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Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2018; 20(3):197-215



Artigo Especial

Produção científica de Elisa Yoshida: contribuições para o campo das psicoterapias (1990/2013)

Elisa Yoshida's Scientific Production: contributions to the psychotherapy field from 1990 to 2013

Producción científica de Elisa Yoshida: contribuciones al campo de las psicoterapias (1990/2013)

Tales Vilela Santeiroa; Glaucia Mitsuko Ataka da Rochab; Giovanna Corte Hondac; Maria Leonor Espinosa Enéasd; Evandro de Morais Peixotoe

Resumo

Considerando que a área de pesquisa em psicoterapia no Brasil e seus expoentes carecem de maior visibilidade, este estudo objetivou apresentar e analisar parcela da produção científica da pesquisadora brasileira Elisa Medici Pizão Yoshida, por meio de uma revisão narrativa. O material analisado se constituiu de informações declaradas no Currículo Lattes da Pesquisadora e de publicações acadêmicas disponíveis on-linee/ou fisicamente. Entre 1990 e 2013 Elisa Yoshida publicou 65 artigos em periódicos científicos, relatando resultados de pesquisas desenvolvidas desde sua integração ao Departamento de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. A média de publicações nos 23 anos em que ali esteve foi de 2,8 artigos/ano (DP = 1,52). Ao considerar a publicação de artigos com foco específico em relatos de pesquisas sobre psicoterapias, ela correspondeu a 49% (n = 32) da produção analisada. Feita a leitura das produções e da correspondente trajetória científica da Pesquisadora, observou-se o desenvolvimento de uma carreira sólida, coerente e com objetivos claros, iniciada em preocupações nascidas da prática clínica no Brasil. Com o passar dos anos a integração da atuação clínica à produção de conhecimento se consolidou, sendo a presidência do capítulo latino-americano da Society for Psychotherapy Research (2007-2008) um reflexo desse processo. Inquietações relativas à criação de um corpo de conhecimentos adaptado à realidade brasileira e empiricamente embasado também marcaram a produção considera da. Elisa Yoshida aposentou-se num momento em que seus estudos se aprofundavam em fatores que possibilitariam a mudança em psicoterapia, a partir de uma perspectiva teórica integrativa.

Descritores: Avaliação psicológica; Psicoterapia breve; Psicoterapia psicanalítica.

Abstract

Psychotherapy research field in Brazil and its exponents need visibility. The aim of this study was to present and analyze part of the scientific production of the Brazilian researcher Elisa Medici Pizão Yoshida through a narrative review. Information reported on the researchers curriculum lattes were analyzed, as well as academic publications available online or physically. Elisa Yoshida published 65 articles on scientific journals between 1990 and 2013. These articles reported results from researches conducted in the Post-Graduation Department in Psychology of the Pontifical Catholic University of Campinas (PUC). The average number of publications during the 23 years she worked at PUC was 2.8 (SD = 1.52) articles/year. The publication of articles with specific focus on research reports on psychotherapies corresponded to 49% (n = 32) of the analyzed production. Analyzing the researchers trajectory and academic production, it was observed the development of a consistent and coherent career, with clear objectives, that started with concerns that came from clinical practice in Brazil. Over time, integration of clinical practice and knowledge production consolidated and she was nominated president of the Latin American chapter of the Society for Psychotherapy Research (2007-2008). Concerns with the development of a body of knowledge in line with the Brazilian reality and empirically based characterized Yoshidas academic production. When Elisa Yoshida retired, her studies were deepening in aspects, which would enable change in psychotherapy from an integrative perspective.

Keywords: Psychological assessment; Brief psychotherapy; Psychoanalitic psychotherapy.

Resumen

Considerando que el área de investigación en psicoterapia en Brasil y sus exponentes carecen de mayor visibilidad, este estudio objetivó presentar y analizar parte de la producción científica de la investigadora brasileña Elisa Medici Pizão Yoshida, a través de una revisión narrativa. El material analizado se constituyó de informaciones declaradas en el Currículo Lattes de la Investigadora y de publicaciones académicas disponibles on-line y / o físicamente. Entre 1990 y 2013 Elisa Yoshida publicó 65 artículos en periódicos científicos, relatando resultados de investigaciones desarrolladas desde su integración al Departamento de Postgrado en Psicología de la Pontifícia Universidade Católica de Campinas. La media de publicaciones en los 23 años en que allí estuvo fue de 2,8 artículos / año (DP = 1,52). Al considerar la publicación de artículos con foco específico en relatos de investigaciones sobre psicoterapias, correspondió al 49% (n = 32) de la producción analizada. Después de hecha la lectura de las producciones y de la correspondiente trayectoria científica de la Investigadora, se observó el desarrollo de una carrera sólida, coherente y con objetivos claros, iniciada com preocupaciones nacidas desde la práctica clínica en Brasil. Con el paso de los años la integración de la actuación clínica a la producción de conocimiento se consolidó, siendo la presidencia del capítulo latinoamericano de la Sociedad para la Psicoterapia Research (2007-2008) un reflejo de este proceso. Inquietudes relativas a la creación de un cuerpo de conocimientos adaptado a la realidad brasileña y empíricamente basadas también marcaron la producción considerada. Elisa Yoshida se retiró en un momento en que sus estudios se profundizaban en factores que iban a posibilitar el cambio en psicoterapia, desde una perspectiva teórica integrativa.

