Revista Brasileira de Psicoteratia

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A importância do vínculo materno na construção do Eu e do Não-Eu
Letiele dos Santos Massaroli1; Daiana Zerbielli2
Páginas: 73 - 85

Resumo

Este trabalho realizou uma revisão teórica a partir do referencial psicanalítico sobre a importância e os impactos do vínculo materno na estruturação do Ego e reconhecimento do outro. A mãe tem um papel de fonte de alimento não somente físico, mas também psíquico para a estruturação do mundo interno da criança. Quando a função materna não consegue proporcionar o suporte/apoio necessário para o desenvolvimento seguro e saudável do bebê, isso pode gerar uma desestruturação na noção do Eu. Torna-se difusa a concepção e noção de Ego enquanto sujeito diferenciado e com características próprias de separação do outro. A mãe, quando estabelece relações afetivas de manejo e sustentação, auxilia o indivíduo a se perceber como ser único e integrado. A sociedade capitalista encontra na fragilidade psíquica, advinda da falha no vínculo materno, um meio de lucrar com o sofrimento. A cultura incentiva as relações superficiais e a falta de experiências genuínas de afeto, transformando-se em um agente esvaziador de significado, que gera um querer sem limites. O sentimento de vazio, causado pela falha na vinculação materna, pode causar adoecimento psíquico, devido à busca incessante para preencher essa lacuna na formação e estruturação do Ego. Conclui-se com este estudo que o sujeito precisa ter vínculos afetivos verdadeiros para a formação saudável do Eu; é necessário capacitar os profissionais da área da saúde para que desenvolvam um olhar mais integrado sobre a maternidade e gerar uma reflexão sobre o nosso papel enquanto sociedade que contribui para o fortalecimento/empobrecimento das relações afetivas.

Descritores: Relações mãe-filho. Ego. Saúde materno-infantil.