. Ocorrem reuniões semanais de 1h, alternando-se entre atividades de discussão de projetos da pós-graduação, leitura de textos, discussões sobre metodologia cientifica, pesquisas conceitual e empírica, análise de caso, discussões clinicas e supervisão de material clínico (com o método escuta da escuta). O grupo tem produção cientifica constante, desenvolvendo projetos de doutorado e mestrado, revisões sistemáticas de temas relevantes em psiquiatria, psicologia, psicoterapia de orientação analítica e psicanálise, incluindo publicações em periódicos afins, e também participando ativamente de congressos nacionais e internacionais. Estas atividades estão inseridas nas comunidades científica e geral, assim como em aulas de instituições de ensino. Em outubro de 2015, criou-se, por iniciativa do grupo, o Núcleo Multicêntrico de Pesquisas em Psicoterapias Analíticas (NUMUPPA), que congrega diversas instituições científicas (acadêmicas e privadas) do Rio Grande do Sul, com objetivo de integrar e ampliar a pesquisa em psicoterapias analíticas. O grupo acredita que a oscilação entre a clínica e a pesquisa é essencial, pelo sinergismo que ocorre entre estas duas esferas: a pesquisa propicia um melhor atendimento clínico e a clinica favorece e estimula questões que direcionam a uma melhor pesquisa.

Palavras-chave: pesquisa; psicoterapias psicanalíticas; ensino; clinica psicanalítica; teoria e técnica psicanalíticas;

Correspondência
Rua Ramiro Barcelos, 2350 - Sala 2218
Porto Alegre, RS, Brasil




As trans-formações da psicoterapia à luz da Fenomenologia

Paulo Seixas

Instituição: Centro de Estudos Luís Guedes

As transformações em psicoterapia decorreram em larga escala do modelo descritivo-fenomenológico iniciado por Melanie Klein. Afirmá-lo "fenomenológico" implica associar a Fenomenologia como referencia metapsicológica que fundamenta novos insights sobre a teoria e prática das psicoterapias assim como do surgimento de conceitos originais como objeto transicional de Winnicott, terceiro analítico de Ogden e a teoria sobre o pensar de Bion.
O pensador Merleau-Ponty, nossa principal referencia filosófica, afirma que a Fenomenologia se deixa praticar e reconhecer na psicanálise. Este "reconhecimento", já pressuposto no modelo kleiniano, é o objetivo de reflexão do presente texto.
A Fenomenologia estabelece como base epistemológica o fenômeno como um acontecimento de "campo", o "campo fenomenal" que afirma o continuum sujeito/objeto como unidade de referencia. Nega-se o sujeito como organização auto-constituida pois, antes de tudo, existe um mundo que, como evidenciou a Gestaltpsychologie, é percebido a partir de conjuntos incluindo o "eu-mundo" como unidade conjugada e a subjetividade é constituída na alteridade deste mundo numa relação de complementariedade e, também, estranheza. Segundo Ponty, as relações entre sujeito e mundo não são rigorosamente bilaterais (correspondentes) embora não exista vida subjetiva que não seja, em uma primeira instancia, uma experiência complementar ou relacional. O sujeito é em si mesmo indeterminado ainda que determinado na busca do encontro com o mundo.
A inter-relação é constitutiva do processo de subjetivação ou, segundo Green, o objeto é revelador da pulsão - expressão fenomenológica da metapsicologia psicanalítica.

Correspondência
Rua Felicissimo de Azevedo. 1087, apto 302
Porto Alegre, RS, Brasil




Dificuldade de adesão ao tratamento no paciente psiquiátrico: um relato de caso

SEIXAS, Marcelo Carvalho; SILVA, Isabella Fonseca da; NICOLA, Eduardo Becker; LORENZI, Carolina; TRINDADE, Gabriel de Magalhães; ZANATTA, Lino Marcos

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde.

Palavras-chave: adesão; tratamento; psiquiatria.