Descriptores: Evaluación psicológica; Psicoterapia breve; Psicoterapia psicoanalítica.

 

 

INTRODUÇÃO

A análise de produção científica é um método de pesquisa tradicionalmente praticado no Brasil e no exterior. Embora tenha raízes incertas, os anos 1960 têm sido considerados como marco histórico quando surgiram as primeiras produções acadêmicas com esse enfoque metodológico1. E, desde então, exercícios dessa natureza têm ganhado corpo e visibilidade em diversas áreas do conhecimento, o que inclui a Psicologia e a psicoterapia2,3,4,5,6,7,8, ainda que o seu poder de alcance na condução e estudos de processos psicoterapêuticos seja de algum modo desconhecido e/ou subestimado9.

As bases de dados eletrônicas são recursos que têm sido utilizados como meios pelos quais se escoa e se amplia a divulgação da produção científica de todas as áreas do saber, ao redor do mundo. A despeito de elas serem recursos desenvolvidos há décadas, a ampliação do acesso à internet, ocorrida a partir dos anos 2000, acentuou os seus papéis e suas funcionalidades, para a população em geral e, igualmente, para os cientistas.

A democratização das informações oriundas de descobertas científicas passou a desfrutar de potência, ancorada no movimento das bases de dados de acesso aberto, na medida em que elas, como o próprio nome sugere, não geram custos para o consumidor de Ciência. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição de destaque, por causa de iniciativas como a criação da base de dados SciELO/ScientificElectronic Library Online, surgida em 199810,11.

Assim como ocorrido com a SciELO, iniciativa governamental foi desenvolvida para pesquisadores sediados em instituições brasileiras disponibilizarem informações curriculares por meio da internet. Fundamentada numa série de experiências iniciadas em meados dos anos 1980 e consolidadas na década seguinte, a iniciativa da Plataforma Lattes foi desenvolvida pelo CNPq/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Plataforma Lattes, "sobre a Plataforma" e "Histórico", http://lattes.cnpq.br/). A Plataforma Lattes passou, assim, a ser considerada como uma fonte documental, por meio da qual pesquisas podem ser realizadas, portanto, acerca de pesquisadores, Grupos e instituições12,13.

A escolha por Elisa Yoshida deve-se ao fato de que, durante toda sua carreira como professora e pesquisadora em Psicologia, ela se manteve atenta às necessidades tanto de acesso da população a serviços de Psicologia Clínica de qualidade, quanto de formação adequada de psicólogos iniciantes para esse tipo de atendimento. Sua atuação mostra-se coerente com o princípio de que a prática e o ensino são decorrentes de pesquisas que os embasem empiricamente. Seu interesse precoce pela psicoterapia breve (PB), que ensinou desde o começo da década de 1980, aponta para essa direção, de uma técnica que proporcione alívio para o sofrimento emocional de grande parte da população - objetivo de inspiração preventiva, conforme a influência de seu orientador o Prof. Dr. Ryad Simon - e que também é mais facilmente pesquisada e, uma vez operacionalizada, também mais propriamente ensinada.

Embora a PB já contasse com propostas e estudos no âmbito internacional, especialmente Europa e Estados Unidos da América, no Brasil teve sua prática ligada ao contexto médico. Começando pelas atividades pioneiras de Mathilde Neder no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, desde a década de 5014 e depois praticada e ensinada por médicos psiquiatras nas décadas de 70 e 80 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como Cláudio Eizirik, Sidnei Schestatsky, Aristides Cordioli, Jacó Zaslavsky, que contam com publicações, sejam sobre psicoterapia de forma geral, sejam sobre PB. No Rio de Janeiro, a médica/psicóloga Vera Lemgruber tem as primeiras publicações sobre PB na década de 8015.

Comparativamente às condições europeias e norte-americanas, a pesquisa mais sistemática sobre PB em nosso meio tardou a consolidar-se e ainda é escassa, especialmente em função de pouco incentivo financeiro e mesmo de os práticos estarem pouco afeitos à pesquisa. Nesse campo, a contribuição de Elisa Yoshida é destacada, na medida em que sua prática e seu ensino são embasados em pesquisas que auxiliam a aplicação de técnicas breves no contexto da nossa realidade. Assim, ela pode ser considerada uma das pioneiras no campo das pesquisas em psicoterapia no Brasil.

Desde o começo de sua carreira como pesquisadora (1977), sob orientação de Simon, seus temas de interesse se voltaram para validação de instrumentos de avaliação psicológica e para condições de aplicação da PB à realidade brasileira - incluindo sua dissertação de mestrado (1984) e tese de doutorado (1989). A criação do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicoterapia Breve (NEPPB) em 1987 seguiu essa mesma marca e, nessa conjuntura, as pesquisas ligadas às condições de atendimento à população brasileira se destacaram. Além disso, sua produção científica sempre esteve atrelada aos mais recentes e relevantes aspectos apontados pela literatura internacional. Sua publicação começou no ano de 1990, com o livro resultante de sua tese, discutindo critérios de indicação para psicoterapia breve.

