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Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2021; 23(3):47-70



Artigo Original

Preditores de sofrimento psicológico e prevalência de transtornos mentais autodeclarados em profissionais de saúde e na população em geral durante a pandemia de Covid-19 no Brasil

Predictors of psychological distress and prevalence of self-reported mental disorders in health care professionals and in the general population during the Covid-19 pandemic in Brazil

Predictores de la angustia psicológica y la prevalencia de los trastornos mentales autodeclarados en los profesionales de la salud y en la población general durante la pandemia de Covid-19 en Brasil

Danielle de Souza Costaa,b; Jonas Jardim de Paulaa,b,c; Alexandre Luiz de Oliveira Serpaa,d; Alexandre Paim Diaza,e; Mariana Castro Marques da Rochaa,b; André Luiz de Carvalho Braule Pintoa,b; Rui Mateus Joaquima,b; Mayra Isabel Correia Pinheirol; Fabiano Franca Loureiroa; Leonardo Baldaçarak; Wagner Meira Juniorf; Antônio Geraldo da Silvaa,g,h; Leandro Fernandes Malloy-Diniza,i; Débora Marques de Mirandaa,j

Resumo

O fardo dos transtornos mentais pode aumentar durante a pandemia de Covid-19. Por isso, é estratégico caracterizar a saúde mental da população. Analisamos dados coletados pela Internet de 164.881 profissionais de saúde e 5.635 participantes da população geral. O Índice de Gravidade Global (GSI) do Inventário Breve de Sintomas, diagnóstico autodeclarado de transtornos mentais, características sociodemográficas, estado de saúde física, história de contato com a Covid-19, percepções e preocupações e medidas preventivas adotadas foram comparados entre as amostras. Análises de regressão múltipla foram usadas para investigação de fatores associados ao GSI. O distresse psicológico foi classificado como alto ou muito alto em 13,4% dos profissionais de saúde e em 31,4% dos participantes da população geral. A prevalência de transtornos mentais ao longo da vida foi 36% para profissionais de saúde e 44,7% para a população geral, sendo os mais frequentes transtornos depressivos e ansiedade generalizada. Entre os profissionais de saúde, ser do sexo feminino e mais jovem foi associado à maior distresse psicológico. Para a população geral foram preditores de distresse a classe econômica e um domicílio com mais pessoas. Foram significativamente associados ao GSI sintomas de Covid-19, sentir-se menos produtivo no trabalho, medo de transmitir o vírus para a família, medo de dificuldades financeiras e sentir que os relacionamentos em casa pioraram. A prevalência de transtornos mentais atinge parte relevante da população brasileira. Fatores sociodemográficos, aspectos familiares e instabilidade financeira devem ser considerados no entendimento do distresse psicológico durante a pandemia.

Descritores: Covid-19; Distresse psicológico; Transtornos mentais; Estresse ambiental; Pandemia; Aspectos psicossociais

Abstract

BACKGROUND: The burden of mental disorders is likely to increase during the Covid-19 pandemic. Knowing the rate of psychological distress and mental disorders, its severity, and factors associated with psychological distress is strategical. METHOD: We analyzed online cross-sectional data from 164,881 health professionals and from 5,635 participants from the general population in Brazil. The Global Severity Index (GSI) from the Brief Symptom Inventory, self-reported diagnosis of mental disorders, sociodemographic characteristics, and factors related to Covid-19, such as physical health status, diagnosis and contact history, perceptions and concerns, and precautionary measures were compared between samples. Multiple regression analysis was used to investigate factors related to GSI scores. RESULTS: Psychological distress was high or very high in 13.4% of health professionals and in 31.4% of the general population. Health professionals reported a lower rate of current or previous history of mental disorders (36%) than participants from the general population (44.7%). Age (younger) and gender (female) predicted higher psychological distress for health professionals and economic class (lower) and household size (more members) for the general population. People with higher GSI scores reported to have experienced more physical symptoms associated with Covid-19, feeling less productive at work, being afraid of transmitting the coronavirus to the family, fear of financial difficulties, and feeling that home relations were worse during the pandemic outbreak. CONCLUSIONS: Psychological distress at the first wave of Covid-19 was associated with sociodemographic features and an anxious perception of physical symptoms, virus transmission to loved ones, disruption of family relations, and financial situation.