OBJETIVOS Transtornos mentais são condições de anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica, mental ou cognitiva. Em geral, este transtorno representa um significativo impacto na vida do paciente. O tratamento farmacológico é de suma importância no paciente psiquiátrico, visando melhorar a qualidade de vida - porém, torna-se insuficiente sem outras abordagens complementares. Este trabalho tem como objetivo ressaltar a dificuldade da adesão ao tratamento do paciente com algumas patologias psiquiátricas, assim como a importância das formas coadjuvantes de tratamento.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mental (DSM 5, 2014) classifica adesão ao tratamento como uma das condições primordiais na atenção clinica. A adesão é definida como um comportamento complexo. Dunbar (1980) mostra que fatores relacionados à estratégia terapêutica e ao regime de tratamento são os mais importantes. A não adesão ao tratamento envolve uma série de comportamentos do paciente: não aceitação da doença, negligência com uso das medicações, demora na reconsulta (Blackwell, 2000).
METODOLOGIA Relatamos o caso do paciente L.S., masculino, 29 anos, negro, procedente de Rio Grande. Foi trazido ao pronto-socorro psiquiátrico da Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande por sua mãe e sua esposa devido a alterações de humor e comportamento há 1 mês. O paciente apresentou mudanças graduais e progressivas em suas atitudes neste período: passava noites em claro arrumando a casa, lavando roupas, louças, preparando a comida do dia seguinte, entre outros. Passou a se apresentar agitado, taquilálico, eufórico, com risos imotivados, por vezes falando sozinho, e saía de casa "para ajudar as pessoas". Recebeu demissão do emprego por não estar mais frequentando. Foi admitido no hospital com hipótese diagnóstica de mania com sintomas psicóticos e, na primeira semana de internação, fez uso de ácido valpróico e haloperidol, com pouca melhora dos sintomas. Na quarta semana, foi substituído o ácido valpróico por lítio, quando passou a apresentar melhora gradual do quadro clinico. Permaneceu no total 5 semanas hospitalizado, tendo recebido alta com 900mg de lítio/dia - a mesma dosagem que o levou a estabilização dos sintomas. Foi, então, reavaliado em 15 dias. Havia retomado seu emprego, não apresentava mais episódios de insônia, referia estar sentindo-se bem e que as coisas em casa haviam melhorado. Dois meses após a internação, não havendo comparecido à terceira consulta de acompanhamento, observou-se que ele se encontrava há 2 semanas sem medicações, tendo parado por conta própria, pois "sentia-se bem". Realizou-se uma psicoeducação com o paciente a respeito disso, juntamente com seus familiares - estratégia que o ajudou a repensar sua decisão e continuar com a adesão ao tratamento.
RESULTADOS A não adesão ao tratamento medicamentoso prescrito é um fenômeno complexo e universal que tem sido observado no decorrer dos tratamentos psiquiátricos e está associado a morbidades psiquiátricas e reinternações. Isso remete à reflexão sobre quais fatores influenciam neste comportamento e quais medidas podem ser complementares na manutenção do tratamento farmacológico. De maneira geral, os momentos de controle e diminuição dos sintomas são possíveis frente a um eficaz tratamento medicamentoso associado ao tratamento não medicamentoso. Devem ser incluídas sempre abordagens psicoeducativas a respeito do transtorno.
CONCLUSÃO As estratégias de psicoeducação têm se mostrado efetivas na otimização significativa da adesão aos tratamentos farmacológicos e de seus resultados, além de apresentar características preventivas para recaídas e para a manutenção da saúde mental dos familiares, como mostra Santana (2011). A saúde mental não deve ser vista apenas como resultado de processos de intervenção na doença, mas também de intervenções que ofereçam ao indivíduo e a seu meio social estratégias para promoção, recuperação e manutenção de seu estado de saúde.

REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BLACKWELL, B. Additional conditions that may be a focus of clinical attention. Em B. J. Sadock & V. A. Sadock (orgs.), Comprehensive textbook of Psychiatry (páginas 1893-1898). Sétima edição. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2000. 3344 págs.

DUNBAR, J. Adhering to medical advice: a review. International Journal of Mental Health, 9, (páginas 70-87). 1980.

SANTANA, A. F. O. Psicoeducação para pacientes psiquiátricos e seus familiares. Universidade Federal de Uberlândia, 2011. Disponível em <http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0252.pdf> (acesso em 22/06/2016).