No cenário internacional, é possível acompanhar o desenvolvimento das pesquisas por meio de seções especiais publicadas nos periódicos da American Psychological Association (APA). O Journal of Consulting and Clinical Psychology (JCCP) é um desses, considerado de ponta no campo das pesquisas em psicoterapias, principalmente por publicar aquelas que usam métodos rigorosos, aplicados a pacientes em ambientes clínicos reais e não ter nenhuma afiliação a alguma orientação teórica específica5. As seções especiais ali publicadas representam os tópicos mais relevantes num dado momento, resumindo os pontos principais de cada um.

Na época da primeira publicação da autora em tela (1990), uma seção especial do JCCP discutiu "avanços em pesquisa de processo"16. A seção publicada em 1990 foi a terceira sobre psicoterapia, as quais foram iniciadas em 1981, esta sendo seguida de outra sobre a "busca de novos métodos de pesquisa clínica"17. Esta sugeria o uso de medidas indiretas de constructos psicológicos na pesquisa, como alternativa para buscar respostas mais específicas sobre um tipo peculiar de tratamento, que pudesse ser oferecido a um tipo particular de paciente, sob condições bem definidas para aumentar a sua efetividade18. Outro ponto destacado naquele momento diz respeito à busca da significância clínica e de avanços metodológicos que a facilitam19.

Essas discussões marcaram a produção científica internacional, e também a de Elisa Yoshida em anos posteriores. Sua produção buscou aproximações com a prática, especialmente com o uso de instrumentos que operacionalizam conceitos teóricos, novamente em consonância com sua posição de favorecer o ensino e a aplicação das PB.

Com o desenvolvimento da metodologia de pesquisa de caso único, uma seção especial do JCCP de 1993 traz uma definição cuidadosa do delineamento de caso único, com uma categorização básica para sua aplicação de forma a responder mais adequadamente às questões sobre o processo de mudança20. De fato, pode-se verificar na produção de Yoshida a condução de pesquisas que também usaram desse delineamento, ressaltando a sintonia de seus estudos com avanços metodológicos observados no contexto de pesquisas internacionais21, 22, 23.

Considerando esse preâmbulo e também que a área de pesquisa em psicoterapia no Brasil e seus expoentes carecem de maior visibilidade, este estudo objetiva analisar a produção científica da pesquisadora brasileira Elisa Medici Pizão Yoshida. De modo específico, estarão sob atenção contribuições prestadas por ela para o desenvolvimento do campo das pesquisas em psicoterapias no Brasil e na América Latina, no segmento "artigos publicados em periódicos". A rede de colaboração estabelecida pela Pesquisadora e a internacionalização em sua carreira também serão consideradas no âmbito geral do texto.


MÉTODO

Tipo de Estudo: revisão narrativa, que se constitui de análise da literatura científica na interpretação e análise crítica de autores24.

Material: Currículo Lattes da pesquisadora Elisa Medici Pizão Yoshida, tal como informado e tornado público pela própria pesquisadora na atualização feita em 20 dezembro de 2017, associado a publicações acadêmicas disponíveis on-line e/ou fisicamente.

Procedimentos: o Currículo Lattes estudado foi utilizado como ponto de partida para efetivar a busca de informações acerca da produção acadêmica da pesquisadora. Esse documento é de acesso público e gratuito e é disponibilizado pela Plataforma Lattes. Nele os pesquisadores declaram elementos de sua atuação profissional, incluindo atividades administrativas, de ensino, pesquisa e extensão.

Assim que informações sobre a produção da pesquisadora foram identificadas a partir do Lattes, buscas de dados complementares foram feitas em outras bases de dados e em acervo físico, para viabilizar as análises e a discussão (por exemplo, SciELO). O Lattes foi priorizado porque elenca informações autodeclaradas pelo pesquisador. Além do mais, assim como vem sendo praticado em estudos semelhantes ao proposto, as informações nele declaradas são tidas como verídicas25.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Elisa Yoshida graduou-se em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (1971-1975). Nessa Instituição desenvolveu projetos de mestrado (1977-1984) e doutorado (1985-1989), sob orientação de Ryad Simon, filósofo e psicanalista paulista, professor titular da Universidade de São Paulo, falecido em dezembro de 2017. A internacionalização de sua carreira teve como marco inicial seus estudos de pós-doutorado, desenvolvidos na Université de Montreal, no Canadá francês (1995-1996).

Ao graduar-se em Psicologia, Yoshida desenvolveu atividades laborais em diversas instituições, havendo destaque para sua atuação como professora, função iniciada desde 1979 em faculdades privadas e finalizada em 2013, quando se aposentou. Quando da aposentaria ela se vinculava à Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), instituição de caráter administrativo confessional, na qual permaneceu por 23 anos (1990-2013) como Professora Titular, em regime de trabalho de dedicação exclusiva entre 2001 e 2013.

O trabalho de Elisa Yoshida foi desenvolvido a partir de duas linhas de pesquisa que balizariam sua produção acadêmica: (1) Instrumentos e processos em avaliação psicológica e (2) Prevenção e intervenção psicológica. A primeira linha, tangencial ao que se pretende tratar neste momento, teve por foco aspectos teóricos e práticas que visavam à construção, adaptação e uso de estratégias de avaliação psicológica.