Keywords: Covid-19; Psychological Distress; Mental Disorders; Stress Environment; Pandemic; Psychosocial aspects

Resumen

INTRODUCCIÓN: Es probable que la carga de los trastornos mentales aumente durante la pandemia de Covid-19. Conocer la tasa de malestar psicológico y de los trastornos mentales, su gravedad y los factores asociados al malestar psicológico es estratégico. MÉTODO: Se analizaron datos transversales en línea de 164.881 profesionales de la salud y 5.635 participantes de la población general de Brasil. Se compararon entre las muestras el Índice de Gravedad Global (GSI) del Inventario Breve de Síntomas, el diagnóstico auto declarado de trastornos mentales, las características sociodemográficas y los factores relacionados con la Covid-19. Se utilizó un análisis de regresión múltiple para investigar los factores relacionados con las puntuaciones del GSI. RESULTADOS: El malestar psicológico era alto o muy alto en 13,4% de los profesionales de la salud y en 31,4% de la población general. Los profesionales de la salud declararon tasa de 36% de trastornos mentales y la población general de 44,7%. La edad (más joven) y el sexo (femenino) predijeron un mayor malestar psicológico para los profesionales de la salud y la clase económica (más baja) y el tamaño de la familia (más miembros) para la población general. Las personas con puntuaciones más altas en el GSI declararon haber experimentado más síntomas físicos asociados a la Covid-19, sentirse menos productivos en el trabajo, tener miedo de transmitir el coronavirus a la familia, temer dificultades económicas y sentir que las relaciones domésticas empeoraron. CONCLUSIONES: La angustia psicológica se asoció a las características sociodemográficas y a la percepción ansiosa de los síntomas físicos, la transmisión del virus a los seres queridos, la perturbación de las relaciones familiares y la situación económica.

Descriptores: Covid-19; Malestar psicológico; Trastornos mentales; Entorno de estrés; Pandemia; Aspectos psicosociales

 

 

INTRODUÇÃO

Em dezembro de 2019, o mundo foi apresentado ao SARS-CoV-2, um betacoronavírus recém-descoberto que estaria por trás de uma das maiores pandemias vistas pela humanidade no último século, a pandemia da Doença pelo Coronavírus 2019 (Covid-19)1. A rápida transmissão do SARS-CoV-2 e a incerteza sobre como evitar a propagação da Covid-19 ativaram um modo de alerta global. Sabe-se que situações incertas e perigosas podem induzir respostas de estresse que são adaptativas quando transientes (se duram de minutos a horas), mas o estresse crônico (presente por dias a semanas) afeta negativamente o funcionamento cerebral e o comportamento2. Portanto, não é surpreendente que a saúde mental tenha se tornado um tema crucial durante a pandemia de Covid-19, visto que reservaria ao mundo a experiência de diversos estressores.

Na tentativa de se retardar a propagação da Covid-19, muitos aspectos da nossa rotina mudaram subitamente. Entre as medidas preventivas, várias mudanças de comportamento tiveram que ser adotadas, como o distanciamento social, o trabalho e o estudo remotos, a sanitização constante do ambiente, a frequente limpeza das mãos e o uso de máscaras. No início, o medo de ser infectado era iminente e a atenção aos ainda incertos sintomas da Covid-19 necessária. Se ponderarmos que, em relação a Covid-19, ninguém está realmente seguro até que todos estejam seguros, a situação fica ainda mais complicada. Isso porque não é possível precisar quando a pandemia vai realmente acabar, visto que seu fim depende de uma genuína e coordenada vontade coletiva de fazê-lo e, além disso, o constante debate sobre o impacto econômico das ações de mitigação da Covid-19 aumenta a insegurança das pessoas3.

Até o momento, diversos fatores foram relacionados à problemas de saúde mental na Covid-19, incluindo idade, gênero, estado civil, escolaridade, ocupação, renda, local de residência, contato próximo com pessoas com Covid-19, condições de saúde física e mental prévias, medidas pessoais de proteção, risco de contrair a Covid-19, entre outros4. O que se tem esperado é que o já alto custo social decorrente de problemas de saúde mental irá aumentar3,5,6 e um grupo particularmente vulnerável ao estresse psicológico e à deterioração da saúde mental no meio de uma pandemia são os profissionais da saúde, especialmente aqueles trabalhando na linha de frente de enfrentamento7. Nos países de baixa e média renda, por exemplo, restrições econômicas podem levar a um número insuficiente de profissionais médicos treinados, a salários limitados, escassez de aparelhos médicos e atividades descoordenadas8. Sistemas de saúde sobrecarregados pela Covid-19 têm se visto obrigados a discutir e implementar protocolos de triagem gerando um intenso debate sobre aspectos éticos e preocupação sobre inequidades9. O distresse psicológico (p.ex., sintomas de depressão e ansiedade) em profissionais de saúde pode diminuir sua capacidade de agir com segurança em relação a eles mesmos e aos seus pacientes10. Além disso, a falta de consciência sobre os próprios problemas mentais pode levar à falta de reconhecimento e tratamento desses problemas nessa população11. Portanto, estudos que forneçam informação confiável sobre a saúde mental dos profissionais de saúde durante a pandemia de Covid-19 são muito relevantes para guiarem decisões eficientes sobre como evitar a perda desse capital mental justamente num momento em que ele é tão necessário.