Correspondência
Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Campus Saúde
Rua Gen. Osório, s/n°, Centro
Rio Grande, RS, Brasil




Sobre a psicodinâmica das pessoas adotadas

Guilherme Kirsten Barbisan, Lucia Helena Freitas Ceitlin

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre

OBJETIVO: O presente estudo visa revisar na literatura de que forma o fenômeno da adoção pode influenciar no desenvolvimento psíquico desta população.
METODOLOGIA: O estudo inicialmente visa mostrar se há maior incidência de internações psiquiátricas e/ou atendimentos em saúde mental em pessoas adotadas em comparação com a população não adotiva, através de dados epidemiológicos da literatura. Após, procura analisar se há relação entre o fenômeno da adoção com a formação de identidade, fantasias relacionadas ao status adotivo, e o desenvolvimento psíquico dos pacientes.
CONCLUSÃO: Uma pesquisa nacional em larga escala nos EUA apontou que aproximadamente 2% da população de crianças até 18 anos são adotados por pessoas sem relação com sua família biológica. Em contraste, esta população constitui 5% das crianças referenciadas para serviços de saúde mental ambulatoriais, e, em média, entre 10 a 15% das crianças em internações hospitalares.
Na maioria dos estudos, crianças adotadas demonstraram um taxa maior de transtornos de personalidade (como antissocial e borderline) do que não adotados, assim como uma maior taxa de abuso de substâncias, transtornos alimentares, déficit de aprendizado, e TDAH (Brodzinsky, 1993).
As crianças adotadas sofrem dos mesmos conflitos, crises e distúrbios que afetam as crianças consanguíneas, mas talvez mais ainda. Saber-se adotado age como uma influência poderosa e possivelmente patógena sobre a personalidade e o desenvolvimento do ego de crianças em idade pré-escolar. Tal conhecimento constitui um ônus psicológico do qual as outras crianças são poupadas. Além disso, a experiência de ser uma criança adotada também faz vir à tona reações defensivas/adaptativas.
Tendo em vista que o status adotivo não necessariamente leva à psicopatologia nem garante saúde psicológica, não é de se surpreender que a população adotada varie muito na maneira como se adapta à vida. No entanto, certos temas tendem a emergir quando são vistos em tratamento psicanalítico. O fato de não terem sido criados pelos seus pais biológicos abre portas para os mais diversos sentimentos, entre eles a idéia de abandono e rejeição.




A abordagem do amor e do ódio no campo analítico na psicoterapia de uma menina de oito anos

Gustavo Bortoluzzi, Suzana Fortes, Rui Annes

Instituição: Hospital Psiquiátrico São Pedro

OBJETIVO: O presente trabalho tem por objetivo apresentar a evolução da relação terapêutica de um tratamento com uma menina de sete anos. A relação se movimenta de intensa agressividade e negatividade a uma gradual atitude sedutora por parte da paciente. A ausência da figura paterna nessa história parece ser motivo que torna a relação transferencial e contratransferencial o objeto de estudo desse caso.
METODOLOGIA: Nas crianças, nos deparamos com a natureza passional de suas pulsões, sendo que a expressão mais livre dos impulsos agressivo-destrutivos mostra uma intensa relação entre amor e ódio no mundo interno infantil. Em determinadas situações, a criança somente poderá acreditar que é amada somente após sentir-se odiada.
CONCLUSÃO: Supõe-se que a matriz dos conflitos da paciente esteja nos relações familiares, como se a função paterna estivesse em vacância, observada pela ausência do pai e a instabilidade emocional da mãe, ficando isso evidente na relação terapêutica. Além disso, podemos concluir que se trata de ambos os casos, tanto de amor, quanto de ódio, onde a relação terapeuta-paciente acontece nessas duas vias, não sendo possível ao terapeuta trabalhar com uma sem excluir a outra. Quanto à paciente, ela segue em tratamento psicoterápico semanal.

Correspondência
Av. Bento Gonçalves, 2460, Direção de Ensino e Pesquisa (DEP) - Partenon
90650-001 Porto Alegre, RS, Brasil




Critérios de avaliação para a indicação de Diferentes Técnicas Psicoterápicas no Ambulatório de Triagem de Psicoterapia do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)

Felipe de Luca Medeiros, Caroline Von der Sand Miklasevicius, Daniel Heidemann Moura, Vanina de Lima Monteiro, Stefania Teche, Simone Hauck.