A segunda linha de pesquisa era a diretamente relacionada aos objetivos deste trabalho. Ela visava o estudo sistemático de processos psicoterápicos psicodinamicamente orientados. Essa frente de estudos foi desenvolvida na PUCCAMP e também no NEPPB, que foi fundado em 1987 por Elisa Medici Pizão Yoshida, Teresa Iochico Hatae Mito e Maria Terezinha Yukimitsu e teve suas atividades encerradas em 200026,27.

Na segunda linha de investigações destaca-se o projeto "Psicoterapia breve: critérios de indicação, processo de mudança e follow-up", pelo impacto que ele teve em termos de geração de produtos acadêmicos (produções escritas e orientações), resultantes de estudos sobre psicoterapias. Além disso, ele foi desenvolvido em maior extensão temporal, perfazendo os últimos 11 anos da carreira da Professora (2003-2013), período no qual contou com 48 colaboradores. A figura 1 detalha os projetos com objetivos voltados às psicoterapias, o período de tempo investido para desenvolvê-los e o número de colaboradores envolvidos nas equipes de pesquisa.


Figura 1. Projetos de pesquisa sobre psicoterapia (ordenação cronológica decrescente).
* Parcerias internacionais expressas por meio de integração às equipes executoras e de coautorias em artigos
derivados dos projetos, publicados em periódicos.



ARTIGOS PUBLICADOS EM PERIÓDICOS

Ao longo da sua carreira na PUCCAMP, Elisa Yoshida publicou 65 artigos em periódicos científicos, relatando resultados de pesquisas desenvolvidas desde sua integração ao Departamento de Pós-Graduação em Psicologia, em 1990. Isto posto, a média de publicações no período de 23 anos em que ali esteve, foi de 2,8 artigos/ano (DP = 1,52).

Ao considerar a publicação de artigos com foco específico em relatos de pesquisas sobre psicoterapias, verifica-se que 49% (n = 32) da produção declarada foi atinente a esse campo. Porém, para contextualizar esse resultado cabe considerar, complementarmente, que nos documentos analisados dois subconjuntos de produções foram constatados: (1) os voltados ao estudo em processos de desenvolvimento e/ou validação de instrumentos de avaliação psicológica (AP) para a realidade brasileira; e (2) os decorrentes de intervenções e situações não psicoterapêuticas propriamente ditas.

Quanto ao subconjunto de estudos para desenvolvimento e/ou validação de instrumentos de AP, as produções respectivas respondem por 32% (n = 21) da produção de artigos da Pesquisadora. Nesses trabalhos coletam-se dados junto a populações clínicas e não clínicas, visando às adaptações de estratégias de AP para uso na realidade brasileira28,29. Naturalmente, recursos dessa natureza possuem alto valor para psicoterapeutas desenvolverem trabalhos ancorados em procedimentos padronizados de AP, para verificação de mudanças ao longo do processo e para acompanhamento em psicoterapias (follow-up). Eles também oferecem contribuições aos pesquisadores ao possibilitar operacionalização de construtos psicológicos de interesse da comunidade científica, viabilizando estudos empíricos de associações destes construtos com outras variáveis30,31.

Estudos sobre intervenções e situações não psicoterapêuticas (subconjunto 2) representam o restante da produção tangencial ao campo das psicoterapias (n = 13; 20%). São casos nos quais são desenvolvidos estudos de natureza metodológica transversal, com coleta de dados em âmbito de sala de aula31, ou para avaliação de intervenções ocorridas em equipamentos de atenção à saúde32. Novamente, embora os tipos de estudos integrantes desse conjunto não sejam diretamente relacionados às psicoterapias, eles podem ser úteis para a comunidade de psicoterapeutas, com respectivo impacto na qualidade dos atendimentos ofertados por eles.

Em retomada à apresentação do perfil de 32 artigos voltados ao estudo de psicoterapias, nos 23 anos aqui analisados (1990-2013) tem-se que as publicações se iniciaram em 1992 e foram finalizadas em 2017, conforme declarado no Lattes. A média de artigos/ano foi de 1,3 (DP = 0,75). Esse resultado indica que a produção analisada se distribuiu ao longo do tempo de modo constante, espelhando o desenvolvimento e a consolidação da linha de pesquisa "Prevenção e intervenção psicológica".

Em relação à autoria na produção de artigos sobre psicoterapia (n = 32), ela é, em predomínio, múltipla (n = 22; 71%). A autoria coletiva é, no geral, resultado de orientações de estudantes de iniciação científica, de mestrado e de doutorado21 e/ou de parcerias com orientados, após estes terem obtido titulação acadêmica e iniciarem linhas de pesquisa em outras instituições de ensino superior22,31.