Alguns estudos realizados nos primeiros meses da pandemia nos dão uma ideia de como a saúde mental da população geral e dos profissionais de saúde tem sido afetada. Na China, numa amostra de 1.210 indivíduos, 54% consideraram o distresse psicológico associado ao surgimento da pandemia de Covid-19 pelo menos moderado, cerca de um terço deles reportaram sintomas de ansiedade em nível moderado a grave e 17% reportaram sintomas de depressão em nível moderado a grave12. Nos EUA, menos de 9% dos respondentes de um estudo relataram distresse grave durante a epidemia de Influenza em 2018, enquanto 14% das pessoas já reportavam distresse grave nos primeiros meses da pandemia de Covid-1913. Pessoas com um diagnóstico psiquiátrico prévio ou que perderam um amigo ou parente por Covid-19 podem aumentar seu nível de distresse psicológico14. Em relação aos profissionais de saúde, identificou-se sintomas de ansiedade, medo, raiva, irritabilidade e insônia e a persistência de estressores foi associada à sintomas compatíveis com transtornos depressivos, ansiosos e com o transtorno de estresse pós-traumático15-18. Entre 1.257 profissionais de saúde na China, níveis mais altos de distresse foram encontrados entre os profissionais na linha de frente de enfrentamento à Covid-19 de regiões com alta prevalência de infecções17. Um outro estudo conduzido na China comparou as taxas de ansiedade e depressão entre participantes da população geral e profissionais de saúde e não encontrou diferenças significativas, ainda que os autores tenham a expectativa de que o distresse será maior para profissionais de saúde à medida que a pandemia persista no tempo6.

Considerando a relevância dessas informações, neste estudo buscamos conhecer a frequência de diferentes níveis de distresse psicológico, a frequência de transtornos mentais ao longo da vida e fatores psicossociais (p.ex., características demográficas, experiências e pensamentos sobre a Covid-19) associados ao distresse psicológico na população geral e em profissionais de saúde, durante os primeiros meses da pandemia de Covid-19 no Brasil. Embora diversos fatores possam estar relacionados ao distresse psicológico vivido durante a pandemia de Covid-19, raramente esses fatores são explorados num mesmo estudo como aqui.


MATERIAL E MÉTODO

Participantes


Este estudo online foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) em 2 de maio de 2020 (CAAE #: 30823620.6.0000.5149) e está de acordo com o conjunto de princípios éticos da Declaração de Helsinque (1989). A pesquisa foi realizada em dois braços, sendo um com uma amostra da população geral e outro com uma amostra de profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os participantes foram informados de que o questionário da pesquisa levaria cerca de 25 minutos para ser preenchido. O termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) foi apresentado na primeira página do questionário e apenas as pessoas que responderam positivamente participaram do estudo. Para participar do estudo era necessário ter 20 anos ou mais, saber ler e ter acesso à Internet. Nenhum tipo de incentivo foi oferecido aos participantes do estudo.

Duas formas de recrutamento foram usadas. Os profissionais de saúde foram convidados por e-mail por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde (MS) do Brasil. Do pessoal de nível superior ou técnico da rede assistencial brasileira no SUS, 223.866 acessaram a página com o termo de consentimento e 2.416 (1.1%) a pularam. Consentiram com sua participação no estudo 205.591 pessoas (i.e., 92,8% dos indivíduos que passaram pelo TCLE). Uma amostra não-probabilística da população geral foi auto selecionada para o estudo através de um link de acesso exclusivo através de ações de comunicação de captação implementadas pelo departamento de marketing da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em todo o território nacional. Da amostra da população geral, 8.436 pessoas acessaram a página com o termo de consentimento e 83 (1,0%) a pularam. Consentiram com sua participação no estudo 8.314 pessoas (i.e., 98,5% dos indivíduos que passaram pelo TCLE).

Os dados de 58.978 participantes foram excluídos por ausência completa ou de 20% ou mais dos itens do Inventário Breve de Sintomas (BSI), instrumento de avaliação do distresse psicológico no estudo. Foram ainda excluídos do estudo os dados de 330 participantes com menos de 20 anos e de 497 participantes cujas respostas foram dadas depois de junho de 2020. Da amostra de profissionais de saúde, dados de 1.370 pessoas foram excluídos por elas se declararem como não sendo profissionais de saúde. As variáveis faltantes em outras áreas do questionário não foram tratadas, mas, caso presentes, a variação no tamanho da amostra foi reportada. Os dados que compõem a amostra final foram coletados de 9 de maio a 30 de junho de 2020. Foram incluídos dados de 164.881 profissionais de saúde recrutados pela SGTES (MS) (80,19% dos questionários iniciais) e de 5.635 participantes da população geral (67,77% dos questionários iniciais).

Medidas

Desenvolvimento do questionário online (E-survey) e Pré-teste. O questionário da pesquisa foi desenvolvido e a coleta de dados realizada através da plataforma SurveyMonkey@. Todos os pesquisadores da pesquisa e outros colaboradores testaram a usabilidade e a funcionalidade técnica do questionário eletrônico antes de ele ser liberado para a coleta de dados em ambas as amostras do estudo. O questionário apresentava 61 questões em ordem fixa dispostas em 13 páginas.

Características sociodemográficas. O questionário apresentava questões para a identificação do sexo, idade, escolaridade, estado civil, etnia, número de pessoas que moram no mesmo domicílio e região do país onde reside atualmente dos participantes.