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre

INTRODUÇÃO: Embora as técnicas psicoterápicas disponíveis hoje já apresentem eficácia comprovada, a avaliação clínica e individual de cada paciente segue necessária na decisão clínica do terapeuta. O trabalho foi motivado pelos desafios enfrentados no serviço de triagem de psicoterapia, quando existe possibilidade de acesso a diferentes técnicas psicoterápicas. Nesta situação, a avaliação exige maior especificidade para a indicação de qual técnica específica aquele paciente mais se beneficiará.
OBJETIVO: Afim de aprimorar o processo de avaliação dos pacientes encaminhados para triagem da psicoterapia no HCPA foi realizada uma revisão dos critérios mais úteis para a indicação de terapia entre as diferentes técnicas disponíveis em nosso meio.
METODOLOGIA: Revisão, não sistemática, em livros de referência e artigos de revisão sobre os critérios de avaliação que mais ajudam na indicação específica para a técnica de psicoterapia analítica, para a terapia cognitivo-comportamental, para a terapia interpessoal e para a terapia sistêmica familiar. a fim de aprimorar e padronizar, baseado em referencial teórico, os encaminhamentos do Ambulatório de Triagem de Psicoterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
RESULTADO: Observamos com a revisão do tema que os seguintes aspectos são importantes para a decisão clínica. Aspecto do terapeuta: deve ter claro as diferenças essenciais das técnicas quanto aos objetivos e as necessidades do método. Aspecto do paciente: motivação naquele momento, tolerância a exposições e ao aumento da ansiedade, tolerância a intervenções transferenciais e sobre resistências, diagnóstico psiquiátrico, quando houver e capacidade para manter a aliança de trabalho com as finalidades previamente definidas.
CONCLUSÃO: A decisão clínica do terapeuta para indicar uma técnica específica de psicoterapia, visando o melhor resultado possível deve incluir seu conhecimento sobre as diferentes técnicas e a avaliação objetiva do paciente para as condições que impedem a técnica a se desenvolver, sejam elas concretas ou psicológicas.

Correspondência
Ramiro Barcelos, 2350, 4° andar norte
Porto Alegre, RS, Brasil




Avaliação da personalidade na psicoterapia: estudo de caso com T. Identidade de Gênero e uso de drogas avaliado através do modelo dimensional de personalidade dos cinco grande fatores

Felipe Ornella,c, Maiko Abel Schneidera,d, Adriana Zaninib,c, Fernando Monteiro da Rochac, Lisia von Diemena,c, Felix Kesslera,c

a Programa de Pós Graduação em Psiquiatria e Ciências Comportamentais - UFRGS
b Programa de Pós Graduação em Psicologia - UFRGS
c Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Centro Colaborador em Álcool e Drogas - HCPA/SENAD
d Programa de Identidade de Gênero