As exceções de autorias múltiplas não vinculadas a orientandos são atreladas aos produtos de colaborações com colegas do NEPPB33 e de parcerias, em sua maior parte, estrangeiras23,34. Nestes últimos casos a Professora publicou trabalhos em coautoria com pesquisadores canadenses (Daniela Wiethaeuper [brasileira, porém vinculada a instituição canadense], Hélène Dymetryzyn, Marc-André Bouchard, Patrice St-Amand, Serge Lecours e Valérie Lepine) e, a partir de 2007, com colegas do Chile (Mariane Krause e Guillermo de la Parra) e da Alemanha (Erhard Mergenthaler). No entanto, cabe observar que há situações peculiares, nas quais a coautoria com estrangeiros se sobrepõe à de orientado35.

Os 32 artigos publicados pela Professora e tocantes às psicoterapias tiveram participação de 34 colaboradores. Dentre estes, destaca-se a participação das Professoras Maria Leonor Espinosa Enéas (Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, desde 1994), e Giovanna Corte Honda (Universidade Nove de Julho, São Paulo, desde 2014), com, respectivamente, 7 e 4 produções cada.

Os artigos sobre psicoterapia que vêm sendo debatidos (n = 32) foram publicados em 16 periódicos distintos, numa frequência de 1 a 6 artigos/periódico. O Estudos de Psicologia (Campinas), editado pelo programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Ciências da Vida da PUCCAMP desde 1983, concentrou maior número de publicações (n = 6), seguido do Psico-USF (n = 4). Este último é de responsabilidade editorial do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade São Francisco e está em circulação desde 1996.

De modo geral, entre os 16 periódicos em que os artigos foram divulgados, constata-se que 7 deles pertencem ao estrato A de avaliação proposta pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino Superior (Qualis/CAPES) - Estudos de Psicologia (Campinas), Psico-USF, Paidéia, Estudos de Psicologia (Natal), Psicologia: Teoria e Prática, Psicologia Escolar e Educacional, Temas em Psicologia. Periódicos do estrato A desfrutam de padrão editorial pareado ao de veículos de comunicação de nível internacional (apesar de todos eles serem editados por instituições brasileiras). E número idêntico de artigos analisados era pertencente ao estrato B, indicativo de veículos de nível nacional - Boletim de Psicologia, Interação em Psicologia, Mudanças, Contextos Clínicos, Psicologia Argumento, Revista Brasileira de Psicoterapia e Revista de Psicologia Hospitalar. Exceto os dois periódicos que saíram de circulação nos dias atuais, o Cadernos de Psicologia e o Revista da UNIPÊ, os demais, por serem avaliados pela Qualis/CAPES como pertencentes aos estratos A e B, cumprem com o requisito de serem indexados em bases de dados eletrônicas.

Na Figura 2 estão apresentados os títulos dos artigos, ordenados por ano crescente de publicação. E a seguir, faz-se uma apreciação das contribuições da Pesquisadora durante sua trajetória, iniciada dentro de um cenário de preocupações inerentes à prática clínica no Brasil. Ao final de sua carreira, Elisa Yoshida integrava uma comunidade internacional de pesquisadores em psicoterapia, a Society for Psychotherapy Researchf (SPR), e expressava preocupações relacionadas ao estudo aprofundado de fatores que possibilitariam a mudança em psicoterapia, a partir de uma perspectiva mais contemporânea - a integrativa.


Figura 2. Títulos dos artigos ordenados por ano de publicação, em ordem cronológica crescente.



As duas primeiras publicações, de 199236 e 199337, refletiam a preocupação da pesquisadora com a aplicabilidade da psicoterapia breve psicodinâmica (PBP) na realidade brasileira, fosse ela voltada ao atendimento infantil, população com a qual trabalhou no início de sua vida profissional, fosse discutindo tal aplicabilidade, de modo mais amplo. Seus escritos iniciais demonstram inquietações sobre aspectos teórico-técnicos da prática daquela modalidade de intervenção e sobre a formação de profissionais atentos às necessidades específicas relacionadas às demandas e contextos encontrados no Brasil.

Nessa direção, salienta-se que no NEPPB realizavam-se pesquisas vinculadas a processos de formação de futuros profissionais habilitados na prática da PBP38. Essa articulação está expressa ainda em 1993, na publicação de um artigo que trata de critérios de indicação dos pacientes à PBP e de estratégias terapêuticas, indicando um caminho que Elisa Yoshida trilharia em busca de evidências, tanto da eficácia das PBP quanto do estudo aprofundado das diversas variáveis envolvidas nesses resultados e que ensejariam mudança33.

É possível, verificar, portanto, que estudos posteriores39,40,41,42 tiveram foco na identificação de fatores que possibilitariam mudanças em pacientes durante processos de psicoterapia. As principais variáveis pesquisadas envolveram os conceitos de eficácia adaptativa, estágios de mudança, motivação e transferência, aliados a outros, como a importância de se considerar os aspectos do psicoterapeuta (como estratégias interventivas usadas, capacidade empática e de acolhimento), além da qualidade da relação entre psicoterapeuta-paciente (aliança terapêutica).

Por exemplo, Yoshida, St-Amand, Lepine e Bouchard34 investigaram a relação entre a eficácia adaptativa de pacientes que buscavam psicoterapia psicanalítica e o nível de maturidade dos mecanismos de defesas que eles empregavam. Os 20 pacientes da amostra foram separados em dois grupos, de acordo com a configuração adaptativa apresentada por eles: não-eficaz moderada e não-eficaz severa. Os resultados mostraram que apesar de não haver diferença entre os grupos no que tange ao número de defesas utilizadas, houve diferença quanto ao emprego de defesas maduras em pacientes do grupo não-eficaz moderado e defesas menos evoluídas no grupo não-eficaz severo.