Para classificação econômica usamos o Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) de 201919, instrumento que avalia o poder de compra de grupos de consumidores com base em aspectos como estrutura física da residência, bens de consumo e escolaridade do chefe da família. O escore no CCEB pode variar de 0 a 100 que é classificado em um de seis estratos socioeconômicos com renda domiciliar mensal estimada: A (renda média de R$ 25.554,33; representaria 2,5% da população brasileira), B1 (renda média de R$ 11.279,14; representaria 4,4% da população brasileira), B2 (renda média de R$ 5.641,64; representaria 16,5% da população brasileira), C1 (renda média de R$ 3.085,48; representaria 21,5% da população brasileira), C2 (renda média de R$ 1.748,59; representaria 26,8% da população brasileira) e DE (renda média de R$ 719,8; representaria 28,3% da população brasileira). Neste estudo, agrupamos as classes B1 e B2 em classe B e as classes C1 e C2 em classe C.

Quanto a ocupação, os participantes foram classificados como desempregado, profissional de saúde de nível superior, profissional de saúde de nível técnico ou profissional fora da área de saúde.

Distresse psicológico. O Inventário Breve de Sintomas (BSI)20,21 foi usado para medir o distresse psicológico (i.e., nível de estresse que causa sofrimento psicológico) dos participantes. O BSI é um instrumento de autorrelato que possui 53 itens que medem sintomas relacionados à 9 dimensões comportamentais: somatização, obsessão-compulsão, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ansiedade fóbica, ideação paranoide e psicoticismo. Cada item do BSI é classificado numa escala likert de cinco pontos (0 a 4). Para a análise dos dados, calculamos o Índice de Gravidade Global (GSI) do BSI, composto pela pontuação média de todos os itens respondidos. Para fins descritivos, a pontuação dos participantes foi classificada em intervalos de percentis de acordo com as normas brasileiras22. Quanto maior a pontuação e o percentil no BSI, maior o sofrimento psicológico. A confiabilidade do GSI na versão brasileira do BSI é alta (ω = 0,98; ωH = 0,95)22.

História de Transtornos Mentais. Os participantes foram apresentados às opções “sim” ou “não” para a pergunta “Algum(a) médico(a) ou outro(a) profissional da saúde já lhe diagnosticou como tendo algum transtorno mental (depressão, ansiedade, TDAH etc.)?”. Se a resposta fosse “sim”, uma lista de diagnósticos psiquiátricos com base na nomenclatura do DSM-523 era apresentada no formato de caixas de seleção. Portanto, a presença de um diagnóstico psiquiátrico ao longo da vida foi autorrelatada.

Questões relacionadas ao surto de Covid-19. Frases relacionadas ao surto de Covid-19 foram apresentadas no formato de caixas de seleção. Os participantes foram instruídos a selecionar apenas as experiências que se aplicassem à sua vivência, nos últimos 14 dias. A maior parte das frases do questionário foi baseada numa adaptação para o Português do Brasil das experiências relacionadas ao surto de Covid-19 investigadas no primeiro estudo publicado sobre os impactos psicológicos da pandemia de Covid-19, que foi realizado na China por Wang e colaboradores12. Além disso, foram propostas perguntas que os pesquisadores do estudo acharam apropriadas para o contexto brasileiro da pandemia, em abril de 2020. O questionário abrange as seguintes áreas: (1) Estado da saúde física nos últimos 14 dias, (2) História de contato com a Covid-19 nos últimos 14 dias, (3) Percepções e preocupações sobre a Covid-19 nos últimos 14 dias (4) e medidas preventivas adotadas contra a infecção nos últimos 14 dias.

As afirmações do questionário foram apresentadas na Tabela 1. A instrução do questionário foi a seguinte: “A seguir, temos várias afirmações sobre possíveis experiências que você possa ter tido ou tenha em decorrência da Infecção Humana pelo novo coronavírus, a Covid-19. Selecione apenas as experiências que você tenha ou tem vivido, nos últimos 14 dias. Marque quantas experiências se aplicarem à sua vivência, nos últimos 14 dias.” Digno de nota, o primeiro item da tabela 1, sobre a presença de doenças crônicas, foi apresentado no formato de lista para seleção. Foram apresentadas 17 opções de condições de saúde relacionadas ao estresse e/ou a condições crônicas de saúde: colesterol alto (gordura no sangue), diabetes (açúcar no sangue), infarto do miocárdio (ataque do coração), angina (isquemia, má circulação no coração), acidente vascular cerebral (derrame), asma (bronquite asmática), enfisema ou bronquite crônica, cálculo (pedra) no rim, cálculo (pedra) na vesícula, úlcera no estômago ou duodeno, gastrite, ler (lesão por reforço repetitivo, tendinite/sinovite), artrose (artrite, reumatismo), hérnia de disco, hipertireoidismo (tireoide acelerada), hipotireoidismo e tuberculose. Se pelo menos uma condição fosse selecionada, a variável “doença crônica” foi categorizada como presente.