INTRODUÇÃO: Transtornos Relacionados a Substâncias (TRS) estão associados a altos índices de comorbidades, problemas psicossociais e de saúde. As características de personalidade devem ser avaliadas, e os modelos dimensionais são mais informativos do que o categórico. Nesse sentido, o Modelo dos Cinco Grandes Fatores (MCGF) é amplamente utilizado, propondo uma divisão dimensional da personalidade em Neuroticismo, Extroversão, Socialização, Realização, Abertura e suas respectivas facetas.
OBJETIVO: Avaliar características de personalidade em uma paciente transexual em tratamento ambulatorial para TRS, de acordo com o MCGF.
MÉTODO: utilizou-se a Bateria Fatorial de Personalidade (BFP), instrumento criado no Brasil, com base no MCGF. Devido ao baixo nível cultural da paciente, um psicólogo aplicou o instrumento verbalmente. Optou-se pelas normas femininas da BFP, pois a paciente se identifica com esse gênero.
RELATO DO CASO: paciente com 32 anos, transexual desde os 11, sem cirurgia de redesignação sexual, ensino fundamental completo, solteira, profissional do sexo, com infecção por HIV e Sífilis. Em acompanhamento psicoterápico em ambulatório especializado em TRS com um médico residente em Psiquiatria. Refere histórico de múltiplos abusos sexuais (aos cinco anos pelo primo, aos sete pelo tio, e um estupro coletivo por 20 homens na adultez). Relatou início da prostituição aos 14 anos, simultâneo ao consumo de maconha, loló, álcool e nicotina. Aos 18 iniciou uso de cocaína, e aos 21 crack, que passou a ser sua droga de preferência, além de esteroides. Possui diagnóstico de Transtorno Bipolar Tipo I, com tentativas de suicídio, além de TP Borderline e TEPT, com ataques de pânico associados a flashbacks de violência sexual. Quando iniciou a psicoterapia, estava prostituindo-se, roubando dos clientes e fazendo uso irregular de camisinha. Relatou sentir-se excluída da família, devido ao travestismo e à prostituição.
RESULTADOS: De acordo com as classificações percentílicas, os escores de Neuroticismo apresentaram-se muito altos, enquanto os de Extroversão, Socialização e Realização foram muito baixos. Os escores relacionados ao nível de Abertura foram médios.
DISCUSSÃO: O alto nível de Neuroticismo indica a experimentação intensificada do sofrimento emocional, a avaliação negativa de estímulos ambíguos e pouca contemplação dos aspectos positivos. Isso se justifica pela negligência e violência constantes na infância, com ênfase para abusos sexuais. Há envolvimento em situações de risco, inclusive adiando necessidades prioritárias, como solicitação de medicação, procura de capacitação profissional e autocuidados. Além disso, apresenta necessidade de incentivo constante para levar os planos adiante, sem objetivos claros e sentimento de solidão. Esse funcionamento se torna mais preocupante com o grau de Extroversão muito baixo, relacionado a sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas, assim como Socialização muito baixa, com tendência a comportamentos hostis e manipuladores. A avaliação clínica subjetiva apoia tais informações, uma vez que a paciente se expunha a riscos, como furtos e sexo desprotegido. Observa-se também alto nível de desconfiança, com poucos relacionamentos próximos. Corroborando, os escores de Realização muito baixos, identificava as propostas terapêuticas como difíceis de serem atingidas, necessitando de intervenções motivacionais. Em poucos meses de psicoterapia, firmou-se a aliança terapêutica, emergindo características que contribuíram para um funcionamento saudável, como Empenho alto e Abertura média, segundo a BFP. A paciente interrompeu a prostituição e o consumo de SPA, aderiu ao tratamento de suas comorbidades e iniciou grupoterapia, fazendo um movimento para socialização. Por fim, evidencia-se que a avaliação formal da personalidade com base em um modelo dimensional permite a integração dos traços à história de vida do paciente, facilitando a identificação de aspectos saudáveis e disfuncionais e contribuindo para a condução do plano terapêutico.

Correspondência
Felipe Ornell
fornell@hcpa.edu.br

Maiko Abel Schneider
maikoschneider@hcpa.edu.br




Grupoterapia de adolescentes: uma experiência em CAPSi

Giovana Barreto da Silva; Ana Rita das Neves Pólvora; Thiago Leão Aguilar Terres; Nilo Nascimento Lucas de Lima; Lisiane Davesac Rodrigues Gouvea, Gabriel Carvalho Vieira

Instituição: Programa de Residência Médica em Psiquiatria do Município de São Lourenço do Sul

OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência de grupoterapia com adolescentes no CAPS infantil do município de São Lourenço do Sul, analisar a importância desse instrumento de trabalho como modalidade de psicoterapia, avaliar as atividades desenvolvidas conforme a opinião das usuárias.
METODOLOGIA: Foram selecionados adolescentes do sexo feminino, com faixa etária entre 14 e 19 anos, com diagnósticos de transtorno de humor e transtorno de controle de impulsos, que estavam em acompanhamento médico ou psicológico no CAPS infantil. A proposta era de grupo fechado de psicoterapia, de frequência semanal. As adolescentes foram avaliadas após a indicação dos médicos e psicólogos assistentes e convidadas a participarem do grupo. Das 15 adolescentes convidadas, 8 aceitaram e compareceram a pelo menos um grupo e 5 permaneceram frequentando regularmente após o primeiro mês.
RESULTADO: Foi observado maior adesão ao atendimento em grupo em relação ao individual. Houve também melhora da sintomatologia apresentada se comparada à terapia medicamentosa isoladamente. Além disso, as adolescentes se mostraram mais motivadas ao tratamento.
CONCLUSÃO: Essa experiência valida o descrito nos referenciais teóricos sobre a indicação de psicoterapia em grupo para adolescentes ser mais efetiva do que a individual, apresentando melhor adesão, motivação e insight.