Um ponto que preocupava pesquisadores na conjuntura internacional e balizou o trabalho de Yoshida diz respeito aos métodos e técnicas aplicáveis à pesquisa em psicoterapia e que poderiam garantir a validade e a fidedignidade dos resultados obtidos. Nesse sentido, em 2008 publicou estudo em que busca verificar a significância clínica das mudanças em psicoterapia, segundo proposta de Jacobson e Truaux43. Para tanto, estes autores propuseram dois critérios: (1) o paciente deve passar de um funcionamento correspondente a uma população teoricamente disfuncional ao de uma população funcional; e (2) a mudança deve ser suficientemente grande para ser atribuída a uma mudança "real" e não a erros de medida. Não bastaria, portanto, uma mudança para melhor nos escores do paciente antes e depois da psicoterapia. No estudo de Yoshida44, embora não tenha sido possível se falar em recuperação, houve melhoras conferidas por instrumentos de autorrelato. O critério de mudança adotado englobou a possibilidade de a paciente evoluir para um funcionamento correspondente ao de população não-clínica e a melhora ser suficiente para ser referida a uma mudança "real", e não a erros de aferição.

Ainda orientada pela busca de melhores métodos e técnicas, a Pesquisadora desenvolveu pesquisas em que aplicava o Método do Tema Central de Relacionamento Conflituoso - CCRT45 - na formulação do foco psicodinâmico e para estudar se haveria mudança no foco trabalhado durante processos de PBP. Os autores do CCRT buscaram, ao elaborarem o método, a operacionalização do conceito de padrão de transferência. Yoshida et al22 analisaram um processo de PBP, com vistas a identificar melhoras no funcionamento geral de uma paciente, além de mudança em seu padrão de CCRT e o tipo de intervenção usado pela psicoterapeuta. Ao final do processo, foi possível constatar mudança parcial no padrão de relacionamento conflituoso e mudanças clinicamente significantes em todas as variáveis em que um progresso era possível. Quanto às intervenções terapêuticas, as de caráter expressivo foram mais usadas no início da psicoterapia, enquanto as suportivas foram mais recorrentes no meio e fim do processo.

É possível perceber, nesse ponto, que os estudos que aprofundavam o entendimento de como se desenvolvia o processo de psicoterapia e de como a mudança ocorria tornavam-se cada vez mais evidentes. Reconhecida pela comunidade internacional de pesquisadores em psicoterapia, foi eleita presidente do Capítulo Latino Americano da SPR (2007-2008), o que solidificou o intercâmbio com outros pesquisadores dessa comunidade.

Uma dessas parcerias importantes resultou no desenvolvimento de um dicionário em Português brasileiro para análise de narrativas em psicoterapia aplicável ao Modelo de Ciclos Terapêuticos (TCM). O TCM é um método de análise de textos que, quando aplicado a transcrições de sessões de psicoterapia, permite a identificação de momentos-chave do processo psicoterapêutico - os ciclos terapêuticos - nos quais é possível observar mudanças no paciente e que se relacionam à noção de progresso clínico46. Utiliza-se de um software para análise das narrativas em psicoterapia, o que vai ao encontro das preocupações a respeito da credibilidade das análises, feitas por pesquisadores e psicoterapeutas orientados pela teoria subjacente ao processo conduzido e estudado e ao viés que este último tipo de análise pode conter.

No estudo de Yoshida e Mergenthaler23, dois processos de PBP foram analisados a partir do TCM, um considerado bem-sucedido e outro, malsucedido. A hipótese levantada era a de que o caso bem-sucedido apresentaria maior frequência de palavras que envolveriam tom emocional e abstração, em comparação ao outro. Essa assertiva foi confirmada, no entanto, foi possível observar empenho e atividade de ambas as pacientes e, por isso, os autores concluíram que o desfecho do caso malsucedido pode ter sido prematuro, fato este que pode ter colaborado para ter sido considerado insatisfatório.

Khater, Peixoto, Honda, Enéas e Yoshida21 também analisaram uma PBP com o TCM, com intuito de verificar possível associação entre momentos-chave da terapia e intervenções utilizadas pelo psicoterapeuta, em diferentes fases do processo. Esperava-se que o profissional utilizasse maior número de intervenções suportivas no início e final do processo e maior quantidade de intervenções expressivas na fase medial e em momentos clinicamente significantes. Os pesquisadores verificaram, no entanto, que houve equilíbrio de intervenções nas diferentes etapas da terapia e concluíram que elas foram estruturadas em função da verbalização do paciente e dos objetivos do psicoterapeuta no atendimento prestado.