Análise de dados

As características sociodemográficas e respostas do questionário de experiências e percepções relacionadas à pandemia de Covid-19 foram descritas e comparadas entre os profissionais de saúde e os participantes da população geral. A comparação de variáveis categóricas foi realizada através do teste quiquadrado. A comparação de variáveis contínuas foi realizada com análise multivariada de variância.

A associação entre as variáveis foi explorada por análise de regressão linear múltipla. A variável de desfecho foi o Índice de Gravidade Global (GSI). As variáveis preditoras foram as sociodemográficas e aquelas do questionário de experiências e percepções relacionadas à pandemia de Covid-19. A seleção de variáveis preditoras foi realizada através do método de regressão stepwise (seleção passo-a-passo) separadamente para as variáveis sociodemográficas (9 preditores) e para as variáveis de cada uma das quatro áreas do questionário sobre o surto de Covid-19. Foram 15 preditores testados sobre o estado da saúde física, 8 preditores relacionados à história de contato com a Covid-19, 16 preditores na área percepções e preocupações sobre a Covid-19 e 6 preditores relacionados a medidas preventivas adotadas contra a infecção. Para cada regressão selecionamos o modelo com a maior variância explicada, contudo, se na comparação entre os modelos a diferença fosse igual ou menor do que 1%, o modelo com menos variáveis independentes foi escolhido.

Na interpretação dos dados, a magnitude das diferenças ou a força das associações encontradas preponderaram sobre estratégias como o ajuste para múltiplas comparações ou apenas a consideração do valor-P. A chance de um resultado ter aplicações práticas é maior se a magnitude das diferenças ou a força das associações é maior23. Neste estudo, os tamanhos de efeito foram interpretados segundo as convenções de Cohen para diferenças de médias entre grupos (pequena: Hedges’ g / β = 0,2, média: Hedges’ g / β = 0,5 e grande: Hedges’ g / β = 0,8) e para variáveis categóricas phi (φ) ou V de Cramér que equivalem ao coeficiente de correlação r (trivial: Φ = <,10, pequena: Φ = 0,1, média: Φ = 0,3 e grande: Φ = 0,5)26,27. As análises foram realizadas no SPSS 25.


RESULTADOS

Na tabela 1, estão apresentadas as características das duas amostras, a gravidade do distresse psicológico, a prevalência de transtornos mentais autorrelatados e a frequência das experiências e pensamentos relacionados à pandemia de Covid-19. A maior parte das diferenças (73 de 78 comparações investigadas) entre os profissionais de saúde e a população geral foi trivial (r<0,10).

Características sociodemográficas

A maior parte dos participantes foi do sexo feminino (>80%). Quanto a ocupação dos participantes nas duas amostras, as proporções de cada categoria foram bastante diferentes, o que já era esperado pela própria natureza de recrutamento. Essa diferença pode ser observada através dos resíduos padronizados ajustados na tabela de referência cruzada que foram bem altos, na seguinte ordem decrescente: profissional fora da área de saúde (DP = -307,4), profissional de saúde de nível superior (DP = 99,8), desempregado (DP = -60,4) e profissional de saúde de nível técnico (DP = 15,3). Foram encontradas diferenças pequenas (Φ = 0,10) entre os grupos para idade, escolaridade e classe econômica.

A idade dos profissionais de saúde (M = 35,69; DP = 9,57) foi menor do que a da população geral (M = 41,49; DP = 12,49) (Hedges’ g = 0,52). Entre os profissionais de saúde, a frequência de participantes com Ensino Médio (resíduo ajustado: DP=-42,5), mestrado (resíduo ajustado: DP=-2,4) e doutorado (resíduo ajustado: DP=-11,8) foi menor do que na população geral. A quantidade de profissionais de saúde com graduação no Ensino Superior foi maior entre os profissionais de saúde (resíduo ajustado: DP=-36,5). A média no CCEB da população geral (M = 33,17; DP = 10,84) foi maior do que a média dos profissionais de saúde (M = 23,64; DP = 10,33), indicando maior poder de compra no primeiro grupo (Hedges’ g = 0,90).

Distresse psicológico e prevalência de transtornos mentais

A média no GSI dos profissionais de saúde foi 0,68 (DP = 0,60) e da população geral 1,06 (DP = 0,76) (Hedges’ g = 0,55). A frequência de participantes com escores no GSI classificados no percentil ≥95 (i.e., distresse muito alto) foi superior na amostra da população geral (6,3%) em comparação com a amostra de profissionais de saúde (1,2%). A prevalência autorrelatada de transtornos mentais ao longo da vida foi 1,24x menor entre os profissionais de saúde (36%) do que na população geral (44,7%). A prevalência de Transtornos Depressivos e do Transtorno de Ansiedade Generalizada foi superior à de outros transtornos mentais investigados.