Avaliação dimensional da personalidade na Psicoterapia: estudo de caso sobre Transtornos Relacionado a Substâncias e de Identidade de Gênero

Felipe Ornella,c, Maiko Abel Schneidera,d, Adriana Mokwa Zaninib,c, Fernando Monteiro da Rochac, Lisia von Diemena,c, Felix Henrique Paim Kesslera,c

a Programa de Pós Graduação em Psiquiatria e Ciências Comportamentais - UFRGS
b Programa de Pós Graduação em Psicologia - UFRGS
c Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Centro Colaborador em Álcool e Drogas - HCPA/SENAD
d Programa de Identidade de Gênero

INTRODUÇÃO: Transtornos Relacionados a Substâncias (TRS) estão associados a altos índices de comorbidades, problemas psicossociais e de saúde. As características de personalidade devem ser avaliadas, e os modelos dimensionais são mais informativos do que o categórico. Nesse sentido, o Modelo dos Cinco Grandes Fatores (MCGF) é amplamente utilizado, propondo uma divisão dimensional da personalidade em Neuroticismo, Extroversão, Socialização, Realização, Abertura e suas respectivas facetas.
OBJETIVO: Avaliar características de personalidade em uma paciente transexual em tratamento ambulatorial para TRS, de acordo com o MCGF.
MÉTODO: Utilizou-se a Bateria Fatorial de Personalidade (BFP), instrumento criado no Brasil, com base no MCGF. Devido ao baixo nível cultural da paciente, um psicólogo aplicou o instrumento verbalmente. Optou-se pelas normas femininas da BFP, pois a paciente se identifica com esse gênero.
RELATO DO CASO: Paciente com 32 anos, transexual desde os 18 anos sem cirurgia de redesignação sexual, praticava crossdressing em tempo parcial desde os 12 anos, , ensino fundamental completo, solteira, profissional do sexo, com infecção por HIV e Sífilis. Em acompanhamento psicoterápico em ambulatório especializado em TRS com um médico residente em Psiquiatria. Refere histórico de múltiplos abusos sexuais (aos cinco anos pelo primo, aos sete pelo tio, e um estupro coletivo por 20 homens na adultez). Relatou início da prostituição aos 14 anos, simultâneo ao consumo de maconha, loló, álcool e nicotina. Aos 18 iniciou uso de cocaína, e aos 21 crack, que passou a ser sua droga de preferência, além de esteroides. Possui diagnóstico de Transtorno Bipolar Tipo I, com tentativas de suicídio, além de TP Borderline e TEPT, com ataques de pânico associados a flashbacks de violência sexual. Quando iniciou a psicoterapia, estava prostituindo-se, roubando dos clientes e fazendo uso irregular de camisinha. Relatou sentir-se excluída da família, devido ao travestismo e à prostituição.
RESULTADOS: De acordo com as classificações percentílicas, os escores de Neuroticismo apresentaram-se muito altos, enquanto os de Extroversão, Socialização e Realização foram muito baixos. Os escores relacionados ao nível de Abertura foram médios.
DISCUSSÃO: O alto nível de Neuroticismo indica a experimentação intensificada do sofrimento emocional, a avaliação negativa de estímulos ambíguos e pouca contemplação dos aspectos positivos. Isso se justifica pela negligência e violência constantes na infância, com ênfase para abusos sexuais. Há envolvimento em situações de risco, inclusive adiando necessidades prioritárias, como solicitação de medicação, procura de capacitação profissional e autocuidados. Além disso, apresenta necessidade de incentivo constante para levar os planos adiante, sem objetivos claros e sentimento de solidão. Esse funcionamento se torna mais preocupante com o grau de Extroversão muito baixo, relacionado a sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas, assim como Socialização muito baixa, com tendência a comportamentos hostis e manipuladores. A avaliação clínica subjetiva apoia tais informações, uma vez que a paciente se expunha a riscos, como furtos e sexo desprotegido. Observa-se também alto nível de desconfiança, com poucos relacionamentos próximos. Corroborando, os escores de Realização muito baixos, identificava as propostas terapêuticas como difíceis de serem atingidas, necessitando de intervenções motivacionais. Em poucos meses de psicoterapia, firmou-se a aliança terapêutica, emergindo características que contribuíram para um funcionamento saudável, como Empenho alto e Abertura média, segundo a BFP. A paciente interrompeu a prostituição e o consumo de SPA, aderiu ao tratamento de suas comorbidades e iniciou grupoterapia, fazendo um movimento para socialização. Por fim, evidencia-se que a avaliação formal da personalidade com base em um modelo dimensional permite a integração dos traços à história de vida do paciente, facilitando a identificação de aspectos saudáveis e disfuncionais e contribuindo para a condução do plano terapêutico.