Percebe-se que ao longo do tempo a produção de Yoshida foi se concentrando, cada vez mais, em uma tendência internacional de conhecer os fatores comuns relacionados à mudança em psicoterapia, como pode ser visto no artigo de Honda e Yoshida47, em que os processos de nove pacientes atendidos em serviço-escola foram avaliados. A análise empreendida sugeriu alguns fatores que poderiam ter influenciado a evolução em alguns casos, como por exemplo: motivação que levou o paciente a buscar auxílio psicológico, nível de consciência em relação às dificuldades, disponibilidade para enfrentar os problemas e relacionamento positivo entre psicoterapeuta-paciente.

Com base nos conceitos de eficácia adaptativa e na lista de Indicadores Genéricos de Mudança (IGM) em psicoterapia, Honda e Yoshida48 realizaram uma revisão para compreender fatores comuns que podem ensejar mudanças em pessoas submetidas à psicoterapia. Desta forma, também ressaltaram a importância da aliança terapêutica, da participação ativa no processo e da expectativa e motivação do paciente no que respeita ao tratamento. Além disso, o estudo sugeriu a existência de associação entre qualidade da eficácia adaptativa e possibilidade de o paciente progredir para níveis mais avançados da hierarquia dos IGM. Esta hierarquia apresenta um modelo ideal de mudanças sucessivas, retratadas na literatura e que podem ser observadas empiricamente durante sessões de psicoterapia. A presença desses Indicadores sinaliza como o paciente percebe o seu conflito, a sua atitude para encará-lo, além de expectativas em relação ao processo que integrará.

De fato, a relação entre configuração adaptativa e hierarquia dos IGM pode ser observada no estudo de Honda, Yoshida, Krause e de la Parra35, que analisaram um caso de PBP. Os autores observaram que, à medida que a paciente, ao longo da terapia, pôde emitir respostas consideradas mais adequadas às situações de sua vida (que solucionavam problemas e traziam satisfação), sem ocasionar conflitos, estas puderam ser captadas pelos IGM. Preconizaram que ambas as medidas, quando usadas em conjunto, podem ser preditoras para os resultados de um tratamento, auxiliando, assim, o psicoterapeuta quanto aos parâmetros que podem suscitar ou limitar o progresso do paciente.

Ainda no que concerne à pesquisa sobre fatores comuns em psicoterapia, no trabalho de Guimarães e Yoshida49 foi possível verificar que psicoterapeutas de abordagens teóricas diferentes costumam empregar parâmetros semelhantes para o que consideram progresso em psicoterapia com crianças. Os principais critérios envolvem a possibilidade de a criança expressar seus conflitos e de fazer associações com sua própria vida nos jogos estabelecidos com o psicoterapeuta, verbalizar medos e demonstrar confiança e comunicação afetiva com o profissional.

Concomitante à pesquisa direta envolvendo os processos de psicoterapia, Elisa Yoshida buscou manter a atualização do estado da arte nessa área. Três artigos tiveram como proposta a análise de produção científica sobre um tema determinado6,50,51. Ferreira e Yoshida6 examinaram 81 resumos obtidos em diferentes bases de dados, acerca da produção científica sobre psicoterapias breves no Brasil e na América Latina, entre 1990 e 2000. Verificou-se que apesar da maior prevalência de produções brasileiras, houve equilíbrio entre as referências latino-americanas quanto ao maior número de estudos empíricos, de orientação psicodinâmica e de autoria única. A pesquisa de Yoshida, Santeiro, Santeiro e Rocha50 teve como objetivo verificar a produção acerca das PBP entre os anos de 1980 e 2003. Foram encontrados 534 trabalhos, com predomínio de autoria única e foco em terapias individuais de adultos, de abordagens diversas.

Quadros e Yoshida51 analisaram 45 artigos para verificar como as variáveis do psicoterapeuta eram retratadas em periódicos brasileiros, no período de 1998 a 2007. A pesquisa se justificou em virtude de os fatores ligados ao psicoterapeuta terem influência sobre a evolução de um processo terapêutico e sobre seus respectivos resultados. Os autores observaram predomínio de trabalhos teóricos, com enfoque psicodinâmico e de autoria única. Quanto aos fatores do psicoterapeuta, os artigos mencionaram tempo de experiência, necessidade de supervisão, importância do próprio bem-estar emocional e a relevância de valores, como honestidade, bondade e justiça.

Verificou-se que a produção de trabalhos assinada individualmente concentra estudos nos quais a pesquisadora se ocupou, na maioria das vezes, de debates teóricos, como por exemplo, no estudo realizado em 199840. Nele foi possível verificar que pesquisas de resultado - que se centram na eficácia e efetividade das psicoterapias - tinham cedido espaço para as de processo - com foco em demonstrar como ocorrem as mudanças no paciente. Isto ocorre porque os estudos de processos possibilitam coletar e analisar dados a partir de diferentes perspectivas (do paciente, do psicoterapeuta e de juízes externos às sessões), que podem contribuir para o acúmulo do conhecimento neste âmbito. Neste artigo, Yoshida ainda apresentou três instrumentos que podiam explicar os mecanismos que desencadeiam mudança e que auxiliam na identificação destes episódios: Defense Mechanisms Rating Scales, Rutgers Psychotherapy Progress Scale e Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada - Redefinida.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos, especialmente nas duas últimas décadas que ora vêm sendo debatidas como as que favoreceram a democratização de acesso a informações e a informações científicas, o ensino superior do país passou por um franco processo de expansão, tanto na rede privada quanto na pública, o que englobou o crescimento dos programas de pós-graduação. Por conseguinte, houve impactos sobre o número de pesquisadores atuantes e sobre a produção estritamente acadêmica decorrente. Instalou-se, assim, um novo momento histórico nesse contexto.