Frequência de experiências e pensamentos relacionados à pandemia de Covid-19

Relataram ter pelo menos uma condição crônica de saúde 42,4% dos profissionais de saúde e 66,6% dos participantes da população geral. As condições mais frequentemente selecionadas foram gastrite (17,8% vs. 27,6%) e colesterol alto (15,6% vs. 29%). Os sintomas físicos relacionados à Covid-19 mais frequentes foram dor de cabeça, dor muscular e coriza. A maior parte dos participantes tinham um plano de saúde (>60%). Poucos participantes relataram diagnóstico de Covid-19 ou história recente de contato com a Covid-19. Nessa categoria, os eventos mais frequentes foram ter um familiar ou amigo próximo que teve confirmação da Covid-19 e ter contato direto com uma pessoa com infecção confirmada de Covid-19. A maior parte dos participantes disse concordar com as medidas de isolamento social e achar que a Covid-19 é uma infecção grave. A maior parte dos participantes reportaram estar seguindo todas as medidas preventivas contra a Covid-19 investigadas no estudo. Apenas 1,1% dos participantes disseram estar saindo de casa normalmente, como faziam antes da Covid-19.

Preditores de Distresse Psicológico

Os modelos de regressão estão apresentados na tabela 2, separadamente para as amostras de profissionais de saúde e da população geral. Na tabela 3, está apresentado o valor da associação de todas as variáveis do estudo com o GSI. Nas duas amostras do estudo, de profissionais de saúde e da população geral, as áreas mais associadas ao distresse psicológico foram o estado da saúde física nos últimos 14 dias (15% vs. 22%) e percepções e preocupações sobre a Covid-19 nos últimos 14 dias (21% vs. 20%). Menos de 1% da variância na medida de distresse psicológico foi explicada pelas variáveis das áreas história de contato com a Covid-19 e medidas preventivas nos últimos 14 dias.






Para os profissionais de saúde quanto menor a idade maior o GSI (F (5,164875) = 1102,75; p <0,001). Comparações post hoc corrigidas pelo método de Bonferroni mostraram que a diminuição no GSI com a idade só não foi significativa entre os grupos etários 60 anos e 70-90 anos (p=0,669). As mulheres apresentaram um GSI maior (M = 0,72; DP = 0,61) do que os homens (M = 0,50; DP=0,52) (t (150751) = -59,23; p<0,001; Hedges’ g = 0,37). Participantes que experimentaram sintomas físicos, como dor de cabeça, pressão no peito, mialgia e tontura apresentaram um GSI maior. Profissionais de saúde que tiveram contato direto com uma pessoa com infecção confirmada de Covid-19 também apresentaram um GSI maior. Os profissionais de saúde com maiores níveis de estresse psicológico estavam se sentindo menos produtivos no trabalho, relataram mais frequentemente ter muito medo de transmitir o vírus que causa a Covid-19 para alguém da família, sentiram que a qualidade do relacionamento entre as pessoas dentro de casa piorou e teriam muito medo de não conseguir lidar com dificuldades financeiras já presentes ou vindouras. Profissionais de saúde com escores mais altos no GSI mais frequentemente tomariam muito cuidado para não tocar em nada depois de tossir ou ver alguém tossindo.

Na população geral, quanto maior o poder de compra (classe econômica) menor o escore no GSI (F (3,5631) = 69,33; p <0,001). O nível de distresse psicológico seria menor em domicílios com uma ou duas pessoas em relação ao de pessoas morando em domicílios com três ou mais pessoas (F (3,4601) = 12,65; p <0,001). As experiências e pensamentos relacionados à pandemia de Covid-19 preditores do GSI na população geral foram semelhantes aos do grupo de profissionais de saúde, exceto que na amostra da população geral o nível de distresse psicológico foi afetado por não ter um plano de saúde e ter perdido um familiar ou amigo(a) próximo(a) por causa da Covid-19.


DISCUSSÃO

Neste estudo, descrevemos o estado de distresse psicológico e da saúde mental de profissionais de saúde e da população em geral, durante a fase inicial da pandemia de Covid-19 no Brasil. A doença pelo coronavírus (Covid-19) despertou no planeta declarações de nível de alerta máximo sob a lei internacional. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu declaração de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional devido ao surto de Covid-19, em 30 de janeiro de 2020. Em 3 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de importância Nacional (ESPIN). Desde então, as medidas de combate à pandemia foram discutidas e implementadas de modo bem descentralizado no país, dando força a iniciativas de toda sorte por estados e municípios.

O nível de distresse psicológico foi identificado como alto ou muito alto em 13,4% da amostra de profissionais de saúde e em 31,4% da amostra da população geral. A prevalência de transtornos mentais atuais ou ao longo da vida foi mais baixa entre os profissionais de saúde (36%) do que na população geral (44,7%). Portanto, neste estudo, o perfil de saúde mental dos profissionais de saúde parece mais positivo do que o encontrado na população geral. Ressaltamos, contudo, que é possível que haja um viés de amostragem impactando esse achado, já que a amostra da população geral foi recrutada através de uma associação de psiquiatria, a Associação Brasileira de Psiquiatria que, na certa, tem um alcance muito menor e menos diverso do que o Ministério da Saúde. Fora a diferença no perfil ocupacional, os profissionais de saúde eram mais novos, com maior frequência tinham educação de nível superior e, em geral, menor poder de compra do que a população geral.