Correspondência
Felipe Ornell
fornell@hcpa.edu.br

Maiko Abel Schneider
maikoschneider@hcpa.edu.br




Mudança psíquica e Psicoterapia de Orientação Analítica: Uma revisão narrativa dos principais conceitos

Diego Barreto Rebouças, Lucia Helena Freitas Ceitlin

As psicoterapias analíticas buscam melhora dos sintomas através da compreensão dos conflitos e, como consequência, objetivam uma melhora na qualidade de vida dos pacientes. Acredita-se que tais objetivos são alcançados através da mudança interna de estruturas que acarretam sofrimento e relações disfuncionais. Desta forma, algum grau de mudança psíquica é aspecto central do processo psicoterápico de toda psicoterapia bem-sucedida. Há uma certa tendência de se associar mudança psíquica exclusivamente com a melhora do paciente; porém, por vezes ocorrem pioras, que também fazem parte do processo terapêutico. Devido à sua complexidade e abrangência, os entendimentos em relação à mudança psíquica divergem na literatura, podendo dificultar o estudo da mesma. O presente trabalho revisa de forma narrativa os principais conceitos de mudança psíquica, bem como aborda sua crucial relevância no processo psicoterápico, intencionando facilitar o estudo do tema. Além disso, busca tecer considerações sobre aspectos como o papel da função continente, da interpretação, do insight, da elaboração e do campo analítico em relação à mudança psíquica. Embora pareça não haver um consenso na literatura revisada quanto a compreensão do que leva às transformações do funcionamento interno e externo nos indivíduos em psicoterapia, as ideias convergem para a busca da ampliação do conhecimento da realidade psíquica, podendo-se citar características em comum entre alguns autores: a necessidade de que o inconsciente se faça consciente, de que o id se faça ego, de que haja predomínio da criação sobre a estagnação e, por fim, de que o princípio da realidade predomine sobre o princípio do prazer. Em conclusão, busca-se acompanhar o paciente nesse processo de progressos e retrocessos, buscando integração psíquica e diminuição do sofrimento: a mudança psíquica.

Palavras-chave: mudança psíquica, interpretação, insight, elaboração, continência, função continente, processo psicoterápico, psicoterapia de orientação analítica.




A pulsão de morte na clínica dos estados-limite - integrações possíveis*

Autora: Cristina Plentz Pessi; Orientador: Matias Strassburger

Através de uma revisão não-sistemática de literatura e de uma ilustração clínica, a autora propõe uma correlação entre o conceito de pulsão e a clínica dos estados-limite, nas quais a autodestrutividade e dificuldade em estabelecer e manter vínculos é marcante.

* trabalho de conclusão do curso de especialização em psicoterapia de orientação analítica - CELG/CPOA 2015

Correspondência
Cristina Plentz Pessi
cristina.pessi@hotmail.com




A Variabilidade do Uso da Palavra Ansiedade nos Candidatos à Cirurgia Bariátrica e sua Relação com a Estrutura de Personalidade

Juliana Tainski De Azevedo, César Luís De Souza Brito, Cláudio Corá Mottin, Karin Daniele Mombach, Luiza Schimidt Heberle, Luciano Billorde Luiz, Lívia Nora Brandalise

Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Faculdade de Medicina. Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas - Pojeto de Mestrado