As pesquisas no âmbito das psicoterapias desenvolvidas por brasileiros passaram a desfrutar de visibilidade inédita, apoiadas pelos novos recursos tecnológicos e pelo novo impulso aos programas de pós-graduação. Uma visibilidade que ultrapassava marcadamente o cenário local e atingia o internacional. O trânsito de brasileiros que incrementaram suas parcerias, estabelecendo redes de trabalho multinacionais, fez com que alguns deles passassem a ocupar cargos de destaque no panorama global. Dois exemplos possíveis de serem dados neste momento é o ineditismo da presidência, por brasileiros, da International Psychoanalytical Association (Claudio Laks Eizirik, entre 2005 e 2009) e do capítulo latino-americano da SPR (Elisa Medici Pizão Yoshida e Fernanda Barcellos Serralta, respectivamente entre 2007-2008 e 2016-2018).

Diante dos dados sumarizados sobre a produção da Professora Elisa Yoshida, cabe ainda lembrar que, no Brasil, pesquisadores afiliados a instituições universitárias também cumprem atividades administrativas, de ensino e orientação na graduação e na pós-graduação. Da mesma forma, nessa análise não se pretendeu abarcar outras produções que extrapolassem o artigo publicado em periódico como suporte de informação.

A análise de artigos foi empreendida porque se concebe que essas produções são aquelas pelas quais o conhecimento obtido em pesquisas é consolidado, após ele percorrer um longo trajeto, iniciado quando da concepção de determinado projeto e continuado pelo processo de submissão do manuscrito ao sistema de avaliação anônima por pares. Além de, por essa via, o conhecimento obtido ser disponibilizado à comunidade, incluindo a acadêmica. Não se procurou, todavia, adentrar no campo de discussões que tecem críticas aos modos de produzir ciência na contemporaneidade e/ou que questionam se o escoamento de resultados de investigações via periódicos científicos seria a melhor maneira que o psicoterapeuta teria disponível para se comunicar com seu público. Outrossim, por questões espaciais, neste momento não se contemplou outros tipos de produções da Pesquisadora, como capítulos de livros e orientações acadêmicas.

Cabe dizer, a título de conclusão, que a produção analisada demonstra um percurso acadêmico pautado por objetivos claros, coerente e em consonância com as expectativas da comunidade acadêmica relativas à produção científica nos âmbitos nacional e internacional. É importante salientar, ainda, a preocupação pautada pela responsabilidade em relação às necessidades específicas oriundas da psicoterapia praticada em território brasileiro.

Especificamente no que concerne às contribuições de Elisa Yoshida, pode-se concluir que foi uma das pesquisadoras responsáveis pela difusão, no Brasil, de propostas de PBP elaboradas por autores nacionais e internacionais38, da aplicação clínica de instrumentos de avaliação psicológica no âmbito das PBP, utilizados não só para avaliar os pacientes, mas para acompanhar o processo e psicoterápico e avaliar seus resultados.

Ademais, a Professora Elisa Yoshida formou pesquisadores que transitam pelas duas linhas de pesquisa orientadoras de sua produção e que, atualmente, se encontram afiliados a diversas instituições universitárias, públicas e privadas, situadas nos mais diversos Estados da Federação. Seu empenho para formar psicoterapeutas, para ensinar de forma acessível a técnica e a sensibilidade da PBP e para consolidar a produção de conhecimento empiricamente sustentado no campo das psicoterapias permanecem representativos do que se produz na América Latina, nos dias atuais.


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a Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Psicologia - Uberaba - Minas Gerais - Brasil
b Universidade Federal do Tocantins, Psicologia - Miracema - Tocantins - Brasil
c Universidade Nove de Julho, Psicologia - São Paulo - São Paulo - Brasil
d Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicologia - São Paulo - São Paulo - Brasil
e Universidade de Pernambuco, Psicologia - Garanhuns - Pernambuco - Brasil

Correspondência
Tales Vilela Santeiro
e-mail: talesanteiro@hotmail.com / tales.santeiro@uftm.edu.br

Submetido em: 27/06/2018
Aceito em: 09/09/2018

Contribuições: Tales Vilela Santeiro - Análise estatística, Coleta de Dados, Conceitualização, Gerenciamento do Projeto, Investigação, Metodologia, Redação - Preparação do original, Redação - Revisão e Edição;
Glaucia Mitsuko Ataka da Rocha - Conceitualização, Investigação, Metodologia, Redação - Preparação do original, Redação - Revisão e Edição;
Giovanna Corte Honda - Coleta de Dados, Conceitualização, Investigação, Redação - Preparação do original, Redação - Revisão e Edição;
Maria Leonor Espinosa Enéas - Contribuição do autor: Conceitualização, Redação - Revisão e Edição;
Evandro de Moraes Peixoto - Conceitualização, Redação - Revisão e Edição.

Instituição: Universidade Federal do Triângulo Mineiro

 

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