Em todo caso, os resultados de prevalência de transtornos mentais deste estudo são comparáveis aos de estudos prévios com a população brasileira. Um estudo com adultos na região metropolitana de São Paulo, a maior área urbana da América do Sul, achou uma prevalência de transtornos mentais ao longo da vida igual a 44,8%, sendo classe de transtornos mais frequente a de transtornos ansiosos, enquanto os transtornos específicos mais comuns foram depressão maior, fobias específicas e abuso de álcool24. Numa cidade da Bahia, a prevalência de transtornos mentais comuns foi de 29,9%25. Outro estudo achou uma prevalência ajustada pela idade de transtornos mentais de 31% em São Paulo, 50,5% em Brasília e 42,5% em Porto Alegre26. Num estudo da OMS em 14 países (6 menos desenvolvidos e 8 desenvolvidos), a prevalência de transtornos mentais nos últimos 12 meses variou bastante de país para país, sendo de 4,3% em Xangai a 26,4% nos Estados Unidos27. Um estudo de revisão sistemática e metanálise da prevalência mundial de transtornos mentais comuns incluindo 63 países relatou que, aproximadamente, 1 a cada 5 pessoas (17.6%) cumpriam critério diagnóstico de um transtorno mental comum nos últimos 12 meses, enquanto a prevalência em algum ponto na vida seria de 29,2%28. Transtornos depressivos e ansiosos já eram os transtornos mentais mais prevalentes antes da pandemia de Covid-19, mas, durante o ano de 2020, foi estimado um aumento mundial de 27,6% dos casos de transtorno depressivo maior e de 25,6% dos casos de transtornos ansiosos29. Neste último estudo, de revisão sistemática, os pesquisadores citam que a taxas diárias de infecção pelo SARS-CoV-2 e a redução de mobilidade estariam associadas ao aumento desses transtornos, além de terem sido mais fortemente impactados pela pandemia mulheres e grupos etários mais jovens29.

Em nosso estudo, as características sociodemográficas não foram as mais fortemente associadas ao distresse psicológico, mas certamente são variáveis relevantes. Na amostra de profissionais de saúde, o distresse psicológico foi associado do sexo feminino e a grupos etários mais jovens. Para a população geral, entre as características sociodemográficas investigadas, foi associado ao distresse psicológico estar numa classe econômica com renda menor e morar em domicílios com mais pessoas (três ou mais). Em estudos sobre saúde mental na pandemia, já se documentou risco maior de distresse entre mulheres e jovens adultos30,31. O acesso desigual a oportunidades e os diferentes recursos econômicos entre os grupos sociais também estão associados à saúde mental32. A vulnerabilidade social amplifica os riscos vividos em qualquer desastre, incluindo as chances de infecção e comprometimento da saúde mental33. A falta de creches e de apoio em saúde, econômico e educacional, por exemplo, foram considerados importantes estressores durante a pandemia de Covid-19 para 60% dos adultos de um estudo americano33. O risco de infecção e transmissão da Covid-19 aumenta com o número de pessoas vivendo juntas34, portanto, o número de pessoas no domicílio ter sido uma variável associada ao distresse psicológico no estudo nos parece razoável.

A maioria dos participantes deste estudo acham que a Covid-19 é uma infecção grave, concordam com as medidas de isolamento social e estariam praticando várias medidas preventivas, incluindo não sair de casa se possível. Reforçamos que, não necessariamente, esse seria o retrato da população brasileira no início de 2020, afinal, embora nossa amostra seja bem grande, ela foi composta por profissionais de saúde e a amostra da população geral tinha, no mínimo, o Ensino Médio completo e mais representantes de classes econômicas mais altas que o esperado para o Brasil como um todo (por exemplo, frequência da classe A de 15,8% vs. 2,5% no país19). Quanto às experiências e pensamentos relacionados à pandemia de Covid-19, no período investigado, foram mais fortemente associadas ao distresse psicológico as variáveis da categoria sintomas físicos da Covid-19 (21,7%) e da categoria percepções e preocupações sobre a pandemia de Covid-19 (19,9%), como se sentir menos produtivo no trabalho, medo de transmitir o coronavírus para a família e sentir que os relacionamentos dentro de casa pioraram. Para os profissionais de saúde, as variáveis ter tido contato com alguém com Covid-19 e o temor de não conseguir lidar com possíveis dificuldades financeiras também foram importantes para o distresse psicológico. Para a população geral, não ter um plano de saúde privado e ter perdido um familiar ou amigo próximo por Covid-19 foram preditores de distresse. Dada a relação de eventos incertos e respostas de estresse35, é possível que pessoas com maior nível de distresse psicológico estivessem mais alerta aos sintomas físicos associados à Covid-19, num momento em que a doença ainda era recente e cercada de incertezas. Maior distresse psicológico, aqui, também foi associado a uma percepção mais negativa da própria produtividade e da qualidade dos relacionamentos, por exemplo, além de medos razoáveis para uma pandemia como a transmissão da doença e de dificuldades econômicas.