A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundoatualmente. A prevalência e o significado clínico de transtornos psiquiátricos entre os candidatos para a cirurgia de perda de peso não são totalmente compreendidos. A ansiedade está entre os diagnósticos mais identificados nesta população. Porém, percebemos que há uma variabilidade importante no uso da palavra ansiedade no discursos dos pacientes que interfere diretamente na sua comunicação com a equipe de saúde responsável pelos cuidados pré e pós operatórios.
O modelo dos Níveis de Organização da Personalidade proposto pro Kenberg e colaboradores torna possível formular o diagnóstico para além do âmbito da avaliação das observações disponíveis de sintomas clínicos, pois refere-se ao nível de profundidade de patologia de personalidade. Neste sentido, entendemos ser uma base melhor para a formulação de prognósticos, por exemplo, sobre a eficácia da terapia, quando comparado diagnóstico psiquiátrico dos transtorno de personalidade.
OBJETIVOS: Objetivamos com este estudo explorar e compreender os diversos sentidos o uso do termo ansiedade na fala dos pacientes obesos mórbidos candidatos a cirurgia bariátrica e relacionar o uso do termo ansiedade com as modalidades de níveis de organização da personalidade .
METODOLOGIA: Utilizaremos uma entrevista semi-estruturada elaborada atraves de um grupo focal com especialista da área e o Inventário de Organização da Personalidade traduzido para uso no Brasil (IPO-br), em uma amostra de pacientes com obesidade graus II e III que se candidatarem a cirurgia bariátrica no Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica (C.O.M/PUCRS) e consultarem com o psiquiatra no ano de 2016 (número aproximado de dez sujeitos). Serão excluídos pacientes com limitação intelectual ou não consiga se expressar de forma adequada e não entenda as perguntas mais subjetivas da entrevista semi-estruturada .
A análise será feita através da Análise de Conteúdo conforme o método descrito por Bardin, uma vertente de pesquisa qualitativa. Serão então realizadas 4 etapas seguintes:
- A Unitarização ou transformação do conteúdo das entrevistas em unidades através de uma escrita flutuante das mesmas;
- A categorização ou classificação das unidades em categorias que serão analizadas através da "Análise de significado"
- A Identificação das estruturas e regularidades de padrões no texto escrito
- A inferências baseadas nesses padrões
- A descrição dos achados
- A interpretação e discussão dos achados.

CONCLUSÃO (EXPECTATIVAS): Entendemos que é de fundamental importância para a relação medico paciente, tanto quanto para a formulação diagnóstica e tratamento adequado, compreendermos a variabilidade de sentido do termo ansiedade para podermos obter uma comunicação efetiva. Esperamos contribuir neste sentido com este estudo

REFERÊNCIAS

1. Kaufman, A. Fatores psicodinâmicos e psicossociais da obesidade. In S. V. Bettarello (Org.), Perspectivas psicodinâmicas em psiquiatria (p. 62). São Paulo: Lemos (1998).

2. World Health Organization (WHO). Obesity and overweight (2006).

3. Freud,S. Novas conferências introdutórias sobre psicanálise e outros trabalhos. In S. Freud, Obras completas. Rio de Janeiro: Imago. v.23 (Original publicado em 1932)(1976).

4. Hinshelwood, R.D. Dicionário do Pensamento Kleinianos da Hinshelwood. Porto Alegre: Artes Médicas (1992)

5. Bardin, L. Análise de Conteúdo, trad. Lisboa, Sétima edição, ed. Persona (1991).

6. Britto, Cesar LS. A transmissão do conhecimento psicanalíticoatravés da supervisão. Tese de mestrado. Porto Alegre . 1999.

7. Oliveira, S.E. S. Diagnóstico Estrutural Da Personalidade: Adaptação E Validação 8.Do Inventory Of Personality Organization Para A Cultura Brasileira. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Porto Alegre/RS (Abril, 2012).

9. Kernberg, O. F., & Clarkin, J. F. The Inventory of Personality Organization. White Plains, NY: The New York Hospital -Cornell Medical Center (1995).

Correspondência
R. Eudoro Berlink , 805/703 , B. Auxilidadora
91450-030 Porto Alegre, RS, Brasil
Email: jtainski@yahoo.com.br
Fone: 51 97985565

 

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