Este estudo possui limitações. Embora uma pesquisa pela Internet seja uma estratégia conveniente durante uma pandemia causada por um vírus tão facilmente e rapidamente transmitido, tal estratégia pode aumentar o risco de vieses de amostragem36. De todo modo, utilizamos uma medida de distresse psicológico bastante confiável e consideramos o melhor possível princípios de simplicidade e integralidade, além de relevância34. O acesso à Internet no Brasil depende de fatores sociodemográficos e, com isso, talvez a amostra tenha maior representatividade entre pessoas com maior nível de escolaridade e classe econômica. Deve-se considerar ainda a preponderância de participantes do sexo feminino, uma variável importante no estudo da saúde mental. A prevalência de transtornos mentais foi estimada por autorrelato de categorias diagnósticas, não por instrumentos que avaliam sintomas e prejuízos funcionais nem por avaliação clínica profissional.


CONCLUSÃO

Neste estudo, identificamos que a prevalência de transtornos mentais ao longo da vida na população brasileira é significativa (36% para profissionais de saúde e 44,7% para a população geral), o que pode ser um fator de vulnerabilidade aos efeitos do estresse provocado pela pandemia de Covid-19. Essa é uma preocupação mundial e justificável. Programas de mitigação dos efeitos negativos da pandemia, provavelmente não serão efetivos se não considerarem a saúde mental.

Aqui, observou-se que o distresse psicológico de profissionais de saúde do sexo feminino e de grupos etários mais jovens pode ser maior do que o de profissionais do sexo masculino com mais idade, sugerindo que essas variáveis são de importante consideração para essa população. Já para a população geral, os fatores econômicos podem ser preponderantes. Um nível de distresse maior também foi relacionado à experiência de sintomas físicos que se achava estarem associados à Covid-19 no início da pandemia. Estudos subsequentes podem investigar se o distresse psicológico estaria associado a um nível maior de alerta e se isso teria consequências tanto positivas, como a detecção mais precoce da doença, quanto negativas, significando que pessoas com distresse mais elevado poderiam ser mais vulneráveis a infecções mais graves (sintomáticas), por exemplo. Das muitas variáveis investigadas no estudo, foram preditivas de distresse variáveis relacionadas à família, como sentir que as relações em casa pioraram, medo de transmitir o vírus para familiares ou ter perdido um ente mais próximo. O temor das consequências financeiras também seria importante para o distresse psicológico. Se esses resultados se mantiverem ao longo do tempo e forem replicados, estratégias de mitigação do distresse psicológico da população devem envolver suporte social e controle da instabilidade econômica.

Agência de fomento: O presente estudo foi parcialmente financiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS / OMS) no Brasil. A autora DSC contou com o apoio da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. O autor JJP foi apoiado pelo CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Declaração de interesse: Os financiadores não tiveram um papel final no desenho do estudo, na coleta, análise e interpretação dos dados; na redação do relatório ou na decisão de submeter o artigo para publicação. Todos os pesquisadores listados como autores são independentes dos financiadores e todas as decisões finais sobre a pesquisa foram feitas sem restrições pelos investigadores. Os autores não estão cientes de quaisquer outros interesses conflitantes que possam influenciar inadequadamente (enviesar) seu trabalho. As visões e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a política oficial ou posição de qualquer agência da OPAS ou do Ministério da Saúde no Brasil.


AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) pelos esforços no recrutamento dos participantes deste estudo.


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aSAMBE - Instituto de Saúde Mental Baseada em Evidências, Brazil
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iUniversidade Federal de Minas Gerais, Department of Psychiatry, Belo Horizonte/MG - Brasil
jUniversidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Pediatria - Laboratório de Neurociências, Faculdade de Medicina - Belo Horizonte/MG - Brasil
kUniversidade Federal de Tocantins, Palmas/TO - Brazil
lSGETS - Ministério da Saúde, Brazil

Autor correspondente

Leandro Fernandes Malloy-Diniz
malloy.diniz@gmail.com

Submetido em: 16/08/2021
Aceito em: 03/12/2021

Contribuição dos autores: Todos os indivíduos listados como autores atendem aos critérios de autoria apropriados e ninguém que se qualifica para a autoria foi omitido da lista. A Sra. Costa conceituou e desenhou o estudo, conduziu as análises iniciais, redigiu o manuscrito inicial e revisou o manuscrito final. A Dra. Miranda e Prof. Malloy-Diniz obtiveram financiamento, conceituaram e delinearam o estudo, contribuíram com a interpretação da análise dos dados e revisaram o manuscrito final. Todos os demais autores conceituaram e delinearam o estudo, contribuíram com a interpretação da análise dos dados, e revisaram o manuscrito final. Os autores concordaram em ser responsáveis por todos os aspectos do trabalho, inclusive por questões sobre a precisão ou integridade do estudo.

 

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